quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Quem são os servidores investigados por vazamento de dados sigilosos de ministros do STF

 

Servidores da Receita cedidos a outros órgãos foram alvo nesta terça-feira, 17, de operação determinada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para apurar violações de sigilo fiscal de parentes de ministros da Corte. Embora nem o Tribunal nem a Receita tenham informado quem são as vítimas, o Estadão apurou que uma delas é a esposa do ministro Alexandre de Moraes. O outro seria o filho de um também ministro do Supremo.

De acordo com a Receita, uma auditoria sobre o vazamento de dados fiscais sigilosos envolve dezenas de sistemas e contribuintes. O Supremo informou que “foram constatados diversos e múltiplos acessos ilícitos ao sistema da Secretaria da Receita Federal do Brasil, seguindo-se de posterior vazamento das informações sigilosas” (veja mais abaixo).

Os nomes dos investigados foi divulgado pelo STF, por meio de nota. São eles: os servidores públicos Luiz Antônio Martins Nunes, Luciano Pery Santos Nascimento, Ruth Machado dos Santos e Ricardo Mansano de Moraes.

Até a publicação deste texto, o Estadão buscou contato com as defesas, mas sem sucesso. O espaço segue aberto.

O que se sabe sobre os alvos:

Ricardo Mansano de Moraes

É auditor da Receita desde maio de 2007. Ele recebeu em dezembro R$ 51 mil em salários, segundo o Portal da Transparência. Mansano compõe a Equipe de Gestão do Crédito Tributário e do Direito Creditório (Eqrat) – braço técnico da Receita que faz análise, auditoria e gestão dos créditos que os contribuintes possuem a receber da União, e também o controle de créditos tributários devidos ao Fisco.

Mansano trabalha na Delegacia da Receita em Presidente Prudente, no interior de São Paulo. Ele mora em São José do Rio Preto, a 433 km da capital paulista.

Ruth Machado dos Santos

No funcionalismo desde 1994, é técnica do Seguro Social em São Paulo. Ela exerce o cargo de agentes administrativo em um posto da Receita no Guarujá, litoral de São Paulo. Em dezembro, seu contracheque foi de R$ 11.664,79.

Luciano Pery Santos Nascimento

Também é técnico do Seguro Social e recebeu R$ 18.777,19. Lotado na Bahia, ele está no serviço público desde 1983.

Luiz Antônio Martins Nunes

É funcionário do Serpro (Serviço Federal de Porcessamento de Dados) no Rio de Janeiro. Ele está no órgão desde 2000.

Os quatro investigados foram afastados de suas funções e tiveram o sigilo quebrado (bancário, fiscal e telemático) por ordem do ministro Alexandre de Moraes.

Eles estão proibidos de saírem das cidades onde residem e obrigados ao recolhimento domiciliar no período noturno e aos finais de semana. Os suspeitos tiveram os passaportes retidos e estão proibidos de deixar o País e de ingressar nas dependências do Serpro (Serviço Federal de Porcessamento de Dados) e da Receita.

A operação

Por determinação do Supremo Tribunal Federal, a Polícia Federal cumpriu, nesta terça-feira de carnaval, 17, quatro mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia, no âmbito de investigação que apura possíveis vazamentos de dados da Receita Federal de ministros da Corte e de seus familiares.

A medida foi tomada após representação da Procuradoria-Geral da República.

Em nota, a Receita Federal reconheceu que dados foram acessados indevidamente e que as investigações seguem sendo aprofundadas. Os técnicos do Fisco fizeram questão de frisar que não toleram “desvios, especialmente relacionados ao sigilo fiscal, pilar básico do sistema tributário”.

“Os sistemas da Receita Federal são totalmente rastreáveis, de modo que qualquer desvio é detectável, auditável e punível, inclusive na esfera criminal. Desde 2023, foram ampliados os controles de acessos a dados, com forte restrição aos perfis de acesso e ampliação de alertas”, diz o comunicado.

Em janeiro, o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, abriu de ofício um inquérito para investigar se a Receita Federal e o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) quebraram de forma irregular o sigilo fiscal de ministros da Corte e familiares.

“Em 12 de janeiro, o STF solicitou à Receita Federal auditoria em seus sistemas para identificar desvios no acesso a dados de ministros da Corte, parentes e outros nos últimos três anos. O trabalho foi incluído em procedimento que já havia sido aberto no dia anterior pela Corregedoria da Receita Federal com base em notícias veiculadas pela imprensa”, segue o comunicado da Receita.

O órgão informou que “a auditoria, que envolve dezenas de sistemas e contribuintes, está em andamento, sendo que desvios já detectados foram preliminarmente informados ao relator no STF”.

Segundo apurou o Estadão, a Receita questiona o inquérito, uma vez que, de acordo com interlocutores, o órgão não tem dados de contratos particulares e, além disso, o acesso a informações sigilosas sem procedimento fiscal aberto é uma prática sujeita a pena de demissão.

As suspeitas de que dados sigilosos de ministros e seus familiares foram vazados surgiu após o estouro da Operação Compliance Zero, que investiga o Banco Master.

Em dezembro, o jornal O Globo revelou detalhes do contrato da mulher de Moraes, Viviane Barci de Moraes, para a defesa dos interesses do Banco Master e de Daniel Vorcaro no Banco Central, na Receita Federal e no Congresso Nacional.

De acordo com o contrato, assinado em janeiro de 2024, o escritório de Viviane receberia R$ 3,6 milhões por mês ao longo de três anos. Caso tivesse sido cumprido integralmente, o escritório Barci de Moraes Associados receberia R$ 129 milhões até o início de 2027.

Quando o inquérito que apura possíveis vazamentos de dados fiscais de ministros do Supremo e de familiares foi aberto por Alexandre de Moraes, o Estadão apurou, sob reserva, que um grupo de ministros defende que a investigação esclareça se houve vazamento de informações sigilosas por parte de órgãos federais. Outra ala da Corte, no entanto, avalia que o novo inquérito pode ser interpretado como uma forma de pressão ou represália a órgãos de controle

Banco Central decreta liquidação extrajudicial do Banco Pleno

 

O Banco Central decretou nesta quarta-feira, 18, a liquidação extra extrajudicial do Banco Pleno S.A. A medida inclui ainda a corretora Pleno Distribuidora Títulos e Valores Mobiliário S.A., que também passa a se submeter ao regime especial de liquidação do BC.

O Banco Pleno pertence a Augusto Lima. O executivo foi sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master até maio de 2024 e chegou a ser preso na operação Compliance Zero, em novembro de 2025. Antes de se chamar Pleno, o banco operava como Voiter, até ser adquirido por Lima, tendo a operação sido aprovada pelo Banco Central em julho de 2025, meses antes de ser preço.

Segundo o Banco Centra, o grupo Pleno é considerado de pequeno porte e se enquadra no segmento S4 da regulação prudencial, que classifica as instituições financeiras de acordo com seu tamanho e possível impacto sobre o sistema financeiro em caso de liquidação. O Pleno detém 0,04% do ativo total e 0,05% das captações totais do Sistema Financeiro Nacional (SFN).

“A liquidação extrajudicial foi motivada pelo comprometimento da situação econômico-financeira da instituição, com deterioração da situação de liquidez, bem como por infringência às normas que disciplinam a sua atividade e inobservância das determinações do Banco Central do Brasil”, disse o BC em nota.

A autoridade monetária informo ainda que continuará tomando todas as medidas cabíveis para apurar as responsabilidades nos termos de suas competências legais. O resultado das apurações poderá levar à aplicação de medidas sancionadoras de caráter administrativo e a comunicações às autoridades competentes, observadas as disposições legais aplicáveis. Nos termos da lei, ficam indisponíveis os bens dos controladores e dos administradores da instituição objeto da liquidação decretada.

 

 https://istoedinheiro.com.br/banco-central-liquidacao-banco-pleno

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

FUP: petroleiros articulam com Petrobras envio de petróleo a Cuba em meio a sanções dos EUA

 FUP (@fupbrasil) · Rio de Janeiro, RJ

A Federação Única dos Petroleiros (FUP) e a Federação Nacional dos Petroleiros (FNP) estão em conversas com a diretoria da Petrobras para a construção de um entendimento conjunto que viabilize o embarque de petróleo brasileiro para Cuba, informou a FUP nesta sexta-feira, 13.

A iniciativa acontece depois dos Estados Unidos, no final de janeiro, aprovarem decreto que impõe tarifas contra países que forneçam petróleo a Cuba, ampliando, assim, o cerco econômico aos cubanos e comprometendo o abastecimento de energia na ilha.

Além das federações petroleiras, a operação reúne o Movimento Brasileiro de Solidariedade com Cuba e às Causas Justas, a Associação Cultural José Martí, entidades populares, centrais sindicais e partidos políticos.

“A FUP se solidariza com o povo cubano, contra o embargo econômico e energético promovido pelo governo Trump. A diplomacia brasileira já se manifestou acertadamente sobre o tema. Contudo, precisamos de ações concretas, urgentes, e de caráter humanitário. A Petrobras, na condição de empresa pública de um País soberano, precisa se envolver para garantir o abastecimento de petróleo para o país caribenho”, destacou em nota o diretor da Fup, Paulo Neves.

O Brasil mantém relações comerciais com Cuba, exportando principalmente produtos agrícolas e alimentícios, além de alguns bens industriais. A balança comercial geral entre os dois países apresenta superávit para o Brasil, segundo a entidade sindical.

Procurada, a Petrobras ainda não havia confirmado a informação até a publicação desta nota.

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Latam Brasil registra alta de 12% no tráfego doméstico com demanda ainda aquecida

 

A Latam Brasil registrou crescimento de 12% no tráfego (RPK) doméstico em janeiro de 2026 ante igual período de 2025. O desempenho reflete a sólida demanda no País, assim como os investimentos em novas rotas e frequências realizadas ao longo do ano passado, segundo a companhia.

A oferta da operação brasileira da aérea, medida por assentos-quilômetro oferecidos (ASK), cresceu 11% no primeiro mês deste ano na comparação anual.

Já a ocupação média dos voos no País avançou 0,8 ponto porcentual, atingindo 83%.

Os números da Latam Brasil ajudaram a impulsionar em 9% o tráfego de passageiros do Grupo Latam. O grupo transportou 8,2 milhões de passageiros em janeiro, com fator de ocupação de 86,4%, alta de 1,7 ponto porcentual.

A capacidade consolidada (ASK) do grupo aumentou 11,1%, enquanto o tráfego consolidado (RPK) cresceu 13,3% na mesma base de comparação.

Na operação de carga, o grupo registrou capacidade de 746 milhões de toneladas-quilômetro disponíveis (ATK) em janeiro, avanço anual de 6,4%, transportando 83 mil toneladas no mês.

FGV: 78% estão satisfeitos ou muito satisfeitos com trabalho atual; veja números

 

Pesquisa divulgada pela FGV (Fundação Getúlio Vargas) aponta que 78,1% dos trabalhadores afirmam estar satisfeitos ou muito satisfeitos com seu emprego atual. É a maior porcentagem desde junho de 2025, quando o dado passou a ser coletado.

Os dados integram o estudo Sondagem de Mercado de Trabalho e mostram que apenas 6,1% das pessoas estão insatisfeitas ou muito insatisfeitas. Os 15,8% restantes se declararam neutros. Veja a evolução de cada parcela desde o início do levantamento de dados:

“A evolução favorável do mercado de trabalho nos últimos anos parece refletir nos dados sobre satisfação do trabalho, que seguem avançando. A mínima da taxa de desocupação, com melhora concentrada no trabalho formal, e a evolução da renda, são fatores que tendem a influenciar a percepção dos trabalhadores sobre sua ocupação”, analisa o economista Rodolpho Tobler, do FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da FGV).

O pesquisador destaca que o crescimento da satisfação com o emprego deve acompanhar a desaceleração no mercado de trabalho em 2026.

Remuneração é principal queixa dos insatisfeitos

A pesquisa questionou quem relatou insatisfação sobre as causas para este sentimento. Baixa remuneração foi principal reclamação, citada por 60,5%. Em seguida, aparecem questões relacionadas à saúde mental (24,8%) e carga horária elevada (21,9%). Veja no gráfico:

Segundo Rodolpho Tobler, do FGV Ibre, “a parcela que ainda se mostra insatisfeita reforça a importância da remuneração para essa percepção”.

A pesquisa aponta que para 28,2% dos respondentes a remuneração foi insuficiente para arcar com despesas
essenciais como moradia, educação, alimentação ou saúde.

Comércio tem dezembro pior que o esperado, mas fecha 2025 com alta de 1,6%

 

As vendas do comércio brasileiro caíram 0,4% em dezembro, após crescimento de 1% registrada em novembro, informou nesta sexta-feira, 13, o IBGE.

Apesar do resultado negativo no último mês do ano, o varejo fechou o ano de 2025 com alta de 1,6%, bem abaixo do avanço de 4,1% registrado em 2024. Em 2023 havia sido 1,7%, 2022 1,0% e 2021 1,4%.

O resultado veio abaixo do esperado. A expectativa em pesquisa da Reuters era de baixa de 0,20% na comparação mensal e de avanço de 2,50% sobre um ano antes.

“O crescimento de 2025 foi razoavelmente distribuído, puxado pela farmacêutica, por móveis e eletrodomésticos e equipamentos para escritório, informática e comunicação, essa última fortemente influenciada pela forte desvalorização do dólar frente ao real, que ajudou nas vendas de produtos eletrônicos importados, como celulares e laptops”, avaliou o gerente da pesquisa, Cristiano Santos. 

No comércio varejista ampliado, que inclui, além do varejo, as atividades de veículos e material de construção, o volume de vendas em dezembro caiu 1,2% frente ao mês imediatamente anterior, após alta de 0,6% em novembro. Com isso, fechou 2025 acumulando variação positiva de 0,1%.

O que explica a perda de força?

A política monetária restritiva pesou sobre a economia no ano passado, embora o mercado de trabalho forte e a renda em alta tenham ajudado o desempenho das vendas varejistas. Ainda assim, os resultados do setor foram fracos durante a maior parte de 2025, com seis quedas mensais.

Segmentos mais sensíveis ao crédito, como veículos, móveis e eletrodomésticos, sentem mais os efeitos taxa Selic elevada. No mês passado, o Banco Central decidiu manter a taxa básica de juros em 15%, mas indicou o início de um ciclo de cortes em março.

Destaques do ano

Sete das onze atividades pesquisadas pelo IBGE fecharam o ano no campo positivo: Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (4,5%), Móveis e eletrodomésticos (4,5%), Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (4,1%), Outros artigos de uso pessoal e doméstico (2,2%), Tecidos, vestuário e calçados (1,3%), Hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (0,8%) e Combustíveis e lubrificantes (0,6%).

Pelo lado negativo, tiveram queda em 2025: Veículos e motos, partes e peças (-2,9%), Atacado especializado em produtos alimentícios, bebidas e fumo (-2,3%), Livros, jornais, revistas e papelaria (-0,9%) e Material de construção (-0,2%).

Perspectivas

Na véspera, o IBGE mostrou que o setor de serviços, que possui o maior peso no PIB (Produto Interno Bruto),  encerrou o ano de 2025 com avanço de 2,8%. Já a indústria, por exemplo, cresceu 0,6%. O Ministério da Fazenda projeta que o crescimento do PIB em 2025 tenha ficado em 2,3%.

Já para 2026 a perspectiva é de desaceleração ainda maior da economia.

“Mesmo com a perspectiva de cortes ao longo deste ano, os juros continuarão em patamar elevado, impactando principalmente os segmentos mais sensíveis ao crédito, como veículos, materiais de construção, móveis e eletrodomésticos. Por esse motivo, nossa projeção é de que as vendas no varejo ampliado fechem 2026 somente com uma leve alta em relação ao ano passado”, afirma Claudia Moreno, economista do C6 Bank, que projeta crescimento de 1,7% do PIB do Brasil em 2026.

Com informações da Reuters