segunda-feira, 27 de julho de 2026

Ibovespa abre em alta após trégua entre EUA e Irã; Petrobras recua com queda do petróleo

 

O Ibovespa iniciou o pregão desta segunda-feira, 27, em alta, refletindo o clima mais favorável nos mercados internacionais após a redução das tensões entre Estados Unidos e Irã durante o fim de semana. Nos primeiros negócios, o principal índice da Bolsa brasileira avançava 0,22%, aos 174.421 pontos, enquanto o dólar operava próximo da estabilidade, cotado a R$ 5,08.

O movimento acompanha o desempenho positivo das bolsas globais depois que o alívio no cenário geopolítico provocou uma queda superior a 6% nos preços internacionais do petróleo, reduzindo preocupações sobre uma possível interrupção da oferta mundial de energia.

Com a diminuição da aversão ao risco, investidores voltaram a buscar ativos de renda variável. Por outro lado, a forte desvalorização do petróleo pressionou empresas ligadas ao setor, entre elas a Petrobras, que figurava entre os papéis com desempenho negativo na abertura.

Ações de educação e tecnologia lideram os ganhos

Entre as maiores altas do início do pregão estavam empresas dos setores de educação, tecnologia e telecomunicações.

A Yduqs (YDUQ3) liderava os ganhos, com valorização de 3,05%. Na sequência apareciam Telefônica Brasil (VIVT3), com alta de 2,22%, MRV (MRVE3), que avançava 1,59%, e Totvs (TOTS3), com ganho de 1,55%.

Empresas de energia e saúde registram as maiores quedas

Do lado negativo, a maior baixa era da ISA Energia (ISAE4), que recuava 7,16% nos primeiros minutos de negociação.

Também figuravam entre as principais perdas Hapvida (HAPV3), com queda de 5,25%, Caixa Seguridade (CXSE3), que cedia 5,21%, Marfrig (MBRF3), em baixa de 4,81%, e Minerva (BEEF3), que recuava 3,93%.

Mercado acompanha cenário internacional

Além da repercussão da trégua no Oriente Médio, os investidores seguem atentos à agenda econômica da semana.

No exterior, as atenções estão voltadas para a reunião do Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, cuja decisão sobre os juros será anunciada na quarta-feira, 29.

No Brasil, o mercado também monitora a divulgação do IPCA-15, prévia da inflação oficial, além dos dados de emprego previstos para os próximos dias, indicadores que poderão influenciar as expectativas para a política monetária e o comportamento dos ativos domésticos.

 

 https://istoedinheiro.com.br/ibovespa-abre-em-alta-apos-tregua-entre-eua-e-ira-petrobras-recua-com-queda-do-petroleo

 

Mercado reduz previsão da inflação pela quarta semana seguida e IPCA deve fechar 2026 em 5,12%

 

O mercado financeiro voltou a reduzir a expectativa para a inflação brasileira em 2026. De acordo com o Relatório Focus, divulgado nesta segunda-feira, 27, pelo Banco Central, a mediana das projeções para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) passou de 5,15% para 5,12%, marcando a quarta queda consecutiva nas estimativas para este ano.

A nova revisão reforça a percepção de que o processo de desaceleração dos preços continua ganhando força, embora a inflação ainda permaneça acima do teto da meta perseguida pelo Banco Central.

Além da revisão para o acumulado de 2026, os economistas também reduziram a projeção para o IPCA de julho. A expectativa caiu de 0,26% para 0,20%, sinalizando uma inflação mensal mais moderada do que a prevista na semana anterior.

Para os próximos anos, no entanto, o mercado voltou a elevar as estimativas. A projeção para a inflação de 2027 passou de 4,20% para 4,22%, enquanto a expectativa para 2028 avançou de 3,78% para 3,80%. Já para 2029, a previsão permaneceu em 3,50%.

Selic segue estável

Mesmo com a melhora nas projeções para a inflação deste ano, o mercado não alterou a expectativa para a taxa básica de juros.

O Focus manteve a previsão de que a Selic encerrará 2026 em 14% ao ano. Para 2027, a expectativa continua em 12%, enquanto as projeções para 2028 e 2029 seguem em 10,5% e 10%, respectivamente.

A manutenção das estimativas indica que os analistas ainda enxergam um cenário de cautela para a condução da política monetária, mesmo diante da melhora recente dos indicadores de inflação.

PIB e dólar ficam praticamente inalterados

As projeções para o crescimento da economia brasileira permaneceram estáveis.

O mercado manteve a expectativa de expansão de 1,99% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026, enquanto a previsão para o câmbio permaneceu em R$ 5,20 por dólar ao fim deste ano.

Os dados do Focus são divulgados semanalmente pelo Banco Central e reúnem as projeções de instituições financeiras e consultorias para os principais indicadores da economia brasileira.

 

quarta-feira, 22 de julho de 2026

Setores reagem à tarifa adicional de 25% dos Estados Unidos

 

Os mercados mais afetados têm os Estados Unidos como principal destino para suas exportações, mesmo após tarifas impostas no ano passado 
 
 
Indústria da madeira é a mais afetada

 

 

Começa a valer nesta quarta-feira (22), a medida do governo dos Estados Unidos que impõe novas tarifas à importação de produtos brasileiros. A sobretaxa atinge US$ 11 bilhões em exportações brasileiras, o equivalente a 26,2%, e compromete a competitividade da indústria nacional em um dos seus principais mercados. Entre as exportações atingidas, 60,3% correspondem a bens intermediários utilizados pela indústria dos Estados Unidos. Além disso, o Brasil é o principal fornecedor ao mercado norte-americano em 10 dos 13 principais produtos atingidos pela medida.

Setores mais afetados pela tarifa adicional de 25%


Segundo levantamento divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI)

  • 83,1% — Madeira
    Moldura de madeira padrão de pinho; estacas, portas de emergência.

  • 56,3%  Minerais não metálicos
    Granito, lajes, pavimentações e azulejos, tijolos, blocos, telhas refratárias.

  • 51,8% — Químicos
    Álcool etílico não desnaturado, peptones e seus derivados, benzeno com pureza de 95% ou mais em peso e preparações para uso no cabelo.

  • 44,8% — Alimentos
    Açúcar de cana em forma sólida bruta; sebo não comestível, açúcares especiais de cana ou beterraba e sacarose quimicamente pura e carne suína congelada.

  • 30,3% — Veículos automotores
    Niveladoras e aplainadoas autopropelidas, veículos motorizados para transporte de mercadorias, pás-carregadoras trator integrais, tratores de esteiras e angulares e tratores de colocação de esteiras.

  • 24,0% — Celulose e papel
    Pasta química de madeira, papel ou cartão para escrita, massa base para caixas de leite e outras embalagens de bebidas, papel com revestimento térmico direto.

  • 12,5% — Máquinas e equipamentos
    Torneiras, válvulas, máquinas de britagem de terra, peças de máquinas para fabricação de açúcar e peças de máquinas de padaria e máquinas para fabricação de macarrão.


Associações industriais manifestam preocupação
Diversas associações setoriais declararam sua preocupação diante da medida, e apelaram ao governo para a continuidade das negociações. Em comum, as entidades criticam a adoção de critérios arbitrários e políticos, em vez de técnicos, por parte do estado americano.

Madeira — Representando o segmento mais impactado, a Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente (Abimci), destacou, em nota, a força do impacto sobre o setor, que ainda se recuperava das tarifas impostas em 2025. "A perda de competitividade decorrente dessas novas tarifas compromete a continuidade de negócios construídos ao longo de décadas com os Estados Unidos e coloca em risco investimentos, a produção e postos de trabalho", disse a entidade. Além disso, reforçou a relevância dos produtos brasileiros para o mercado norte-americano, sua complementaridade em relação à produção local, a inexistência de concorrência direta com a indústria dos Estados Unidos e a dificuldade de substituição por fornecedores de outros países.

Revestimentos cerâmicos — O mercado brasileiro de cerâmica também tem como principal mercado os Estados Unidos. A Associação Nacional dos Fabricantes de Cerâmica para Revestimentos (Anfacer) informou que em 2024, último ano sem a incidência das tarifas adicionais, os Estados Unidos responderam 25% das exportações brasileiras de revestimentos cerâmicos. No ano passado, os efeitos das medidas tarifárias já foram percebidos de forma significativa: as exportações para o mercado norte-americano registraram queda de 31,7% na receita e de 24,2% no volume em relação ao ano anterior. Na comparação entre o primeiro semestre de 2026 e o mesmo período de 2025, as exportações para os Estados Unidos recuaram 48,3% em receita e 45,8% em volume. "Ao longo dos últimos anos, a indústria nacional consolidou sua presença nesse mercado por meio de investimentos contínuos em tecnologia, inovação, sustentabilidade e eficiência produtiva ,tornando o Brasil um dos principais produtores e exportadores mundiais do setor", declarou a Anfacer, em nota.

Indústria química — Em termos de valor exportado, as isenções abrangem entre 64% e 71% das vendas brasileiras ao mercado norte-americano. A Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim) avalia que a decisão dos Estados Unidos ignora a realidade do comércio bilateral no setor químico, amplia a insegurança para as cadeias produtivas e reforça a necessidade de medidas de mitigação e da continuidade das negociações entre os dois países. Para a entidade, a medida não encontra justificativa na relação comercial entre os dois países e tampouco contribui para ampliar a competitividade da indústria norte-americana.

Plástico — Segundo o presidente do Conselho da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast), José Ricardo Roriz, a nova tarifa pode comprometer as exportações brasileiras ligadas direta ou indiretamente ao setor plástico, representando perdas estimadas entre US$ 1,5 bilhão e US$ 2 bilhões. "A preocupação é ainda maior para pequenas e médias empresas exportadoras que possuem elevada dependência das vendas aos Estados Unidos. Para muitas delas, a perda de competitividade decorrente da tarifa de 25% pode comprometer a manutenção das operações, tornando necessária a adoção de medidas emergenciais de apoio enquanto se busca uma solução definitiva para o impasse comercial", conclui Roriz.

Agronegócio — O agro também não sai ileso. No Rio Grande do Sul, uma nota técnica da assessoria econômica da Farsul revela que, enquanto a medida atinge 38% do valor total das exportações brasileiras aos EUA — o equivalente a US$ 14,3 bilhões —, no Rio Grande do Sul, esse índice chega a 79%, somando US$ 1,3 bilhão. No agronegócio, a disparidade se mantém. A parcela da pauta agropecuária brasileira impactada é de 32,7%, enquanto no estado gaúcho a exposição alcança 70,4%.

Máquinas e equipamentos — Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) disse não estar surpresa com o movimento dos Estados Unidos, mas destacou o impacto negativo para a competitividade da indústria. "Embora a medida represente um fator adicional de preocupação para a indústria brasileira, o resultado preliminar está em linha com as expectativas do setor, que já trabalhava com a possibilidade de tarifas entre 20% e 30%", destaca a nota emitida pela associação.

Têxtil e confecção — A Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) declarou que medidas dessa natureza aumentam a insegurança no comércio internacional, reduzem a competitividade das empresas e geram impactos sobre investimentos, produção, emprego e integração das cadeias produtivas.

 

 https://amanha.com.br/categoria/industria/setores-reagem-a-tarifa-adicional-de-25-dos-estados-unidos

Índice de condições financeiras da indústria tem leve avanço

 

Apesar da alta, carga tributária, acesso à matéria-prima e juros travam desempenho do setor 
 
 
O indicador ainda segue abaixo da linha divisória de 50 pontos, revelando insatisfação dos industriais

As empresas industriais tornaram-se menos insatisfeitas com as próprias condições financeiras no segundo trimestre de 2026, aponta a Sondagem Industrial, divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) nesta terça-feira (21). No entanto, o peso dos impostos, os juros elevados e o alto custo de insumos e matérias-primas impediram um desempenho melhor do setor. De acordo com o levantamento, o índice que mede a satisfação dos empresários subiu 0,7 ponto, chegando aos 47,9 pontos, em uma escala que vai de 0 a 100. Apesar da alta, o indicador segue abaixo da linha divisória de 50 pontos, revelando insatisfação dos industriais, ainda que em menor intensidade do que no primeiro trimestre.

Os índices de satisfação com o lucro operacional e de facilidade de acesso ao crédito aumentaram 1 ponto e 0,9 ponto, para 42,9 pontos e 39,9 pontos, respectivamente. Contudo, ambos continuam abaixo da linha de 50 pontos. Outra notícia positiva para o setor foi a queda do índice de evolução do preço médio das matérias-primas, que recuou 2 pontos, para 64,1 pontos. O resultado mostra que, para os empresários, o preço dos insumos caiu em relação ao primeiro trimestre, mas seguem elevados. "Os cortes na taxa de juros foram modestos e tiveram pouco impacto sobre a melhora das condições financeiras. O quadro geral mostra que os empresários continuam bastante insatisfeitos com a lucratividade e o acesso ao crédito", afirma Marcelo Azevedo, gerente de análise econômica da CNI.

A Sondagem Industrial mostra que o peso dos impostos continua travando a atividade industrial. Um em cada três empresários (33,3%) apontou a elevada carga tributária como o principal problema enfrentado pelo setor no segundo trimestre. Em meio à guerra no Oriente Médio e ao cenário externo incerto, a falta ou o alto custo da matéria-prima permaneceu na segunda posição do ranking dos principais problemas. O entrave foi mencionado por 31,2% dos industriais. Mesmo com o início do ciclo de cortes dos juros pelo Banco Central, 27,9% dos empresários apontaram as taxas de juros elevadas como o terceiro maior obstáculo ao desempenho das empresas no período.

Em junho, o índice que mede a evolução da produção caiu para 48,4 pontos, refletindo uma queda de 0,5 ponto. O resultado aponta retração da atividade industrial em relação a maio deste ano e é o pior para o mês de junho desde 2022. Já o índice de evolução do número de empregados permaneceu estável após variação negativa de 0,2 ponto, para 48,2 pontos,. A Utilização da Capacidade Instalada (UCI), por outro lado, avançou um ponto percentual, passando de 69% em maio para 70% em junho. 

 

 https://amanha.com.br/categoria/brasil/indice-de-condicoes-financeiras-da-industria-tem-leve-avanco


Grupo Potencial investirá R$ 96,2 milhões em nova planta de biodiesel

 


A planta terá capacidade para produzir até 120 toneladas por dia de glicerina bruta e até 1,2 mil toneladas diárias de biodiesel 
 
 
Recursos serão provenientes de programas voltados para a promoção da economia verde e adoção de fontes de energia limpa

 

O Grupo Potencial investirá  R$ 96,2 milhões na  expansão da capacidade produtiva na cidade de Lapa (PR). O  Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) promoveu uma operação de financiamento nesta terça-feira (21), cujos  recursos serão destinados à implantação de uma nova planta industrial de biodiesel do grupo,  que atua na ampliação da oferta de combustíveis renováveis no Brasil.

O empreendimento consolida o Grupo Potencial como um dos maiores complexos produtivos de biodiesel do mundo, alcançando uma capacidade de 3,3 mil toneladas por dia. Em maio, a empres aanunciou um plano de R$ 6 bilhões em investimentos para ampliar a capacidade produtiva. A nova planta será integrada ao complexo industrial da companhia, na Lapa, que já conta com outras duas unidades de produção de biodiesel, duas de refino de glicerina e uma de glicerólise, fortalecendo a verticalização das operações, os ganhos de escala e a eficiência produtiva.

Do total aprovado, R$ 76,9 milhões são provenientes do Fundo Clima, vinculado ao Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e operado pelo BNDES. O fundo apoia iniciativas inovadoras de mitigação e adaptação às mudanças climáticas, conservação e recuperação de florestas, proteção da biodiversidade, além de segurança hídrica e desenvolvimento de soluções capazes de acelerar a transição para uma economia de baixo carbono. Os outros R$ 19,2 milhões serão disponibilizados pela Finem, que conta com uma linha específica para produção de alimentos e biocombustíveis.

O apoio aprovado pelo BNDES faz parte do investimento total de R$ 230 milhões. A nova planta terá capacidade para produzir até 120 toneladas por dia de glicerina bruta e até 1,2 milhão de toneladas diárias de biodiesel, além de 110 toneladas por dia de óleo sintético. A expansão representa um avanço importante para o fortalecimento da cadeia nacional de biocombustíveis e para o aumento da competitividade da indústria brasileira de energia renovável.

O Grupo Potencial é a 38ª maior empresa da região e também a 13ª maior do Paraná, de acordo com o ranking 500 MAIORES DO SUL, publicado pelo Grupo AMANHÃ com o apoio técnico da PwC Brasil ( veja o ranking completo aqui e o anuário digital completo clicando neste link).


 

 https://amanha.com.br/categoria/negocios-do-sul1/grupo-potencial-investira-r-96-2-mi-para-implantacao-de-nova-planta-de-biodiesel

Santa Catarina poderá ser o estado do Sul mais beneficiado com o acordo Mercosul-UE

 


Perspectiva faz parte de um estudo feito pela Apex-Brasil  
 
 
Santa Catarina lidera em número de itens na região Sul com 167 produtos mapeados

 

 

A consolidação do Acordo de Parceria entre o Mercosul e a União Europeia representa um divisor de águas para o comércio exterior brasileiro, abrindo as portas de um mercado avaliado em US$ 24,2 trilhões. Para garantir que o setor produtivo de todas as regiões brasileiras converta a redução de tarifas em novos negócios, a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Atração de Investimentos (ApexBrasil), em parceria com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), elaborou um estudo que mapeia as oportunidades reais de exportação por estado. Estruturado a partir dos códigos tarifários internacionais, o levantamento identifica nichos de mercado na Europa e orienta a diversificação da pauta exportadora. Mais de 8 mil empresas já exportam ativamente para o bloco europeu, com destaque para São Paulo, que reúne 3.842 empresas exportadoras, seguido por Rio Grande do Sul (885) e Minas Gerais (863).

O estudo traça um diagnóstico do mapa produtivo nacional, destacando o potencial de cada macrorregião. Nesse cenário, o Sul destaca-se como um polo estratégico, evidenciando uma forte integração entre a tecnologia industrial e a produção agroindustrial e contando ainda com uma pauta exportadora marcada pela indústria de transformação (o setor responde por uma fatia entre 73% e 91% do total exportado pelos três estados).

No Paraná, a balança comercial mantém-se predominantemente superavitária, sustentada por um crescimento médio anual das exportações de 4,4%. A estrutura econômica estadual é liderada pela indústria de transformação, responsável por 73,4% das vendas externas, seguida pelo agronegócio, com 25,6%. Com base nos dados de 2025, os principais produtos exportados incluem soja, carnes de aves, farelo de soja, açúcares e milho. O estudo aponta um potencial significativo para o estado, identificando 76 códigos tarifários (SH6) com oportunidades de exportação para a União Europeia, divididos entre 45 produtos industriais e 31 agrícolas. Atualmente, 744 empresas paranaenses já exportam para o bloco, com perspectivas de expansão em setores de maior valor agregado, como o automotivo, a indústria madeireira com compensados e madeiras processadas, além de máquinas, equipamentos, válvulas e bombas, somando-se à força agroindustrial de carnes e derivados de soja e milho.

O Rio Grande do Sul, por sua vez, apresenta um perfil de balança comercial consistentemente superavitário, caracterizado por uma pauta diversificada que funde commodities agrícolas com produtos manufaturados de maior complexidade. A indústria de transformação responde por 76,7% das vendas externas gaúchas. Entre os principais produtos exportados em 2025, destacam-se a soja, o tabaco, o farelo de soja, carnes de aves, celulose e carne suína. O mapeamento da ApexBrasil e do MDIC identificou 74 produtos com potencial para o mercado europeu, sendo 47 na indústria e 27 no agronegócio, mobilizando 885 empresas exportadoras. As oportunidades para o estado concentram-se em manufaturados e insumos industriais, com destaque para partes e acessórios automotivos, polímeros de etileno, derivados de petróleo, calçados de couro e sintéticos, além da oferta contínua de carnes e tabaco processado.

Já Santa Catarina apresenta uma balança comercial deficitária desde 2009, com um ritmo de crescimento das importações (14,8% ao ano) que supera o das exportações (4% ao ano). Entretanto, o estado possui uma base industrial extremamente sólida, com a indústria de transformação representando 91,4% da pauta exportadora. Em 2025, os destaques foram as carnes de aves e suína, geradores elétricos, soja e madeira. Santa Catarina é, inclusive, o estado do Sul com o maior número de oportunidades identificadas pelo estudo, totalizando 167 produtos, dos quais 128 pertencem ao setor industrial e 39 ao agronegócio, com 761 empresas já atuando junto ao bloco europeu. O nicho estratégico catarinense na Europa foca em máquinas e bens de capital, como motores elétricos, peças para motores de pistão e bombas, além de compensados, partes automotivas, artefatos plásticos e, naturalmente, a consolidada produção de proteínas animais.

O acordo Mercosul–União Europeia carrega o potencial de reconfigurar profundamente a economia do Sul do Brasil. Para o economista e geógrafo Roberto Uebel, o Paraná deve se destacar como um dos maiores beneficiários dessa parceria, que promete impulsionar setores estratégicos como o agroindustrial e o automotivo, além de trazer benefícios diretos para as famílias, especialmente as de renda média urbana, com a ampliação do acesso a produtos europeus antes considerados caros ou fortemente tributados. Os impactos esperados e os desafios reais para a região estão detalhados em artigo especial publicado na última edição da Revista AMANHÃ (leia a análise completa clicando aqui).


https://amanha.com.br/categoria/sul-for-export/santa-catarina-podera-ser-o-estado-do-sul-mais-beneficiado-com-o-acordo-mercosul-ue

VOGE chega ao Brasil com concessionária em Curitiba

 


Com foco no segmento premium, marca chinesa de motocicletas inicia expansão pelo Sul do país 
 
 
A escolha pela capital paranaense foi vista como estratégica para o segmento de motos premium

 

A chinesa VOGE escolheu Curitiba para instalar sua primeira concessionária no país. O espaço de 600 metros quadrados traz o conceito que une showroom e oficina especializada. O Grupo Remotors é quem vai comandar a nova operação. A escolha pela capital paranaense não foi por acaso. Rodrigo Moutinho, gerente geral da VOGE Brasil, explica que o mercado local é maduro e estratégico para o segmento premium, especialmente para motos acima de 300 cilindradas. "Os estados do Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina têm um público apaixonado por motos adventure e touring, alta densidade de motociclistas experientes, excelente infraestrutura viária e forte cultura de duas rodas. Curitiba, em especial, destaca-se pela qualidade de vida, mobilidade urbana e por ser um importante polo de eventos do setor, funcionando como uma excelente porta de entrada para consolidar a marca na região Sul", afirma Moutinho.

A região Sul é vista como estratégica, também pelas rotas de viagem que os clientes costumam fazer, já que a marca também está presente em países vizinhos como Uruguai, Argentina, Chile, Colômbia, Paraguai e Peru. O plano é consolidar a operação pela região de forma gradual e sustentável. Até 2027, a expectativa é abrir mais três ou quatro unidades espalhadas pelo Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Depois de fortalecer esse pé no Sul, que é um dos mercados mais importantes do país para o setor, a marca pretende levar sua tecnologia e design para outras regiões brasileiras.

A operação brasileira recebeu um aporte inicial de US$ 10 milhões, valor usado em várias frentes, desde a montagem em Manaus em parceria com a Dafra, até a criação de um centro logístico em Itapevi, em São Paulo. O valor também engloba treinamento das equipes e estoque de peças. A montagem da concessionária custou cerca de R$ 5 milhões. 

 

https://amanha.com.br/categoria/empresa/voge-chega-ao-brasil-com-concessionaria-em-curitiba-1