
Estadão Conteúdoi
O
Tribunal de Apelação de Londres rejeitou o recurso da mineradora BHP,
mantendo, assim, a sua responsabilização pelo rompimento da barragem de
Fundão, em Mariana (MG), em 2015.
Em novembro, a Alta Corte de
Londres decidiu que a mineradora era legalmente responsável pelo
rompimento da estrutura, à época operada pela Samarco, joint venture
entre BHP e Vale na mesma proporção. O pedido da companhia para recorrer
dessa decisão foi rejeitado em janeiro pela própria Alta Corte.
A BHP então recorreu diretamente à Corte de Apelação, argumentando
que o juiz responsável pelo caso não havia considerado os argumentos
apresentados pela empresa. Mas esta instância negou a autorização para o
recurso nesta quarta-feira, 6, afirmando haver “ampla evidência” para
justificar as conclusões da Alta Corte.
A decisão reafirma que a
empresa é considerada responsável direta pelos danos. Agora, a Justiça
inglesa passa à fase de verificação e quantificação dos danos e indenizações.
Posicionamento
Em nota, a BHP Brasil destacou que desde
2015 vem apoiando a Samarco para garantir “uma reparação justa e
integral” às vítimas do desastre. Em nota, lembrou que a Fase 2 do
julgamento começa em abril de 2027, e frisou que eventuais novos
julgamentos para apuração de danos devem ser concluídos somente após
2030.
“A
BHP permanece confiante de que o trabalho realizado desde 2015 e o Novo
Acordo do Rio Doce, assinado em outubro de 2024, que assegurou R$ 170
bilhões para a reparação, oferecem a solução mais rápida e eficiente
para compensar os atingidos. Esse trabalho já garantiu pagamentos a mais
de 625 mil pessoas”, afirmou na nota. No primeiro ano de execução,
cerca de R$ 30 bilhões já foram desembolsados, sendo R$ 17 bilhões pagos
diretamente a pessoas em indenizações individuais.
A empresa
sublinhou ainda que a Corte Inglesa, em decisão de mérito de novembro de
2024, “reconheceu os amplos programas de indenização e validou as
quitações assinadas por aqueles que já receberam indenização integral – o
que reforça a importância do trabalho realizado no Brasil ao longo da
última década”. Com isso, diz a BHP, “cerca de 40% do total de
reclamantes individuais na ação no Reino Unido serão excluídos do
processo, o que reduzirá de forma significativa o tamanho e valor dos
pedidos lá formulados”.
A
Samarco disse, em nota, que o Novo Acordo do Rio Doce, reconhecido pela
Justiça brasileira e homologado por unanimidade pelo Supremo Tribunal
Federal (STF), “assegura a continuidade e a conclusão definitiva da
reparação, que vem avançando de forma consistente ao longo da Bacia do
Rio Doce. Todos os signatários estão amparados pela soberania da Justiça
nacional, que garante a execução do Acordo e a fiscalização do
cumprimento das responsabilidades de cada parte”.
Procurada, a Vale não se manifestou até a publicação desta reportagem.