A
sociedade consome produtos provenientes de florestas todos os dias, e a
presença da madeira pode ser constatada em produtos como papéis,
embalagens, móveis, pisos, cápsulas de medicamentos e até na
alimentação. Por isso, a demanda global por madeira, que já alcança
cerca de 1,6 bilhão de metros cúbicos por ano, pode dobrar até 2050,
conforme estimativas da Embrapa Florestas. Diante desse cenário, a
origem da madeira faz toda a diferença e a silvicultura comercial ocupa
papel estratégico para atender à sociedade e, ao mesmo tempo, reduzir a
pressão sobre as florestas nativas.
Dados do Sistema
Nacional de Informações Florestais (SNIF) mostram que o Brasil produziu
quase 200 milhões de metros cúbicos de toras para fins industriais em
2024. Desse total, cerca de 94% vieram de florestas plantadas, que por
sua vez ocupam apenas 1,4% do território nacional. "Os dados derrubam um
mito persistente de que as florestas plantadas prejudicam as florestas
naturais. A verdade é que, historicamente, o cultivo de pinus e
eucalipto se consolidou principalmente sobre áreas anteriormente
degradadas e que por condições de relevo foram preteridas por outras
culturas", aponta Ailson Loper, diretor executivo da Associação
Paranaense de Empresas de Base Florestal (APRE Florestas) e professor do
departamento de economia e extensão rural da Universidade Federal do
Paraná (UFPR).
Outro fator é que além de restringir a derrubada de
mata nativa, a legislação atual exige que os produtores da Região Sul
destinem, no mínimo, 20% da área da propriedade a reservas legais e
áreas de preservação permanente. De acordo com a Indústria Brasileira de
Árvores (Ibá), o país possui 10,5 milhões de hectares de árvores
plantadas e cerca de 7 milhões de hectares de florestas nativas
conservadas. Na prática, para cada hectare de floresta plantada, as
empresas brasileiras possuem, em média, 0,7 hectare de vegetação nativa
sendo cuidada.
"No Paraná, considerando a conservação de áreas
realizada pelas empresas associadas à APRE, a proporção é ainda maior.
Para cada hectare produtivo, há aproximadamente outro hectare destinado à
conservação", afirma Loper. No Paraná, as empresas associadas possuem
cerca de 564 mil hectares em áreas protegidas. O estudo setorial da
APRE, atualizado a cada dois anos, mostra que a silvicultura paranaense
mantém áreas de conservação equivalentes ou superiores às áreas de
plantio, conciliando conservação e produção sustentável.
As
florestas plantadas entregam resultados concretos. Elas não são apenas
fonte de matéria-prima, mas agregam diversos benefícios, como redução da
pressão sobre florestas nativas, fixação e estoque de carbono, recurso
renovável com ciclo contínuo de plantio e colheita, formação de
corredores ecológicos, geração de 2,6 milhões de empregos diretos e
indiretos no Brasil, e desenvolvimento de comunidades locais. Segundo
Loper, é preciso exigir conservação, produtividade e responsabilidade
ambiental. "As florestas plantadas mostram que essas três demandas podem
coexistir ao produzir em áreas manejadas, com controle técnico e
compromisso ambiental. Os dados indicam que este é o caminho mais
racional para o presente e para as próximas gerações", menciona.
https://amanha.com.br/brasil/florestas-plantadas-respondem-por-94-da-madeira-para-fins-industriais