A
Bulgária está se preparando para adotar o euro e tornar-se assim o 21º
país a aderir à moeda única europeia, integração que alguns temem que
alimente a inflação e acentue a instabilidade política.
À
meia-noite (19h desta quarta-feira, 31, em Brasília), o pequeno Estado
balcânico de 6,4 milhões de habitantes aposentará sua moeda, o lev, em
circulação desde o fim do século XIX.
A
maioria das bancas do “Mercado das Mulheres”, o maior e mais antigo da
capital, Sófia, já apresenta os preços em lev e em euros.
“Toda a
Europa se adequa ao euro. Nós também vamos conseguir”, comenta Vlad, um
aposentado de 66 anos. “O importante é que a Bulgária continue na Europa
e se afaste de Moscou”, acrescenta.
Lucy,
vendedora de uma das bancas, afirma que já aceita pagamentos em euros e
considera que a população terá facilidade em se adaptar à nova moeda.
“As
pessoas têm medo de que os preços aumentem. Hoje são 4 levs e vão
passar a ser 4 euros, mas os salários continuarão os mesmos”, enfatiza
uma mulher de cerca de 40 anos que não quis revelar seu nome.
Muitos
búlgaros temem que a introdução do euro leve a uma espiral
inflacionária. Os produtos alimentares já ficaram 5% mais caros no
acumulado de 12 meses em novembro, segundo o Instituto Nacional de
Estatística.
As autoridades búlgaras tentam tranquilizar a
população e prometem que a entrada na zona do euro permitirá dinamizar a
economia do país, um dos mais pobres da União Europeia, da qual passou a
fazer parte em 2007, e o protegerá da influência russa.
A
presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, garante que “o
euro trará benefícios concretos aos cidadãos e às empresas búlgaras”.
“Facilitará
as viagens e a vida no exterior, reforçará a transparência e a
competitividade dos mercados e facilitará as trocas”, acrescentou em
comunicado.
Paralelamente,
a Bulgária enfrenta importantes desafios após as manifestações
anticorrupção que recentemente derrubaram o governo de coalizão
conservador, no poder há menos de um ano, e perante a perspectiva de
novas eleições legislativas, as oitavas em cinco anos.
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