sexta-feira, 21 de julho de 2017

A cada três chefes, um tem desvio de caráter


Número de líderes que podem apresentar problemas de personalidade aumentou nos últimos três anos, diz pesquisa

 





São Paulo – A cada três executivos brasileiros, um terá desvio de caráter e pode apresentar a disposição para omitir informações, desviar valores ou manipular pessoas e dados.

Um dado ainda pior: esse número aumentou, segundo a pesquisa Perfil Comportamental dos Executivos, realizada a cada três anos pela HSD Consultoria em RH e pela Orchestra Soluções Empresariais.

Enquanto há três anos o número de pesquisados com esse perfil era de 20%, agora cerca de 27% dos líderes podem apresentar algum problema.

Entre os desvios verificados na pesquisa, estão a maquiagem de resultados, desvios de valores financeiros, manipulação de dados e pessoas para atender ao próprio interesse. Quando a consultoria percebe algum sinal desses comportamentos, ela sugere que a empresa realize uma investigação interna.

Segundo a presidente da HSD, Susana Falchi, “quanto mais poder uma pessoa tem em uma empresa, maiores os riscos que um desvio de caráter pode causar”. Além disso, a pessoa pode influenciar toda sua equipe e criar um clima propenso para desvios em benefício próprio, afetando toda a companhia. Por isso, a pesquisa se concentra nos líderes e executivos das empresas. Veja também: O que House of Cards ensina sobre o poder nas empresas
 
Veja na tabela abaixo os principais desvios encontrados pela pesquisa e, em seguida, as principais explicações para esses comportamentos.


Estrutural Porcentagem em 2013 Porcentagem em 2017 Comportamento /Impacto
*Omite/esconde erros 100 100 Relatórios gerenciais alterados ou maquiados; Falta de transparência nos processos; Falta de clareza na condução da área.
Desvio de caráter devido à autoimagem inflada 28 30 “Não respeita limites; Passa por cima de regras e das pessoas; Manutenção da própria imagem.
Desvio de caráter com tendência a desvio de valores financeiros. 20 27 “Cobrança de comissões de fornecedores; Desvio de mercadorias; Apropriação indevida de valores.
Dissimulação/mentira/intriga 22 25 Apresenta situações diferentes da realidade; Enfeita as situações para ficar melhorar imagem própria; Esconde as reais intenções; Finge emoções que não sente.
Desvio de caráter devido à baixa autoconfiança 13 17 Manipulador para seus próprios interesses; Volátil, muda de posicionamento de acordo com as situações, somente para não se comprometer; Não interage com seus pares e equipe; Desconfiado e centralizador, não delega.
Desvio de caráter devido à estrutura emocional fragilizada 8 12 Cria-se uma dependência patológica da equipe; Não traz assertividade em suas colocações; Fica em cima do muro em todas as situações.
Desvio do comportamento sexual 4 7 Assedio sexual e moral.
O comportamento esconder/omitir erros está associado aos demais comportamentos e, por isso, aparece em 100% dos casos avaliados.

 

Corrupção e crise

 

Ainda que a Operação Lava Jato, que apura desvios ligados à Petrobras, e outras investigações da Polícia Federal ocupem as manchetes há alguns anos, elas não tiveram impacto para inibir comportamentos corruptos.

A crise teve uma influência muito maior para aumentar essa incidência, diz Falchi. Na crise, cresce o desespero para não ser demitido. As pessoas passam a pensar mais em si mesmas.

Além disso, quando uma empresa passa por dificuldades, aumenta a pressão por bons resultados, e se destacam aqueles funcionários com perfil mais agressivo. A tensão pode levar algumas pessoas a buscarem esses resultados a todo custo, mesmo que por meios ilícitos, manipulação de dados ou de fornecedores.

Inteligência racional e emocional

 

A consultora diz que a inteligência também tem relação com esses atos ilícitos. Segundo ela, pessoas mais espertas conseguem achar soluções melhores para os problemas, o que pode significar também maior facilidade em criar mecanismos para obter proveito próprio.

No entanto, embora um funcionário tenha um bom conhecimento técnico, falta inteligência emocional. Segundo Falchi, as empresas não incentivam o amadurecimento emocional de seus líderes e estão mais preocupadas com cursos e especializações. “As pessoas avançam muito no conhecimento técnico, mas são frágeis emocionalmente”, diz.

Conivência

 

Quanto maior a companhia, maior sua dificuldade de acompanhar tudo o que acontece dentro dela. Assim, é difícil detectar os desvios. “Muitos se valem dessa falta de controle para obter vantagens, como fraudar reembolsos em viagens, por exemplo”, afirma a especialista.

Mesmo quando o erro é descoberto, há certa dificuldade em lidar com o assunto. Muitos chefes ficam receosos ao denunciar um funcionário desonesto, já que isso pode implicar exposição própria e da companhia. Além disso, como muitos líderes corruptos trazem bons resultados para a empresa, demitir esses funcionários poderia comprometer o resultado imediato.

Assim, a falta de consequência para atos ilícitos pode levar a outros desvios, o que compromete toda a operação. “As companhias precisam ter em mente sua sustentabilidade a longo prazo e impedir esses desvios. Não adianta trazer resultados imediatos, mas sim criar um ambiente para que a empresa prospere a longo prazo”, afirmou.

Metodologia

 

A HSD Consultoria em RH está há 20 anos no mercado, analisando perfis de funcionários em nível de liderança para avaliar os melhores candidatos para processos seletivos ou promoções. Também presta consultoria para recolocação profissional.

Por meio de entrevistas e outras ferramentas, a consultoria avalia estilo de liderança, orientação para resultados, relacionamento pessoal e integridade de conduta

Para avaliar o caráter das pessoas, a consultoria usa diversas ferramentas, de entrevistas a grafologia – análise da escrita. No entanto, para eliminar qualquer vício de percepção ou manipulação dos resultados, a análise é feita por uma equipe técnica que não interagiu com o candidato.

A cada três anos, a consultoria compila todas as entrevistas feitas e lança a pesquisa Perfil Comportamental dos Executivos. A edição de 2017 contou com 3.500 entrevistas, contra 5.000 entrevistas na edição anterior.

Possível compra da Cedae pelo BNDES gera polêmica


Economistas afirmam que o banco se desvia da rota ao comprar a enrolada estatal do Rio de Janeiro. É a volta à gestão do PT? 

 





A quem cabe resgatar o estado do Rio de Janeiro de sua penúria? Nesta semana um novo e improvável candidato veio à tona: o BNDES. Esse mesmo: o famigerado banco estatal de fomento que turbinou a política de campeões nacionais do PT e que, no início do governo Temer, caminhava a passos decididos para uma gestão de austeridade e responsabilidade.

 A proposta na mesa é que o maior banco de fomento do país compre do Estado do Rio sua empresa de saneamento, a Cedae, por cerca de 3,5 bilhões de reais. O valor ajudaria o Rio a resolver parte de seus problemas financeiros (os salários de boa parte dos servidores estão atrasados há dois meses), mas desvia de forma trágica o BNDES de sua caminhada para diminuir a interferência política de suas decisões.

 “Num momento em que se tentava deixar o banco independente e enxuto, a compra da Cedae é um desvio de foco muito grande”, diz Sergio Lazzarini, professor do Insper. Segundo notícias divulgadas ao longo da semana, a ideia de vender a Cedae ao BNDES vinha sendo gestada no governo do Rio há alguns meses. A venda foi autorizada pelo presidente Michel Temer nesta semana e, na próxima segunda-feira, o governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão (PMDB), se reúne com o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Moreira Franco, e com o presidente do BNDES, Paulo Rabello de Castro, para acertar os últimos detalhes.

 Pela proposta inicial, o banco compraria a Cedae via seu braço de investimentos BNDESPar e, nos próximos meses, finalizaria a privatização da companhia. O dinheiro arrecadado com a privatização serviria como uma antecipação de recursos ao Rio para pagar salários atrasados de servidores públicos e fornecedores, que hoje está em 2,4 bilhões de reais. Nas últimas semanas, a equipe técnica do BNDES se dedica a estruturar a privatização da Cedae, papel para o qual o banco havia sido destacado. Eis que, no meio do caminho, o BNDES deixou de assessorar para também assinar um cheque bilionário.

 “O papel do BNDES na privatização é vender e não comprar para reestruturar. Se o BNDES comprar a Cedae, não haverá pressão do governo para ajudar a vender a empresa depois. Ela pode acabar ficando na carteira do banco, como já aconteceu com outras empresas, e qual o ganho que o BNDES tem com isso?”, diz Elena Landau, ex-diretora de privatizações do BNDES.

 Em gestões passadas, como na de Luiz Carlos Mendonça de Barros, nos anos 90, o BNDES investiu em empresas estatais para antecipar receitas e incentivar leis estaduais que permitissem a privatização. Mas o banco era minoritário nas companhias. Desta vez, é diferente.

 Com a compra da Cedae, o banco passaria a participar ativamente da gestão da companhia, com permissão para indicar diretores e conselheiros. Com isso, o BNDES poderia fazer todas as mudanças necessárias antes de privatizar a companhia. “O papel do banco não é de fazer gestão. O que ele vai fazer? Contratar um headhunter e mudar a diretoria? Quanto tempo isso vai levar?”, diz um economista ouvido por EXAME.

 A nova gestão

 

 Segundo informações do jornal O Globo, a compra da Cedae teria simpatia do presidente do banco, Paulo Rabello de Castro. Para economistas, a história é mais uma polêmica de Rabello, que ocupa o cargo há pouco mais de um mês e meio. “O novo presidente tem dado sinais muito desconexos, destoando da orientação que a Maria Silvia vinha trazendo, que era muito boa. No mínimo trata-se de uma série de ações de uma pessoa que não entende o papel de um banco de fomento”, diz Lazzarini. Em nota divulgada nesta quinta-feira, o BNDES informou que recebeu demanda do governo federal em relação ao processo de compra da Cedae. “O corpo técnico do banco começou a analisar a viabilidade da operação e, assim que houver informações mais precisas, elas serão divulgadas”, diz a nota.

 No início do mês, Rabello de Castro se envolveu em uma polêmica ao criticar a Taxa de Longo Prazo (TLP), nova política do BNDES definida por medida provisória editada pelo governo antes da chegada de Rabello. O economista disse que a TLP pode prejudicar as empresas tomadoras de crédito ao reduzir a “previsibilidade” das condições dos financiamentos. A declaração culminou no pedido de demissão de dois diretores do BNDES, Claudio Coutinho e Vinicius Carrasco, ambos envolvidos na criação da TLP, que passará a vigorar a partir de 2018. Após o mal estar, Rabello de Castro voltou atrás e disse estar “vinculado ao projeto”. Na quinta-feira mais um diretor, Ricardo Baldin, da área de Controladoria, Gestão de Riscos e Tecnologia da Informação pediu demissão.

O futuro do BNDES está em xeque


Nova política do governo poderá reduzir financiamentos do banco

 

Por Françoise Iatski de Lima*

 

redacao@amanha.com.br
O futuro do BNDES em xeque: nova política do governo poderá reduzir financiamentos do banco


A nova política do governo, definida por medida provisória, atinge diretamente o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e prevê a implantação da Taxa de Longo Prazo (TLP) que substituirá a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), a partir de janeiro de 2018. Serão mantidos apenas os contratos que estão em vigor. A nova taxa será corrigida de acordo com os juros das Notas do Tesouro Nacional série B (NTN-B), atualmente um dos títulos mais populares do Tesouro Direto. Esse título reflete o custo de captação de recursos pelo Tesouro Nacional (TN) junto ao mercado. Acompanha os ciclos econômicos e a taxa básica de juros. E, com isso, o custo das operações de crédito do BNDES deixa de ser uma decisão de governo e passa a acompanhar as taxas de juros de mercado.

A taxa atual, TJLP, tem seus juros decididos trimestralmente pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Sua base de cálculo é a meta de inflação e o risco país. A taxa de juros NTN-B (de cinco anos) será corrigida mensalmente pelo Banco Central com base na variação do IPCA mais rendimento real da NTN-B. Nos últimos dez anos, essa taxa foi mais alta que a TJLP e sofreu pressão de alta por parte dos rentistas. É uma taxa definida em leilões sob a tensão da demanda e da oferta e, portanto, será definida a TLP.

Observando dados passados do BC e do TN, ressalta-se o ano de 2002, quando a taxa de juros da NTN-B alcançou 37,8% ao ano. No período nevrálgico da crise de 2009, saltou de 7,5% para em torno 11% ao ano. Por conseguinte, esses seriam os valores da TLP se estivesse em vigência no lugar da TJLP. Será que isso viria a anular o potencial das políticas anticíclicas do BNDES em momentos de dificuldades econômicas? Cabe observar que essas políticas, por definição, não podem ser definidas pela economia de mercado. Este, geralmente, é pró-cíclico. Desta forma, a TLP não será uma taxa anticíclica, sendo definida sob a pressão do mercado financeiro em leilões de títulos NTN-B. Em sentido contrário, políticas anticíclicas são resultantes de movimentos autônomos.

Os impactos dessa medida podem ser negativos para a economia brasileira. Pode ocorrer redução dos financiamentos do BNDES devido à taxa de juros (TLP) mais elevada em relação a anterior (TJLP). Por outro lado, o banco terá folga de recursos, o que proporcionará condições para a instituição acelerar seus pagamentos ao TN. Em outras palavras, o BNDES paga a conta e fica descapitalizado, sem recursos e podendo até mesmo quebrar.

Para a economia nacional, existem riscos nessa operação. Há a possibilidade de ficar sem seu principal aparelho de financiamento do investimento da indústria e infraestrutura, além do estímulo a empresários a assumir empréstimos no exterior, em moeda estrangeira. Com receitas em reais e despesas acordadas em dólares, empresários estarão expostos a crises cambiais. História já conhecida pela economia brasileira. Para alguns especialistas mais pessimistas, esse seria um adeus ao BNDES, criado em julho de 1952 e principal fomentador da economia brasileira.

*Mestre em Desenvolvimento Econômico e professora da Universidade Positivo (UP).

http://www.amanha.com.br/posts/view/4286
 

7 perguntas e respostas sobre a alta do imposto da gasolina

A alíquota do PIS/Cofins para a gasolina mais que dobrará. Não seria melhor cortar gastos? A inflação não vai aumentar? Entenda a decisão

 





São Paulo – O governo confirmou ontem (20) o aumento de impostos sobre combustíveis e deu hoje (21) detalhes da decisão. Entenda o que aconteceu:

Qual foi o aumento de impostos?

 

A alíquota do PIS/Cofins para a gasolina mais que dobrará, passando dos atuais R$ 0,3816 por litro para R$ 0,7925 por litro.

O litro da gasolina vai ficar até R$ 0,41 mais caro nas bombas caso haja repasse integral ao consumidor.

A alíquota sobe de R$ 0,2480 para R$ 0,4615 para o diesel nas refinarias. Para o produtor do etanol, passa de R$ 0,12 para R$ 0,1309 por litro. Para o distribuidor, a alíquota, atualmente zerada, sobe para R$ 0,1964.

Quando ele entra em vigor?

 

Imediatamente. A equipe econômica optou por subir o PIS/Cofins justamente porque não precisa ser aprovado pelo Congresso e a entrada de recursos é instantânea. Já há relatos de postos mudando preços.

Outra vantagem é que ela não precisa ser repartida com Estados e municípios. Uma nota da Frente Nacional de Prefeitos reclama que “a crise afeta todos os entes federados e as soluções deveriam contemplar esse cenário”.

Recursos de uma possível alta da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) também sobre a gasolina, por exemplo, só entrariam em vigor após 90 dias e teriam que ser repartidos com Estados e municípios.

Por que esse aumento agora?

 

A cada 2 meses, o governo precisa detalhar para o Congresso como está o andamento das receitas e despesas previstas para o ano.

Com a crise política e a fraqueza da retomada, os números de arrecadação vinham decepcionando e as alternativas para cumprir a meta fiscal estavam se esgotando.

A reversão da desonerações da folha de pagamento, por exemplo, foi adiada pelo Congresso para 2018. 

Já a a estimativa de arrecadação com o programa de repatriação de recursos caiu quase R$ 10 bilhões pela baixa adesão.

Neste cenário, o governo avaliou que a alta de impostos seria menos pior do que rever a meta de déficit de R$ 139 bilhões em 2017. A revisão era comum no governo anterior e causava turbulência no mercado.

Quanto a alta de impostos vai render para o governo?

 

O governo federal prevê arrecadação de R$ 10,4 bilhões em 2017, sem divulgar estimativa para 2018.


Não seria melhor cortar gastos?

 

 Em princípio sim. Historicamente, o Brasil reagia a crises com aumento da carga tributária e o governo de Michel Temer insistia que dessa vez conseguiria reequilibrar as contas evitando altas de impostos.

Parte dessa estratégia foi aprovar um teto de gastos atrelado à inflação com validade para 20 anos e propor uma reforma da Previdência.

Mas no curto prazo há um limite, já que 90% dos gastos são obrigatórios por lei e alguns deles têm trajetória de crescimento forte – especialmente os da própria Previdência. Os outros 10% sujeitos a cortes já voltaram para o patamar de 2010.

Ainda assim, a alta de impostos foi acompanhada de um novo corte de R$ 5,9 bilhões, elevando o contingenciamento total do ano para R$ 44,9 bilhões.

A dúvida é se cortes dessa magnitude não vão emperrar o funcionamento da máquina pública e gerar novos episódios como o da falta de recursos para emissão de passaportes. O governo diz que não.


A alta de impostos não vai aumentar a inflação?

 

Vai. Os economistas estimam que a alta deve colocar algo entre 0,50 e 0,60 ponto percentual na taxa do ano, mas isso não preocupa o governo no momento porque a inflação tem estado muito fraca.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – 15 (IPCA-15) teve deflação de 0,18% em julho, a maior queda de preços em 14 anos, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A taxa acumulada em 12 meses desacelerou de 3,52% em junho para 2,78% em julho, a mais baixa desde março de 1999.


O Comitê de Política Monetária do Banco Central decide a taxa de juros nos dias 25 e 26 de julho. A taxa está atualmente a 10,25% ao ano e as últimas estimativas preveem que o ritmo de corte de 1 ponto percentual será mantido.

Qual foi a reação das empresas?

 

“A elevação dos tributos drena recursos do setor privado para o setor público. Provoca o aumento dos custos das empresas e reduz o poder de compra das famílias, o que prejudica o crescimento da economia”, afirma uma nota do presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson de Andrade.

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) voltou a expor o pato amarelo inflável, um dos principais símbolos das manifestações pelo impeachment de Dilma Rousseff (PT), em sua sede em São Paulo, na Avenida Paulista.

“Somos contra o aumento de impostos porque acreditamos que isso é prejudicial para o conjunto da sociedade. Não cansaremos de repetir: Chega de Pagar o Pato. Diga não ao aumento de impostos! Ontem, hoje e sempre”, disse nota de Paulo Skaf, presidente da Fiesp, que é do PMDB e aliado de Michel Temer.

O presidente falou sobre o aumento ao chegar na noite passada em Mendoza, na Argentina, para participar da Reunião de Cúpula do Mercosul.

“A população vai compreender porque este é um governo que não mente, não dá dados falsos. É um governo verdadeiro, então, quando você tem que manter o critério da responsabilidade fiscal, a manutenção da meta, a determinação para o crescimento, você tem que dizer claramente o que está acontecendo. O povo compreende.”

Segundo uma pesquisa do instituto Ipsos em parceria com a Associação Comercial de São Paulo feita no final de abril, 88% das pessoas entrevistadas acham que o brasileiro paga mais impostos do que deveria e 85% acreditam que o governo não utiliza bem o dinheiro que arrecada.

O recolhimento de impostos, taxas e contribuições pagos pelos brasileiros atingiu na manhã desta sexta-feira (21) a marca de R$ 1,2 trilhão, conforme o Impostômetro da Associação Comercial de São Paulo (ACSP).

Gerdau inicia produção na nova aciaria na Argentina


Inauguração marca o começo da produção de aço no país

 

Da Redação

 

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Gerdau inicia produção na nova aciaria na Argentina

A Gerdau deu início à produção na sua nova aciaria localizada em Pérez, província de Santa Fe, após investimentos totais de US$ 232 milhões. Ao longo do segundo semestre, continuarão as atividades de estabilização da usina, com a finalidade de alcançar os volumes de produção previstos. “A Argentina é um mercado estratégico e a construção da nova aciaria fortalece a posição da Gerdau no país. O investimento marca o começo da nossa produção nacional de aço e permite a substituição de importações”, destaca André Gerdau Johannpeter, CEO da Gerdau.

A nova aciaria, localizada a seis quilômetros da atual usina de laminação da Gerdau em Pérez, tem capacidade instalada para produzir 650 mil toneladas por ano de placas de aço, utilizando tecnologia de última geração. Graças à nova planta, que gera 800 empregos diretos e indiretos e integra os processos de produção e laminação do aço, será possível substituir importações de matéria-prima no valor de US$ 100 milhões por ano.  

“A decisão estratégica de construir uma nova usina siderúrgica foi tomada pensando nos próximos 50 anos”, explica Fernando Lombardo, diretor executivo da Gerdau para a Argentina e Uruguai. “Há 40 anos não se construía uma aciaria no país, e a tecnologia que estamos incorporando nos permitirá produzir com alta eficiência e com mecanismos de controle ambiental, a partir dos quais produzimos as placas de aço. Com isso, a nova usina aumentará a capacidade instalada de produção de aços longos no país em 35%”, acrescenta Lombardo.

http://www.amanha.com.br/posts/view/4284

Entidades do Sul: alta de impostos compromete volta do crescimento


Para industriais, o equilíbrio das contas públicas deve ser perseguido pela contenção dos gastos

 

Da Redação, com Agência Brasil

 

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Governo divulga aumento de tributos sobre combustíveis


Algumas entidades do setor produtivo do Sul criticaram o aumento de tributos sobre os combustíveis. 

Para Edson Campagnolo, presidente da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), a medida deve comprometer a retomada do crescimento econômico. “Representa mais um aumento no já pesado Custo Brasil, impactando diretamente no setor produtivo e dificultando ainda mais a superação da crise”, afirma. “As empresas estão com suas planilhas de custos no limite e não têm condições de absorver mais esta alta de impostos, que terá que ser repassada ao preço final dos produtos, prejudicando também o consumidor e toda a economia”, acrescenta. A Fiesc e a Fiergs não emitiram nota até o fechamento desta edição. 

"A técnica já é antiga. Aumentar impostos cada vez que as contas não fecham sem tomar medidas internas para ajustar suas contas ou fechar as torneiras dos recursos mal concedidos", reagiu Simone Leite, presidente da Federação de Entidades Empresariais do Rio Grande Sul (Federasul). “Teremos um festival de aumentos em todos os setores”, prevê Simone lembrando que “nossa economia já sofre com a crise econômica intensificada pela crise política e agora o governo, o principal responsável por esta situação, vem buscar mais recursos numa sociedade vítima de gestões nada republicanas”, conclui.

Para a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o equilíbrio das contas públicas deve ser perseguido pela contenção dos gastos, em vez do aumento dos impostos. A entidade recomendou a aceleração das reformas estruturais, principalmente a da Previdência Social, para melhorar o ambiente de negócios e buscar o ajuste fiscal no longo prazo. Segundo a CNI, somente as reformas restabelecerão a confiança dos empresários e dos consumidores e farão a economia recuperar-se.

Com dificuldades em recuperar a arrecadação, o governo decidiu aumentar tributos para arrecadar R$ 10,4 bilhões e cumprir a meta fiscal de déficit primário de R$ 139 bilhões. O Programa de Integração Social (PIS) e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) sobre a gasolina, o diesel e o etanol subirá para compensar as dificuldades fiscais, segundo nota conjunta, divulgada nesta quinta-feira (20), dos ministérios da Fazenda e do Planejamento. A alíquota subirá de R$ 0,3816 para R$ 0,7925 para o litro da gasolina e de R$ 0,2480 para R$ 0,4615 para o diesel nas refinarias. Para o litro do etanol, a alíquota passará de R$ 0,12 para R$ 0,1309 para o produtor. Para o distribuidor, a alíquota, atualmente zerada, aumentará para R$ 0,1964. A medida entrará em vigor imediatamente por meio de decreto publicado em edição extraordinária do Diário Oficial da União.

O governo também contingenciará [bloqueará] mais R$ 5,9 bilhões de despesas não obrigatórias do Orçamento. Os novos cortes serão detalhados na sexta-feira (21), quando o Ministério do Planejamento divulgará o Relatório Bimestral de Receitas e Despesas. Publicado a cada dois meses, o documento contém previsões sobre a economia e a programação orçamentária do ano. A nova alíquota vai impactar o preço de combustível nas refinarias, mas o eventual repasse do aumento para o consumidor vai depender de cada posto de gasolina.

Em março, o governo tinha contingenciado R$ 42,1 bilhões do Orçamento. Em maio, tinha liberado cerca de R$ 3,1 bilhões. Com a decisão de agora, o volume bloqueado aumentou para R$ 44,9 bilhões. De acordo com a nota conjunta, esse corte adicional será revertido antes do fim do ano com a entrada de recursos extraordinários previstos ao longo do segundo semestre. Antes de embarcar para a reunião de cúpula do Mercosul, em Mendoza, na Argentina, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, declarou que a queda da arrecadação justificou o aumento de tributos. “Isso ocorreu pela queda da arrecadação e em função da recessão e dos maus resultados, principalmente das empresas e de pessoas financeiras que refletiram nos prejuízos acumulados nos últimos dois anos que estão sendo amortizados. Existem medidas de ajuste fazendo com que o mais fundamental seja preservado: a responsabilidade fiscal, o equilíbrio fiscal”, destacou Meirelles.

No mês passado, a secretária do Tesouro Nacional, Ana Paula Vescovi, tinha dito que o Orçamento poderia ser reforçado em até R$ 15 bilhões por meio de três fontes de receitas extraordinárias: a devolução ao Tesouro Nacional de precatórios [dívidas de sentenças judiciais] não sacados pelos beneficiários, a ampliação do programa de parcelamento e dívidas de contribuintes com a União e a renegociação de dívidas dos produtores rurais. No entanto, o governo tem enfrentado a frustração de receitas ao longo do ano.

Dessas medidas, apenas a regulamentação dos precatórios foi aprovada até agora. De outro lado, o governo enfrenta dificuldades com a tramitação das medidas provisórias da reoneração da folha de pagamentos, anunciadas no fim de março, e do programa especial de parcelamentos. Outra dificuldade está no atraso no programa de concessões. Na semana passada, o Tribunal de Contas da União (TCU) emitiu um alerta para que o governo desconsidere das estimativas de receitas para o segundo semestre R$ 7 bilhões, que não deverão entrar no caixa do governo ainda este ano.

14 empresas que trocaram de comando em 2017 – até agora

Enquanto alguns deixaram o cargo em meio a escândalos, outros presidentes passaram o bastão por motivos pessoais

 


 
 
São Paulo – Escândalos e polêmicas levaram a trocas de presidentes de empresas no primeiro semestre deste ano. É o caso do cofundador do Uber, que deixou o cargo depois da divulgação de casos de assédio moral e sexual dentro da companhia, e Shigenori Shiga, que renunciou à presidência da japonesa Toshiba por perdas bilionárias em uma unidade de energia nos Estados Unidos.

Já outros presidentes passaram o bastão por motivos pessoais, aposentadoria ou pelo desejo de se dedicar mais à família, como Victor Mezei, da Pfizer, e Hélio Magalhães, que deixa o Citi Brasil depois de 33 anos no banco.

Há também casos de diretores que receberam uma promoção para liderar uma área maior, como Guilherme Ribenboim, então presidente do Twitter Brasil, que irá liderar a área global de desenvolvimento de soluções para clientes. No seu lugar, Fiamma Zarife se tornou a nova diretora-geral da rede social no país.

Confira na lista abaixo as danças das cadeiras na liderança de empresas.

Pfizer

 

Após 11 anos à frente da Pfizer no Brasil, o executivo Victor Mezei vai deixar o comando da companhia. O anúncio foi feito no início de julho e ainda não foi escolhido seu sucessor. Segundo a farmacêutica, a saída é por motivos pessoais. Sob a liderança de Mezei, a Pfizer comprou a Teuto, estreando em genéricos.

BNDES

 

O economista e advogado Paulo Rabello de Castro ocupa, a partir de junho, a liderança do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). É o maior banco de fomento da América Latina, comandado até então por Maria Silvia Bastos, que deixou a posição por motivos pessoais, segundo ela.

Uber

 

Travis Kalanick, cofundador do Uber, se afastou e, mais tarde, renunciou ao cargo de presidente da companhia em junho. A Uber tenta reconstruir sua imagem depois que vieram à tona relatos de assédio sexual, machismo e uma cultura de trabalho tóxica e agressiva. A saída e renúncia do executivo foi pedida pelos investidores.

Citi Brasil

 

Depois de 33 anos no Citi Brasil, o presidente do banco, Hélio Magalhães, anunciou em junho sua intenção de se aposentar no fim do ano. O Citi informou que anunciará o novo presidente para o país nos próximos meses. Magalhães começou no Citi em 1984. Ele trabalhou ainda por 11 anos na American Express, onde foi presidente no Brasil e no México, antes de retornar ao Citi, em 2012, para comandar a operação brasileira.

Twitter Brasil

 

Outra empresa que ganhou uma nova liderança no Brasil é o Twitter. Fiamma Zarife é a nova diretora-geral da rede social no país.  Ela substitui Guilherme Ribenboim, que segue como vice-presidente da empresa para a América Latina e passa a liderar a área global de desenvolvimento de soluções para clientes. A executiva já estava no Twitter desde 2012.

Vale

 

Em fevereiro, a Vale anunciou a saída de Murilo Ferreira, que estava no comando da presidência da mineradora desde maio de 2011. No comunicado enviado ao mercado no início do ano, a companhia ressaltou que o executivo esteve à frente da mineradora “durante um período de muita turbulência na indústria da mineração mundial e enfrentou alguns dos momentos mais difíceis da história da empresa.”.

Murilo deixou a Vale com o registro de um lucro de 1,6 bilhão de reais nos últimos três meses de 2016 – no quarto trimestre de 2015, o prejuízo acumulado era de 33,2 bilhões de reais, pior resultado desde a privatização da empresa, em 1997.
 

Quem assumiu o lugar de Ferreira foi Fabio Schvartsman, que era presidente da Klabin desde 2011. Já o ex-presidente da Vale, assumiu, em junho, o cargo de diretor independente da Brookfield.

Alelo

 

Raul Francisco Moreira deixou em janeiro a vice-presidência de negócios de varejo do Banco do Brasil, que passa a ser ocupada Marcelo Labuto, até então presidente da BB Seguridade. Em seguida, ele assumiu a presidência da Alelo, empresa de benefícios corporativos controlada pelo BB, juntamente com o Bradesco. Funcionário de carreira, Moreira trabalhava há mais de 29 anos no banco.

Toshiba

 

Uma perda multimilionária levou o presidente da Toshiba, Shigenori Shiga, a renunciar em fevereiro. A empresa japonesa deixará a construção de usinas nucleares por causa de uma deterioração de ativos que poderá custar 6 bilhões de dólares. A causa para a perda foi a compra e mal gerenciamento de uma unidade de energia nuclear da Toshiba nos Estados Unidos.

Bloomin Brands Brasil

 

O grupo Bloomin’ Brands perdeu o presidente da operação brasileira em janeiro deste ano. O empresário Salim Maroun faleceu depois de ocupar o cargo de CEO por dois anos. Foi ele, com mais dois sócios, que trouxe a Outback Steakhouse para o Brasil. No cargo de CEO do grupo, também inaugurou, no país, as marcas Abbraccio Cucina Italiana, Fleming’s Prime Steakhouse & Wine Bar e Mexcla. Em seu lugar, foi nomeado Pierre Berenstein em maio deste ano. Pierre comanda mais de 100 restaurantes em 37 cidades, 14 estados brasileiros e Distrito Federal, além de mais de 11 mil colaboradores.

Decolar

 

Em fevereiro deste ano, Robert Souvirón deixou a presidência da Decolar, empresa que ajudou a fundar há 17 anos. Ele estava na liderança da agência digital de viagens desde 1999 e deixou o cargo para se dedicar mais à sua família. A busca pelo novo presidente demorou dois anos, afirmou a companhia. Ele foi substituído por Damián Scokin, executivo que trabalhou por 11 anos na consultoria McKinsey.

Nextel

 

Roberto Rittes assumiu em abril o comando da Nextel Brasil. Francisco Valim, que ocupava o cargo há 18 meses, deixa a função. Rittes tem passagens como diretor da Brasil Telecom e da Oi, e mais recentemente era diretor do fundo de private equity HIG Capital. Ele precisará resolver a questão da dívida da companhia, que inviabiliza a capitalização para novos investimentos.

Tok&Stok

 

Em abril, a então presidente da Tok&Stok, Ghislaine Dubrule, deixou o cargo. Da família fundadora da loja de móveis, ela foi para o conselho de administração da companhia. No seu lugar, entrou Luiz Fazzio, ex-presidente do Carrefour. Ele assumiu em maio, com o compromisso de recuperar as vendas da loja.

Claro

 

Paulo Cesar Pereira Teixeira retornou ao mercado de telefonia. Ele havia sido CEO da Telefônica Vivo até 2015 e, após sua saída, assinou um compromisso de não concorrência: por dois anos não trabalharia em outra companhia do setor. Em 2017, esse período venceu e, em abril, ele se tornou presidente da Claro. O cargo era ocupado interinamente por José Félix, presidente do Grupo América Móvil Brasil (controladora da Claro, Net e Embratel).Teixeira buscará a liderança do mercado.

Ultrapar

 

A dona de negócios como os postos Ipiranga, a Ultragaz e a Extrafarma trocou seu presidente. Quem ocupará o cargo na Ultrapar é Frederico Curado, ex-presidente da Embraer, a partir de outubro deste ano. Em junho, o então presidente, Thilo Mannhardt, informou que não tinha intenção de renovar seu contrato com a companhia. Como consequência, a Embraer também trocou o comando, que passou para Paulo Cesar de Souza e Silva.