segunda-feira, 9 de março de 2026

Lavoro vende negócio de distribuição no Brasil à Arcos e avança na reorganização da companhia

 

A Lavoro informou na sexta-feira, 6, que a gestora Arcos Gestão e Investimento (AGI) passará a conduzir o management da operação de distribuição de insumos agrícolas no Brasil a partir do mesmo dia 6 de março. O movimento ocorre no contexto da reorganização da companhia e da transferência da unidade de negócios para um novo administrador.

“A Lavoro Agro Holding S.A. informa que, a partir de 06 de março de 2026, o management da vertical de distribuição de insumos agrícolas no Brasil passará a ser conduzido pela Arcos Gestão e Investimento, companhia especializada em gestão de ativos, com ampla experiência em reestruturação empresarial”, disse a empresa em nota. “A operação de venda da unidade de negócios contempla a transição para um novo administrador com perfil e condições de conduzir a reorganização da empresa”, acrescentou. A Lavoro não divulgou o valor da transação nem detalhes adicionais sobre os termos do negócio.

A venda à AGI ocorre após uma série de desinvestimentos iniciada em dezembro de 2025, quando a Lavoro transferiu sua participação majoritária na divisão Crop Care, que reúne Agrobiológica, Cromo Química e Union Agro, para fundos geridos pelo próprio Pátria Investimentos.

A Lavoro foi criada pelo Pátria em 2017 com estratégia de consolidação do mercado de distribuição de insumos por meio de aquisições. A companhia realizou mais de 20 operações e abriu capital na Nasdaq em março de 2023.

A deterioração financeira se intensificou no segundo semestre de 2024, quando a empresa enfrentou escassez severa de estoques durante o pico da temporada de plantio de soja, entre novembro e dezembro daquele ano. O episódio ocorreu em um ambiente de margens mais apertadas no campo e maior restrição de crédito na cadeia de distribuição. A crise levou ao fechamento de cerca de 70 lojas, aproximadamente um terço da rede, e à suspensão temporária da política de aquisições.

Em junho de 2025, a companhia apresentou plano de recuperação extrajudicial para reestruturar R$ 2,5 bilhões em dívidas com fornecedores de insumos. A 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo homologou o plano em 24 de novembro de 2025, tornando o acordo vinculante para todos os credores elegíveis, inclusive os que não aderiram voluntariamente.

Entre os fornecedores que apoiaram o plano estavam Adama Brasil, UPL Brasil, FMC Agrícola, Basf, Ourofino e EuroChem. O acordo prevê pagamento integral em dez parcelas semestrais corrigidas pelo IPCA até 2030 para credores aderentes, e parcela única em 2032 com desconto de 50% para não aderentes.

Os números preliminares e não auditados do ano fiscal encerrado em junho de 2025 mostraram queda de aproximadamente 34% na receita consolidada, para cerca de R$ 6,2 bilhões, e recuo de cerca de 33% no lucro bruto, para aproximadamente R$ 900 milhões. O desempenho refletiu principalmente a escassez de estoques no varejo brasileiro durante os períodos-chave da temporada de vendas de insumos, o que resultou em cancelamentos significativos de pedidos.

Em fevereiro deste ano, a Lavoro concluiu a retirada de suas ações da Nasdaq. O último pregão ocorreu em torno de 23 de fevereiro, e o cancelamento do registro foi formalizado por volta do dia 24. O conselho de administração aprovou a deslistagem após avaliar o ambiente desafiador do mercado brasileiro nos ciclos agrícolas mais recentes, os custos elevados associados à manutenção do status de companhia aberta nos EUA e o baixo volume de negociação dos papéis.

No campo da gestão, Marcelo Pessanha assumiu o cargo de CEO em 1º de dezembro de 2025, no lugar de Ruy Cunha, que estava no posto desde fevereiro de 2022. Pessanha ocupava até então a vice-presidência de Vendas, Marketing e Operações da Lavoro Brasil desde julho de 2024, e havia sido CEO da Crop Care de abril de 2022 a julho de 2024.

XP e Kalshi se unem para levar mercados de previsão a investidores brasileiros

 

A XP e a Kalshi, fundada pela brasileira Luana Lopes Lara, anunciaram nesta segunda-feira, 9, uma parceria estratégica para levar o mercado de previsão aos investidores brasileiros. O objetivo da união é permitir que os clientes tenham acesso a essa nova categoria de instrumentos financeiros derivativos, que permite aos investidores tomar posições sobre os resultados de eventos do mundo real e indicadores econômicos.

A parceria se dará por meio da Clear, marca da XP voltada a investimentos especializados em renda variável. No mês passado, a corretora lançou uma conta global. Já a Kalshi é uma plataforma de mercado de previsões regulamentada nos Estados Unidos.

Por meio da união, os clientes da Clear que mantêm conta de investimento internacional terão acesso a mercados de previsão no ambiente offshore da XP. Para a Kalshi, esta é a primeira parceria estratégica com um grupo financeiro fora dos Estados Unidos.

“Estamos trazendo este instrumento para ajudar nossos clientes a investir melhor, com mais alternativas de exposição a eventos econômicos relevantes”, diz o diretor de Produtos Financeiros da XP Inc., Lucas Rabechini, em nota à imprensa, nesta segunda-feira. “O mercado de previsão tem alto potencial para ampliar e complementar o cenário de investimentos atual”, acrescenta.

A cofundadora e COO da Kalshi, Luana Lopes Lara, diz que, como brasileira, não poderia estar mais animada em ter a XP como o primeiro parceiro de corretagem da Kalshi fora dos Estados Unidos. “Expandir os mercados de previsão para o Brasil é um passo importante para proporcionar a mais pessoas ao redor do mundo acesso a mercados justos, seguros e regulamentados”, afirma.

ANP diz que recebeu informação sobre dificuldades pontuais de aquisição de diesel no RS

 

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) informou que recebeu informações sobre dificuldades pontuais de aquisição de diesel por produtores rurais no Rio Grande do Sul. De acordo com a agência, no entanto, a produção e a entrega do combustível seguem em ritmo regular pelo principal fornecedor da região, a Refinaria Alberto Pasqualini (Refap), da Petrobras.

A oferta de diesel está em risco no Brasil devido ao aumento do preço do produto no mercado internacional, que descolou do praticado no mercado interno pelas refinarias brasileiras e inviabilizou importações.

“Cabe destacar que o Rio Grande do Sul é um estado que produz mais diesel do que consome, encontra-se com nível de estoque regular e não foram constatadas justificativas técnicas ou operacionais que expliquem uma eventual recusa no fornecimento do produto”, explicou a agência.

Segundo a ANP, durante o final de semana passado, a agência entrou em contato com os principais fornecedores da região e apurou que o estado do Rio Grande do Sul conta com estoques suficientes para assegurar o abastecimento regular de diesel. Aumentos de preços injustificados no estado também serão objeto de investigação da ANP em conjunto com órgãos de defesa do consumidor.

“Equipes técnicas da ANP estão realizando verificação das instalações e operações relevantes. As distribuidoras serão formalmente notificadas para que prestem os devidos esclarecimentos à ANP sobre o volume em estoque, os pedidos recebidos e os pedidos efetivamente aceitos”, disse a ANP em nota, ressaltando que está preparada para adotar todas as medidas cabíveis a fim de assegurar a continuidade e a normalidade da oferta de diesel no País.

Vendas de implementos rodoviários mostra reação e sobem 12,5% em fevereiro ante janeiro

 

As vendas de implementos rodoviários sobem mais de 10% em fevereiro puxado pela safra e pelo programa de incentivo para a venda de caminhões lançado pelo governo federal. Segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Implementos Rodoviários (Anfir), em fevereiro foram emplacados 9.870 unidades, ante 8.760 equipamentos em janeiro de 2026. Isso representa crescimento de 12,5%.

No bimestre, o desempenho dos fabricantes de implementos rodoviários apresentou queda de 21,6%. No período os fabricantes entregaram ao mercado 18.630 implementos rodoviários, ante 23.762 unidades em igual período de 2025.

O segmento de Reboques e Semirreboques apresentou recuo de 24,66% no primeiro bimestre do ano. Em dois meses foram emplacados 9.342 implementos rodoviários, ante 12.400 unidades em igual período de 2025. Somente as linhas de Tanque Inox e produtos especiais registraram variação positiva.

O segmento de Carroceria sobre chassi caiu 18,25%. Nos dois primeiros meses do ano, a indústria comercializou 9.288 unidades, contra 11.362 equipamentos no primeiro bimestre de 2025. Todas as sete linhas de produtos do segmento apresentaram resultado negativo.

“Essa reação do mercado em fevereiro pode ter influência do agronegócio, com a safra em andamento, e do programa Move Brasil que mesmo não sendo direcionado ao nosso setor trouxe reflexos positivos”, disse, em nota, o presidente da Anfir, José Carlos Spricigo.

O programa Move Brasil foi lançado em janeiro para incentivar a renovação da frota de caminhões. A iniciativa já tem R$ 4,2 bilhões em créditos contratados do total de R$ 10 bilhões à disposição. O volume de emplacamentos de caminhões em fevereiro, de acordo com dados da Fenabrave, foi 3,7% superior a janeiro.

“Está clara a influência do Move Brasil no desempenho dos fabricantes de caminhões agora resta saber se o mercado de implementos rodoviários seguirá sendo impactado”, diz o executivo.

Lula recebe presidente da África do Sul para visita de Estado

 

 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu, nesta segunda-feira (9), o presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, para uma visita de Estado. O objetivo é a ampliação do comércio bilateral e discussão de parcerias, sobretudo em turismo e investimentos.

Ramaphosa foi recepcionado no Palácio do Planalto, pouco depois das 10h. A agenda inclui um encontro restrito entre os dois líderes, seguida de reunião ampliada com as equipes de governo. Também está prevista cerimônia de assinatura de atos e declaração à imprensa.

Desde 2010, o Brasil e a África do Sul mantêm parceria estratégica, que é um nível mais elevado nas relações bilaterais. Na pauta do relacionamento estão temas de defesa e segurança, energia nuclear, investimentos, cooperação e acesso a mercados. Além disso, os países mantêm canais de diálogo em diversos foros multilaterais.

O fluxo comercial entre Brasil e África do Sul alcançou US$ 2,3 bilhões em 2025. Os principais produtos brasileiros exportados foram carnes de aves e suas miudezas (16,2%); açúcares e melaços (8,3%); e veículos rodoviários (6,9%). Já as importações brasileiras se concentraram em prata, platina e outros minerais do grupo da platina (53,9%).

Após a agenda no Palácio do Planalto, as autoridades seguem para o Palácio Itamaraty, onde participam de almoço e da abertura do Fórum Empresarial Brasil – África do Sul. Posteriormente, o presidente sul-africano também visitará o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal, como previsto em visitas de Estado.

No atual mandato, o presidente Lula viajou à África do Sul em 2023, para a 15ª Cúpula do Brics – bloco formado pelo Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia e Irã – e em 2025 para a 20ª Reunião de Cúpula do G20.

Petrobras sobe 3% e atenua queda do Ibovespa; dólar passa a cair

 

O Ibovespa tinha mais um dia de baixa nesta segunda-feira, 9, em mais um pregão de aversão a risco no exterior devido ao conflito no Oriente Médio, com nova disparada dos preços do petróleo aprofundando preocupações sobre o efeito na inflação no mundo.

Às 11h10, o Ibovespa, referência do mercado acionário brasileiro, cedia 0,63%, a178.228,24 pontos, com ações de petrolíferas atenuando a queda.

As ações da Petrobras e da Prio avançavam mais de 3%.

Já o dólar reverteu os ganhos do início da sessão e passou a ceder ante o real. Às 11h14, o dólar à vista caía 0,40%, aos R$ 5,2240 na venda. No início do dia, a divisa chegou a superar os R$5,28 no Brasil, acompanhando o avanço da moeda ante outras divisas no exterior.

Os preços do petróleo chegaram a encostar em US$ 120 nesta segunda-feira, mas atenuaram a disparada depois que o Financial Times informou que os ministros das finanças do Grupo dos Sete (G7) e a Agência Internacional de Energia discutirão nesta segunda-feira uma liberação conjunta de reservas de petróleo de emergência, e a Saudi Aramco ofereceu fornecimento imediato de petróleo bruto por meio de uma série de licitações.

Perto das 11h, o barril de West Texas Intermediate (WTI), principal referência no mercado americano, subia 9,52%, a US$ 99,55. Mais cedo, chegou a operar em alta de 30%, a 119,48 dólares por barril. O Brent do Mar do Norte, contrato de referência europeu, avançava 9,52%, a US$ 101,51 por barril, depois de atingir cotação superior a US$ 119 dólares.

 

 https://istoedinheiro.com.br/ibovespa-petrobras

Preços de passagens aéreas disparam com guerra no Irã e derrubam ações do setor

 

As ações das companhias aéreas despencavam nesta segunda-feira, enquanto o preço das passagens disparavam, à medida que a guerra dos EUA e de Israel contra o Irã causou uma forte alta nos preços do petróleo, gerando temores de uma profunda queda nas viagens e da possibilidade de uma paralisação generalizada dos aviões.

Os preços do petróleo eram negociados com alta de mais de 15%, em níveis não vistos desde 2022, uma vez que alguns dos principais produtores cortaram o fornecimento e os temores de interrupções prolongadas no transporte marítimo tomaram conta do mercado. Em um determinado momento, os futuros do petróleo bruto Brent subiram até 29%.

Essa situação deve aumentar a pressão sobre as companhias aéreas que já operam em um espaço aéreo restrito, à medida que os viajantes se esforçam para evitar o conflito no Oriente Médio.

Na Ásia, as companhias aéreas que sofreram o impacto dos temores dos investidores foram a Korean Air Lines , que caiu 8,6%, a Air New Zealand , que perdeu 7,8%, e a Cathay Pacific , de Hong Kong, que perdeu 5%.

Menos viajantes a lazer no futuro?

Para agravar ainda mais a situação dos consumidores, houve um aumento significativo nos preços das passagens aéreas. Os voos diretos de Seul para Londres em 11 de março com a Korean Air Lines, por exemplo, passaram de US$ 564 sete dias antes para US$ 4.359, de acordo com dados do Google Flights.

“O problema para as companhias aéreas agora é que a demanda por viagens pode ser reduzida à medida que os custos se tornarem proibitivos para os viajantes a lazer e à medida que algumas empresas começarem a limitar as viagens de negócios devido às perspectivas incertas”, disse Lorraine Tan, diretora de pesquisa de ações para a Ásia da Morningstar.

O impacto das altas tarifas aéreas pode limitar a demanda por viagens durante grande parte de 2026, acrescentou Tan.

Na Europa, a Air France KLM , a IAG , proprietária da British Airways, e a Lufthansa caíam entre 4% e 6% no início das negociações, enquanto as principais companhias aéreas dos EUA se desvalorizavam cerca de 4% no pré-mercado.

O combustível é a segunda maior despesa das companhias aéreas, depois da mão de obra, representando, em geral, de um quinto a um quarto das despesas operacionais. Algumas das principais companhias aéreas asiáticas e europeias têm hedge de petróleo em vigor, mas as companhias aéreas dos EUA abandonaram essa prática em grande parte nas últimas duas décadas.

“Se o petróleo bruto está subindo 20%, o combustível de aviação está subindo várias vezes mais, pois está ainda mais escasso, adicionando um custo significativo às operações, juntamente com os recursos da tripulação, que são sobrecarregados devido aos tempos de voo mais longos quando o espaço aéreo está fechado”, disse Subhas Menon, diretor da Association of Asia Pacific Airlines.

Isso pode ter implicações terríveis para o setor.

Aeronaves podem ficar paradas

“Sem um alívio a curto prazo, as companhias aéreas em todo o mundo poderão ser obrigadas a manter milhares de aeronaves em solo, enquanto algumas das transportadoras mais frágeis financeiramente do setor poderão interromper suas operações”, afirmaram analistas do Deutsche Bank em nota aos clientes.

Eles também observaram que um aumento acentuado nos custos do combustível de aviação em 2005, após os furacões Katrina e Rita, resultou em danos generalizados e significativos para o setor, incluindo o pedido de falência das principais companhias aéreas Delta e Northwest, de acordo com o Capítulo 11, naquele ano.

Desde 28 de fevereiro, quando começou a guerra dos EUA e de Israel contra o Irã, até 8 de março, mais de 37.000 voos de e para o Oriente Médio foram cancelados, de acordo com dados da Cirium.

Com o espaço aéreo severamente restrito, as companhias aéreas foram forçadas a redirecionar voos, transportar combustível extra ou fazer paradas adicionais de reabastecimento para se protegerem contra desvios repentinos ou rotas de voo mais longas através de corredores mais seguros.

Juntas, a Emirates, a Qatar Airways e a Etihad normalmente transportam cerca de um terço dos passageiros da Europa para a Ásia e mais da metade de todos os passageiros da Europa para a Austrália, Nova Zelândia e ilhas próximas do Pacífico, de acordo com a Cirium.