Atuação:
Consultoria multidisciplinar, onde desenvolvemos trabalhos nas seguintes áreas: fusão e aquisição e internacionalização de empresas, tributária, linhas de crédito nacionais e internacionais, inclusive para as áreas culturais e políticas públicas.
O
Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a
Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e a Empresa Brasileira de
Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii) já aprovaram conjuntamente um
apoio de R$ 10,5 bilhões para projetos de inteligência artificial (IA)
entre janeiro de 2023 e fevereiro de 2026.
Quase metade desse
volume foi aprovada pelo BNDES, cerca de R$ 5,1 bilhões, sendo R$ 4,1
bilhões em crédito e R$ 947 milhões em equity.
O apoio da Finep alcançou R$ 4,25 bilhões, incluindo R$ 2,5 bilhões
em crédito, R$ 1,1 bilhão em fomento não reembolsável e R$ 636 milhões
em subvenção.
Já a Embrapii aprovou R$ 1,2 bilhão para 632
projetos na modalidade de coinvestimento não reembolsável, “utilizando a
estrutura de sua rede de instituições científicas, tecnológicas e de
inovação, com mais de 90 unidades credenciadas”, explicou o BNDES.
Segundo o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, a inteligência
artificial é elemento estratégico no processo de neoindustrialização do
País.
“A IA é uma tecnologia transversal, capaz de revolucionar
setores como agricultura, indústria e serviços, aumentando a
produtividade e garantindo nossa soberania tecnológica, uma necessidade
econômica para tornar o país competitivo no cenário internacional”,
declarou Mercadante, em nota distribuída à imprensa.
O
Tesouro Nacional, a B3 e o Banco do Brasil lançaram em conjunto nesta
segunda-feira, 11, o Tesouro Reserva, novo título público do Tesouro
Direto voltado para a reserva de emergência. Inicialmente, o
investimento está disponível apenas para os mais de 80 milhões de
correntistas do Banco do Brasil.
“O
título está restrito à plataforma do Banco do Brasil, que foi o
parceiro que nos ajudou a desenvolver o produto. É uma nova plataforma,
uma evolução do que nós temos, mas na prática ele é exatamente igual ao
investimento dos outros títulos”, afirmou Daniel Leal, secretário do
Tesouro Nacional.
De
acordo com Leal, outros bancos e financeiras estão desenvolvendo suas
próprias plataformas para oferecer o Tesouro Reserva aos seus clientes.
Ele não revelou, no entanto, o número de instituições e nem estabeleceu uma data para outros lançamentos.
“Nós
sempre estamos em conversa com todos os parceiros do Tesouro Direto,
todas as corretoras ou bancos, para que eles entrem na plataforma. Eles
já demonstraram interesse, mas ainda têm que fazer a parte do
desenvolvimento, então isso aí demora um tempinho”, afirmou Leal.
Funcionalidades inéditas
O
Tesouro Reserva traz algumas funcionalidades inéditas buscando ampliar o
acesso dos brasileiros ao mercado formal de investimentos.
Ele
oferece rendimento 100% atrelado à taxa básica de juros (Selic),
negociação 24 horas por dia e 7 dias por semana, valor mínimo de R$ 1,00
e sem marcação a mercado.
Analistas
veem eleições de 2026 como vetor de volatilidade, mas preço final da
moeda dependerá das sinalizações fiscais do próximo governo; cenário no
Oriente Médio segue com incertezas, mas balança comercial reage
positivamente e funciona como pressão baixista
Eleições domésticas devem fazer mais volatilidade do que preço, ao
passo que balança comercial segue como catalisador positivo para o real
ante o dólar
Eduardo Vargasi
O dólarfechou a semana a R$ 4,89
e segue testando o suporte psicológico de R$ 5. O mercado aponta como
fatores de risco, no entanto, o cenário eleitoral – tanto as eleições de
meio de mandato dos EUA quanto as eleições presidenciais no Brasil – e o
rumo da política de juros no Brasil.
O
diferencial de juros entre o Brasil e os EUA é um dos principais
fatores que ajudam a explicar o fluxo de dólares para o país e o câmbio
atual. Embora o Brasil não tenha um motivo singular e específico para
atrair capital estrangeiro, o cenário global aumentou o apetite ao risco
dos investidores, canalizando aportes para mercados emergentes – e
então funcionando como uma pressão baixista para a cotação do dólar.
Veja abaixo a trajetória do câmbio nos últimos meses:
Cotação
do dólar nos últimos 12 meses mostra desaceleração contínua com baixa
substancial entre abril e maio de 2026 – Gráfico: Reuters
O que explica o câmbio desvalorizado
O conflito no Oriente Médio se mostrou um catalisador positivo, dada a posição confortável do país como exportador líquido de petróleo. Embora o conflito em si ainda seja permeado por incertezas, o mercado já projeta impactos substanciais na balança comercial.
A
exemplo disso, o BTG Pactual elevou a expectativa de superávit
comercial para US$ 90 bilhões, ante US$ 75 bilhões da projeção anterior.
Assim como a questão dos juros, é um fator que é mais causa do que
consequência do câmbio desvalorizado.
Em abril, o Brasil já alcançou o maior volume de exportações da sua história, com US$ 34,148 bilhões,
conforme dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e
Serviços (MDIC). O balanço da pasta mostra que o crescimento do
superávit foi impulsionado por um incremento de 14,3% no valor exportado
pelo Brasil, mais do que o dobro do crescimento de 6,2% no valor das
importações.
Ou seja, o cenário se mantém positivo para o real
ante o dólar, embora o médio prazo possa mostrar uma depreciação
adicional ao longo do ano, especialmente à medida que o risco eleitoral e
a volatilidade global se intensificarem.
Eleição no Brasil fará preço no dólar?
Isso,
dado que o mercado enxerga as eleições domésticas como um fator de
aumento de volatilidade, e não de preço. Os impactos na moeda vindos de
Brasília só devem se formar em 2027, à medida que o próximo mandatário
faça suas sinalizações acerca da política fiscal.
Até lá, as falas
de Dario Durigan e Lula ou as sinalizações de Flávio Bolsonaro sobre
seu eventual governo devem causar solavancos na moeda, mas não funcionar
como um vetor direcional de preço.
“Devemos
ter mais oscilação, porque no momento [o dólar] está bem comportado,
desde o fim do ano passado varia em bandas bem estreitas, e isso vai
alargar com as eleições, até mesmo os demais ativos
como DI, bolsa. O Brasil não melhorou seus fundamentos nesses quatro
anos de governo, e a parte fiscal segue bem preocupante. Fomos
beneficiados pelo fluxo, com um gringo mais otimista com o Brasil até
mesmo do que os alocadores locais”, comenta Bruno Shahini, especialista
em investimentos da Nomad.
“O discurso [do vencedor] após as
eleições é mais importante do que as eleições em si”, completa,
explicando que acenos em direção a um ajuste fiscal e sobre a pauta de
indexações devem ser fatores positivos.
Gustavo Sung,
economista-chefe da Suno, vê um câmbio podendo encerrar em R$ 5,40 por
conta da possível pressão altista causada pelas eleições. Entretanto, a
casa projeta que a moeda se mantenha na faixa dos R$ 5 pelo segundo e
terceiro trimestre deste ano.
“A nossa expectativa é de um cenário
mais benigno para a taxa de câmbio no curto prazo. Teremos uma
volatilidade extra por questões eleitorais e questões domésticas, por
definições sobre a agenda econômica, questões fiscais, quem será
vitorioso; será uma eleição muito apertada. Essa
volatilidade extra deve levar o câmbio a ficar um pouco acima do que nós
estamos enxergando hoje”, explica.
E se democratas vencerem eleições em Novembro?
Desde o liberation day o dólar perdeu força globalmente. A política comercial de Donald Trump fez o país perder protagonismo e, desde então, a moeda americana nunca se recompôs.
O
DXY, índice que mensura a força do dólar contra uma cesta de moedas,
operava na casa dos 110 ao fim de 2024, caindo para 98 ao longo do
primeiro trimestre do ano seguinte, e para 96 nas semanas subsequentes.
Desde então a cotação fica lateralizada, sem sinais de recuperação.
Atualmente o DXY opera em 98.
Entretanto, um revés para Trump pode mudar parcialmente o cenário e mexer na dinâmica de preços. Em novembro os EUA
terão eleições de meio de mandato e há chances de uma vitória relevante
dos democratas – o que implicaria em uma limitação imediata das ações
de Trump, que passaria a governar sem uma base ampla no parlamento.
“O
Trump minou diversos alicerces do dólar dos EUA, tanto com políticas de
tarifas quanto com a sua política externa; vimos o que aconteceu com a
Groenlândia, o Canadá, as críticas a outros países membros da Otan. Com
isso, vimos a fraqueza do dólar não só vindo das políticas comerciais,
mas de um desalinhamento de um modo geral”, comenta Shahini, da Nomad.
“Se tivermos umas midterms
com vitória democrata, a governabilidade do Trump fica bastante
comprometida. Ficará muito mais difícil governar o país, e esse espaço
para ações unilaterais se torna bem limitado, e então podemos ver algum
fortalecimento do dólar”, completa o especialista.
Com
modelo data-driven que roda 10.000 simulações da eleição a cada
atualização, projeção da Race to the WH leva em conta histórico
eleitoral de cada distrito, pesquisas, arrecadação e outros dados;
informações são atualizadas diariamente – Gráfico: Race to the WH
Fluxo cambial segue no radar
Como fator benéfico para o real ante o dólar, o fluxo de capital
segue sendo um catalisador positivo, e o mercado ainda enxerga espaço
para que esse cenário se perpetue ao longo dos próximos meses.
Um
relatório do BTG Pactual que reúne dados registrados pelo Banco Central
(BC) mostra que na quarta semana de abril (20–24) houve uma entrada
líquida de US$ 9,2 bilhões, sendo US$ 7,7 bilhões pela conta financeira e
US$ 1,5 bilhão pelo segmento comercial.
Segundo o próprio BTG, trata-se do maior ingresso semanal de dólares (financeiro + comercial) já registrado no país.
“O
segmento financeiro surpreendeu positivamente, mais do que compensando
todas as saídas de dólares observadas no início do mês”, dizem os
especialistas do BTG.
– Gráfico: BTG Pactual
O
investidor estrangeiro também atingiu um patamar histórico de
participação na bolsa brasileira, representando 61,2% dos negócios
totais da B3 no acumulado de 2026 até 16 de abril, sendo a primeira vez
que esse percentual supera 60%.
Em termos de volume financeiro,
foram R$ 26,4 bilhões injetados em janeiro, R$ 15,3 bilhões em fevereiro
e R$ 11,9 bilhões em março – sendo que só o mês de janeiro superou todo
o fluxo estrangeiro de 2025.
No total, até 15 de abril, o
estrangeiro alocou R$ 67,7 bilhões na bolsa, e o volume diário de
negócios saltou 51% ante o ano anterior.
O que esperar?
Segundo
o último boletim Focus do Banco Central, a previsão do mercado para a
cotação do dólar está em R$ 5,25 para o final deste ano. No fim de 2027,
estima-se que a moeda norte-americana fique em R$ 5,30.
A visão é de que o dólar permaneça pressionado por fundamentos estruturais, mas ainda sem tendência definida de curto prazo.
O
Itaú projeta um dólar a R$ 5,15 ao final deste ano, em uma revisão de
cenário que fora atualizada com uma resolução do conflito Irã/EUA/Israel
para o fim de maio (antes era fim de abril), o que implica prêmio
geopolítico persistente e petróleo em US$ 85 por barril como média para
este ano (ante US$ 75 anteriormente).
A visão da casa é que o
bloqueio do Estreito de Ormuz pelos EUA como instrumento de pressão
econômica sobre o Irã é o principal mecanismo de transmissão para os
preços de energia globais.
Assim, o time de pesquisa
macroeconômica do banco espera um crescimento de 2,5% do PIB no primeiro
trimestre e vê o mercado de trabalho fazendo um piso, com o desemprego
recuando de 4,4% em fevereiro para 4,3% em março.
“O equilíbrio
atual é instável e o caminho para normalização do fluxo de navios no
Oriente Médio é tortuoso, implicando em preços de petróleo mais
elevados”, diz o Itaú.
Sobre política monetária, de olho em um
núcleo do PCE estimado em 3,2% ao ano para março, o Itaú não enxerga
cortes de juros pelo Federal Reserve (Fed) neste ano. Aliás, a casa
ainda destaca que a confirmação do nome de Kevin Warsh como novo
presidente do Fed não deve alterar a função de reação do BC americano.
O
Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) informou
ter aprovado um financiamento de R$ 49,8 milhões para a cooperativa
agroindustrial Agrária. Os recursos serão destinados a um projeto para
aumentar em cerca de 25% a capacidade de produção de malte, atualmente
em 360 mil toneladas por ano, na unidade de Guarapuava, no Paraná.
O
crédito tem como origem o Programa de Desenvolvimento Cooperativo para
Agregação de Valor à Produção Agropecuária (Prodecoop) e o Programa para
Construção e Ampliação de Armazéns (PCA).
“O
projeto apoiado pelo BNDES vai aumentar a eficiência e reduzir as
perdas do processo de produção de malte, além de contribuir com a
melhoria na pureza dos grãos. Uma agroindústria mais eficiente e
competitiva é o objetivo da política industrial do governo do presidente
Lula e vai trazer impactos positivos para a economia local, como
acontecerá em Guarapuava”, declarou o presidente do BNDES, Aloizio
Mercadante, em nota distribuída à imprensa.
O apoio de R$ 38,9
milhões via Prodecoop será destinado à implantação de uma torre de
maceração e germinação de cevada com capacidade de produzir até 80 mil
toneladas de malte por ano, construída com estruturas pré-fabricadas e
metálicas, “incentivando a cadeia de bens de capital e de serviço
nacional”, informou o banco de fomento.
Os
demais R$ 10,9 milhões, via PCA, apoiarão a modernização do processo de
armazenagem da maltaria, com a implantação de um novo sistema de
transferência de cevada e de trigo.
“Haverá uma correia
transportadora com um volume de processamento de 1,5 mil toneladas por
dia que irá alimentar a nova torre de maceração, promovendo um aumento
de receita anual estimada pela Agrária em R$ 350 milhões. Serão
instaladas também máquinas de limpeza e sistema de despoeiramento,
melhorando a qualidade e a pureza dos grãos”, enumerou o BNDES.
A
implantação do projeto tem duração prevista de dois anos. Segundo o
BNDES, a maltaria da Agrária atende cerca de 30% do mercado brasileiro
de cerveja.
Após crise global e reestruturação, empresa decide manter atual metragem ocupada e focar em consolidação das praças atuais
Logo da WeWork na Torre JK, em São Paulo. 2017 (Crédito: Reprodução/Facebook/WeWork)
Matheus Almeidai
A empresa WeWork,
que aluga espaços de trabalho, planeja focar na otimização dos mais de
84 mil metros quadrados de escritórios que gerencia no país, em vez de
expandir seu portfólio. Essa perspectiva de estratégia de negócios vai
até 2028, segundo Claudio Hidalgo, vice-presidente da empresa para a
América Latina.
“Nosso foco agora é fortalecer os escritórios em
funcionamento. Novas unidades serão abertas apenas em caso de negócios
especiais”, explica o executivo.
Uma
das apostas da empresa é o modelo de locação de espaço para uso
exclusivo por parte de uma única empresa. Hidalgo diz que esse conceito
está sendo explorado. “Há uma companhia, que está sob confidencialidade,
com a qual estamos trabalhando nesse molde”, afirma. O espaço é
construído de forma a atender às necessidades de forma específica.
Essa
estratégia faz sentido para Brasil porque é o principal mercado da
companhia, com 80% do negócio. É no mercado brasileiro onde a WeWork
conta com o maior número de escritórios e a maior ocupação em termos de
metragem. Os profissionais também têm uma taxa de frequência maior no
país do que nos países vizinhos.
Crise ficou para trás?
A WeWork superou uma crise
aguda após pedir recuperação judicial nos EUA em 2023. No ano seguinte,
a empresa conseguiu reestruturar contratos e gerenciar bilhões em
dívidas.
Até 2019, a empresa alugou diversos imóveis em
localidades “premium” ao redor do mundo, com custos altos para se manter
nessas localizações privilegiadas. O isolamento social e subsequente
queda nos preços dos aluguéis deixou a empresa com uma operação
comprometida e um endividamento crescente.
O
processo de recuperação envolveu novos acordos com proprietários e
encerramento de operações em várias unidades ao redor do mundo. No
Brasil, a companhia deixou de pagar o aluguel de algumas unidades e
chegou a ser processada por fundos de investimentos donos dos imóveis.
No
entanto, dados mais recentes divulgados pela WeWork parecem sinalizar
cenários mais positivos. Em entrevista ao New York Post, o diretor
global de imóveis da empresa, Peter Greenspan, afirma que sua receita
subiu de US$ 2,2 bilhões em 2024 para US$ 2,3 bilhões em 2025.
WeWork ainda é líder no Brasil
Mesmo
com as dificuldades, a WeWork mantém uma posição destacada no mercado
brasileiro de escritórios compartilhados. Levantamento produzido pela
SiiLA, plataforma de dados que reúne informações e análises sobre o
mercado imobiliário, mostra que a empresa ocupa, atualmente, uma área
três vezes maior do que a segunda colocada, a Regus.
Veja a área ocupada pelas maiores do setor nos últimos cinco anos:
Guilherme
Horn acredita que as empresas não devem ter medo de errar ao adotarem
ferramentas de IA em seus processos. Executivo lançou o livro 'Mindset
de IA' (Ed. Gente)
Guilherme Horn, CEO do WhatsApp no Brasil (Crédito: Divulgação)
Bruno Pavani
Inteligência Artificial
é a expressão da moda em diversos setores, mas será que as companhias
brasileiras estão prontas para a implantação de automação via IA em suas práticas do dia a dia?
O CEO do WhatsApp no Brasil, Guilherme Horn, usou o seu conhecimento na área para escrever o livro ‘Mindset de IA‘
(Ed. Gente). Na obra, ele aponta que, mais do que mudanças
operacionais, as empresas precisam mudar de mentalidade para não ficarem
para trás e ter sucesso quando o assunto é automação e o uso das IAs
generativas. Para ele, as empresas precisam se permitir errar com a IA.
“Os
profissionais precisarão desaprender muitas das práticas que utilizaram
até hoje e reaprender a extrair o verdadeiro potencial da tecnologia,
entendendo como pode gerar valor contínuo para os processos e para o
conhecimento da organização. A IA pensa, mas a decisão final e a
responsabilidade continuam sendo humanas. É fundamental não ter medo de
falhar e não reprimir os erros dentro da empresa”, afrima Horn.
Principais pontos da entrevista com Guilherme Horn
O que o seu livro traz de diferente do que vem sendo debatido sobre IA nas empresas?
O grande diferencial está em focar no modelo mental (mindset)
necessário para a implementação da IA, ao invés de tratar o tema apenas
como a adoção de uma nova ferramenta técnica. Em vez de se concentrar
na simples operação de plataformas, o debate deve ser o que os líderes,
executivos e empreendedores precisam desaprender de suas vivências
passadas e o que devem reaprender para lidar com essa inovação.
O
principal objetivo do livro é ensinar como compreender o verdadeiro
potencial da tecnologia para gerar valor real para o negócio, para os
processos internos e para o conhecimento acumulado da organização.
O
sucesso com a IA não se resume a implementar ou adotar um sistema
tecnológico, mas sim a uma necessidade profunda de transformar todo o
negócio por meio da adoção de uma mentalidade adequada para usufruir de
verdade de tudo o que essa tecnologia tem a oferecer.
Muitos empresários ainda temem o uso de IA em processos mais elaborados nas empresas. O que você diria para esse executivo?
Os
executivos e empresários devem encarar o erro nessa implementação como
uma parte absolutamente essencial do processo de experimentação com a
Inteligência Artificial, não devem ter medo de estimular ao máximo que
as equipes experimentem a tecnologia. É fundamental não ter medo de
falhar e não reprimir os erros dentro da empresa.
O
próprio Elon Musk comemorou a explosão de um de seus foguetes
justamente pelo conhecimento valioso extraído daquele evento. À medida
que a empresa treina e aprende com os próprios erros, ela adquire um
ganho muito grande de maturidade.
Os líderes precisam aceitar esse trade-off
e entender que é natural testar diversas abordagens que talvez não
tragam retorno financeiro imediato ou que acabem sendo descartadas mais
tarde, mas apenas passando por essa fase prática é possível descobrir se
realmente vale a pena usar a IA em determinados processos. Cultivar
essa tolerância à falha e a experimentação contínua é o conselho central
para criar o modelo mental adequado e bem-sucedido na adoção dessa
tecnologia.
Mas claro que o elemento
humano vai continuar sendo muito importante, porque a IA pensa, mas é o
ser humano que decide. Assim como uma pessoa não deve seguir um
aplicativo de rotas cegamente para dentro de uma área perigosa da
cidade, as empresas precisam manter o controle final e a
responsabilidade de avaliar as decisões da máquina. Essa habilidade é
muito mais permanente do que as ferramentas em si.
Estudos apontam que a IA vai acabar com empregos no futuro. Como você olha para isso?
Sem
dúvida, algumas profissões realmente deixarão de fazer sentido porque a
IA passará a executar quase a totalidade desses trabalhos. No entanto,
esse não é um fenômeno exclusivo dessa tecnologia.
Historicamente,
toda tecnologia nova substitui antigas ocupações ao mesmo tempo em que
cria novas. Com a invenção da geladeira, por exemplo, os empregos na
indústria do gelo acabaram; com a chegada dos carros, o mercado de
charretes e cavalos diminuiu.
Mas há uma grande diferença dessa
revolução tecnológica para as anteriores, porque a natureza do trabalho é
afetada. Enquanto as tecnologias do passado automatizavam
predominantemente o trabalho físico e braçal, a IA substitui o trabalho
intelectual e mental.
O desenvolvedor, que usa a mente para criar
um código ou sistema, agora pode ter parte de sua função substituída
pela máquina. Mas, apesar disso, a perspectiva é otimista e, no saldo
geral, a criação de novos empregos costuma ser positiva.
A implantação de IA nos processos das empresas é cara. Como você vê esse cenário?
Embora
venha diminuindo, o custo de implementação da Inteligência Artificial
ainda é alto. Por conta disso, muitas empresas limitam o acesso à
tecnologia, disponibilizando apenas um determinado número de “tokens” de
uso para cada área ou funcionário.
Isso acontece porque, na
prática, assim que o colaborador começa a usar a IA, ele percebe
rapidamente inúmeras possibilidades de realizar seu trabalho de forma
mais rápida e eficiente, o que o leva a querer utilizar a ferramenta
cada vez mais.
As empresas precisam gerenciar um importante
trade-off: decidir o quanto investir e liberar o uso, tendo a
consciência de que permitir uma fase inicial de experimentação é
absolutamente necessária, mesmo que não haja um retorno financeiro
imediato.
Anos
atrás nós vimos a chamada revolução tecnológica, onde empresas foram
obrigadas a parar de funcionar em um modo analógico. O que difere aquela
transformação da proposta pela IA?
Em ambas as
revoluções tecnológicas, as empresas se deparam com dois caminhos
distintos de adoção e profundidade. Na transformação digital, as
organizações podiam apenas ir para o mundo digital, como uma loja de
varejo que cria um site de e-commerce, mas mantendo sua logística
inteiramente dependente e amarrada à estrutura física, ou podiam mudar
toda a sua estratégia para se tornarem nativamente digitais, é o caso da
Magalu, por exemplo.
Com a IA, ocorre uma bifurcação muito
parecida: a empresa pode escolher apenas implementar algumas ferramentas
pontuais para ganhar eficiência ou pode usufruir de todo o potencial
estratégico da tecnologia.
As que escolhem esse segundo caminho
adotam um modelo mental em que a escala deixa de ser uma restrição e a
IA passa a ser utilizada para aprender o tempo todo com as interações
internas e externas, podendo tornar a companhia muito mais poderosa que
as concorrentes.
O cliente final já enxerga as empresas
adotando IA em processos de atendimento ao consumidor, pré e pós-venda.
Onde você vê que as companhias já estão adotando ferramentas de IA?
A
adoção da Inteligência Artificial vai muito além do atendimento ao
cliente e já afeta profundamente a gestão, os processos internos e o
trabalho intelectual das empresas.
Diferenças já podem ser
sentidas em rotinas administrativas, financeiras e jurídicas, quando um
advogado que usa a tecnologia para ler uma petição inicial, compará-la
com ações anteriores e rascunhar uma resposta, ou a modernização de
controles financeiros como o fluxo de caixa; na comunicação interna e gestão do conhecimento, pois a IA aprende com absolutamente todas as interações da companhia.
Isso
abrange não apenas o contato externo com os consumidores, mas também as
interações diárias entre os próprios funcionários, transformando o
conhecimento acumulado da organização.
Como
convencer um empresário de que uma determinada ferramenta de IA vai se
tratar de uma mudança significativa e não de uma moda passageira?
As
ferramentas de Inteligência Artificial evoluem de forma extremamente
rápida, de modo que uma plataforma que hoje é considerada a melhor para
criar fotos ou vídeos pode ser facilmente superada por outra em questão
de meses.
Por conta dessa rápida obsolescência, focar apenas na
adoção da tecnologia em si é insuficiente. Por isso a verdadeira
diferença está no modelo mental que embasa essa adoção, pois ele é muito
mais permanente e perene do que a própria ferramenta.
Caso a
liderança da empresa adote o mindset adequado e compreenda claramente o
propósito estratégico de utilizar a tecnologia, as constantes mudanças
nas plataformas não conseguirão impactar o plano de longo prazo da
organização.
Panorama da IA nas empresas
De
acordo com estudo da Fundação Getúlio Vargas, a adoção de IA pelas
empresas brasileiras ainda engatinha, apesar do grande conhecimento
sobre as ferramentas.
99% dos dirigentes de médias e grandes
empresas afirmam conhecer ou já ter tido contato com ferramentas de IA
generativa, como ChatGPT e Gemini, mas apenas 35% relatam utilizá-las de
forma recorrente.
“Uso pouco” + “com frequência” chega a 83% nas médias e grandes, 70% nas MPEs e 48% dos MEIs.
Em 63% das médias e grandes, 46% das MPEs e 42% dos MEIs, há uso de IA generativa para apoiar as atividades do negócio.
Segundo o CEO da Atlas, Márcio Veiga, o Nordeste é a única região em que a empresa não tem a liderança de mercado
Márcio Veiga, CEO da Atlas Eletrodomésticos (Crédito: Divulgação/Atlas)
Ana Carolina Nunesi
A Atlas Eletrodomésticos, dona das marcas de fogão Atlas e Dako, planeja
ampliar sua participação de mercado no país por meio de expansão nas
regiões Norte e Nordeste. Atualmente, a companhia tem 37% do mercado
nacional, sendo o Norte e o Nordeste responsáveis por 28% do todo. Os
planos da companhia incluem renovação de linhas de produtos, o que já
demandou investimentos de R$ 30 milhões.
Segundo o CEO da Atlas, Márcio Veiga,
o Nordeste é a única região em que a empresa não tem a liderança de
mercado de fogões. “O custo logístico inviabilizava nossa
competitividade no Nordeste. E o custo do transporte no Brasil subiu
muito desde a pandemia”, diz Veiga.
Para amenizar esse gargalo e acelerar
os planos, a Atlas inaugurou uma unidade de produção na cidade
pernambucana de Escada, a 60 quilômetros da capital Recife, em 2024,
dando um salto na capacidade produtiva.
Também
está no horizonte próximo a ampliação da unidade de Pato Branco (PR),
com foco em automação. Hoje, a capacidade instalada é de 3 milhões de
unidades por ano, que atendem a 15 mil pontos de venda pelo país.
Foco em economia no consumo de gás
A
renovação do portfólio Atlas focou em eficiência energética. “As donas
de casa dão muito valor para para eficiência, porque o consumo no final
do mês do gás impacta no orçamento das famílias. Então, a gente não quis
trazer simplesmente um produto novo, mas sim um produto que tivesse um
impacto positivo”, conta Veiga.
Foi feita a inclusão de queimadores com projeto italiano que reduziram o consumo de gás em 10% em relação à plataforma anterior.
“Conseguimos uma equação de custo e isso trouxe uma performance melhor
no produto, em relação à plataforma que a gente tinha anterior.
Melhoramos a performance em 10%”.
Fornos mais largos e com visor maior
Três outras melhorias, baseadas nas avaliações e demandas dos consumidores, foram: mudança nas grades
(das bocas do fogão) com seis pontos de apoio para dar maior
estabilidade, fornos mais largos e fornos com visor maior, para não
precisar abrir a porta do forno para checar o assado, o que reduz o
consumo de gás.
"Por
ser um produto de entrada, trazer um design diferente é um desafio.
Fazer algo diferente e manter a competitividade e o custo é difícil, mas
conseguimos, inclusive, soluções relevantes para o consumidor de hoje”,
relata.
O executivo diz o projeto
de remodelação de linhas foi um processo de quase três anos que se deu
justamente em “um novo momento de elevação dos custos”.
A Dako se posiciona como uma marca premium, focada em segmentos de maior valor agregado, e a Atlas está direcionada para mercado de entrada e produtos de volume, com foco em custo-benefício.
Modelo Coliseum, da Atlas (Crédito:Divulgação/Atlas)
Nos planos da Atlas também está o reforço de categorias menores em seu portfolio, como cooktops a gás e por indução (segmento em que também declara liderança), fornos de embutir e eletroportáteis.
Empresas de 76 anos
Veiga
diz que os patamares elevados dos juros deixam o mercado mais
desafiador, mas que os investimentos têm sempre um olhar de longo prazo e
se apoiam em linhas de crédito de fomento à inovação, como da Finep.
“Mas
são ciclos. O Brasil sempre passou por esses altos e baixos e é nesses
momentos que você tem que ter resiliência. E uma empresa de 76 anos, ela
tem resiliência para suportar esses momentos. Não olhar só o momento de
curto prazo. Somos muito cautelosos em investimentos, no uso do
recurso. Então, é é avaliar como buscar recurso fora e com parceiros que
tragam uma condição interessante”.
A Atlas também responde por 40% das exportações brasileiras de fogões, que tem como destino países na América do Sul, com destaque para operações na Argentina, portanto, não sofre os impactos tarifários dos Estados Unidos.
Fundada como fabricante de fogões à lenha, na cidade de Pato Branco (PR), a companhia se anuncia como líder no mercado brasileiro de fogões a gás, sendo 27%
com a marca Atlas e 10% com a Dako. A liderança não pode ser confirmada
pela Eletros, que representa as principais indústrias de
eletroeletrônicos do Brasil, pois, por questões concorrenciais e de
compliance, disse não poder divulgar dados de fabricantes.