AFP, Da IstoÉ Dinheiro com Reutersi
O
dólar à vista encerrou a terça-feira em queda significativa no Brasil,
recuando novamente para abaixo da marca de R$5,10. A desvalorização da
moeda norte-americana, tanto no mercado interno quanto global, foi
impulsionada por dados de inflação dos Estados Unidos em junho, que se
mostraram mais brandos do que o esperado pelos analistas.
O que aconteceu
- Dólar em queda: A moeda norte-americana fechou abaixo de R$5,10 no Brasil, refletindo a desvalorização global após dados de inflação dos EUA.
- Inflação dos EUA:
O Índice de Preços ao Consumidor (CPI) de junho ficou abaixo das
expectativas, com queda de 0,4%, arrefecendo apostas de alta de juros.
- Repercussão no mercado:
A expectativa de juros mais estáveis nos EUA enfraqueceu o dólar frente
a outras moedas, embora projeções futuras e tensões geopolíticas ainda
gerem incerteza.
O dólar à vista encerrou a sessão com queda
de 1,12%, cotado a R$5,0739. Essa é a menor cotação de fechamento desde
15 de junho, quando a moeda atingiu R$5,0666. No ano, o dólar
norte-americano acumula baixa de 7,56% ante o real.
Às
17h04, o dólar futuro para agosto, atualmente o mais líquido no mercado
brasileiro, cedia 1,15% na B3, sendo negociado a R$5,1000.
O
Índice de Preços ao Consumidor (CPI), principal indicador de inflação
nos Estados Unidos, recuou 0,4% em junho, conforme o Departamento do
Trabalho. O resultado superou a projeção de queda de 0,1% dos
economistas consultados em pesquisa da Reuters. Nos 12 meses até junho, o
CPI subiu 3,5%, menos que os 3,8% projetados.
O
núcleo de inflação, que exclui componentes voláteis como alimentos e
energia, permaneceu estável em junho e subiu 2,6% na base anual,
resultado inferior aos 2,9% anteriores.
Os dados do CPI foram bem
recebidos pelos investidores, que reduziram as apostas de que o Federal
Reserve (Fed) elevará sua taxa de referência, hoje na faixa de 3,50% a
3,75%, no fim deste mês. Em reação, o dólar cedeu ante as demais divisas
globais, incluindo o real.
“O
resultado reduz a expectativa de que o Federal Reserve precise elevar
os juros no curto prazo. Com uma inflação mais comportada, diminui
também a perspectiva de maiores retornos dos títulos do Tesouro
americano, o que tende a enfraquecer o dólar frente às demais moedas”,
avaliou Lucca Bezzon, analista de Inteligência de Mercado da Stonex.
Após
marcar a cotação máxima de R$5,1288 (-0,05%) às 9h08, pouco depois da
abertura, o dólar à vista atingiu a mínima de R$5,0653 (-1,29%) às
12h08, sob influência do CPI, para depois encerrar na faixa dos R$5,07.
“Mas
não vejo fatores para o dólar se manter abaixo de R$5,10. O próprio
(boletim) Focus continua projetando um dólar a R$5,20 no fim do ano, e o
Focus costuma ser otimista”, opinou Matheus Massote, especialista em
câmbio da One Investimentos.
Na segunda-feira, o boletim Focus do
Banco Central mostrou que a mediana das projeções dos economistas do
mercado para o dólar no fim de 2026 está em R$5,20 e no final de 2027 em
R$5,28.
O cenário geopolítico e seus impactos
No
exterior, além dos dados do CPI, os investidores seguiram monitorando o
conflito entre Estados Unidos e Irã e a disputa pelo controle do
Estreito de Ormuz.
O então presidente dos EUA, Donald Trump,
recuou em relação à proposta de cobrar uma taxa de trânsito dos navios
de 20% para proteger a hidrovia, afirmando que, em vez disso, buscaria
acordos de investimento com os países do Golfo Pérsico. No Brasil, o
presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou a possível cobrança dos
EUA como “pirataria”.
Às 17h12, o índice do dólar, que mede o
desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas,
caía 0,35%, a 100,920.
No fim da manhã, sem efeitos sobre as
cotações, o Banco Central vendeu 50.000 contratos de swap cambial para
rolagem do vencimento de 3 de agosto.
A bolsa paulista começou a
semana pressionada negativamente pelo recrudescimento do conflito entre
Estados Unidos e Irã, que reacendeu preocupações com o transporte de
energia no Estreito de Ormuz, fazendo os preços do petróleo dispararem
nesta segunda-feira.
Índice de referência do mercado acionário
brasileiro, o Ibovespa caiu 1,2%, a 175.739,08 pontos, chegando a
175.567,05 pontos na mínima, após marcar 178.153,90 pontos na máxima do
dia.
O volume financeiro no pregão somou R$19,59 bilhões.
“O
Oriente Médio voltou a ser o fator dominante do dia”, afirmou a
coordenadora de alocação e inteligência da Avenue, Juliana Benvenuto,
acrescentando que o Ibovespa refletiu o humor mais cauteloso do mercado
externo.
O então presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou
nesta segunda-feira que os EUA estavam restabelecendo o bloqueio ao
transporte marítimo do Irã e disse que iriam garantir que o Estreito de
Ormuz permanecesse aberto, mediante pagamento.
O bloqueio
começaria na terça-feira, de acordo com o Centro Conjunto de Informações
Marítimas, liderado pela Marinha dos EUA, abrangendo todo o litoral,
portos e terminais petrolíferos do Irã, bem como todas as embarcações,
independentemente da bandeira. Ele havia sido suspenso em meados de
junho.
“O Estreito de Ormuz está ABERTO e permanecerá ABERTO, com
ou sem o Irã. Estamos restabelecendo O BLOQUEIO IRANIANO”, disse Trump
no Truth Social.
“Os EUA…serão reembolsados em 20% de toda a
carga transportada, por todos os custos necessários para garantir a
segurança desta região tão instável do mundo”, acrescentou.
A
decisão dos EUA veio após nova troca de ataques entre os dois lados no
fim de semana, quando o Irã anunciou que fecharia o estreito.
O
alto comando militar conjunto iraniano afirmou que os EUA não tinham
qualquer papel na definição do futuro da rota de navegação vital e que
não teriam permissão para intervir na gestão do estreito.
Preocupações
com o fluxo de petróleo na região fizeram as cotações dispararem, com o
barril sob o contrato Brent fechando o dia, com salto de 9,59%, a
US$83,30, o maior ganho diário em dólares desde 2 de abril e o maior
fechamento desde 12 de junho.
Em Wall Street, o S&P 500, uma das referências do mercado acionário norte-americano, caiu 0,79%.
Quais empresas se destacaram no dia?
Destaques corporativos
•
PETROBRAS PN avançou 2,55% e PETROBRAS ON subiu 3,44%, endossadas pela
alta do petróleo no exterior. No setor, PRIO ON valorizou-se 3,16% e
PETRORECONCAVO ON ganhou 0,78%, mas BRAVA ON caiu 0,74%.
• VALE ON
cedeu 1,79%, sofrendo com o aumento da aversão a risco global, em
pregão também marcado pela queda dos futuros do minério de ferro na
China. Na contramão do setor, CSN MINERAÇÃO ON valorizou-se 4,21% e CSN
ON subiu 1,16%.
• ITAÚ UNIBANCO PN perdeu 1,76%, com o setor como
um todo contaminado pelo viés negativo do exterior. O índice do setor
financeiro fechou em queda de 1,47%.
• WEG ON caiu 4,56%, com
investidores também na expectativa do balanço da companhia na próxima
semana. Analistas do Citi esperam um trimestre fraco, com expansão de
capacidade ainda pressionando margens.
• MRV&CO ON perdeu
5,39%, após duas altas seguidas, em pregão negativo para construtoras,
tendo como pano de fundo o avanço na curva futura de juros seguindo a
aversão a risco global. O índice do setor imobiliário na B3 recuou 2,5%.
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