sexta-feira, 28 de fevereiro de 2025

Em acordo, Eletrobras abre espaço para União no conselho e reduz risco com nuclear

 

Após pouco mais de um ano de negociações, a Eletrobras e União chegaram a um acordo para encerrar a disputa no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o limite de poder de voto na companhia, mitigando riscos relevantes que pesavam sobre as ações da elétrica.

Pelo acordo fechado, o governo passará a ter representatividade em conselhos da Eletrobras, enquanto a companhia deixará de ter obrigação de aportar recursos bilionários para a construção da usina nuclear de Angra 3 caso o projeto siga adiante.

A negociação fechada, que ainda precisa ser validada em assembleia de acionistas e homologada pelo STF, reduz riscos para investidores, já que põe fim a um processo judicial que poderia se estender indefinidamente. Além disso, delimita a exposição nos negócios nucleares, embora a empresa ainda seja sócia minoritária via Eletronuclear após a privatização.

As ações da Eletrobras avançavam mais de 5%, por volta das 13h20, após o anúncio do acordo.

Os termos preveem que a União poderá indicar três dos 10 integrantes do conselho de administração — hoje não há vaga cativa para o governo — e um dos cinco representantes do conselho fiscal da Eletrobras.

Com a privatização da companhia elétrica, concluída em 2022 sob o governo Jair Bolsonaro, a União passou a deter 43% do capital da Eletrobras, mas teve seu direito de voto restrito a 10%, como qualquer acionista ou grupo de acionistas.

Isso gerou insatisfação no presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que quando assumiu em 2023 passou a questionar a perda de influência sobre a companhia, classificando a privatização como um “crime de lesa pátria”, o que levou à ação da AGU no STF.

Agora, para conseguir as cadeiras nos conselhos, o governo vai se comprometer a não questionar mais a cláusula do estatuto da companhia que impõe o limite de voto.

As mudanças poderão ser efetivadas na assembleia ordinária da Eletrobras prevista para abril. Se as aprovações prévias ao acordo não saírem até lá, o conselho de administração da empresa poderá incluir na chapa para eleição três candidatos indicados pela União ao colegiado e um para o conselho fiscal.

“Há anos que recebemos feedback de que Eletrobras é um nome difícil de investir. Isso é algo que ouvimos de investidores estrangeiros, bem como de muitos fundos nacionais de longo prazo. O acordo de hoje mitiga dois importantes riscos finais para equity (governança e Angra 3)”, escreveu a equipe do BTG Pactual, em relatório a clientes.

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou que o acordo com a Eletrobras contribui para a estabilidade econômica do país.

“A conciliação aponta para a tradição brasileira de respeito a contratos e resolução de conflitos na esfera judicial, como prevê a Constituição, demonstrando mais uma vez o respeito que temos às leis do país”, destacou ele, enfatizando que o ideal seria que a Eletrobras não tivesse sendo vendida naquelas condições.

Segundo ele, a solução “impulsiona investimentos fundamentais para impulsionar emprego e renda, além de garantir uma maior participação da União nas decisões estratégicas da Eletrobras”.

Negócios nucleares da Eletrobras

Para a Eletrobras, um dos maiores ganhos foi eliminar riscos e incertezas associados a futuros aportes bilionários na usina nuclear Angra 3 — um projeto controverso que, segundo os últimos estudos, poderia demandar mais de R$30 bilhões para sua conclusão.

Pelo acordo, a Eletrobras se desobriga de investir em Angra 3, mas mantém as garantias de R$6,1 bilhões atualmente prestadas nos financiamentos já concedidos pelo BNDES e Caixa ao projeto nuclear.

Segundo uma fonte que acompanhou as negociações, a estrutura fechada com o governo é positiva para ambas as partes, pois delimita a exposição da Eletrobras no novo projeto nuclear brasileiro, ao mesmo tempo em que ajuda o governo a financiar a extensão da vida útil de Angra 1.

Operada pela Eletronuclear, da qual a Eletrobras é minoritária, a primeira usina nuclear brasileira ganhou aval no fim do ano passado para operar por mais 20 anos e vem realizando investimentos em modernização. Os recursos bilionários envolvidos no projeto exigiria aportes do Tesouro para a estatal do setor.

A Eletrobras se comprometeu a apoiar a extensão de vida útil de Angra 1 com a emissão de R$2,4 bilhões em debêntures conversíveis, com prazo de 10 anos e custo equivalente à NTN-B, que serão adquiridas pela Eletrobras, de acordo com o andamento do projeto.

Dos R$2,4 bilhões, R$1,9 bilhão têm conversão obrigatória em “equity”, com algumas condições, como a Eletronuclear enquadrar seus custos de “PMSO” nos limites regulatórios em Angra 1 e 2, em medida para incentivar uma melhoria de eficiência e saúde financeira da estatal que opera as usinas do setor.

Também será solicitado que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) estruture “nova e ampla modelagem” para o projeto da nova nuclear, que enfrenta resistências no governo para avançar.

A avaliação, segundo a fonte, é de que os estudos recentes do banco precisam de aprofundamento e melhor discussão, sem serem realizados num contexto de disputa judicial entre Eletrobras e governo e de pressão por aprovação no Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), no qual ministros têm apresentado posições divergentes sobre a obra.

Um novo processo de conciliação no STF será instaurado exclusivamente para tratar de Angra 3, no qual Eletrobras e governo discutirão o novo estudo do BNDES, que deverá considerar “equilíbrio econômico-financeiro”, “financiamento em condições de mercado” e “modicidade tarifária”, afirmou a Eletrobras, em comunicado.

No futuro, a Eletrobras poderá desinvestir de sua participação minoritária na Eletronuclear. Pelo acordo, a União deverá envidar esforços para apoiar a Eletrobras nesse processo, com atração de um novo acionista.

Fleury tem lucro líquido de R$ 84 Mi no 4º trimestre de 2024, alta de 3,3% em um ano

 Grupo Fleury

O Fleury registrou lucro líquido de R$ 84 milhões no quarto trimestre de 2024, alta de 3,3% em comparação com os R$ 81,3 milhões registrados no mesmo período de 2023. Já em 2024, o lucro líquido da companhia somou R$ 616,2 milhões, um crescimento de 32% ante 2023. Os dados capturam resultados do Instituto Hermes Pardini a partir de maio de 2023, já que a rede foi adquirida pelo Fleury no fim de abril do mesmo ano.

O Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) registrou alta de 7,9% no quarto trimestre em relação ao mesmo intervalo de 2023, chegando a R$ 405,5 milhões. No ano de 2024, por sua vez, o Ebitda totalizou R$ 1,9 bilhão, um avanço de 19,6% sobre 2023.

Já a margem Ebitda ficou 22% no trimestre, uma queda de 0,1 ponto porcentual (p.p.) na comparação com o quarto trimestre de 2023. No ano de 2024, porém, a margem Ebitda encerrou em 25,8%, alta de 0,2 p.p. frente a 2023.

Entre outubro e dezembro, o Fleury registrou uma receita líquida de R$ 1,8 bilhão, alta anual de 7,9%. Já no ano passado, a receita líquida atingiu R$ 7,7 bilhões, saltando 18,8% frente ao ano anterior.

A companhia destacou que os resultados do trimestre e do ano passado seguiram refletindo os frutos positivos da integração com o Grupo Pardini e da estratégia da companhia. “Foi um ano muito importante após a combinação de negócios com o Pardini em 2023 e o resultado veio como esperávamos, com crescimento na receita, Ebitda e margem semelhante. Seguimos também bastante disciplinados em termos de custos e despesas”, afirmou a CEO do Grupo Fleury, Jeane Tsutsui, em entrevista ao Broadcast.

O crescimento veio de todas as marcas da companhia, sendo que as marcas de São Paulo cresceram 13% no ano, enquanto as marcas de Minas Gerais registraram altas de 10,4% no ano. Já a Marca Fleury cresceu 4,6% em 2024 e o atendimento móvel seguiu com robusta expansão, atingindo crescimento de 20,4% no ano de 2024 e correspondeu a 7,6% da receita total do grupo.

O resultado financeiro de Fleury representou uma despesa de R$ 103,6 milhões no quarto trimestre, um aumento de 11,8% em relação a despesa de R$ 92,7 milhões registrada no mesmo período de 2023.

Dívida líquida e geração de caixa

Já a dívida líquida da companhia atingiu R$ 2 bilhões ao fim de dezembro, uma alta de 7% frente a dívida visto no fim de setembro. Por outro lado, a alavancagem (dívida líquida/Ebitda ajustado) foi mantida em 1,0 vez ao final do trimestre.

Também em entrevista, o CFO do Fleury, José Antonio Filippo, destacou que, ao longo do ano, foram feitas operações de gestão de dívida que resultaram em redução do custo em 46 pontos base (CDI + 0,95% ante CDI + 1,41%) e alongamento do prazo médio da dívida em 0,7 ano (4,2 anos ante 3,5 anos). Isso também reduziria o impacto da inflação e juros mais elevados atualmente.

“O custo da nossa dívida tem conexão com a inflação, mas está bem gerenciada, o nível de alavancagem é baixo, o impacto dos juros acaba sendo compatível”, disse.

Outro destaque positivo da empresa, na avaliação da diretoria, foi a sua geração de caixa, que totalizou R$ 563,6 milhões no quarto trimestre, um avanço de 33% frente ao mesmo período do ano anterior.

“Tivemos uma forte geração de caixa e fizemos tudo que o planejávamos em termos de integração, capturamos as sinergias esperadas das aquisições feitas no fim do ano. Temos uma estrutura de capital robusta, que nos permite fazer aquisições desde que seja em preço adequado, estamos entregando uma rentabilidade adequada”, disse ainda a CEO.

Governo faz ‘arroz com feijão’ no fiscal e deveria contingenciar gastos, diz Felipe Salto

 

Segundo o economista-chefe da Warren, Felipe Salto, o governo tem feito um ‘uma espécie de arroz com feijão’ em termos de política econômica e deve focar em contingenciar gastos não obrigatórios ainda neste início de ano, após o Orçamento 2025 ser aprovado pelo Congresso. O parlamento deve votar o texto no dia 11 de março.

Salto, que já foi Secretário da Fazenda de São Paulo e diretor da Instituição Fiscal Independente (IFI), avalia que o governo ‘não tem adotado a melhor política fiscal’ e que o ajuste nas contas públicas ainda precisaria melhorar muito para se cogitar um superávit primário e um reequilíbrio da dívida pública.

“O que dá para fazer nessa segunda etapa do jogo [segundo biênio do governo], que costuma ser mais curta porque as eleições do ano que vem já começam a aparecer nas discussões dificultar negociações no Congresso, é contingenciar as despesas discricionárias – que são as não obrigatórias – neste início de ano, assim que aprovar o orçamento, e evitar as bolas divididas”, afirmou à IstoÉ Dinheiro.

O especialista em política fiscal diz ainda que o governo deve se manter austero e não ceder às pressões de expansão de gastos.

“Evitar inclusive que novas bombas fiscais que venham do Congresso ou pressões por gastos que venham do próprio governo ganhem espaço. Essa é a principal tarefa do Ministério da Fazenda.”

As declarações estão em linha com a avaliação de boa parte do mercado de que postura do governo ante os eventos acerca do orçamento de 2026 deve exercer um peso relevante no preço dos ativos e na leitura da macroeconomia.

 

 


 

Datas-chave para o orçamento

O Orçamento de 2025 será votado após o Carnaval, já que a Comissão Mista de Orçamento (CMO) do Congresso Nacional agendou a votação da Lei Orçamentária Anual (LOA) para o dia 11 de março de 2025.

O relator da matéria, o senador Angelo Coronel (PSD-BA), justificou que o adiamento da votação se deve à necessidade de ajustar o texto às mudanças impostas pelo pacote de ajuste fiscal aprovado recentemente.

O Poder Executivo deve encaminhar o PLDO ao Congresso Nacional até 15 de abril de 2025. Este documento estabelece as metas e prioridades para o orçamento do ano seguinte.

Até o dia 17 de julho, o Congresso Nacional precisa aprovar a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) referente ao ano de 2026 – texto que dispõe sobre as metas fiscais e prioridades da administração pública.

Até o fim de agosto, o Executivo deve enviar o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2026 – texto que detalha as receitas e despesas previstas para o ano de 2026.

Em relação ao contingenciamento de gastos para 2026, o governo federal já indicou a necessidade de medidas para equilibrar as contas públicas.

Ainda em meados de dezembro de 2024 o Tesouro Nacional divulgou um relatório apontando que, caso o Governo não adote novas medidas de arrecadação, as metas fiscais estabelecidas para o ano de 2026 poderiam não ser cumpridas.

Ampliação de isenção de IR preocupa, diz Felipe Salto

O economista ainda demonstrou preocupação com a medida do governo de aumentar a faixa de isenção do Imposto de Renda para pessoas físicas para quem ganha até R$ 5 mil mensais.

Pelos seus cálculos, a medida implicará em uma renúncia fiscal de R$ 45,8 bilhões, ao menos – e o especialista ainda frisa que essa ‘é uma projeção otimista’.

Nesse sentido, Felipe Salto alerta que as contrapartidas sinalizadas pelo Planalto não são certas e ainda não geram segurança suficiente para conter o impacto fiscal da medida que versa sobre o IRPF.28

Rio Bravo cancela oferta do SHPH11; investidores receberão R$ 20 por cota

 

A gestora Rio Bravo cancelou a oferta pública para aquisição de novas ações do Shopping Pátio Higienópolis, o SHPH11. A decisão foi comunicada no fim da noite de quinta-feira, 27.

Apesar dessa decisão, os cotistas do SHPH11 não tomarão prejuízo. Os investidores receberá R$ 20 por cota, equivalente a um ganho de 2,1%. O valor será pago integralmente aos investidores e está sujeito à conclusão da operação de venda do empreendimento.

A Rio Bravo diz que a decisão de cancelar a oferta foi uma ‘resposta ágil’ diante de um cenário muito estressado para os fundos imobiliários.

“A oferta estava sendo realizada pra que o fundo comprasse mais uma parcela do shopping e aumentasse sua posição, o que seria muito importante para o longo prazo e governança do empreendimento” comenta Anita Scal, sócia e diretora de investimentos imobiliários da Rio Bravo.

“O Shopping Pátio Higienópolis é um ativo icônico e de excelência, que sempre foi muito bem avaliado. Para ter ideia, a TIR (retorno do investimento) do cotista que entrou na inauguração do fundo é de mais de 20% aa. Todos os anos em 25 anos, é um resultado excelente.” afirma.

Apesar disso, Scal analisa que a ‘janela do mercado fechou completamente para esse tipo de estratégia’ e trouxe volatilidade pras cotas do fundo.

O prêmio de R$ 20 por cota do SHPH11 será pago caso todas as condições precedentes sejam devidamente cumpridas.

A oferta, originalmente formalizada por meio de um memorando de entendimentos assinado em 23 de dezembro de 2024, previa a aquisição de até 14,77% adicionais no shopping. Se concretizada, elevaria a participação do fundo para 40,46%.

Para viabilizar essa aquisição, uma emissão de cotas havia sido aprovada em assembleia geral de cotistas em janeiro deste ano.

Cotação do SHPH11

Com o mercado digerindo a novidade, as cotas do SHPH11 sobem 1% nos primeiros minutos de pregão desta sexta-feira, 28. Desde o início do ano os papéis avançam 6,7%, cotados atualmente a R$ 960.

BRAZIL JOURNAL: O batismo de fogo do novo CEO do Carnaval do Rio

 

A eleição aconteceu no ano passado, fazendo de Gabriel, hoje com 27 anos, o mais jovem presidente (de longe) da Liga – e o arquiteto de uma revolução silenciosa, uma que equilibra a tradição centenária do Carnaval com a urgência da inovação.

O trabalho, inicialmente teórico, ganhou corpo quando o então presidente da Liesa, Jorge Castanheira, abriu as portas (e os dados) da entidade. “Os números mostravam uma gestão defasada. A crise já existia antes da pandemia,” Gabriel disse ao Brazil Journal.

Em 2021, assumiu a recém-criada diretoria de marketing da Liesa, um departamento de uma pessoa só: ele mesmo. Seu primeiro movimento foi unificar a identidade do evento sob a marca “Rio Carnaval”, desenvolvida pela agência Tátil, de Fred Gelli (o mesmo da Rio 2016). “Antes, cada grupo usava um nome. Era uma torre de Babel.”

O projeto, inspirado em seu TCC, transformou o Carnaval em um produto global, com logotipo reconhecido em dezenas de países. A mudança foi simbólica mas crucial: pela primeira vez, o Rio falava sobre seu Carnaval com uma só voz.

Leia a reportagem completa no Brazil Journal.

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2025

Magda Chambriard nega que Petrobras esteja montando distribuidora e cita acordo com Vibra

 Magda Chambriard toma posse como presidente da Petrobras ...

A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, disse nesta quinta-feira, 27, que a companhia não está montando uma outra distribuidora após a privatização da BR Distribuidora (atual Vibra). Ela, no entanto, reconheceu que a empresa enxerga oportunidades no aumento da venda direta a grandes consumidores, que escapa ao termo de não competição com a Vibra.

“Não estamos montando uma outra distribuidora. Quando vendemos a BR Distribuidora, assinamos um termo de não competição com eles, não podemos entrar na revenda. Mas esse termo permite a venda direta a grandes consumidores, o que a gente chama de B2B. E é obvio que isso demanda infraestrutura, algumas que a gente tem e outras que não tem”, disse Magda.

A respeito da venda direta, o diretor de Comercialização e Logística da empresa, Claudio Schlosser, afirmou que isso já acontece para enxofre, asfalto, coque e outros produtos e que há vendas, inclusive, para Vale.

Segundo o diretor, há oportunidades de venda direta a serem exploradas em Guarulhos, Uberlândia, além do Centro-Oeste, Sul e Nordeste.

Fiocruz vai produzir insumo para fabricação da insulina glargina

 

O Ministério da Saúde anunciou em 25/02/2025 que a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e a empresa Biomm, de Nova Lima (MG, vão realizar uma parceria de desenvolvimento produtivo para a fabricação totalmente nacional da insulina glargina.

Com distribuição prevista ao Sistema Único de Saúde (SUS) no segundo semestre de 2025, a medida faz parte do Programa de Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo (PDP) e envolve a produção do Insumo Farmacêutico Ativo (IFA) pelo Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz) no Complexo Tecnológico em Insumos Estratégicos (CTIE), planta produtiva que será construída no município do Eusébio, no Ceará, segundo a Agência Fiocruz de Notícias.

Com registro do medicamento na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), atualmente a Biomm realiza as etapas de formulação, envase, rotulagem e embalagem do medicamento com o IFA da empresa chinesa Gan & Lee. Esse arranjo produtivo de importação e distribuição continua até que a produção do insumo na biofábrica do Ceará passe a ser realizada conforme as etapas da transferência de tecnologia forem avançando.

“O IFA será produzido na nossa regional que fica no município do Eusébio, a Fiocruz Ceará, o que irá fortalecer o Complexo Econômico-Industrial da Saúde e incentivar o desenvolvimento regional. Estamos trabalhando em várias frentes pelo fortalecimento do SUS e em prol da população brasileira, que vai se beneficiar diretamente com esta PDP que irá permitir a produção 100% nacional da insulina”, comemora o presidente da Fiocruz, Mario Moreira.

A insulina glargina é utilizada no tratamento do diabetes mellitus tipo 1 e tipo 2 em adultos e crianças a partir de 2 anos de idade. Trata-se de uma insulina basal de longa duração, o que significa que ajuda a controlar os níveis de glicose no sangue ao longo do dia e da noite. É administrada por via subcutânea, geralmente no abdômen, coxa ou deltoide.

A farmacêutica Gan & Lee produz a insulina glargina desde 2005 e é detentora e responsável pela transferência da tecnologia para produção em escala industrial do IFA e do medicamento formulado. As documentações, os treinamentos e o suporte para a implementação de todos os processos serão feitos pela entidade chinesa. A PDP inicia com redução de 5% no preço praticado na última compra pelo Ministério da Saúde e terá uma redução de 1% ao ano.

A parceria público-privada, que pode atingir 70 milhões de unidades anuais ao final do projeto, garante que essa seja a primeira planta produtiva de IFA de insulina da América Latina e terá papel estratégico para reduzir a dependência de importação. A implementação assegura ao Brasil, portanto, uma cadeia produtiva completa para o abastecimento do SUS e maior segurança no abastecimento do produto.

O diretor de Bio-Manguinhos/Fiocruz, Mauricio Zuma explica que o Brasil possui a quinta maior população diabética do mundo (faixa de 20 a 70 anos) e as projeções indicam que tal posição se manterá nos próximos 20 anos.

“A PDP da insulina glargina é um importante marco para a saúde pública brasileira, pois Bio-Manguinhos e Biomm serão os únicos produtores nacionais desse medicamento. A parceria visa ampliar o acesso de pacientes hoje não são tratados pelo SUS, oferecendo um produto que traz a vantagem de ter uma liberação estável e sustentada da insulina, durante um período prolongado, o que ajuda a controlar a glicemia e reduzir a frequência das injeções em comparação com as insulinas de ação curta”, afirma om executivo.

“Diabetes é um dos principais problemas de saúde pública quando pensamos em doenças crônicas e esse anúncio é um benefício para a população brasileira. A parceria une uma empresa privada inovadora e de expressão à Fiocruz, ao Ministério da Saúde e ao laboratório da China que tem essa tecnologia, o Gan & Lee”, comentou a então ministra da Saúde, Nísia Trindade Lima, durante a cerimônia. “O arranjo é muito importante porque nos dá o caminho do futuro: a insulina hoje é um grande desafio no mundo, com riscos frequentes de desabastecimento.”

O evento realizado no Palácio do Planalto também divulgou acordos para a produção de vacinas e outros insumos que buscam fortalecer a produção nacional para o SUS por meio do Complexo Econômico-Industrial da Saúde brasileiro.

Um deles consiste na produção em larga escala da primeira vacina 100% nacional e de dose única contra a dengue. Também foi divulgado o desenvolvimento de uma vacina nacional contra gripe aviária, colocando o Brasil na vanguarda para uma resposta rápida e eficaz a futuras emergências sanitárias; e para uma vacina contra o Vírus Sincicial Respiratório (VSR).