terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Mercosul, cúmplice de Maduro







O Estado de S.Paulo
 
Após guardar silêncio obsequioso por vários dias, o Mercosul resolveu pronunciar-se a respeito das manifestações na Venezuela, cuja repressão gerou confrontos e resultou na morte de ao menos três pessoas. Em lugar de condenar a violência e de conclamar o governo de Nicolás Maduro a respeitar o direito democrático de protestar, o bloco sul-americano, do qual o Brasil faz parte, preferiu alinhar-se aos chavistas. Ao escolher um lado, o Mercosul mostra definitivamente que sua diplomacia é refém da ideologia bolivariana, apoiando um governo que violenta a democracia à luz do dia.

Em nota oficial, tão chavista que parece ter sido da lavra do próprio Maduro, os integrantes do Mercosul criticam as "tentativas de desestabilizar a ordem democrática" - uma clara alusão aos manifestantes. A referência é ainda mais explícita quando o bloco diz rejeitar "as ações criminosas de grupos violentos que querem espalhar a intolerância e o ódio na República Bolivariana da Venezuela como uma ferramenta política".

Por fim, os parceiros de Maduro "expressam seu mais forte rechaço às ameaças de ruptura da ordem democrática legitimamente constituída pelo voto popular" - uma acusação explícita de golpismo. A solução, segundo a nota, seria "aprofundar o diálogo sobre as questões nacionais, dentro do quadro das instituições democráticas e do Estado de Direito, como tem sido promovido pelo presidente Nicolás Maduro nas últimas semanas". O Mercosul pretende fazer crer, portanto, que Maduro - aquele que chama os manifestantes de "fascistas" e "golpistas" - quer mesmo dialogar.

Para completar a pantomima, a nota expressa a "posição firme na defesa e preservação das instituições democráticas" e invoca o "compromisso democrático do Mercosul", sem que haja uma única referência às violações cometidas pelo governo.

Compare-se esse comunicado com o emitido pela União Europeia (UE) sobre o mesmo assunto. Além de ter sido divulgada dois dias antes, a nota da UE pede calma a representantes de toda a sociedade, "tanto em seus atos quanto em suas declarações", e reafirma o princípio de que "a liberdade de expressão e o direito de participar de manifestações pacíficas são essenciais" - ponderação ausente na nota do Mercosul, que praticamente criminaliza os manifestantes. Por fim, a UE "faz um apelo às autoridades da Venezuela para que estendam a mão a todos os setores da sociedade" - isto é, considera que a iniciativa do diálogo deve partir de quem detém o poder.

Esperar que o governo venezuelano resolva dialogar com a oposição, no entanto, é ingênuo. Há 15 anos no poder, os chavistas não apenas construíram uma ampla estrutura de controle do Estado, como também montaram um sistema de defesa paraestatal, armando milícias nas regiões mais populosas da Venezuela. Movidos pela retórica patriótica e socialista, os chavistas não estão interessados no diálogo - ao contrário, é o confronto que eles desejam, para legitimar o regime de exceção que se está consolidando no país.

Não surpreende, assim, que se multipliquem as denúncias de arbitrariedades cometidas por agentes do governo contra os manifestantes - a maioria dos quais estudantes que protestavam contra a insuportável situação do país, com inflação galopante, escassez de produtos básicos e criminalidade fora de controle. Há relatos de prisões arbitrárias, de ataques das milícias chavistas e de tortura de presos.

Diante disso, as redes sociais, um dos poucos espaços ainda livres no país, vinham ecoando críticas ao silêncio do Mercosul, incitando o Brasil a fazer uso de sua importância regional para pressionar Maduro a interromper a violência. É possível imaginar agora a decepção desses oposicionistas.

O Mercosul considera a Venezuela uma democracia plena - como se a mera realização de eleições fosse suficiente para comprovar a saúde institucional do país. No entanto, se ainda resta algo do espírito democrático na Venezuela, ele não está nas envenenadas instituições, e sim nas ruas, com os estudantes que, corajosamente, desafiam a máquina repressiva chavista para expressar seu descontentamento.



Quanto ganham os engenheiros onde eles são mais demandados


Confira as três cidades brasileiras com maior crescimento na demanda por engenheiros e quanto as indústrias estão pagando para eles em 5 diferentes áreas

Stock.xchange
Capacete e bota de segurança
Engenheiros: demanda em Porto Alegre (RS) cresceu 250% em janeiro, na comparação com mesmo período do ano passado

São Paulo – Em três cidades brasileiras a demanda por engenheiros explodiu em janeiro, segundo estudo realizado pela Michael Page.

Em Porto Alegre (RS) o número de contratações foi 250% superior ao mesmo período de 2013, enquanto em Curitiba (PR) o número de engenheiros contratados dobrou nesta mesma comparação. Campinas (SP), no interior de São Paulo, vem logo atrás, com volume 75% maior de contratos.

A busca por engenheiros mais qualificados e, consequentemente, mais eficientes é o principal fator que tem turbinado o volume de contratações.

De acordo com estudo, 70% dos contratos de trabalho firmados são fruto de substituição de profissionais e 30%, são novas oportunidades criadas nessas regiões.

Custos operacionais mais baixos e incentivos fiscais também têm atraído empresas para estas três cidades, diz Ricardo Basaglia, diretor executivo da consultoria.

“Existem itens que fogem do controle das empresas como questões tributárias, de energia e infraestrutura no Brasil. O que sobra para as empresas é fazer a lição de casa e produzir mais com menos”, diz Basaglia.

E, se o salto de produtividade só é possível por meio da contratação de engenheiros mais eficientes, as empresas têm apostado na oferta de salários mais vantajosos.

“Existe o fator de atratividade. A empresa paga um prêmio para que o profissional qualificado que está empregado possa trocar de emprego”, diz Basaglia. Segundo ele, há casos de empresas dispostas a aumentar os vencimentos em até 30%.

Entre os setores mais aquecidos para os profissionais estão as indústrias automotivas, de bens de consumo, químicas e o agronegócio.

Confira nas tabelas quanto ganham os engenheiros para gerenciar diferentes áreas de uma indústria nas três cidades em que são mais demandados:
 

Curitiba (PR): 

Área Salário médio mensal Variação em relação a janeiro de 2013
Lean 12 mil a 18 mil reais 15¨%
Segurança 8 mil a 15 mil reais 15%
Qualidade 12 mil a 18 mil reais 10%
Manutenção 12 mil a 18 mil reais 10%
Produção 10 mil a 18 mil 15%  
 

Porto Alegre (RS):

Área Salário médio mensal Variação em relação a janeiro de 2013
Lean 12 mi a 18 mil reais 15%
Segurança 8 mil a 12 mil reais 15%
Qualidade 8 mil a 12 mil reais 10%
Manutenção 12 mil a 15 mil reais 10%
Produção 8 mil a 15 mil reais 15%
 

Campinas (SP):

Área Salário médio mensal Variação em relação a janeiro de 2013
Lean 12 mil a 18 mil reais 15%
Segurança 8 mil a 15 mil reais 15%
Qualidade 12 mil a 18 mil reais 15%
Manutenção 12 mil a 18 mil reais 10%
Produção 12 mil a 18 mil reais 15%

WTorre vende participação no JK Iguatemi por R$ 640 mi


Valor pode chegar a R$ 800 milhões até 2017, se metas forem atingidas, diz jornal. Iguatemi passará a ser o controlador do empreendimento




Daniela Toviansky/VEJA SP
Shopping JK Iguatemi, em São Paulo
Shopping JK Iguatemi: construtora WTorre vai vender sua participação

São Paulo - A WTorre anunciará nesta terça-feira a venda de sua parte no shopping JK Iguatemi, em São Paulo. A construtora receberá pelo menos 640 milhões de reais pelos 50% do empreendimento, diz o jornal Valor Econômico.

Esse valor, porém, pode chegar a 800 milhões de reais, caso certas metas sejam cumpridas até 2017.
Dos 50% que pertenciam à WTorre, 14% serão comprados pelo Iguatemi, que já tem 50% da empresa e passará a ser o controlador. O restante ficará com o fundo de pensão americano TIAA-Cref.

Segundo o jornal, a construtora começou a estudar a venda no início de 2013. Em novembro, se decidiu pelo negócio, mas o Iguatemi considerou o valor alto demais. Por isso a busca de um novo sócio.

Para dar início ao Shopping JK foram necessário 320 mihões de reais em investimentos, sendo que cada uma das empresas entrou com metade dos aportes.

No início da tarde desta terça-feira, a assessoria de imprensa da WTorre enviou um comunicado confirmando a conclusão do negócio.
 

75% dos brasileiros não concordam com os gastos da Copa


Levantamento da CNT/MDA revela a insatisfação de parte da população com os investimentos para a realização do evento no Brasil


Friedemann Vogel/Getty Images
Obras da Copa no Itaquerão, em São Paulo, em dezembro de 2013

Obras no Itaquerão, em São Paulo: 80% dos entrevistados disseram que dinheiro com reforma de estádios deveria ser aplicado em outras áreas

São Paulo – A menos de quatro meses do início da Copa do Mundo 2014, os brasileiros mostram que o descontentamento com os gastos públicos no Mundial não está restrito aos grupos que vão às ruas protestar. 

Pesquisa divulgada nesta terça-feira pela Confederação Nacional de Transporte (CNT) revela que 75,8% da população acredita que os investimentos feitos no país para a realização do evento foram desnecessários.
Apenas 13,3% dos entrevistados disseram que os valores foram adequados; e 7,3% consideraram que os investimentos foram insuficientes.

Quando o questionamento se refere especificamente aos gastos com os estádios, o número de descontentes aumenta: 80,2% afirmaram que o dinheiro poderia ter sido utilizado para melhorar outras áreas mais importantes.

Por outro lado, 17,6% das pessoas acreditam que os investimentos serão importantes para desenvolver o esporte no país.

O levantamento mostra ainda que os setores apontados como os que mais precisam de melhorias no Brasil são: Saúde (84,4%), Educação (47,6%) e Segurança (35,1%). Nessa pergunta, era possível escolher mais que uma opção.

Seguindo a linha de contestação pela realização da Copa, 85,4% dos entrevistados acreditam que haverá manifestações populares durante o evento. Entretanto, apenas 15,2% disseram que participariam dos protestos, caso ocorram, contra 82,9% que não participariam.


Outras questões


A 117ª Pesquisa CNT/MDA avaliou ainda os índices de popularidade do governo da presidente Dilma Rousseff, além de propor cenários para as eleições 2014.

Cerca de 2 mil pessoas foram entrevistadas entre os dias 9 a 14 de fevereiro de 2014, em 137 municípios brasileiros. A margem de erro da pesquisa é de 2,2 pontos percentuais.

Classe média deve consumir R$ 1,27 trilhão neste ano, diz Serasa


Por Beth Koike | Valor
 
SÃO PAULO  -  A classe média deve consumir R$ 1,27 trilhão neste ano, o que representaria um crescimento de 8,5% em relação a 2013. Os dados são de um estudo elaborado pela Serasa Experian e pela consultoria Data Popular sobre o perfil da classe C no país, divulgado nesta terça-feira em São Paulo.

EBC

O levantamento demorou um ano para ser concluído. Segundo a pesquisa, a classe C pretende consumir neste ano 8,5 milhões de viagens nacionais, 7,8 milhões de notebooks, 4,5 milhões de tablets, 3,9 milhões de smartphones e 3,2 milhões de viagens internacionais. 

Em relação os bens domiciliares, a previsão é que sejam comprados 7,8 milhões de móveis, 6,7 milhões de aparelhos de TV, 4,8 milhões de geladeiras, 3,9 milhões de máquinas de lavar, 3 milhões de carros e 2,5 milhões de casas ou apartamentos. 

“Os perfis revelados pela solução 'Faces da Classe Média' permitem que as instituições tenham uma visão segmentada desses consumidores e possam entender de que forma devem endereçar suas ações, produtos e serviços, criando soluções para os quatro diferentes nichos, que antes eram observados como um único alvo”, afirma Ricardo Loureiro, presidente da Serasa Experian.

“Isso possibilita empreender novas frentes de consumo e abordar com precisão esses mercados, gerando melhores condições de crédito para o consumidor e movimentando a economia do Brasil”.


Contingente


A classe média brasileira é formada por 108 milhões de pessoas, que gastaram R$ 1,17 trilhão no ano passado, de acordo com a pesquisa. Esse volume representa 58% do crédito no Brasil.

Ainda de acordo com o estudo, a classe média está mais concentrada no Sudeste (43%), seguida do Nordeste (26%), Sul (15%), Centro-Oeste (8%) e Norte (8%).

Segundo Renato Meirelles, presidente do Data Popular, a classe C deixou de ser um segmento de mercado e, para a maioria das categorias, se tornou o principal público consumidor.

A população alvo da pesquisa foi avaliada sob 400 variáveis, levando em conta informações geográficas, demográficas, creditícias e comportamentais. A classe média representa 54% da população do país e a previsão é que chegue a 58% em 2023, ou seja, 125 milhões de pessoas. Em 2003, o segmento representava 38% ou 176 milhões de pessoas.


(Beth Koike | Valor)

Aerovale recebe aval oficial e disputa voos de jatos na Copa saiba mais

Rogério Penido mostra maquete do Aerovale para o ministro Moreira Franco_Foto: Flavio Pereira
Rogério Penido mostra maquete do Aerovale para o ministro Moreira Franco_Foto: Flavio Pereira
Meta de grupo é concluir a construção da pista de 1.560 metros e viabilizar pouso de primeiro avião em Caçapava em maio

Xandu Alves
São José dos Campos

O empresário Rogério Penido, presidente do Aerovale, em Caçapava, maior empreendimento privado atualmente em construção na região, quer disputar o mercado de jatos executivos que virão ao Brasil neste ano por causa da Copa do Mundo.

Para tanto, ele projeta terminar a construção da pista de 1.550 metros que está sendo feita no empreendimento. A meta é decolar o primeiro avião em 30 de maio.

Segundo Penido, estimativas do mercado dão conta que o país sede da Copa costuma receber entre 2.500 e 3.000 jatos executivos em razão dos jogos.

"Queremos parte desses voos pousando e decolando no Aerovale. A estrutura está sendo feita para isso", disse ele ontem, quando recebeu do governo federal a autorização para explorar comercialmente a pista.

A portaria de outorga para exploração do Aerovale, como aeroporto público, foi assinada ontem, em Caçapava, pelo ministro-chefe da SAC (Secretaria de Aviação Civil), da Presidência da República, Wellington Moreira Franco.

Com o documento, Penido pode explorar apenas a aviação executiva, com aviões e helicópteros. A outorga não permite, porém, o recebimento de voos comerciais regulares.

O empresário aposta que, no futuro, essa opção poderá ser autorizada pelo governo. "É um segundo passo. E o governo federal caminha para isso", afirmou.


Obras.

 
Com investimentos que chegam a R$ 250 milhões, o Aerovale está em fase final de terraplanagem. Além da pistam, o empreendimento terá dois condomínios para empresas, um na área aeroespacial, com 117 lotes, e outro nos setores industrial e comercial, com 188 lotes.

A primeira operação, contudo, deve ser mesmo a do aeródromo. "A expectativa é atender a operação de aviação executiva para a Copa do Mundo, entre cidades do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais", disse Penido.

"O Aerovale será uma alternativa para os aeroportos da capital, que estão todos estrangulados. Pousando aqui, o empresário, jornalista ou executivo do time poderá pegar um helicóptero para a capital."

Para tanto, o empresário fundou a Helivale, que irá operar, a partir de março, até 10 voos diários de helicóptero entre São José e São Paulo. Penido comprou duas aeronaves para a operação.

Na avaliação do empresário, ao chegar ao pico de negócios, o Aerovale irá gerar um volume de R$ 10 bilhões. "Vai dobrar Caçapava", disse Penido, citando a estimativa de gerar 50 mil empregos.


Meta é gerar 50 mil empregos

A expectativa do empresário Rogério Penido é que o Aerovale, megaprojeto que está sendo construído em Caçapava, gere até 50 mil empregos, entre diretos e indiretos.

O volume de postos de trabalho será alcançado, segundo Penido, quando o empreendimento estiver no auge das operações, com todos os 305 lotes aeroespaciais, industriais e comerciais vendidos e toda a infraestrutura pronta.

O empreendimento terá uma pista de 1.550 metros e hotéis, centro de convenção e lojas de conveniência.
As obras começaram em setembro de 2012 após 10 anos de projetos e etapas do licenciamento ambiental. Para Penido, o empreendimento estará completamente "maduro" nos primeiros 10 anos.

"A expectativa é que o Aerovale dobre a arrecadação de Caçapava em impostos."

SAIBA MAIS

Projeto
Condomínio empresarial, comercial e de serviços que conta com uma pista para aeronaves, de 1.550 metros, além de lotes para empresas do setor aeronáutico

Localização
Estrada da Germana, km 4, na Chácara da Germana, em Caçapava, numa gleba de 2,265 milhões de metros quadrados

Lotes
Estão sendo vendidos 117 lotes aeronáuticos, entre 2.250 m² e 13.500 m², e 188 lotes industriais e comerciais, entre 722 m² e 15.000 m²


Orgulho caipira


Bolinho típico das festas juninas do Vale do Paraíba, em São Paulo, é saboreado o ano inteiro na cidade de Jacareí

Por Janice Kiss
receitas_bolinho_caipira (Foto: Fernanda Bernardino/Ed. Globo)

É secular a tradição do bolinho caipira no Vale do Paraíba, região que abrange cidades paulistas e fluminenses. Na maioria delas, esse é o principal quitute oferecido nas festas juninas, deixando para trás o bolo de fubá, o pé de moleque, a canjica e a batata-doce. Mas, em Jacareí, a 70 quilômetros de São Paulo, o salgado recheado e frito, feito com farinha de milho, é uma verdadeira instituição - e pode ser encontrado o ano inteiro no mercado municipal. A consideração do povo de Jacareí pelo bolinho é tal que, neste mês, ele será reconhecido oficialmente como patrimônio cultural da cidade.

Os primeiros registros da comercialização do petisco datam de 1925, quando era preparado por Nicota Gehrke, dona de uma banca no mercado e que vendia o produto também nas festas religiosas da cidade. Há quase 50 anos, essa tradição vem sendo mantida por José Maria de Souza, o Zequinha do Mercadão. Num box montado 80 anos atrás por sua família, ele serve salgadinhos variados - mas o campeão de vendas é mesmo o bolinho caipira. "Por baixo, saem umas 120 unidades por dia, pelo preço de 40 centavos cada. Mas, quando faz frio, a quantidade duplica", garante Zequinha. Ao longo do tempo, a receita original de seu salgado mais famoso sofreu uma adaptação, passando a usar um tempero pronto com glutamato monossódico. "Os mais tradicionais condenam, mas o paladar das pessoas muda, e a gente tem de agradar o freguês", defende-se.

Diferentes versões do bolinho também são motivo de discórdia no Vale do Paraíba. Em Jacareí, ele é comprido, feito com farinha de milho branca e recheio de linguiça de porco. Na vizinha São José dos Campos, o costume é prepará-lo com farinha amarela e carne moída e moldá-lo no formato arredondado. As duas cidades asseguram ter a receita mais genuína. Porém, o jornalista João Rural, nascido João Evangelista de Faria, um estudioso da gastronomia do vale, acha difícil provar quem tem razão. "Como nada foi documentado, ficam as histórias contadas pelos antigos", comenta João, que prepara um livro sobre a culinária local.

Baseado nesses relatos, o jornalista concluiu que o preparo apareceu na época da escravatura, sendo consumido após o trabalho braçal nas fazendas da região. Já o historiador Alberto Capucci, diretor do Patrimônio Cultural de Jacareí, acredita que a primeira versão do bolinho - feita de beiju e recheada com peixes como lambari e pequira - apareceu com os índios puris, que viviam nas margens do Rio Paraíba do Sul.

receitas_bolinho_caipira_barraca (Foto: Fernanda Bernardino/Ed. Globo)

Uma terceira teoria é apresentada por Eduardo e Jussara Gehrke, netos de dona Nicota, a pioneira do mercado municipal. Eles sustentam que o bolinho teria surgido entre os séculos XVII e XVIII por obra dos tropeiros que atravessavam a região em direção a Minas Gerais à procura de ouro. Entre as tralhas carregadas no lombo das mulas, figurava a farinha de milho. O recheio do bolinho variaria conforme as paradas: feito de peixe, se apeavam próximo aos rios, ou de porco, quando encontravam criações pelos caminhos.

Essas duas preparações ao "estilo tropeiro" - com massa envolvendo peixe e linguiça suína - poderão ser apreciadas num evento especial em Jacareí neste mês. Entre os dias 11 e 13, o bolinho caipira ganha uma festa só sua na cidade, para marcar seu reconhecimento como patrimônio cultural.

receitas_bolinho_caipira (Foto: Fernanda Bernardino/Ed. Globo)
 
BOLINHO CAIPIRA
100 unidades | Tempo de preparo: Cerca de uma hora | Dificuldade: baixa
 
INGREDIENTES
 
Massa
>>> 1 kg de farinha de milho branca
>>> 1 copo (tipo americano) de óleo
>>> 4 dentes de alho
>>> 1 maço de cheiro-verde
>>> 2 sachês (10 gramas) de tempero pronto com glutamato monossódico
>>> 3 litros de água
>>> sal a gosto
 
Recheio
 
>>> 300 g de linguiça de porco (ou a mesma quantidade de carne moída)
>>> 1 cebola ralada
>>> 1 sachê (5 gramas) de tempero pronto com glutamato monossódico
>>> cheiro-verde a gosto

COMO FAZER
 
Refogue em óleo quente o alho e o cheiro-verde juntamente com o tempero pronto. Coloque um litro de água e espere ferver. Em separado, esfarele os flocos da farinha em uma bacia e adicione a água com os temperos. Mexa com força, usando uma colher de pau. Acrescente aos poucos dois litros de água fria, até a massa se desprender das mãos e ficar no ponto de enrolar. Faça um furo no bolinho, recheie com a carne crua e temperada de sua preferência e molde-o num formato alongado. Frite em óleo bem quente. Nas festas juninas, o quitute é acompanhado de um copo de quentão. Na banca do Zequinha do Mercadão, o costume é comê-lo com café fresquinho.