segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

Copo meio cheio ou meio vazio: veja como foi 2025 na economia em 7 gráficos

 

Se perguntarmos para qualquer economista se a economia brasileira foi bem ou mal em 2025 a resposta será sempre a mesma: depende. Basicamente, alguns indicadores apresentaram ao longo do ano sinais claros de melhora. É o caso do PIB, que deve fechar o ano com crescimento acima da expectativa inicial do mercado, e da inflação, que ficou dentro da meta, porém, ainda longe do centro da meta. Por esse motivo, o Banco Central manteve a taxa de juros em patamares bastante elevados, gerando críticas do presidente Lula e do próprio ministro da Fazenda, Fernando Haddad, ao logo de todo ano.

Haddad, inclusive, chegou a dizer que os indicadores da economia não estavam sendo reconhecidos pelo mercado e pela imprensa. Ele chegou a dizer que está muito difícil manter a relação com o mercado. De fato, alguns indicadores evoluíram, como mostram os gráficos abaixo, porém, outros ainda levam investidores e agentes do mercado a manter uma certa cautela.

O cenário para 2026 deve ser de queda da Selic e de acomodação das taxas em patamares menores. A IstoÉ Dinheiro conversou com os economistas-chefes do Inter André Valério, e do Warren, e Felipe Salto, sobre os motivos dos números bons em 2025 e as perspectivas para 2026.

Selic nas alturas

O ano de 2025 foi marcado por uma postura rigorosa do Banco Central para conter a inflação, levando a taxa Selic a patamares que não eram vistos há quase duas décadas. A trajetória foi de elevação acentuada no primeiro semestre, seguida por uma estabilização em níveis elevados durante a segunda metade do ano.

O câmbio elevado no início do ano e a inflação acima do teto da meta levaram o Copom a aumentar o rigor no controle para depois estabilizar a taxa. Além disso, as incertezas sobre o controle das contas públicas e o aumento da dívida pública elevaram os prêmios de risco, obrigando o Banco Central a manter sua política monetária contracionista.

Agora, as expectativas se voltam para o início de  2026. Algumas apostas apontam para o início do corte já em janeiro, mas há quem acredite que isso ocorrerá apenas em março.

PIB surpreende

Apesar de um aumento menor em comparação com os 3,4% de 2024, o crescimento Produto Interno Bruto (PIB) de 2025 deve atingir 2,25% de acordo com o mercado financeiro. O número é levemente acima do projetado em janeiro, que foi de 2,02%. Valério aponta que o crescimento foi “robusto”, mas que o terceiro trimestre mostrou uma “perda de força reflexo da política monetária”.

Prova disso é o Índice de Atividade Econômica (IPC-BR) do Banco Central que mostrou desaceleração de 0,2% em outubro em comparação a setembro. O último crescimento foi registrado em agosto. O índice é considerado a prévia do PIB.

No último levantamento, o destaque foi para o setor da agropecuária, que registrou crescimento de 3,1%. Indústria e serviços registraram baixas de 0,7% e 0,2%, respectivamente.

Desemprego bate mínimas históricas

Outra boa notícia de 2025 para a economia foi a taxa de desemprego. De acordo com o IBGE, ela ficou em 5,4% no terceiro trimestre do ano, menor valor da história para o período. Os destaques, de acordo com o Caged, foram os setores de Serviços, com 961.016 vagas criadas e a indústria, com  305.641 novos postos.

Salto explica que o mercado de trabalho apresenta uma dinâmica positiva por conta de um ganho de produtividade econômica e questões demográficas. “Para 2026, a tendência deste final de ano, como mostram os principais indicadores, deverá se manter”, aponta.

A perspectiva do mercado para 2026 é uma leve piora no quadro, que deve chegar a 6% no final do ano.

Inflação de volta pra meta antes do previsto

Os índices de inflação também apresentaram números melhores do que o previsto no começo do ano para a economia. De acordo com o Boletim Focus publicado em 10 de janeiro, a tendência era mais um ano com a inflação fora da meta, a 5% em 2025. No entanto, com o IPCA de 0,18% em novembro, a inflação em 2025 deverá voltar para dentro do teto da meta, a 4,46%.

Valério explica que a entrada na meta do BC estava prevista pelo mercado para o primeiro trimestre de 2026, mas que a política de juros altos do BC fez com que ela abaixasse antes da hora.

“Houve uma antecipação significativa do retorno da inflação para dentro do limite da meta. O Banco Central (BC), após o descumprimento da meta em junho, havia projetado que só conseguiria entregar a inflação dentro do teto da meta ao fim do primeiro trimestre de 2026”, explicou.

“A política monetária está gerando os efeitos pretendidos. Os juros estão bastante elevados, há bastante tempo, de modo que a atividade econômica e a inflação sentem esses efeitos. Além disso, o papel da taxa de câmbio foi central. A perda de valor do dólar, derivada da nova política econômica dos EUA, nos ajudou”, acredita Salto.

Os dois economistas ouvidos pela reportagem e o mercado financeiro não enxergam a inflação como um problema para 2026, mesmo com a queda de juros esperada para o começo do ano. “Os juros, mesmo com o Banco Central iniciando movimento de queda, logo, logo, ainda estarão em níveis elevados, tanto em termos reais como nominais”, encerrou Salto.

Dólar cai por conta de estratégia do governo Trump

Até o dia 19 de dezembro, o dólar já havia caído  10,49% em relação ao real em 2025. Os economistas ouvidos pela IstoÉ Dinheiro foram unânimes em afirmar que a queda da moeda norte-americana, que se repetiu na maioria dos países, se deve a estratégia do governo Donald Trump. O índice Dxy (que mede o valor do Dólar contra uma cesta de moedas) saiu de um patamar de 110 para 98, indicando uma grande desvalorização do Dólar frente a todas as moedas.

Na virada de 2024 para 2025 o dólar viveu um momento de disparada. Em 1° de janeiro o dólar comercial fechou o dia em R$ 6,18, mas ao longo do ano desenhou uma trajetória de queda já em fevereiro, já trazendo reflexos para a economia. Mas foi no dia 11 de novembro que a moeda americana bateu na mínima do ano, cotada a R$ 5,27. Já na última sexta-feira, 19, o dólar terminou o dia cotado a R$ 5,53. 

“O governo Trump tem utilizado essa reorganização para tentar melhorar a questão industrial americana, buscando trazer empregos industriais de volta, o que exige um Dólar mais enfraquecido”, explicou Valério.

Recorde do Ibovespa

O ano de 2025 também foi marcante para o Ibovespa, principal índice de ações da bolsa brasileira, por conta de diversas renovações de recordes.

O Ibovespa passou boa parte do ano em trajetória de alta, renovando recordes históricos e superando os 164 mil pontos pela primeira vez na história, refletindo um mix de fatores que voltaram a colocar o Brasil no radar dos grandes players  globais da economia. O mercado ainda acredita que há espaço para mais altas, por conta do preço baixo da bolsa brasileira.

“A gente tem muito espaço para avançar ainda. Um exemplo é que a bolsa chilena subiu 53% esse ano, contra 30% do Ibovespa”, afirmou Matheus Amaral, especialista em Renda Variável do Inter.

Amaral também reforça que a bolsa brasileira é “descontada” na comparação com os demais países emergentes, ou seja, ela é mais barata e entrega uma taxa maior de lucro, entre 9,5 e 10 vezes.

 

Contas Públicas

Os economistas acreditam que o calcanhar de Aquiles da economia brasileira é o fiscal. Apesar de defender o trabalho do Ministro da Fazenda Fernando Haddad nessa área, Salto afirma que o o déficit primário em 2026 ainda tende a ser relevante e não vê o governo agindo de forma relevante em ano eleitoral.

“Neste final de 2025, o governo correu atrás da aprovação de projetos, como o corte de benefícios tributários, para garantir alguma tranquilidade no ano que vem. Mesmo assim, não será fácil, porque a meta fiscal é bastante ousada para 2026: um superávit de R$ 34,3 bilhões”.

Valério acredita que o vencedor das eleições, qualquer que seja, precisará aprovar um novo arcabouço fiscal para 2027. “O atual modelo é insuficiente para garantir a convergência fiscal a longo prazo”, afirma.

 

sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

Reunião do CMC apresentará vários resultados concretos para integração do Mercosul, diz Vieira

 

 Conselho do Mercado Comum realizou sua LXVI Reunião ...

 

 

A 67ª reunião do Conselho do Mercado Comum (CMC), órgão decisório de nível ministerial do Mercosul, apresentará vários resultados concretos para a integração regional, disse o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, na abertura da reunião, que ocorre em Foz do Iguaçu.

Na ocasião, Vieira submeteu a proposta de agenda da reunião às autoridades presentes, que chegaram por volta das 10h35 no local. O primeiro tema é o relatório da Presidência Pro Tempore brasileira do Mercosul, com o ministro convidando a secretária de América Latina e Caribe do Ministério das Relações Exteriores (MRE), embaixadora Gisela Padovan, “para fazer um breve relato das atividades” do que foi feito pelo Brasil durante o segundo semestre de 2025, quando ocupa a Presidência Pro Tempore do bloco.

Também na abertura da reunião, Vieira destacou que tem “satisfação de observar que tivemos bons avanços nas prioridades que apresentamos no início do semestre”, sem entrar em detalhes.

No início da fala de Padovan, a embaixadora disse que o Brasil seguiu “trabalhando pelo objetivo de aperfeiçoar nossa união aduaneira por meio de uma rede coesa e consistente”. A imprensa, que estava presente para a abertura da reunião, foi convidada a se retirar após as falas iniciais. O restante da agenda que será debatida pelos membros do Mercosul não havia sido apresentada até o fechamento deste texto.

A reunião do CMC antecede a 67ª Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul e Estados Associados, que ocorrerá neste sábado, 20, também em Foz do Iguaçu e quando o Brasil deve passar o bastão para o Paraguai assumir a Presidência Pro Tempore do bloco.

Ministério da Saúde alerta para vacinação após Brasil registrar quatro casos de ‘gripe K’

 Ministério da Saúde.PNG

O Brasil tem quatro casos confirmados de influenza A (H3N2) do subclado K, conhecida como “gripe K”, segundo informe divulgado pelo Ministério da Saúde na noite de quinta-feira, 18. São três registros no Mato Grosso do Sul e um no Pará.

De acordo com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o caso identificado no Pará está relacionado à importação da doença e foi detectado em uma mulher que veio das Ilhas Fiji. Já os três casos registrados em Mato Grosso do Sul seguem em investigação pelo Instituto Adolfo Lutz para confirmação da origem.

Diante dos registros, o ministério reforça a importância da vacinação e afirma que os imunizantes disponibilizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) oferecem proteção contra formas graves da gripe, inclusive aquelas causadas pelo subclado K.

“A hesitação vacinal, cenário observado em países da América do Norte, contribui para a maior circulação do vírus, especialmente em contextos de baixa adesão à imunização”, diz trecho do comunicado da pasta.

No início da semana, a Organização Mundial da Saúde (OMS) emitiu um alerta para o aumento de casos da “gripe K” em diferentes regiões do mundo. O avanço coincide com o início do inverno no Hemisfério Norte, período em que tem sido observado um número maior de registros em países como Estados Unidos e Canadá.

Até o momento, não há evidências de que o subclado K esteja associada a uma maior gravidade dos casos. Segundo especialistas, os sintomas são semelhantes aos de uma gripe clássica, como febre, dores no corpo, tosse e cansaço.

Síndrome respiratória aguda grave (SRAG)

O ministério afirma que, em 2025, o Brasil apresentou um comportamento atípico da influenza A (H3N2), com aumento de casos no segundo semestre, antes mesmo da identificação do subclado K no País. Esse movimento teria começado na região Centro-Oeste e, posteriormente, se espalhado para estados de outras regiões.

A pasta diz que, atualmente, as regiões Centro-Oeste e Sudeste apresentam queda nos casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) associados à influenza, enquanto no Norte e Nordeste há tendência de crescimento.

Quem deve se vacinar contra gripe?

A vacina contra influenza é reformulada anualmente em duas versões, uma destinada ao Hemisfério Norte e outra ao Hemisfério Sul. No SUS, a vacina contra a gripe é aplicada prioritariamente em grupos mais vulneráveis. Em geral, são crianças de 6 meses a menores de 6 anos, gestantes e idosos. O público-alvo também costuma incluir:

trabalhadores da Saúde;

puérperas;

professores dos ensinos básico e superior;

indígenas;

pessoas em situação de rua;

profissionais das forças de segurança e de salvamento;

profissionais das Forças Armadas;

pessoas com doenças crônicas não transmissíveis e outras condições clínicas especiais (independentemente da idade);

pessoas com deficiência permanente;

caminhoneiros;

trabalhadores do transporte rodoviário coletivo (urbano e de longo curso);

trabalhadores portuários;

funcionários do sistema de privação de liberdade;

população privada de liberdade, além de adolescentes e jovens sob medidas socioeducativas.

A vacina também é oferecida na rede particular, em farmácias e clínicas.

Outras recomendações

Além da vacinação, o Ministério da Saúde recomenda o uso de máscara por pessoas com sintomas respiratórios, a higienização frequente das mãos e a ventilação adequada dos ambientes.

Benefícios fiscais devem superar R$ 900 bi em 2026; veja maiores renúncias

 

O governo brasileiro deve conceder R$ 903 bilhões em benefícios fiscais em 2026 a diferentes setores da economia nacional. Mais do que abrir mão dessa receita em nome de outras vantagens, como geração de emprego e desenvolvimento tecnológico, quase R$ 620 bilhões do total dos benefícios fiscais projetados para o próximo ano são considerados privilégios tributários.

As conclusões fazem parte de um diagnóstico feito pela Unafisco Nacional (Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil), divulgado nesta sexta-feira, 19. O estudo leva em consideração as regras estabelecidas pela Constituição Federal, incorporando benefícios que sequer aparecem no Demonstrativo de Gastos Tributários (DGT) da Receita Federal, como a isenção de lucros e dividendos distribuídos, a não instituição do Imposto sobre Grandes Fortunas (IGF) e os parcelamentos especiais com amplos descontos (Refis e similares).

“Os estudos existentes mostram que o bolo das renúncias fiscais é enorme e crescente. O que o Privilegiômetro faz é mostrar quem está comendo esse bolo, quanto leva e por que parte relevante disso não pode ser chamada de política pública, mas de privilégio tributário”, afirma Mauro Silva, presidente da Unafisco Nacional.

O estudo divide os benefícios fiscais do Brasil em dois grandes grupos. No primeiro, são separados os benefícios fiscais que comprovadamente apresentam uma contrapartida econômica e social como geração de emprego, redução de desigualdade ou atendimento a populações vulneráveis.

No segundo grupo são enquadrados os benefícios classificados como privilégios tributários, ou seja, as vantagens dadas a certos setores sem uma contrapartida tecnicamente notória ou comprovada. Segundo a Unafisco, mais do que não apresentar contrapartidas, são casos que agravam a concentração de renda e não contribuem para reduzir desigualdades.

Setores com mais benefícios fiscais

Os dez grupos ou setores mais privilegiados com renúncias fiscais concentram 77,5% de todos os privilégios, o que vai somar quase R$ 480 bilhões em 2026. Os principais destaques são:

Benefícios fiscais

O estudo também traz uma análise distributiva de benefícios tradicionalmente vistos como “sociais”, como a desoneração da cesta básica, de medicamentos e o Simples Nacional.

A partir de dados de programas de transferência de renda e do tamanho médio das famílias, apenas 25,22% da renúncia com cesta básica e medicamentos alcança famílias de baixa renda; 74,78% desse gasto beneficiam contribuintes com maior capacidade contributiva, configurando privilégio tributário.

No caso do Simples Nacional, o documento mostra que empresas com faturamento anual de até R$ 1,8 milhão são responsáveis por 75,49% dos empregos nas firmas optantes. Já as faixas superiores concentram parte do benefício sem a mesma contrapartida na geração de postos de trabalho.

“Quando olhamos com lupa, fica claro que uma boa fatia das desonerações de cesta básica, medicamentos e do próprio Simples não chega aos mais pobres nem às microempresas de fato. São recursos públicos que acabam blindando grupos com maior renda e poder econômico”, aponta Mauro Silva.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

Participação de importados no consumo dos brasileiros atinge marca recorde de 26,7%

 

A participação dos importados entre os produtos comprados pelos brasileiros subiu para 26,7%, registrando uma nova máxima na série histórica de 22 anos de um estudo produzido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) em parceria com a Funcex.

Com dados relativos a 2024, o levantamento mostra que, apesar do dólar caro na época, o que poderia esfriar as compras de produtos do exterior, as importações ganharam novo fôlego em um ambiente de recuperação da demanda nacional. De 2003, primeiro ano da série estatística, até o ano passado, a parcela dos produtos importados no consumo dos brasileiros dobrou de tamanho: de 13,4% para 26,7%.

As importações foram puxadas por compras de produtos chineses, que chegaram a 9,2% do mercado brasileiro. Esse porcentual é mais do que o dobro da penetração dos produtos chineses de dez anos atrás: 4,3%. A China avançou nesse período em diversos segmentos: dos carros híbridos e elétricos aos vestuários comprados por meio dos sites internacionais.

O estudo da CNI aponta maior volume de máquinas, equipamentos e aparelhos de informática da China, além da elevada presença de produtos têxteis do país no consumo dos brasileiros.

Ao contrário das importações, as exportações perderam peso na indústria nacional. No ano passado, a parcela da produção destinada a mercados externos caiu para 18,9%, após marcar 19,3% em 2023, o que interrompeu um processo de recuperação após a pandemia. Os dados, por serem referentes a 2024, não captam os efeitos do tarifaço levantado neste ano pelo governo dos Estados Unidos, principal destino das exportações da indústria.

A conclusão da CNI é de que os dados do estudo evidenciam a dificuldade da indústria brasileira em competir tanto no mercado interno quanto no exterior. Para a gerente do departamento de comércio e integração internacional da CNI, Constanza Negri, os resultados do levantamento servem como um sinal de alerta.

“Na nossa avaliação, esses indicadores mostram que persiste uma série de desafios estruturais para melhorar a competitividade e a qualidade da integração da indústria brasileira no comércio internacional. São desafios que afetam a capacidade da indústria de competir no próprio mercado brasileiro e, ao mesmo tempo, de ganhar escala e espaço nos mercados externos”, comenta.

Lula diz querer Haddad candidato em 2026, mas decisão cabe ao ministro

 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quinta-feira, 18, que quer que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, seja candidato na eleição de 2026, ao mesmo tempo que afirmou que a decisão caberá a Haddad.

“O Haddad tem maioridade e tem biografia para decidir o que ele quer fazer. Se você perguntar para mim se eu gostaria que ele fosse (candidato), eu gostaria que ele fosse. Eu não sei, eu preciso perguntar para ele”, disse Lula em entrevista coletiva em Brasília.

Em entrevista ao jornal ‘O Globo’, Haddad anunciou a possibilidade de sair do governo para colaborar com a campanha à reeleição de Lula, e nos bastidores de Brasília a notícia que circula é que isso deve ocorrer até março.

Lula foi questionado ainda se manterá o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, como vice em sua chapa no ano que vem, e disse que ainda teria que conversar com ele para saber de suas intenções.

Na opinião do petista, o governo precisa ter nomes fortes para o governo de São Paulo e para o Senado por aquele Estado. Afirmou ver chances reais de ganhar ambas as disputas. As definições devem sair em março apenas.

“Quando começar o ano, eu vou chamar muitos ministros que vão sair para ser candidatos e eu vou então decidir com eles o que eles vão fazer da vida. Eu sei que tem uma enxurrada de ministros que vai sair, eu acho que pelo menos 18 devem sair. Eu acho que devem sair, não vou impedir ninguém de sair, vou apenas torcer”, declarou.

Na entrevista, Lula disse ainda ter uma boa relação tanto com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP) — a quem chamou de “amigo” –, quanto com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB).

Galípolo: Não há ‘porta fechada nem seta dada’ para próximas reuniões do Copom

 

Em coletiva de imprensa sobre o relatório de política monetária, o presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, reiterou diversas vezes que ‘não há porta fechada nem seta dada’ para as próximas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom).

Galípolo destacou que o Banco Central tem ‘justamente tentado expressar isso’ nas suas comunicações mais recentes – de que não há decisão tomada sobre a reunião do Copom de janeiro e tampouco sobre as próximas decisões de política monetária.

O presidente da autarquia frisa que o comitê tem preferido ‘esperar chegar lá’ com mais dados nas mãos em detrimento de sinalizar algo de antemão.

A facilidade que temos em não dar nenhuma pista não é por estarmos sendo habilidosos em esconder algo, mas na verdade por que não temos sobre o que dar uma pista”, disse.

Era mais vantajoso não tomar essa decisão agora, ganhar este tempo e poder tomar essa decisão somente em janeiro. É assim que deve ser entendida essa questão”, completou.

Galípolo frisou que o BC tem ‘tirado expectativas’ de certas palavras nos comunicados e, com isso, as projeções acabaram virando um ‘sinal maior’. Ainda assim, destacou que o Comitê segue cauteloso e espera mais dados para tomar e sinalizar decisões.

Dentre os dados, destaca os indicadores de mercado de trabalho, que considera ‘ainda difíceis de interpretar’, tanto no doméstico quanto no global.

O Diretor de Política Econômica do Banco Central, Diogo Guillen, destacou que o ambiente externo se mantém incerto por conta da politica econômica dos EUA.

“Na Ata [do Copom] debatemos justamente isso, que o ambiente externo estava menos incerto do que alguns meses atrás, por conta de tarifas, e shutdown. É incerto, mas menos incerto do que já foi, e daí a necessidade de cautela por parte das economias emergentes.”

Guillen também endossou a fala sobre o mercado trabalho, observando que é um momento em que é ‘muito difícil entender qual é o cenário atual do mercado de trabalho dos EUA’ por conta do shutdown, com uma leitura mais complexa tanto para o nível de emprego quanto inflação.

BC vê inflação ainda acima de 3% e melhora projeção de PIB

No Relatório de Política Monetária (RPM) do quarto trimestre de 2025, documento que reúne a avaliação da autoridade monetária sobre a economia brasileira e o cenário internacional, o BC destaca sua visão de continuidade da moderação da atividade econômica no Brasil, inflação ainda acima da meta de 3% e necessidade de manter a política monetária em campo restritivo para assegurar a convergência dos preços ao longo do horizonte relevante – hoje concentrado no segundo trimestre de 2027 .

No Brasil, os dados mais recentes confirmam a perda de fôlego do crescimento. O Produto Interno Bruto avançou 0,1% no terceiro trimestre de 2025, após alta de 0,3% no trimestre anterior.

O BC avalia que esse movimento está em linha com o esperado e reflete, principalmente, a desaceleração do consumo das famílias, que ficou praticamente estável no período. O investimento, medido pela Formação Bruta de Capital Fixo, cresceu, influenciado por fatores pontuais, como a importação de plataformas de petróleo.

Para o quarto trimestre, os indicadores disponíveis sugerem a continuidade dessa moderação. Dados de produção industrial, varejo, serviços e circulação de veículos mostram variações pequenas, sem sinal de retomada mais ampla.

Ainda assim, o BC revisou para cima a projeção de crescimento do PIB em 2025, de 2,0% para 2,3%, influenciado por revisões estatísticas e pelo desempenho da agropecuária e da indústria extrativa. Para 2026, a expectativa é de crescimento de 1,6%, refletindo juros elevados, menor impulso do setor agropecuário e desaceleração global.

O mercado de trabalho segue como um ponto de atenção. Apesar de sinais de arrefecimento na ocupação, a taxa de desemprego permanece próxima dos menores níveis da série histórica. A geração de empregos formais continua ocorrendo, embora em ritmo menor, e os rendimentos reais do trabalho seguem em expansão. Esse quadro contribui para sustentar a demanda interna e ajuda a explicar a persistência da inflação de serviços, tema recorrente no relatório.

No mercado de crédito, os dados indicam desaquecimento gradual, em linha com os efeitos esperados da política monetária. As concessões às pessoas físicas mostram perda de ritmo, enquanto o crédito direcionado às empresas tem apresentado desempenho acima do previsto. Mesmo assim, o BC projeta desaceleração do crédito tanto em 2025 quanto em 2026, quando comparado a 2024.

No campo fiscal, a percepção dos agentes permanece estável desde o último relatório. As projeções de dívida pública indicam trajetória de alta no médio prazo, o que mantém o tema no radar da política monetária. Já nas contas externas, o déficit em transações correntes aumentou em 2025, puxado pelas importações, apesar do nível elevado das exportações. Para 2026, a expectativa é de redução desse déficit, com melhora do saldo comercial.

A inflação ao consumidor mostrou desaceleração recente, tanto no acumulado em 12 meses quanto nas métricas trimestrais, mas segue acima da meta. Em novembro, o IPCA acumulado em 12 meses ficou em 4,46%, dentro da faixa de tolerância, após meses acima do limite superior. As expectativas de inflação para 2025 e 2026 recuaram, mas continuam acima de 3%. No cenário de referência do BC, a inflação converge para 3,2% em 2027, patamar compatível com o cumprimento da meta contínua.

O relatório reforça que a política monetária seguirá orientada pelo compromisso com a meta de inflação. O balanço de riscos inclui, de um lado, a possibilidade de maior persistência da inflação de serviços e de desancoragem das expectativas. De outro, uma desaceleração mais intensa da atividade doméstica ou global pode aliviar as pressões inflacionárias. Diante desse quadro, o BC sinaliza que suas decisões continuarão dependentes dos dados, com foco em assegurar a convergência da inflação no horizonte relevante.

No cenário externo, o relatório descreve um ambiente marcado por incerteza, em especial nos Estados Unidos. A inflação americana tem mostrado resistência, influenciada por tarifas sobre importações, o que levou o Federal Reserve a adotar uma postura dependente de dados, mesmo após cortes recentes na taxa de juros.

O BC destaca que, nas economias avançadas, a convergência da inflação à meta foi adiada em vários casos, enquanto nos países emergentes o comportamento dos preços segue heterogêneo. Esse contexto exige cautela, sobretudo para economias como a brasileira, mais sensíveis às condições financeiras globais.

A atividade global continua crescendo, mas em ritmo menor. Os riscos de uma desaceleração mais intensa permanecem, ainda que os temores de uma recessão global tenham diminuído. Ao mesmo tempo, políticas fiscais mais expansionistas em alguns países e a flexibilização monetária gradual ajudam a sustentar o nível de atividade, compensando parte do efeito da incerteza geopolítica e comercial.