terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Brasileiros estão atrasando mais o pagamento de seus empréstimos, diz Serasa

 

Pesquisa elaborada pela Serasa Experian e enviada em primeira mão à IstoÉ Dinheiro aponta para um cenário de maior dificuldade para que os brasileiros arquem com as suas dívidas. A pontualidade média de pagamento do empréstimo pessoal da população caiu para 82,7% no 2º trimestre de 2025, contra 85,2% no 2º trimestre de 2024. Os dados foram reunidos a partir do Cadastro Positivo, banco de dados sobre pagamentos de pessoas físicas e jurídicas.

Responsável pelo estudo, a economista Camila Abdelmalack afirma que os dados mostram “um cenário de maior comprometimento da renda, resultado do avanço do endividamento aliado à alta de juros vigente no cenário econômico”.

Levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) mostra que 78,9% das famílias terminaram o ano passado com algum tipo de dívida. No mesmo período, a taxa básica de juros, a Selic, encontra-se no seu maior patamar desde 2006, com 15% ao ano.

Houve uma redução generalizada na pontualidade do empréstimo pessoal em todas as regiões do país na comparação anual. O Norte e o Nordeste lideraram as retrações, com quedas de 4,0 p.p. e 3,8 p.p., respectivamente. Em contrapartida, o Sudeste registrou a maior resiliência, apresentando o menor recuo do período (1,6 p.p.), com o índice situando-se em 83,7%. Veja no gráfico:

Legenda: Reprodução/Serasa Experian

Valor médio dos empréstimos também diminui

O ticket médio do empréstimo pessoal também recuou na comparação anual. O valor passou de R$ 416,24 no 2º trimestre de 2024 para R$ 396,49 em 2025, consolidando uma redução nominal de R$ 19,75.

Segundo a economista da Serasa, “o recuo do ticket médio reflete também uma postura mais cautelosa dos credores na concessão de crédito. Em um cenário mais restritivo, a tendência é a liberação de valores menores, como forma de mitigar riscos”.

A análise regional revela disparidades no valor médio dos empréstimos. Enquanto o Centro-Oeste lidera com os tickets mais elevados (apesar do recuo de R$ 40,19 no período), o Nordeste apresenta as menores cifras, mas com um diferencial positivo: foi a região que registrou avanço anual, elevando sua média de R$ 339,84 para R$ 350,33. As demais localidades seguem a distribuição apresentada abaixo:

Reprodução/Serasa
 
 
 
https://istoedinheiro.com.br/brasileiros-atrasando-emprestimos-serasa-19126 

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Petrobras e Transpetro assinam na terça-feira contratos de R$ 2,8 bi para ampliar frota

 

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, desembarca na terça-feira, 20, em Rio Grande, no Rio Grande do Sul, para oficializar a contratação de cinco navios gaseiros, 18 barcaças e 18 empurradores dentro do Programa Mar Aberto, plano de renovação e expansão da frota do Sistema Petrobras.

O pacote, orçado em R$ 2,8 bilhões, envolve três estaleiros – Rio Grande (RS), Bertolini, em Manaus (AM), e Indústria Naval Catarinense (SC) – e prevê a geração de mais de 9 mil empregos diretos e indiretos.

Todas as embarcações serão operadas pela Transpetro, o que reduzirá a dependência de afretamentos e dará maior flexibilidade à logística de Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) e outros produtos. Só o Estaleiro Rio Grande receberá R$ 2,2 bilhões para entregar cinco gaseiros pressurizados: três com capacidade para 7 mil m3 e dois de 14 mil m3.

Após a entrega, a frota de gaseiros saltará de seis para 14 unidades, mais que duplicando a atual capacidade de transporte da subsidiária. Os novos navios vão consumir 20% menos energia e emitir 30% menos gases de efeito estufa, com a primeira entrega prevista para até 33 meses após o início das obras, informou a Petrobras. As próximas entregas serão a cada seis meses.

Além de Lula, estarão no evento o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, e o presidente da Transpetro, Sérgio Bacci.

“O Sistema Petrobras está sempre pronto para apoiar o desenvolvimento do Brasil. Com essas contratações, estamos deixando a Petrobras preparada para o crescimento da nossa produção nos próximos anos e alavancando a retomada da indústria naval nacional. Para nós, quando a Petrobras está mais forte, o Brasil também está mais forte”, disse Magda em nota.

Segundo a Petrobras, ao reforçar a frota própria, a empresa e a Transpetro também se preparam para o avanço da produção de gás natural previsto para os próximos anos – tanto no litoral quanto nas vias fluviais, caso da Lagoa dos Patos, no Rio Grande do Sul, e da Amazônia.

Faturamento real da indústria de transformação sobe 1,2% em novembro ante outubro, diz CNI

 

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) informou, nesta segunda-feira, 19, que o faturamento real da indústria de transformação aumentou 1,2% em novembro na comparação com outubro de 2025, interrompendo uma sequência de três quedas consecutivas. No acumulado no ano, o indicador cresceu apenas 0,3% frente ao mesmo período do ano anterior.

“Esse crescimento acumulado do faturamento se tornou menor a cada mês do ano passado, reforçando as projeções de perda de ritmo da indústria, principalmente no segundo semestre de 2025”, afirma Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI.

O emprego no setor, entretanto, caiu 0,2%. Foi a terceira queda consecutiva do índice. Desde setembro, quando a CNI avalia que começou a perda de ritmo do mercado de trabalho industrial, a queda já foi de 0,6%.

“Em resposta à melhora da atividade industrial, que se iniciou em 2023 e que teve o seu melhor momento em 2024, o emprego industrial cresceu. Essa alta até se manteve no início de 2025, embora a atividade industrial já apresentasse sinais de que enfrentaria problemas, sobretudo com o aumento da Selic, cuja trajetória de alta teve início ainda em 2024. Mas com a crescente perda de ritmo de atividade industrial, o emprego industrial perdeu força”, explica Azevedo.

Após quatro quedas consecutivas, acumulando retração de 1,4%, a massa salarial cresceu 1,5% em novembro. Apesar disso, o indicador acumula queda de 2,3% nos 11 primeiros meses de 2025 em relação ao mesmo período de 2024.

Já o rendimento médio dos trabalhadores industriais também vinha histórico de quedas, mas voltou a aumentar em novembro. O índice subiu 1,6% em relação a outubro. O indicador acumula tombo de 4% entre janeiro e novembro do ano passado na comparação com os 11 primeiros meses de 2024.

O número de horas trabalhadas na produção caiu 0,7% entre outubro e novembro. Nos 11 primeiros meses do ano passado, o indicador subiu 0,9% na comparação com o mesmo período de 2024.

A Utilização da Capacidade Instalada (UCI) caiu 0,6 ponto porcentual, passando de 78,1% para 77,5%. A UCI de novembro de 2025 estava 2,4 pontos porcentuais abaixo da UCI de novembro de 2024. Além disso, a UCI média nos 11 primeiros meses do ano passado foi 1 ponto porcentual inferior à observada no mesmo período de 2024.

Problema da dívida tem a ver com juro real, não com déficit, diz Haddad

 

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, defendeu a gestão fiscal do governo federal e afirmou que o problema da dívida pública neste momento decorre dos juros reais da economia, e não do excesso de gastos públicos. A declaração ocorre na semana seguinte à sanção do Orçamento de 2026, aprovado, com meta de superávit de R$ 34,2 bilhões.

“Nós reduzimos em dois anos em 80% o déficit primário. O problema da dívida tem a ver com o juro real, não tem a ver com o déficit, que está caindo. Inclusive a meta para esse ano é uma meta de resultado primário ainda mais exigente do que foi o ano passado, do que foi o ano retrasado e do que foi o primeiro ano de governo”, disse Haddad durante entrevista ao Uol nesta segunda-feira, 19.

A declaração ecoa críticas a política monetária feitas em outros momentos pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e até pelo próprio Fernando Haddad. A taxa básica de juros, a Selic, chegou a 15% ao ano em maio do ano passado e se mantém nesta porcentagem desde então. É o maior patamar registrado desde 2006.

Haddad defende Galípolo

Apesar das críticas ao patamar de juros, o ministro buscou isentar de responsabilidade o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. “É uma pessoa em quem eu confio”, disse, acrescentando que Galípolo teria herdado “um problema que só vai ser conhecido depois”.

“É a primeira vez que a gente tem que conviver por dois anos com um presidente nomeado pelo governo anterior, que queria sabotar esse governo. Trabalhou para sabotar o tempo inteiro o governo”, disse Haddad. Durante os dois primeiros anos do terceiro mandato de Lula, o BC era comandado por Roberto Campos Neto, indicado pelo então presidente Jair Bolsonaro ao cargo.

Em sua fala, o ministro afirmou ainda que a crise do Banco Master seria um problema herdado de uma gestão problemática anterior.

Reformulação das atribuições do BC

Ainda sobre o caso do Banco Master, Haddad afirmou que há discussões dentro do governo para que o BC fique responsável assuma atribuições que atualmente estão com a Comissão de Valores Mobiliários (CVM). na fiscalização de instituições financeiras.

“Tem muita coisa que deveria estar no âmbito do Banco Central e está no âmbito da CVM, na minha opinião, equivocadamente. O Banco Central tem que ampliar o seu perímetro regulatório e passar a fiscalizar os fundos”, disse Haddad. “A conta remunerada, as compromissadas, tudo isso tem relação com a contabilidade pública”, seguiu.

O ministro frisou que se trata de sua opinião, porém afirmou que há conversas sobre o tema travadas dentro do governo, com a participação de Gabriel Galípolo e de Jorge Messias, atual Advogado-Geral da União e indicado pelo presidente Lula para o Supremo Tribunal Federal (STF).


Bolsa brasileira ganha 205,9 mil novos investidores em 2025; veja número por estado

 

A B3, a bolsa do Brasil, registrou 205.949 novos investidores em produtos de renda variável em 2025. Isso representa um crescimento de 4% entre os meses de dezembro de 2024 e de 2025.

Atualmente, a B3 conta com quase 5,5 milhões de investidores em renda variável e um valor de custódia de R$ 635 bilhões neste tipo de ativo, um aumento de 20% em relação aos quase R$ 528 bilhões do final de 2024. Deste total de CPFs, 1,9 milhão de investidores são do estado de São Paulo, a maior presença na bolsa. Em seguida, estão os estados de Minas Gerais (554 mil) e Rio de Janeiro (550 mil).

Apesar da ampla representação da região Sudeste entre os investidores em renda variável, o estado que apresentou maior crescimento percentual no último ano foi Piauí, com um aumento de 7,73% no número de pessoas investidoras. Além dele, os estados de Amazonas, Pará, Paraíba, Ceará, Maranhão, Amapá, Pernambuco, Alagoas, Roraima, Rio Grande do Norte, Acre, Rondônia, Bahia e Sergipe também tiveram altas acimas de 5%.

Os dados mostram que o mercado de capitais avança para além dos grandes centros e chega cada vez mais aos demais polos do país, explicitando o potencial enorme destas regiões. O crescimento no número de investidores em todos os estados reforça o compromisso da B3 com a democratização do acesso ao mercado de capitais, ampliando oportunidades de investimento, educação financeira e participação de toda a população brasileira no desenvolvimento econômico do Brasil”, afirma Felipe Paiva, diretor de Relacionamento com Clientes e Pessoa Física da B3.

Veja o número de investidores na renda variável por estado

ESTADOINVESTIDORES EM 2024INVESTIDORES EM 2025AUMENTO PERCENTUAL
Piauí32.03734.5147,73%
Amazonas47.72051.2027,30%
Pará84.22190.1347,02%
Paraíba52.98756.6886,98%
Ceara126.126134.7516,84%
Maranhão56.77360.5986,74%
Amapá8.4929.0376,42%
Pernambuco134.819143.4336,39%
Alagoas35.79138.0736,38%
Roraima8.5489.0866,29%
Rio Grande do Norte51.54754.7366,19%
Acre8.7649.3026,14%
Rondônia30.85032.6995,99%
Bahia194.793205.2155,35%
Sergipe31.76433.4445,29%
Espírito Santo109.090114.3554,83%
Tocantins20.72821.6614,50%
Minas Gerais530.178553.7644,45%
Rio de Janeiro527.072549.6034,27%
Mato Grosso70.41773.3484,16%
Mato Grosso Do Sul58.41760.5153,59%
Distrito Federal143.141148.0053,40%
Goiás146.137151.0713,38%
São Paulo1.861.3511.919.9263,15%
Paraná338.527348.5302,95%
Santa Catarina255.909262.9662,76%
Rio Grande Do Sul292.979298.4711,87%
TOTAL5.259.1785.465.1273,92%



https://istoedinheiro.com.br/bolsa-brasileira-b3-novos-investidores-2025

Expectativa para inflação em 2026 cai pela segunda semana seguida para 4,02%

 

A expectativa dos especialistas consultados pelo Banco Central para a alta da inflação medida pelo IPCA em 2026 caiu 0,03 ponto percentual, a 4,02%, mostra a pesquisa Focus divulgada nesta segunda-feira, 19.

Para 2027, a projeção do mercado para a inflação permanece em 3,80% ao final do ano, ainda longe do centro da meta. O centro da meta oficial a ser perseguida pelo Banco Central é de 3%, sempre com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos.


Focus

Selic e PIB

Os analistas no Focus seguem vendo o início dos cortes da taxa de juros em março, com uma redução de 0,5 ponto percentual na Selic, atualmente em 15%. Também não houve mudanças nas expectativas de que a taxa básica terminará 2026 em 12,25% e 2027 a 10,50%.

Para o Produto Interno Bruto (PIB), as estimativas de crescimento permaneceram em 1,80% tanto para 2026 quanto para 2027.

Dólar

Para o câmbio, a projeção para o final de 2026 e 2027 foi mantida em R$ 5,50.

 

 https://istoedinheiro.com.br/expectativa-para-inflacao-em-2026-cai-pela-segunda-semana-seguida-para-402


FMI reduz crescimento do Brasil para 1,6% em 2026

 

O Fundo Monetário Internacional (FMI) reduziu a projeção de crescimento do Brasil em 2026, mas melhorou ligeiramente as contas para 2025 e 2027, de acordo com relatório divulgado nesta segunda-feira, 19.

A atualização do relatório Perspectiva Econômica Global mostrou uma redução de 0,3 ponto na projeção para a expansão do Produto Interno Bruto este ano, a 1,6%.

Autoridades do FMI disseram que o corte na perspectiva para este ano ocorreu principalmente pela política monetária restritiva para conter a inflação elevada no ano passado.

Projeções para o PIB do próximo ano cresce

Por outro lado, houve um aumento de 0,1 ponto percentual na perspectiva de expansão em 2027, a 2,3%. Para 2025, a estimativa é de 2,5%, contra 2,4% no relatório de outubro.

O Banco Central elevou a taxa básica de juros Selic para 15% em junho do ano passado e vem mantendo-a nesse nível desde então. A autoridade monetária volta a se reunir no final deste mês, com amplas expectativas de nova manutenção.

Analistas buscam agora indicações sobre quando o BC iniciará um ciclo de cortes. O IBGE divulgará os dados do PIB do quarto trimestre e de 2025 em 3 de março.

Governo projeta resultados superiores ao do FMI

No final do ano passado, o Ministério da Fazenda previu uma expansão de 2,2% para o PIB de 2025, com alta de 2,4% em 2026. Já o BC vê expansão em 2025 de 2,3%, indo a 1,6% em 2026.

As perspectivas para o Brasil neste ano e no próximo ficaram bem abaixo das projeções para a América Latina e Caribe, cujas expectativas de crescimento são de respectivamente 2,2% e 2,7%.

Já para as Economias de Mercados Emergentes e em Desenvolvimento, das quais o Brasil faz parte, o FMI passou a ver expansão de 4,2% este ano, 0,2 ponto a mais que em outubro. Para 2027 houve redução de 0,1 ponto, a 4,1%.