quarta-feira, 22 de julho de 2026

"O Brasil é o campeão mundial de inovação de palcos"

 

Silvio Meira, um dos fundadores do Porto Digital, de Recife, alerta as empresas que ideias realmente inovadoras devem ser, no mínimo, testadas  
 
Para Meira, o marketing precisa estar atrelado aos negócios, mas adotando métricas, métodos e processos

 

Diretamente do Recife, Silvio Meira, um dos fundadores do distrito de inovação Porto Digital, argumenta nesta entrevista que a maioria das empresas não pratica marketing, mas sim publicidade e propaganda. Para ele, o marketing atual é muito mais complexo e não deve ser um departamento isolado, mas integrado aos negócios. No livro "Marketing do futuro", escrito em co-autoria com Rosário Pompéia, ele defende que a área adote métricas e processos. "A ideia é alfabetizar o marketing, pois ele precisa de método", pontua. 

Ao longo da conversa de mais de uma hora, Meira também critica o Brasil por sua "inovação de palco", onde ideias são premiadas, mas raramente implementadas no mercado. Com uma demanda contínua e crescente por especialistas em Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) no país, com um déficit estimado em 500 mil profissionais antes do uso intensivo da inteligência artificial, o Porto Digital pode servir de inspiração para outras iniciativas do gênero em todo o país. Confira.

marketing e os negócios vivem atualmente muito distanciados?
Esse ponto de vista é histórico. Para começar, na vasta maioria dos lugares, não há efetivamente marketing. O que há é publicidade e propaganda. Publicidade é a tentar fazer com que as pessoas saibam uma proposta para o mundo. E propaganda é mudar o comportamento das pessoas. Marketing é uma coisa muito mais complexa. Marketing é tudo que se faz para reduzir os custos de busca, aquisição e determinação de soluções para os problemas das pessoas. E o marketing, estruturalmente, nos negócios, hoje em dia, tem atuado quase sempre, em vender um produto por meio de publicidade esperando que as pessoas cliquem naquele negócio, ou vejam em algum lugar, para comprar, resumindo tudo a uma transação. 

Não é a aquisição de um cliente que recorrentemente vai comprar alguma coisa na vida dele. Ele não vai reconhecer aquele negócio como um resolvedor daquela categoria de problemas. Imagina um comércio que ofereça baterias de reposição para automóveis, algo que tem vida útil de dois anos e meio a três anos. Como se comunicar com alguém que comprou uma bateria sua durante o tempo em que ela não vai necessitar de outra? A empresa deveria conversar com esse cliente sobre viagens, segurança no trânsito, lugares bonitos, engarrafamentos… Ou mesmo oferecer tickets de estacionamentos nos shows, no teatro, no cinema, onde a pessoa vai com o carro dela, mas isso é difícil de fazer.


Existe uma forma mais fácil de colocar isso em prática?
Você tem de montar uma comunidade que tenha um certo contexto para que essa comunicação flua com os clientes, de modo que eles digam o que necessitam para a empresa que fornece baterias possa oferecer outras coisas. Quem compra bateria, compra seguro. Não estou dizendo que uma fábrica de baterias vai virar seguradora, mas ela pode virar uma intermediária. O marketing não é um departamento. Ao mesmo tempo, marketing não tem canais. O marketing é uma distribuição de funções orquestradas dentro da organização. 

Uma construtora de grande porte, por exemplo, tem um banco de terrenos para futuras contruções. O ato de alguém comprar um terreno para construir passa pelo marketing entender se é viável tentar vender uma coisa que vai ser construída ali. Por isso o marketing tem de estar no ambiente de negócios discutindo os cenários de competição, como resolver os problemas das pessoas, as regras dos mercados onde elas estão envolvidas, de modo a checar se a empresa fará algo competitivo. Porém, o marketing normalmente pega uma bola quadrada. Alguém faz um produto e entrega para o marketing e diz: "Agora vende isso aqui". Aí o resultado é acabar vendendo aquele negócio com 30% ou 50% de desconto, com prejuízo. Aí dizem que o marketing é ruim quando, na verdade, o convocam na última hora para resolver o problema.

No livro "Marketing do futuro", você defende o método AEIOU como uma estratégia para os negócios. Como as empresas poderiam aplicar esse processo?
A ideia é alfabetizar o marketing, pois ele precisa de método. O marketing tem de ser tratado como se fosse uma engenharia social. Em um hospital, por exemplo, ninguém opera as pessoas aleatoriamente, pois existem processos, técnicas e métricas de resultado. O marketing não tem nada disso. O A da sigla é para o ambiente. Afinal, onde estou competindo? Quais são as regras do mercado? Quais são os fatores competitivos? Já o E é para estratégia. Quais são as aspirações que eu tenho no mercado? Quais hipóteses vou testar pra saber se essas aspirações são verdadeiras para que eu crie as capacidades de entregar as soluções? O I usamos para interações. 
 
O resultado é vender o produto com prejuízo: ”Aí dizem que o marketing é ruim quando, na verdade, o convocam na última hora para resolver o problema”

 

Em vez de pensar em canais, desenhamos fluxos dirigidos às comunidades onde há conexões, relacionamentos, significados, entendimentos comuns daquele contexto. Para quê? Para entregar narrativas que sejam acolhidas por aquele grupo. A letra O diz respeito às operações, pois não adianta ter uma narrativa se não entregar problemas resolvidos ao mercado e isso se faz com experiências. A empresa tem um produto fantástico, o processo de aquisição é bom, mas se o comprador receber uma caixa rasgada ou mesmo o item errado ou quebrado, isso destrói uma experiência de forma definitiva. Por fim, depois do O, de operações, que usam algoritmos para criar processos que entregam experiências, temos o U de unificação, onde é desenhada uma arquitetura de valor. 

Uma coisa que pouca gente do marketing percebe é que uma empresa não existe de forma isolada. Elas existem em rede. É preciso ter em mente que existe uma rede que faz coisas. Não preciso fazer todo um item para vendê-lo. Se você é uma empresa média ou pequena não faz sentido ter um banco necessariamente só porque você faz transações financeiras. O U entrega a sua organização articulada na rede, orquestrando tanto quanto seja possível. Isso, às vezes, e em alguns mercados quase sempre, cria mais valor do que o produto oferecido para o cliente final como solução. O AEIOU é uma espécie de realfabetização do marketing, pois há método, há processo e é basedo em uma plataforma com métricas de qualidade e de impacto.

Hoje a tecnologia tem mais ajudado ou atrapalhado o marketing? Ou os profissionais, ou mesmo agências, não sabem utilizá-la corretamente?
Vou contar o caso da LeFil [rede de empresas de marketing detentora de cinco negócios especializados e com foco em transformação digital], companhia liderada pela Rosário Pompéia e pela Socorro Macedo. Do lançamento do livro para cá, nós redesenhamos completamente a LeFil. Hoje ela é uma das poucas agências de marketing estratégico do Brasil que tem um grupo inteirinho de tecnologia que faz plataformas tornando-a quase indistinguível de uma empresa de tecnologia. Quase mais nada no mundo será feito sem envolver Tecnologia de Informação e Comunicação (TIC) de alguma forma. 

Meu pai, que tem 101 anos, é aficionado por automóveis. Dia desses encontramos um veículo que estava sendo vendido por R$ 800 mil que tinha um interessado que já havia checado tudo sobre o carro na internet. Essa pessoa disse ao vendedor que só precisava testar uma coisa. E não era o motor, o conforto, absolutamente nada. Era ver a velocidade que o Bluetooth do celular ia entrar no painel do carro, se o aparelho entraria imediatamente, se a tela era boa. Estou falando nessa dimensão, mas se você for para qualquer outra, o cenário se repete. Imagine a Receita Federal, ou mesmo hospitais, sem tecnologia. O marketing vem de uma formação de comunicação, que sempre olhou para a tecnologia historicamente como algo que veio para atrapalhar. 

Quando todo mundo está usando Inteligência Artificial (IA) para fazer quase tudo e ouço jornalistas que pregam que não se use essa tecnologia. É a mesma coisa que ocorreu em 1470, com a imprensa de Gutenberg, ou seja, que o livro impresso em uma prensa era ruim, pois tinha de ser escrito à mão. Em 1550, um século depois da invenção de Gutenberg, era rejeitar o livro integralmente, por exemplo, na escola. Somente por volta de 1750, 300 anos depois, adotamos o livro. Veja, tem uma coisa que tecnologia faz: se for revolucionária, ela destrói mercados. Mas é um processo de destruição criativa que, aliás, ganhou o Prêmio Nobel do ano passado. 

A IA destrói muitos mercados e cria novos mercados. Eu não estou dizendo, obviamente, para as pessoas pegarem qualquer tecnologia que aparecer, saltar e esquecer tudo que estavam fazendo. O Brasil está cheio de gente fazendo publicidade, mas tem pouquíssimas agências de marketing. Nas agências há pessoas negando a realidade ao dizer que, se tiver de usar tecnologia, não prestam o serviço. Porque se tem alguma coisa revolucionária, tem um problema, pois é preciso estudar para aprender. E tem uma condição ainda mais complexa do que o aprendizado: é desaprender um bocado de coisa, pois não serve mais. Isso é muito caro para nós, humanos. Sabe aquela graduação? Ela não serve mais para nada porque apareceu algo aqui que é preciso conhecer para continuar competitivo daqui para frente, mas as pessoas negam a realidade. O fato de o jornalismo ter negado a internet durante 25 anos acabou com esse ecossistema quase integralmente.

 

Um processo de destruição criativa: “A Inteligência Artificial destrói muitos mercados e cria muitos mercados”

 

Havia uma crença que as pessoas sempre continuariam lendo em papel, mas a internet causou o fim do papel como meio de transporte de informação. Mas ele continua essencial, para mim, como livro. Publicamos "O marketing do futuro" somente impresso no início. As pessoas perguntavam sobre a versão digital e eu respondia que era em papel para que a leitura fosse feita atentamente. É um livro para ir folheando, é grande, não é fácil de ler. Sugeríamos que a leitura fosse feita página a página para a pessoa refletir sobre o que está escrito.

A tecnologia pode substituir um profissional criativo?
A criatividade é um dos últimos domínios onde temos maturidade humana quase que insubstituível. A criatividade depende de risco e de tempo no sentido da vida humana. Quando publico um texto, coloco a minha reputação em risco. Quando lançamos "O marketing do futuro", que é contra tudo que está escrito por aí, colocamos em risco a nossa competência percebida pelos outros, ou seja, a nossa reputação. Ao mesmo tempo, havia um tempo para escrever aquilo. Se escrevêssemos o livro daqui 15 anos, e não em 2024, de nada adiantaria. A pandemia havia mudado tudo e apresentamos um método testado e que tinha dado certo. No entanto, as pessoas atingidas pelo livro tiveram um choque e reagiram.

Uma frase que se ouvia vinda das agências de publicidade, essas analógicas do passado que sobreviveram hoje, era que o marketing do futuro não tinha futuro. Insistimos e depois outras agências passaram a aplicar a teoria do livro, mas muitas ainda não mudaram a atitude. Em muitas empresas o vice-presidente de marketing tem sido substituído por seu equivalente em tecnologia, pois é um perfil de profissional que entende de comunidade, de relacionamentos, de interações, de plataformas, usa métodos e processos. 

Achamos que o livro que lançamos é um dos caminhos que levam ao marketing do futuro. Não é o único, obviamente. Mas sem métricas, sem processos e sem método, o marketing não vai entregar o que se exige dele hoje, que é muito mais do que publicar um anúncio de um produto e vender esse produto de alguma forma sem nenhuma responsabilidade. As pessoas querem performance, querem saber qual é o seu custo de aquisição e de retenção do cliente, qual é o lifetime value [métrica que estima o total de receita ou lucro que um cliente gera para uma empresa durante todo o relacionamento] do cliente. A conta não fecha sem o uso de métodos e métricas. 

 

"O Brasil é o campeão mundial de inovação de palcos. Aqui as empresas fazem um concurso de ideias premiando a melhor delas, mas a melhor ideia não é implementada" realmente funciona"

Silvio Meira, fundador do Porto Digital


Qual sua opinião sobre as empresas que se dizem inovadoras no Brasil? Elas são realmente inovadoras? Ou há muito discurso e pouca prática?

O Brasil é o campeão mundial de inovação de palcos. Se a gente tivesse um Oscar para isso, o Brasil ganharia de quase todo mundo. Aqui as empresas fazem um concurso de ideias premiando a melhor delas, mas a melhor ideia não é implementada para ver se realmente funciona, pois o marketing e a inovação devem andar juntos. Essas são as duas únicas coisas que uma empresa tem de saber fazer, mesmo que ela não faça, segundo Peter Drucker. Ele define a inovação como a mudança do comportamento de agente no mercado, como fornecedores e consumidores de qualquer coisa. Então, inovação é mudança. Por essa definição, se eu inventei uma nova tecnologia, por melhor e por mais fantástica que ela seja, do ponto de vista da tecnologia, se ela não mudou o comportamento de ninguém no mercado, não é inovação. Fazer um concurso de ideias para saber quem tem a ideia mais inovadora é uma farsa de partida porque uma ideia não é inovadora. O que é inovador é a execução da ideia no mercado enquanto ela muda a cabeça das pessoas do mercado.

Há um caso concreto do que seja realmente inovação?
A inovação em carros elétricos mudou o comportamento de muitos agentes do mercado. Um posto de gasolina armazena líquido vindo de uma refinaria. Uma recarga elétrica é um conjunto de cabos de eletricidade que recarregam as baterias do posto e as baterias do posto recarregarem as baterias dos carros. O ecossistema é completamente diferente. Algumas fábricas tiveram dificuldade muito grande de entender e aceitar a mudança dramática apresentada pelos veículos elétricos. Um carro com motor a explosão tem cerca de 4 mil partes e peças. Um carro elétrico tem 400, ou seja, 10%. Consequentemente, um carro elétrico que tem muito menos partes e peças, vai quebrar muito menos. 

Hoje existem modelos que rodam 200 mil quilômetros sem nenhuma vez ir a uma oficina. Isso mexe com o ecossistema de manutenção, mexe com o ecossistema de garantia. Estou falando de uma mudança em todo o ecossistema de mobilidade. Não é uma coisa que só mudou o motor, pois houve redução de 90% das peças alterando o ecossistema de energia do carro. Isso é inovação. A ideia do carro elétrico, por si só, não é inovadora. Ele, no mercado, mudou a manutenção, a recarga, o combustível e assim por diante. O Brasil se acostumou com o negócio que chamo de ecossistema industrial de inovação de palco. Alguém sobe no palco e adota um discurso de autoajuda: "Não, porque nós vamos mudar, vamos ser mais competitivos." O que torna alguém mais competitivo é conseguir mudar o comportamento dos potenciais clientes no mercado. Se não cumprir com esse propósito, não há inovação.


Para Meira, poucas empresas conseguem competir no exterior, como a WEG

 

No seu ponto de vista, como o Brasil está em se tratando de incentivo à inovação e ao empreendedorismo?
Olha, acho que tem mais dinheiro do que projeto. O dinheiro que há no Brasil para investir em inovação e empreendedorismo não tem a densidade de projetos que ele deveria ter para você escolher entre os melhores. Tem muita coisa que é hiperfinanciada, que é basicamente slide e PowerPoint. Não tem nada errado em financiar slide e PowerPoint, mas não na escala que a gente faz no Brasil. O Brasil tem um problema estrutural, do ponto de vista da percepção brasileira do mundo. Por causa do tamanho do nosso mercado interno, quase todos os negócios do mundo estão no Brasil competindo aqui, de todas as áreas, de farmacoquímica ao agronegócio, na saúde etc. Eles competem aqui e não dependem de pesquisa, desenvolvimento e inovação, pois nem contam com isso no Brasil. Eles têm isso em outros lugares do mundo. E você tem pouquíssimos negócios brasileiros que estão competindo no exterior e dependem de pesquisas de desenvolvimento de inovação, nem no Brasil. Os exemplos são tão poucos que a gente consegue puxar pela memória. Por exemplo, a WEG, a Embraer, a Petrobras. Aí você vai procurando mais e vai tendo dificuldade em dizer quais são as outras. 

O Brasil não tem nenhum negócio de tecnologia que faça sistemas, que resolva problemas de classe global. Não tem nenhuma plataforma brasileira de classe global. Tudo bem que não é fácil de fazer, porque se tomarmos como exemplo a Europa tem quatro, cinco plataformas. Tem Spotify, tem SAP, não tem muitas mais. Mas o ponto é que o país deveria tentar obter maiores retornos de investimento e agregação de valor. A gente tem coisas fantásticas, tipo, o ecossistema brasileiro de informação e tecnologia financeira é seguramente um dos melhores do mundo. Mas só fazemos para dentro. Não fazemos para fora. Não tem nem um banco brasileiro que é global. Porque o Brasil é um mercado de juros tão estruturalmente estratosféricos que os bancos brasileiros não precisam competir fora daqui. Se o mercado brasileiro de juros fosse muito mais apertado, os bancos nacionais teriam de competir fora daqui e teríamos plataformas financeiras globais. Há um conjunto de coisas torna o Brasil um pouco essa jabuticaba do ponto de vista de inovação e empreendedorismo, que não deveria ser, pois quando a gente vai competir em mercados globais, a gente consegue com engenharia, com ciência, com tecnologia, com método, com processo, com marketing brasileiro.

 

Embraer como exemplo: "Os aviões da classe E2 da Embraer são imbatíveis, ninguém consegue fazer um igual"

 

Qual empresa brasileira estaria nesse patamar?
A Embraer é um exemplo. Ela é o maior fabricante global de jatos executivos e líder do segmento de transporte aéreo de médio custo e médio porte. Os aviões da classe E2 da Embraer são imbatíveis, ninguém consegue fazer um igual. Boeing não consegue, Airbus não consegue, ninguém consegue. A gente está muito na frente nesse negócio. Mas leva tempo. A primeira turma do ITA, que foi criada para criar engenheiros para a Embraer, para o que viria a ser a empresa anos depois, foi formada em 1950. A Embraer chegou na Bolsa de Valores no ano 2000. Foram 50 anos desde a sua fundação. Para ter empreendedorismo e inovação de classe global precisamos de tempo também. Não é tempo sem fazer nada. É tempo somado à estratégia, tentando fazer alguma coisa de classe global também. Todo mundo cita o Vale do Silício. Sabe quando foi criada a primeira empresa do Silicon Valley? Em 1948. De 1948 até 1995, são 50 anos, mais ou menos o mesmo tempo que levou para a Embraer aparecer na bolsa. Ninguém sabia nem onde era o Silicon Valley, certo? O Vale do Silício surge para o mundo por causa da internet. Claro, muita coisa já tinha acontecido antes com uma Intel na década de 1970 e assim por diante. Mas se verificarmos o tempo entre a criação da Hewlett Packard, que foi a primeira empresa do Silicon Valley, e a Intel, são 30 anos. No Brasil temos uma certa pressa. Se não acontecer agora, é porque não vai acontecer.

O Porto Digital recém completou 25 anos…
Exato. É uma operação que tem 25 anos, mas é um projeto de 50 anos. Como é que se faz um projeto de meio século? É simples. Você desenha um projeto, ele dá certo depois de você morrer. Quando comecei o Porto Digital, eu já tinha 45 anos. Alguns dos cofundadores eram bem mais idosos do que eu. Muitos de nós que fundamos o Porto Digital já faleceram. O esforço dura 25 anos e a gente está na metade desse caminho. O Porto Digital tem quinhentas e tantas empresas, 25 mil pessoas empregadas, uma coisa fantástica. Não, não é fantástica não. É método, processo, métrica, determinação, foco, tempo, engajamento contínuo. Precisamos aprender a fazer isso no Brasil. Você não cria uma Embrapa do dia para a noite. Como nos tornamos líderes globais em grãos e proteína animal? A Embrapa criou o contexto para esse negócio operar. Isso foi ciência, tecnologia e informação. 

Se você for, por exemplo, para o Oeste da Bahia, não são os baianos que estão lá. São os brasileiros de Santa Catarina, do Paraná, de São Paulo, do Rio Grande do Sul, de Pernambuco, de todo canto, aquela terra não existia. A Embrapa redesenhou como se planta, o que se planta, o que se colhe. A Embrapa redesenhou tudo, criou o espaço e inovação cria espaço. Foi isso que a gente fez aqui. O centro do Recife, onde fica o Porto Digital, tinha virado uma Cracolândia e daí nos propomos a redesenhar o espaço. E para isso precisa de tempo. Hoje temos metade dos problemas na área do Porto Digital, ou mais, que tínhamos quando o fundamos. Mas, para alcançar esse objetivo, fizemos estratégia combinada com marketing, combinada com tecnologia, com gente, com atração de negócios, com inovação, com empreendedorismo, com investimento de risco, com financiamento público, com recuperação do prédios, com mudança da perspectiva da cidade sobre a sua realidade e assim por diante. Resultado? Nada menos que 25 mil pessoas trabalhando no Porto Digital em um lugar onde não tinha ninguém há 25 anos.

 

Tecnologia é gente: "O Porto Digital é literalmente um ecossistema de valor amplo, pois ele cria um valor muito maior do que a soma das partes"

 

Como o Porto Digital pode servir de inspiração para outros distritos de inovação?
Os centros das grandes cidades brasileiras colapsaram. Foi isso que ocorreu em Barcelona, em Londres, em todo canto. E no Recife também. Trouxemos para o Porto Digital creche, academia, UPA, são 119 bares, restaurantes e cafés. Em suma, é como recriar ou criar do zero. Se fizer em um lugar onde não tem nada, você cria vida urbana. O principal Carnaval do Recife é no Porto Digital. O fato de ser um agregador humano faz com que a cidade comece a se reconhecer nele. Tem de ter um pensamento de longo prazo e 360 graus, não é somente atrair empresas.

O Porto Digital criou, junto com a prefeitura da cidade, o maior processo de formação de capital humano do Brasil em tecnologia. Por quê? Porque tecnologia é gente. O Porto Digital é literalmente um ecossistema de valor amplo, pois ele cria um valor muito maior do que a soma das partes. Ou seja, não é a soma das 549 empresas que estão dentro do Porto Digital, mas a multiplicação delas pelo capital humano de cada uma delas. As pessoas que passam por aqui saem com uma visão de mundo diferente. Se um gerente da Accenture decide ser sócio de uma startup no Porto Digital, ela muda de patamar imediatamente. Para criar algo como o Porto Digital é como fundar um país que vai ter uma Constituição minima. Tem de atrair um núcleo mínimo de pessoas, de empresas, e assim por diante, que vão investir no negócio no longo prazo. O que é o longo prazo? Décadas. Em menos do que décadas não vai acontecer nada.

 

Mudança em todo o ecossistema de mobilidade: “O carro elétrico mudou a recarga, o combustível e assim por diante”

 

O Brasil tem capital humano suficiente para tecnologia?
Só 40% dos engenheiros químicos no país conseguem emprego. Já um especialista em TIC, formado ou não, tem emprego à disposição. Aqui no Brasil, antes da IA, havia um déficit estimado de 500 mil especialistas em TIC. Se a pessoa sabe programar está empregado. Demanda por capital humano é uma coisa multifacetada, pois existe a área de especialização, como robótica, onde falta gente, mas, ao mesmo tempo, há uma mudança substancial no mercado pelo fato de uma parte significativa da escrita de código ja poder ser feita por sistemas inteligentes. 

Isso muda a característica essencial do "programador" que é levado a especificar o tipo de programação que está apto a fazer. E, ao mesmo tempo, tem de entender outras coisas extremamente complexas, pois ficou mais fácil escrever código, mas ficou muito mais difícil pegar o código, escrever e botar para funcionar. Capital humano que entende o que faz ainda é um grande diferencial sustentável dos distritos de inovação no mundo inteiro. 

Hoje nos Estados Unidos se a pessoa sabe fazer "qualquer coisa relacionada à Inteligência Artificial", ganha um prêmio de salário que pode chegar a 300%. Um privilégio que o setor de TIC tem é que esses profissionais escrevem programas, mas é difícil de fazer. Aplicações como o Nubank, o Spotify e o Waze são extremamente complexos não só de fazer, mas de manter funcionando à medida que o mundo muda ao redor. Por isso que o software digital é tão complicado. Ele tem de atender todo mundo e tem de ser naturalmente universal. É muito difícil de fazer. Ou seja, a demanda vai continuar. O fato é que evoluímos nessa área e vamos evoluir cada vez mais rapidamente. Vamos precisar redesenhar todas as áreas e quem não fizer isso, ficará para a história.


segunda-feira, 20 de julho de 2026

VOGE chega ao Brasil com concessionária em Curitiba

 

Com foco no segmento premium, marca chinesa de motocicletas inicia expansão pelo Sul do país 
 
 
A escolha pela capital paranaense foi vista como estratégica para o segmento de motos premium

 

 

A chinesa VOGE escolheu Curitiba para instalar sua primeira concessionária no país. O espaço de 600 metros quadrados traz o conceito que une showroom e oficina especializada. O Grupo Remotors é quem vai comandar a nova operação. A escolha pela capital paranaense não foi por acaso. Rodrigo Moutinho, gerente geral da VOGE Brasil, explica que o mercado local é maduro e estratégico para o segmento premium, especialmente para motos acima de 300 cilindradas. "Os estados do Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina têm um público apaixonado por motos adventure e touring, alta densidade de motociclistas experientes, excelente infraestrutura viária e forte cultura de duas rodas. Curitiba, em especial, destaca-se pela qualidade de vida, mobilidade urbana e por ser um importante polo de eventos do setor, funcionando como uma excelente porta de entrada para consolidar a marca na região Sul", afirma Moutinho.

A região Sul é vista como estratégica, também pelas rotas de viagem que os clientes costumam fazer, já que a marca também está presente em países vizinhos como Uruguai, Argentina, Chile, Colômbia, Paraguai e Peru. O plano é consolidar a operação pela região de forma gradual e sustentável. Até 2027, a expectativa é abrir mais três ou quatro unidades espalhadas pelo Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Depois de fortalecer esse pé no Sul, que é um dos mercados mais importantes do país para o setor, a marca pretende levar sua tecnologia e design para outras regiões brasileiras.

A operação brasileira recebeu um aporte inicial de US$ 10 milhões, valor usado em várias frentes, desde a montagem em Manaus em parceria com a Dafra, até a criação de um centro logístico em Itapevi, em São Paulo. O valor também engloba treinamento das equipes e estoque de peças. A montagem da concessionária custou cerca de R$ 5 milhões. 

 

https://amanha.com.br/categoria/empresa/voge-chega-ao-brasil-com-concessionaria-em-curitiba-1

Setor de tecnologia deve criar 33 mil novas vagas CLT ainda em 2026

 

Estudo da Brasscom revela crescimento da formação de talentos, acompanhado pelo desafio da formalização no mercado de trabalho 
 
 
Segundo o estudo, entre 2023 e 2025, o mercado de tecnologia registrou um acréscimo de mais de 111,1 mil profissionais no total

 

O setor de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) no Brasil continua um setor aquecido no mercado de trabalho. Até dezembro de 2026, devem surgir 33 mil novos empregos formais, conforme o  relatório "Perspectivas do Mercado de Trabalho do Macrossetor TIC", da Brasscom (Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação e de Tecnologias Digitais).

Segundo o estudo, entre 2023 e 2025, o mercado de tecnologia registrou um acréscimo de mais de 111,1 mil profissionais no total. No entanto, a formalização continua sendo um desafio: desse montante, 55,6% ocorreram via Microempreendedores Individuais (MEIs) e informalidade, enquanto 44,4% resultaram em empregos formais CLT. As projeções anteriores para 2025, baseadas em vínculos CLT, indicavam um crescimento de 30 mil a 147 mil novas vagas, mas o aumento real concentrou-se fora do emprego CLT, com 23,7 mil novos vínculos celetistas, contra 88,5 mil MEIs e 13,3 mil informais.

"O verdadeiro gargalo não é a falta de profissionais ou de demanda, mas o ambiente regulatório e econômico que ainda dificulta a formalização. Precisamos de políticas públicas que incentivem a contratação CLT e a requalificação, para que o crescimento do setor se traduza em oportunidades de trabalho mais estáveis e mantenha o Brasil na vanguarda da economia digital", explica Affonso Nina, presidente executivo da Brasscom.

O relatório ressalta que, embora a IA não reduza empregos em massa no curto prazo, ela reconfigura drasticamente tarefas e perfis profissionais. A demanda se volta para profissionais de todas as áreas que saibam trabalhar utilizando a IA para otimizar rotinas, organizar informações e tomar melhores decisões. Com o Brasil atingindo a menor taxa de desemprego de sua história em dezembro de 2025 (5,6%), o desafio central é garantir que a força de trabalho acompanhe a velocidade da atualização das habilidades exigidas por essa revolução tecnológica.

Entre 2022 e 2024, mais de 200,7 mil pessoas se formaram em cursos superiores de tecnologia, um crescimento de 59,1%. Só em 2024, foram 110.960 graduados, com 40% optando por "Análise e Desenvolvimento de Sistemas". A formação técnica também acompanha a tendência, com as matrículas em cursos de TIC avançando 52% entre 2023 e 2025. Já a formação inicial e continuada de TIC na rede federal registrou um crescimento acumulado de 174,6% entre 2020 e 2024, totalizando 256.794 certificados.

As projeções do relatório foram elaboradas com uma metodologia estatística avançada de Machine Learning, utilizando dados públicos de fontes como Rais, Caged e IBGE. O estudo assegura uma cobertura de projeção de 90% e um ponto Alpha de 5% de confiabilidade, oferecendo um panorama fidedigno do mercado.

 

 

https://amanha.com.br/categoria/tecnologia/setor-de-tecnologia-projeta-33-mil-novas-vagas-ainda-em-2026?utm_campaign=NEWS+DI%C3%81RIA+PORTAL+AMANH%C3%83&utm_content=Setor+de+tecnologia+deve+criar+33+mil+novas+vagas+CLT+ainda+em+2026+-+Grupo+Amanh%C3%A3&utm_medium=email&utm_source=dinamize&utm_term=News+Amanh%C3%A3+20_07_2026

 

Empresas economizam até US$ 94 bilhões com implementação de iniciativas de redução de emissões

 

Em média, as empresas têm um retorno de US$ 10 para cada US$ 1 investido 
 
 
O Brasil apresenta retorno bem abaixo da média global: apenas US$ 4,5

As justificativas financeiras para o enfrentamento dos riscos ambientais estão se concretizando em escala global. Nova análise do relatório Disclosure Dividend 2026 do CDP mostra que as empresas economizaram entre US$ 80 bilhões e US$ 94 bilhões por meio de iniciativas de redução de emissões desde o lançamento do relatório anual em 2025, destacando o valor imediato da transparência e da ação, apesar de um cenário global volátil. Para cada US$ 1 gasto na resposta aos riscos climáticos físicos, há um retorno médio de até US$ 10. Apesar do aumento de choques geopolíticos e econômicos, esse retorno cresceu 25% em relação ao ano passado. O relatório Disclosure Dividend 2026 baseia-se em dados de mais de 11.260 grandes e médias empresas que reportaram informações ambientais por meio do CDP em 2025, que representam cerca de dois terços da capitalização de mercado global.

O relatório inaugural Disclosure Dividend 2025 (que analisou dados reportados ao CDP em 2024) constatou que as empresas poderiam ter um retorno total de até US$ 21 para cada dólar investido em riscos climáticos físicos, com uma mediana de US$ 8 entre todos os setores. Em 2026, a mediana é de US$ 10, e o retorno total para empresas do setor de serviços financeiros pode chegar a até US$ 64. A Ásia oferece um alto nível de retorno sobre o investimento, com o Japão registrando uma mediana de retorno de US$ 9 e a China, de US$ 11. Na Europa, os retornos medianos são de US$ 7 para a Alemanha, US$ 8 para a França e ligeiramente maiores no Reino Unido, atingindo US$ 10. Já na América Latina, o Brasil apresenta retorno mediano US$ 4,5.

A proporção de empresas que identificam riscos ambientais substantivos aumentou de 46% em 2018 para 80% em 2025. A análise do CDP sugere que a inação resultará em cerca de US$ 1,2 trilhão em perdas acumuladas por riscos ambientais até 2030, subindo para US$ 1,7 trilhão até 2040. Separadamente, o CDP realizou uma análise sobre a lucratividade das iniciativas de redução de emissões. A redução de resíduos e o reuso de materiais é a iniciativa financeiramente mais atraente, gerando US$ 3,9 para cada US$ 1 investido, com um retorno mediano de apenas 1,3 ano. "Nossa análise mostra que os retornos das ações são convincentes, mas os custos do atraso também o são. A divulgação de dados ambientais está se tornando rapidamente uma disciplina econômica essencial para que empresas de todos os tamanhos, setores e regiões construam resiliência e vantagem competitiva", afirma Sherry Madera, CEO do CDP.

 

 https://amanha.com.br/categoria/sustentabilidade/empresas-economizam-ate-us-94-bilhoes-com-implementacao-de-iniciativas-de-reducao-de-emissoes

Abertura de pequenos negócios cresce 12% no primeiro semestre

 

Microempreendedores individuais são a principal porta de entrada para o ambiente de negócios do país, representando mais de 75% dos registros 
 
A região Sul foi responsável por dois a cada dez novos CNPJs no período

 

 

O ritmo de empreendedorismo formal no Brasil segue acelerado em 2026. De acordo com dados do DataSebrae, extraídos do Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) da Receita Federal, com atualização até 25 de junho de 2026, o país registrou a abertura de 2,9 milhões de pequenos negócios, entre microempreendedores individuais (MEIs) e micro e pequenas empresas (MPEs), no primeiro semestre deste ano. O resultado é quase 12% maior do que a quantidade de pequenos negócios abertos no mesmo período em 2025 (2,6 milhões).

 "Esses dados são um reflexo do esforço contínuo de simplificação de processos e desburocratização para a abertura de novos CNPJs no Brasil. Isso permite que a formalização ocorra de maneira cada vez mais rápida e segura para o empreendedor de pequeno porte", declarou o presidente do Sebrae, Rodrigo Soares.

A análise por setor de atividade econômica revela uma forte concentração no setor de serviços, com 1,9 milhão de novas empresas abertas no período (64,4% do total). Em segundo lugar ficou o comércio, com 600 mil novos empreendimentos. Confira a abertura por segmento:

  1. Serviços: 1,9 milhão
  2. Comércio: 600 mil
  3. Indústria: 229,4 mil
  4. Construção: 199,6 mil
  5. Agropecuária: 38,4 mil

Entre as atividades mais procuradas para a abertura de empresas está a de malote e de entrega (195 mil CNPJs), seguido de transporte rodoviário de carga (185 mil), atividades de publicidade (160 mil) e cabeleireiros (136 mil).

A região Sudeste mantém a liderança no volume total de novas empresas (1,5 milhão), puxada principalmente pelo estado de São Paulo, responsável por 890 mil aberturas de empresas. Em seguida, a região Sul, responsável por dois a cada dez novos CNPJs no período. Confira os dados por região:

  1. Sudeste: 1,5 milhão
  2. Sul: 561,2 mil
  3. Nordeste: 474,6 mil
  4. Centro-Oeste: 296,1 mil
  5. Norte: 157,8 mil

O levantamento apontou que os MEIs são a principal forma de entrada para o empreendedorismo formal. Do total de empresas abertas no primeiro semestre deste ano, 75% foram MEIs. Em seguida, aparecem as microempresas (MEs), com 534 mil aberturas. Juntas, as duas categorias somam quase 93% de toda a atividade empreendedora iniciada neste ano. As empresas de pequeno porte (EPP) e outros formatos de empreendimentos completam o restante das aberturas registradas.

 

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Apex prevê plano de R$ 130 milhões para diversificar exportações

 

 

Medida visa proteger a economia brasileira do tarifaço do governo dos Estados Unidos 

 
 
O plano será lançado em parceria com 57 setores econômicos do país, nas mais diversas áreas, que reúnem 2,4 mil empresas exportadoras

 

 

Após o tarifaço adicional dos Estados Unidos (EUA) contra parte das exportações do Brasil, a Agência Brasileira de Promoção das Exportações e Investimentos (ApexBrasil) anunciou um plano de R$ 130 milhões, a ser lançado em agosto, para diversificar as vendas do Brasil no exterior e reduzir os impactos das tarifas estadunidenses.  Vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), a ApexBrasil informou que o plano será lançado em parceria com 57 setores econômicos do país, nas mais diversas áreas, que reúnem 2,4 mil empresas exportadoras.

O presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller, disse em entrevista coletiva que as prioridades são o mercado da União Europeia, até pelo recente acordo com o Mercosul, além dos países que integram a Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), como Indonésia, Malásia, Tailândia, Vietnã, entre outros, e que apresentam altas taxas de crescimento. 

Países da Ásia Central, como Cazaquistão e Uzbequistão, também estão entre os possíveis novos mercados a serem explorados pelas empresas brasileiras afetadas pelo tarifaço dos EUA. "São países de alto crescimento e desenvolvimento, eles têm procurado muito o Brasil para parcerias em investimento e também porque têm uma população que está crescendo a 7% ou 8%, com população jovem, e que demandam, inclusive, produtos que o Brasil tem", observou. As negociações do Mercosul com Índia, Japão e Canadá também foram apontadas como oportunidades para diversificar o comércio exterior do Brasil, reduzindo a dependência dos estadunidenses.

O presidente da ApexBrasil ressaltou que esse trabalho de diversificação está em andamento desde as primeiras tarifas impostas pelos EUA, ainda em 2025. "Isso implica dizer que 72% das 2,4 mil empresas que exportam para os EUA, e que são apoiados pela ApexBrasil, já diversificaram o mercado entre junho de 2025 e maio de 2026. Elas acrescentaram, nesse período, pelo menos um novo destino de suas exportações", informou Müller.

Com ABR

 

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Santa Catarina tem 68% das exportações aos EUA afetadas por novas tarifas

 


Estado sulista é o mais afetado, considerando a totalidade das exportações 
 
 
Para a Fiesc, o segundo tarifaço deve repetir os efeitos negativos da primeira elevação das tarifas, quando as exportações catarinenses para os EUA recuaram 38,2%

 

 Diante do anúncio de novas tarifas impostas pelo governo dos Estados Unidos às exportações brasileiras, Santa Catarina tem a situação mais crítica do país, com 68% das exportações aos EUA afetadas. Os dados são da ApexBrasil, a Agência Brasileira para Promoção de Exportações e Investimentos, ligada ao Ministério de Desenvolvimento, Comércio e Indústria (MDCI). A agência anunciou um plano de R$ 130 milhões para auxiliar essas empresas a diversificarem seus mercados.

Para a Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc), o segundo tarifaço deve repetir os efeitos negativos da primeira elevação das tarifas, quando as exportações catarinenses para os EUA recuaram 38,2% e o estado deixou de gerar cerca de 7,6 mil postos de trabalho. Além disso, 40,3% do valor exportado pelo estado para os Estados Unidos, já estão sendo tarifadas sob a seção 232. O que resulta em apenas 5,2% das vendas aos EUA isentas de sobretaxas de qualquer natureza. O impacto maior está concentrado em produtos estratégicos para as regiões Serrana, Oeste e Planalto Norte, territórios que já enfrentam grandes desafios ao desenvolvimento.

 

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