quinta-feira, 14 de maio de 2026

BNDES, Finep e Embrapii somam R$ 10,5 bi em aprovações para projetos de IA

 

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e a Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii) já aprovaram conjuntamente um apoio de R$ 10,5 bilhões para projetos de inteligência artificial (IA) entre janeiro de 2023 e fevereiro de 2026.

Quase metade desse volume foi aprovada pelo BNDES, cerca de R$ 5,1 bilhões, sendo R$ 4,1 bilhões em crédito e R$ 947 milhões em equity.

Tesouro Reserva é lançado para clientes do BB e deve ser ampliado para outros bancos

 Lançamento do Tesouro Reserva, na Arena B3. Foto: Dus Hamanaka/B3

O Tesouro Nacional, a B3 e o Banco do Brasil lançaram em conjunto nesta segunda-feira, 11, o Tesouro Reserva, novo título público do Tesouro Direto voltado para a reserva de emergência. Inicialmente, o investimento está disponível apenas para os mais de 80 milhões de correntistas do Banco do Brasil.

“O título está restrito à plataforma do Banco do Brasil, que foi o parceiro que nos ajudou a desenvolver o produto. É uma nova plataforma, uma evolução do que nós temos, mas na prática ele é exatamente igual ao investimento dos outros títulos”, afirmou Daniel Leal, secretário do Tesouro Nacional.

De acordo com Leal, outros bancos e financeiras estão desenvolvendo suas próprias plataformas para oferecer o Tesouro Reserva aos seus clientes.

Ele não revelou, no entanto, o número de instituições e nem estabeleceu uma data para outros lançamentos.

“Nós sempre estamos em conversa com todos os parceiros do Tesouro Direto, todas as corretoras ou bancos, para que eles entrem na plataforma. Eles já demonstraram interesse, mas ainda têm que fazer a parte do desenvolvimento, então isso aí demora um tempinho”, afirmou Leal.

Funcionalidades inéditas

O Tesouro Reserva traz algumas funcionalidades inéditas buscando ampliar o acesso dos brasileiros ao mercado formal de investimentos.

Ele oferece rendimento 100% atrelado à taxa básica de juros (Selic), negociação 24 horas por dia e 7 dias por semana, valor mínimo de R$ 1,00 e sem marcação a mercado.

Dólar abaixo de R$ 5 é novo normal? Entenda o que esperar para o câmbio e fatores de risco

 

O dólar fechou a semana a R$ 4,89 e segue testando o suporte psicológico de R$ 5. O mercado aponta como fatores de risco, no entanto, o cenário eleitoral – tanto as eleições de meio de mandato dos EUA quanto as eleições presidenciais no Brasil – e o rumo da política de juros no Brasil.

O diferencial de juros entre o Brasil e os EUA é um dos principais fatores que ajudam a explicar o fluxo de dólares para o país e o câmbio atual. Embora o Brasil não tenha um motivo singular e específico para atrair capital estrangeiro, o cenário global aumentou o apetite ao risco dos investidores, canalizando aportes para mercados emergentes – e então funcionando como uma pressão baixista para a cotação do dólar.

Veja abaixo a trajetória do câmbio nos últimos meses:

Cotação do dólar nos últimos 12 meses mostra desaceleração contínua com baixa substancial entre abril e maio de 2026 – Gráfico: Reuters

O que explica o câmbio desvalorizado

O conflito no Oriente Médio se mostrou um catalisador positivo, dada a posição confortável do país como exportador líquido de petróleo. Embora o conflito em si ainda seja permeado por incertezas, o mercado já projeta impactos substanciais na balança comercial.

A exemplo disso, o BTG Pactual elevou a expectativa de superávit comercial para US$ 90 bilhões, ante US$ 75 bilhões da projeção anterior. Assim como a questão dos juros, é um fator que é mais causa do que consequência do câmbio desvalorizado.

Em abril, o Brasil já alcançou o maior volume de exportações da sua história, com US$ 34,148 bilhões, conforme dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). O balanço da pasta mostra que o crescimento do superávit foi impulsionado por um incremento de 14,3% no valor exportado pelo Brasil, mais do que o dobro do crescimento de 6,2% no valor das importações.

Ou seja, o cenário se mantém positivo para o real ante o dólar, embora o médio prazo possa mostrar uma depreciação adicional ao longo do ano, especialmente à medida que o risco eleitoral e a volatilidade global se intensificarem.

Eleição no Brasil fará preço no dólar?

Isso, dado que o mercado enxerga as eleições domésticas como um fator de aumento de volatilidade, e não de preço. Os impactos na moeda vindos de Brasília só devem se formar em 2027, à medida que o próximo mandatário faça suas sinalizações acerca da política fiscal.

Até lá, as falas de Dario Durigan e Lula ou as sinalizações de Flávio Bolsonaro sobre seu eventual governo devem causar solavancos na moeda, mas não funcionar como um vetor direcional de preço.

“Devemos ter mais oscilação, porque no momento [o dólar] está bem comportado, desde o fim do ano passado varia em bandas bem estreitas, e isso vai alargar com as eleições, até mesmo os demais ativos como DI, bolsa. O Brasil não melhorou seus fundamentos nesses quatro anos de governo, e a parte fiscal segue bem preocupante. Fomos beneficiados pelo fluxo, com um gringo mais otimista com o Brasil até mesmo do que os alocadores locais”, comenta Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad.

“O discurso [do vencedor] após as eleições é mais importante do que as eleições em si”, completa, explicando que acenos em direção a um ajuste fiscal e sobre a pauta de indexações devem ser fatores positivos.

Gustavo Sung, economista-chefe da Suno, vê um câmbio podendo encerrar em R$ 5,40 por conta da possível pressão altista causada pelas eleições. Entretanto, a casa projeta que a moeda se mantenha na faixa dos R$ 5 pelo segundo e terceiro trimestre deste ano.

“A nossa expectativa é de um cenário mais benigno para a taxa de câmbio no curto prazo. Teremos uma volatilidade extra por questões eleitorais e questões domésticas, por definições sobre a agenda econômica, questões fiscais, quem será vitorioso; será uma eleição muito apertada. Essa volatilidade extra deve levar o câmbio a ficar um pouco acima do que nós estamos enxergando hoje”, explica.

E se democratas vencerem eleições em Novembro?

Desde o liberation day o dólar perdeu força globalmente. A política comercial de Donald Trump fez o país perder protagonismo e, desde então, a moeda americana nunca se recompôs.

O DXY, índice que mensura a força do dólar contra uma cesta de moedas, operava na casa dos 110 ao fim de 2024, caindo para 98 ao longo do primeiro trimestre do ano seguinte, e para 96 nas semanas subsequentes. Desde então a cotação fica lateralizada, sem sinais de recuperação. Atualmente o DXY opera em 98.

Entretanto, um revés para Trump pode mudar parcialmente o cenário e mexer na dinâmica de preços. Em novembro os EUA terão eleições de meio de mandato e há chances de uma vitória relevante dos democratas – o que implicaria em uma limitação imediata das ações de Trump, que passaria a governar sem uma base ampla no parlamento.

“O Trump minou diversos alicerces do dólar dos EUA, tanto com políticas de tarifas quanto com a sua política externa; vimos o que aconteceu com a Groenlândia, o Canadá, as críticas a outros países membros da Otan. Com isso, vimos a fraqueza do dólar não só vindo das políticas comerciais, mas de um desalinhamento de um modo geral”, comenta Shahini, da Nomad.

“Se tivermos umas midterms com vitória democrata, a governabilidade do Trump fica bastante comprometida. Ficará muito mais difícil governar o país, e esse espaço para ações unilaterais se torna bem limitado, e então podemos ver algum fortalecimento do dólar”, completa o especialista.

- Gráfico: Race to the WH
Com modelo data-driven que roda 10.000 simulações da eleição a cada atualização, projeção da Race to the WH leva em conta histórico eleitoral de cada distrito, pesquisas, arrecadação e outros dados; informações são atualizadas diariamente – Gráfico: Race to the WH

Fluxo cambial segue no radar

Como fator benéfico para o real ante o dólar, o fluxo de capital segue sendo um catalisador positivo, e o mercado ainda enxerga espaço para que esse cenário se perpetue ao longo dos próximos meses.

Um relatório do BTG Pactual que reúne dados registrados pelo Banco Central (BC) mostra que na quarta semana de abril (20–24) houve uma entrada líquida de US$ 9,2 bilhões, sendo US$ 7,7 bilhões pela conta financeira e US$ 1,5 bilhão pelo segmento comercial.

Segundo o próprio BTG, trata-se do maior ingresso semanal de dólares (financeiro + comercial) já registrado no país.

“O segmento financeiro surpreendeu positivamente, mais do que compensando todas as saídas de dólares observadas no início do mês”, dizem os especialistas do BTG.

– Gráfico: BTG Pactual

O investidor estrangeiro também atingiu um patamar histórico de participação na bolsa brasileira, representando 61,2% dos negócios totais da B3 no acumulado de 2026 até 16 de abril, sendo a primeira vez que esse percentual supera 60%.

Em termos de volume financeiro, foram R$ 26,4 bilhões injetados em janeiro, R$ 15,3 bilhões em fevereiro e R$ 11,9 bilhões em março – sendo que só o mês de janeiro superou todo o fluxo estrangeiro de 2025.

No total, até 15 de abril, o estrangeiro alocou R$ 67,7 bilhões na bolsa, e o volume diário de negócios saltou 51% ante o ano anterior.

O que esperar?

Segundo o último boletim Focus do Banco Central, a previsão do mercado para a cotação do dólar está em R$ 5,25 para o final deste ano. No fim de 2027, estima-se que a moeda norte-americana fique em R$ 5,30.

A visão é de que o dólar permaneça pressionado por fundamentos estruturais, mas ainda sem tendência definida de curto prazo.

O Itaú projeta um dólar a R$ 5,15 ao final deste ano, em uma revisão de cenário que fora atualizada com uma resolução do conflito Irã/EUA/Israel para o fim de maio (antes era fim de abril), o que implica prêmio geopolítico persistente e petróleo em US$ 85 por barril como média para este ano (ante US$ 75 anteriormente).

A visão da casa é que o bloqueio do Estreito de Ormuz pelos EUA como instrumento de pressão econômica sobre o Irã é o principal mecanismo de transmissão para os preços de energia globais.

Assim, o time de pesquisa macroeconômica do banco espera um crescimento de 2,5% do PIB no primeiro trimestre e vê o mercado de trabalho fazendo um piso, com o desemprego recuando de 4,4% em fevereiro para 4,3% em março.

“O equilíbrio atual é instável e o caminho para normalização do fluxo de navios no Oriente Médio é tortuoso, implicando em preços de petróleo mais elevados”, diz o Itaú.

Sobre política monetária, de olho em um núcleo do PCE estimado em 3,2% ao ano para março, o Itaú não enxerga cortes de juros pelo Federal Reserve (Fed) neste ano. Aliás, a casa ainda destaca que a confirmação do nome de Kevin Warsh como novo presidente do Fed não deve alterar a função de reação do BC americano.

quarta-feira, 13 de maio de 2026

BNDES aprova R$ 49,8 milhões para Agrária aumentar capacidade de produção de malte no PR

 

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) informou ter aprovado um financiamento de R$ 49,8 milhões para a cooperativa agroindustrial Agrária. Os recursos serão destinados a um projeto para aumentar em cerca de 25% a capacidade de produção de malte, atualmente em 360 mil toneladas por ano, na unidade de Guarapuava, no Paraná.

O crédito tem como origem o Programa de Desenvolvimento Cooperativo para Agregação de Valor à Produção Agropecuária (Prodecoop) e o Programa para Construção e Ampliação de Armazéns (PCA).

“O projeto apoiado pelo BNDES vai aumentar a eficiência e reduzir as perdas do processo de produção de malte, além de contribuir com a melhoria na pureza dos grãos. Uma agroindústria mais eficiente e competitiva é o objetivo da política industrial do governo do presidente Lula e vai trazer impactos positivos para a economia local, como acontecerá em Guarapuava”, declarou o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, em nota distribuída à imprensa.

O apoio de R$ 38,9 milhões via Prodecoop será destinado à implantação de uma torre de maceração e germinação de cevada com capacidade de produzir até 80 mil toneladas de malte por ano, construída com estruturas pré-fabricadas e metálicas, “incentivando a cadeia de bens de capital e de serviço nacional”, informou o banco de fomento.

Os demais R$ 10,9 milhões, via PCA, apoiarão a modernização do processo de armazenagem da maltaria, com a implantação de um novo sistema de transferência de cevada e de trigo.

“Haverá uma correia transportadora com um volume de processamento de 1,5 mil toneladas por dia que irá alimentar a nova torre de maceração, promovendo um aumento de receita anual estimada pela Agrária em R$ 350 milhões. Serão instaladas também máquinas de limpeza e sistema de despoeiramento, melhorando a qualidade e a pureza dos grãos”, enumerou o BNDES.

A implantação do projeto tem duração prevista de dois anos. Segundo o BNDES, a maltaria da Agrária atende cerca de 30% do mercado brasileiro de cerveja.


WeWork mantém aposta no Brasil, mas congela expansão até 2028

 

A empresa WeWork, que aluga espaços de trabalho, planeja focar na otimização dos mais de 84 mil metros quadrados de escritórios que gerencia no país, em vez de expandir seu portfólio. Essa perspectiva de estratégia de negócios vai até 2028, segundo Claudio Hidalgo, vice-presidente da empresa para a América Latina.

“Nosso foco agora é fortalecer os escritórios em funcionamento. Novas unidades serão abertas apenas em caso de negócios especiais”, explica o executivo.

Uma das apostas da empresa é o modelo de locação de espaço para uso exclusivo por parte de uma única empresa. Hidalgo diz que esse conceito está sendo explorado. “Há uma companhia, que está sob confidencialidade, com a qual estamos trabalhando nesse molde”, afirma. O espaço é construído de forma a atender às necessidades de forma específica.

Essa estratégia faz sentido para Brasil porque é o principal mercado da companhia, com 80% do negócio. É no mercado brasileiro onde a WeWork conta com o maior número de escritórios e a maior ocupação em termos de metragem. Os profissionais também têm uma taxa de frequência maior no país do que nos países vizinhos.

Crise ficou para trás?

A WeWork superou uma crise aguda após pedir recuperação judicial nos EUA em 2023. No ano seguinte, a empresa conseguiu reestruturar contratos e gerenciar bilhões em dívidas.

Até 2019, a empresa alugou diversos imóveis em localidades “premium” ao redor do mundo, com custos altos para se manter nessas localizações privilegiadas. O isolamento social e subsequente queda nos preços dos aluguéis deixou a empresa com uma operação comprometida e um endividamento crescente.

 O processo de recuperação envolveu novos acordos com proprietários e encerramento de operações em várias unidades ao redor do mundo. No Brasil, a companhia deixou de pagar o aluguel de algumas unidades e chegou a ser processada por fundos de investimentos donos dos imóveis.

No entanto, dados mais recentes divulgados pela WeWork parecem sinalizar cenários mais positivos. Em entrevista ao New York Post, o diretor global de imóveis da empresa, Peter Greenspan, afirma que sua receita subiu de US$ 2,2 bilhões em 2024 para US$ 2,3 bilhões em 2025.

WeWork ainda é líder no Brasil

Mesmo com as dificuldades, a WeWork mantém uma posição destacada no mercado brasileiro de escritórios compartilhados. Levantamento produzido pela SiiLA, plataforma de dados que reúne informações e análises sobre o mercado imobiliário, mostra que a empresa ocupa, atualmente, uma área três vezes maior do que a segunda colocada, a Regus.

Veja a área ocupada pelas maiores do setor nos últimos cinco anos:

terça-feira, 12 de maio de 2026

Desaprender e não reprimir erros são chaves para sucesso com IA, diz CEO do WhatsApp no Brasil

 

Inteligência Artificial é a expressão da moda em diversos setores, mas será que as companhias brasileiras estão prontas para a implantação de automação via IA em suas práticas do dia a dia?

O CEO do WhatsApp no Brasil, Guilherme Horn, usou o seu conhecimento na área para escrever o livro ‘Mindset de IA‘ (Ed. Gente). Na obra, ele aponta que, mais do que mudanças operacionais, as empresas precisam mudar de mentalidade para não ficarem para trás e ter sucesso quando o assunto é automação e o uso das IAs generativas. Para ele,  as empresas precisam se permitir errar com a IA.

“Os profissionais precisarão desaprender muitas das práticas que utilizaram até hoje e reaprender a extrair o verdadeiro potencial da tecnologia, entendendo como pode gerar valor contínuo para os processos e para o conhecimento da organização. A IA pensa, mas a decisão final e a responsabilidade continuam sendo humanas. É fundamental não ter medo de falhar e não reprimir os erros dentro da empresa”, afrima Horn.

Principais pontos da entrevista com Guilherme Horn

O que o seu livro traz de diferente do que vem sendo debatido sobre IA nas empresas?

O grande diferencial está em focar no modelo mental (mindset) necessário para a implementação da IA, ao invés de tratar o tema apenas como a adoção de uma nova ferramenta técnica. Em vez de se concentrar na simples operação de plataformas, o debate deve ser o que os líderes, executivos e empreendedores precisam desaprender de suas vivências passadas e o que devem reaprender para lidar com essa inovação.

O principal objetivo do livro é ensinar como compreender o verdadeiro potencial da tecnologia para gerar valor real para o negócio, para os processos internos e para o conhecimento acumulado da organização.

O sucesso com a IA não se resume a implementar ou adotar um sistema tecnológico, mas sim a uma necessidade profunda de transformar todo o negócio por meio da adoção de uma mentalidade adequada para usufruir de verdade de tudo o que essa tecnologia tem a oferecer.

Muitos empresários ainda temem o uso de IA em processos mais elaborados nas empresas. O que você diria para esse executivo?

Os executivos e empresários devem encarar o erro nessa implementação como uma parte absolutamente essencial do processo de experimentação com a Inteligência Artificial, não devem ter medo de estimular ao máximo que as equipes experimentem a tecnologia. É fundamental não ter medo de falhar e não reprimir os erros dentro da empresa.

O próprio Elon Musk comemorou a explosão de um de seus foguetes justamente pelo conhecimento valioso extraído daquele evento. À medida que a empresa treina e aprende com os próprios erros, ela adquire um ganho muito grande de maturidade.

Os líderes precisam aceitar esse trade-off e entender que é natural testar diversas abordagens que talvez não tragam retorno financeiro imediato ou que acabem sendo descartadas mais tarde, mas apenas passando por essa fase prática é possível descobrir se realmente vale a pena usar a IA em determinados processos. Cultivar essa tolerância à falha e a experimentação contínua é o conselho central para criar o modelo mental adequado e bem-sucedido na adoção dessa tecnologia.

Mas claro que o elemento humano vai continuar sendo muito importante, porque a IA pensa, mas é o ser humano que decide. Assim como uma pessoa não deve seguir um aplicativo de rotas cegamente para dentro de uma área perigosa da cidade, as empresas precisam manter o controle final e a responsabilidade de avaliar as decisões da máquina. Essa habilidade é muito mais permanente do que as ferramentas em si.

Estudos apontam que a IA vai acabar com empregos no futuro. Como você olha para isso?

Sem dúvida, algumas profissões realmente deixarão de fazer sentido porque a IA passará a executar quase a totalidade desses trabalhos. No entanto, esse não é um fenômeno exclusivo dessa tecnologia.

Historicamente, toda tecnologia nova substitui antigas ocupações ao mesmo tempo em que cria novas. Com a invenção da geladeira, por exemplo, os empregos na indústria do gelo acabaram; com a chegada dos carros, o mercado de charretes e cavalos diminuiu.

Mas há uma grande diferença dessa revolução tecnológica para as anteriores, porque a natureza do trabalho é afetada. Enquanto as tecnologias do passado automatizavam predominantemente o trabalho físico e braçal, a IA substitui o trabalho intelectual e mental.

O desenvolvedor, que usa a mente para criar um código ou sistema, agora pode ter parte de sua função substituída pela máquina. Mas, apesar disso, a perspectiva é otimista e, no saldo geral, a criação de novos empregos costuma ser positiva.

A implantação de IA nos processos das empresas é cara. Como você vê esse cenário?

Embora venha diminuindo, o custo de implementação da Inteligência Artificial ainda é alto. Por conta disso, muitas empresas limitam o acesso à tecnologia, disponibilizando apenas um determinado número de “tokens” de uso para cada área ou funcionário.

Isso acontece porque, na prática, assim que o colaborador começa a usar a IA, ele percebe rapidamente inúmeras possibilidades de realizar seu trabalho de forma mais rápida e eficiente, o que o leva a querer utilizar a ferramenta cada vez mais.

As empresas precisam gerenciar um importante trade-off: decidir o quanto investir e liberar o uso, tendo a consciência de que permitir uma fase inicial de experimentação é absolutamente necessária, mesmo que não haja um retorno financeiro imediato.

Anos atrás nós vimos a chamada revolução tecnológica, onde empresas foram obrigadas a parar de funcionar em um modo analógico. O que difere aquela transformação da proposta pela IA?

Em ambas as revoluções tecnológicas, as empresas se deparam com dois caminhos distintos de adoção e profundidade. Na transformação digital, as organizações podiam apenas ir para o mundo digital, como uma loja de varejo que cria um site de e-commerce, mas mantendo sua logística inteiramente dependente e amarrada à estrutura física, ou podiam mudar toda a sua estratégia para se tornarem nativamente digitais, é o caso da Magalu, por exemplo.

Com a IA, ocorre uma bifurcação muito parecida: a empresa pode escolher apenas implementar algumas ferramentas pontuais para ganhar eficiência ou pode usufruir de todo o potencial estratégico da tecnologia.

As que escolhem esse segundo caminho adotam um modelo mental em que a escala deixa de ser uma restrição e a IA passa a ser utilizada para aprender o tempo todo com as interações internas e externas, podendo tornar a companhia muito mais poderosa que as concorrentes.

O cliente final já enxerga as empresas adotando IA em processos de atendimento ao consumidor, pré e pós-venda. Onde você vê que as companhias já estão adotando ferramentas de IA?

A adoção da Inteligência Artificial vai muito além do atendimento ao cliente e já afeta profundamente a gestão, os processos internos e o trabalho intelectual das empresas.

Diferenças já podem ser sentidas em rotinas administrativas, financeiras e jurídicas, quando um advogado que usa a tecnologia para ler uma petição inicial, compará-la com ações anteriores e rascunhar uma resposta, ou a modernização de controles financeiros como o fluxo de caixa; na comunicação interna e gestão do conhecimento, pois a IA aprende com absolutamente todas as interações da companhia.

Isso abrange não apenas o contato externo com os consumidores, mas também as interações diárias entre os próprios funcionários, transformando o conhecimento acumulado da organização. 

Como convencer um empresário de que uma determinada ferramenta de IA vai se tratar de uma mudança significativa e não de uma moda passageira?

As ferramentas de Inteligência Artificial evoluem de forma extremamente rápida, de modo que uma plataforma que hoje é considerada a melhor para criar fotos ou vídeos pode ser facilmente superada por outra em questão de meses.

Por conta dessa rápida obsolescência, focar apenas na adoção da tecnologia em si é insuficiente. Por isso a verdadeira diferença está no modelo mental que embasa essa adoção, pois ele é muito mais permanente e perene do que a própria ferramenta.

Caso a liderança da empresa adote o mindset adequado e compreenda claramente o propósito estratégico de utilizar a tecnologia, as constantes mudanças nas plataformas não conseguirão impactar o plano de longo prazo da organização.

Panorama da IA nas empresas

De acordo com estudo da Fundação Getúlio Vargas, a adoção de IA pelas empresas brasileiras ainda engatinha, apesar do grande conhecimento sobre as ferramentas.

  • 99% dos dirigentes de médias e grandes empresas afirmam conhecer ou já ter tido contato com ferramentas de IA generativa, como ChatGPT e Gemini, mas apenas 35% relatam utilizá-las de forma recorrente.
  • “Uso pouco” + “com frequência” chega a 83% nas médias e grandes, 70% nas MPEs e 48% dos MEIs.
  • Em 63% das médias e grandes, 46% das MPEs e 42% dos MEIs, há uso de IA generativa para apoiar as atividades do negócio.

Dona dos fogões Atlas e Dako foca em preço e inovação para ser líder também no Nordeste

 

A Atlas Eletrodomésticos, dona das marcas de fogão Atlas e Dako, planeja ampliar sua participação de mercado no país por meio de expansão nas regiões Norte e Nordeste. Atualmente, a companhia tem 37% do mercado nacional, sendo o Norte e o Nordeste responsáveis por 28% do todo. Os planos da companhia incluem renovação de linhas de produtos, o que já demandou investimentos de R$ 30 milhões.

Segundo o CEO da Atlas, Márcio Veiga, o Nordeste é a única região em que a empresa não tem a liderança de mercado de fogões. “O custo logístico inviabilizava nossa competitividade no Nordeste. E o custo do transporte no Brasil subiu muito desde a pandemia”, diz Veiga. 

Para amenizar esse gargalo e acelerar os planos, a Atlas inaugurou uma unidade de produção na cidade pernambucana de Escada, a 60 quilômetros da capital Recife, em 2024, dando um salto na capacidade produtiva.

Também está no horizonte próximo a ampliação da unidade de Pato Branco (PR), com foco em automação. Hoje, a capacidade instalada é de 3 milhões de unidades por ano, que atendem a 15 mil pontos de venda pelo país. 

Foco em economia no consumo de gás

A renovação do portfólio Atlas focou em eficiência energética. “As donas de casa dão muito valor para para eficiência, porque o consumo no final do mês do gás impacta no orçamento das famílias. Então, a gente não quis trazer simplesmente um produto novo, mas sim um produto que tivesse um impacto positivo”, conta Veiga.

Foi feita a inclusão de queimadores com projeto italiano que reduziram o consumo de gás em 10% em relação à plataforma anterior. “Conseguimos uma equação de custo e isso trouxe uma performance melhor no produto, em relação à plataforma que a gente tinha anterior. Melhoramos a performance em 10%”.

Fornos mais largos e com visor maior

Três outras melhorias, baseadas nas avaliações e demandas dos consumidores, foram: mudança nas grades (das bocas do fogão) com seis pontos de apoio para dar maior estabilidade, fornos mais largos e fornos com visor maior, para não precisar abrir a porta do forno para checar o assado, o que reduz  o consumo de gás.

"Por ser um produto de entrada, trazer um design diferente é um desafio. Fazer algo diferente e manter a competitividade e o custo é difícil, mas conseguimos, inclusive, soluções relevantes para o consumidor de hoje”, relata.

O executivo diz o projeto de remodelação de linhas foi um processo de quase três anos que se deu justamente em “um novo momento de elevação dos custos”.

A Dako se posiciona como uma marca premium, focada em segmentos de maior valor agregado, e a Atlas está direcionada para mercado de entrada e produtos de volume, com foco em custo-benefício.

 Atlas

Modelo Coliseum, da Atlas (Crédito:Divulgação/Atlas)

Nos planos da Atlas também está o reforço de categorias menores em seu portfolio, como cooktops a gás e por indução (segmento em que também declara liderança), fornos de embutir e eletroportáteis.

Empresas de 76 anos

Veiga diz que os patamares elevados dos juros deixam o mercado mais desafiador, mas que os investimentos têm sempre um olhar de longo prazo e se apoiam em linhas de crédito de fomento à inovação, como da Finep. 

“Mas são ciclos. O Brasil sempre passou por esses altos e baixos e é nesses momentos que você tem que ter resiliência. E uma empresa de 76 anos, ela tem resiliência para suportar esses momentos. Não olhar só o momento de curto prazo. Somos muito cautelosos em investimentos, no uso do recurso. Então, é é avaliar como buscar recurso fora e com parceiros que tragam uma condição interessante”.

A Atlas também responde por 40% das exportações brasileiras de fogões, que tem como destino países na América do Sul, com destaque para operações na Argentina, portanto, não sofre os impactos tarifários dos Estados Unidos.

Fundada como fabricante de fogões à lenha, na cidade de Pato Branco (PR), a companhia se anuncia como líder no mercado brasileiro de fogões a gás, sendo 27% com a marca Atlas e 10% com a Dako. A liderança não pode ser confirmada pela Eletros, que representa as principais indústrias de eletroeletrônicos do Brasil, pois, por questões concorrenciais e de compliance, disse não poder divulgar dados de fabricantes.