Mesmo
sob um regime rigoroso de sanções econômicas impostas por Estados
Unidos e aliados ocidentais, o Irã surpreendeu o mercado internacional
ao anunciar uma arrecadação de mais de US$ 18 bilhões
com suas exportações de petróleo. A cifra reacende o debate sobre a real
eficácia das restrições e levanta questionamentos sobre como o Irã vende petróleo, contornando os bloqueios por meio de uma complexa estrutura paralela, que inclui a famosa “frota fantasma”.
Da IstoÉ
O que aconteceu
- O
Irã arrecada mais de US$ 18 bilhões com exportações de petróleo,
desafiando sanções internacionais impostas pelos Estados Unidos e
aliados ocidentais.
- O país utiliza uma “frota fantasma” de
petroleiros e sistemas de pagamento alternativos para comercializar a
commodity no mercado global.
- A China figura como principal
destino do petróleo iraniano, adquirido com descontos significativos em
relação ao preço internacional.
Apesar das restrições
econômicas, o país persa desenvolveu uma estrutura robusta para
continuar comercializando petróleo com compradores estrangeiros,
especialmente da Ásia.
Como funciona a “frota fantasma” do Irã?
Um
dos principais mecanismos utilizados pelo Irã é uma extensa rede de
petroleiros conhecida no mercado como “frota fantasma”. Essas
embarcações costumam navegar com os sistemas de localização desligados,
alteram frequentemente a bandeira sob a qual estão registradas e
realizam transferências de petróleo entre navios em alto-mar.
O
objetivo principal é dificultar a identificação da origem da carga e
evitar o rastreamento por autoridades internacionais, burlando as
sanções. Esse modelo tornou-se um dos principais instrumentos para
manter o fluxo das exportações iranianas.
China: o principal parceiro comercial
Grande
parte do petróleo exportado pelo Irã tem como destino refinarias
independentes da China. Essas empresas compram o petróleo iraniano com
descontos em relação ao preço internacional do Brent, tornando o negócio
financeiramente atrativo para Pequim.
Como
o governo chinês não adota as sanções unilaterais impostas por
Washington, o comércio entre os dois países continua ocorrendo mesmo
diante das restrições americanas, solidificando a China como um
parceiro-chave.
Como os pagamentos são feitos?
Outro fator
importante para a sustentabilidade do comércio de petróleo iraniano
está no sistema de pagamentos. Em vez de utilizar o SWIFT, principal rede financeira internacional, as negociações são liquidadas por mecanismos alternativos e descentralizados.
Entre eles estão pagamentos em yuans,
moedas locais de outros parceiros comerciais e operações de compensação
comercial. Nestes acordos, o petróleo é trocado diretamente por
mercadorias, alimentos ou equipamentos tecnológicos.
Esse modelo
reduz a exposição das transações ao sistema financeiro tradicional,
controlado por países ocidentais, e garante a fluidez do comércio.
Valorização do petróleo impulsiona arrecadação
Além
da estrutura logística e financeira criada ao longo dos últimos anos, o
Irã também foi beneficiado pela valorização do petróleo. Com o
agravamento dos conflitos no Oriente Médio, o barril do Brent
ultrapassou os US$ 100, elevando automaticamente a receita obtida em cada carregamento exportado.
Mesmo
oferecendo descontos significativos aos compradores, o país conseguiu
ampliar sua arrecadação, aproveitando a conjuntura de alta nos preços
globais da commodity.
Quais são as perspectivas futuras?
A
divulgação dos números de exportação iraniana aumentou a pressão para
que os Estados Unidos ampliem as sanções. O governo norte-americano
estuda aplicar restrições secundárias contra empresas de navegação,
portos e refinarias que continuem operando com petróleo iraniano,
especialmente as localizadas na China.
Caso as medidas avancem, a
tendência é de aumento das tensões entre Washington e Pequim, além de
novos impactos sobre o mercado global de energia e sobre os preços
internacionais do petróleo, com possíveis repercussões geopolíticas e
econômicas.
https://istoedinheiro.com.br/como-o-ira-conseguiu-arrecadar-us-18-bilhoes-com-petroleo-mesmo-sob-sancoes