segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

BRB pede acesso à investigação contra o Banco Master

 

O Banco Regional de Brasília (BRB) pediu à Justiça acesso à investigação contra o Banco Master, que tramita sob sigilo padrão – o segundo maior grau de sigilo – por determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli. Apenas o Ministério Público, advogados, pessoas do gabinete autorizadas pelo ministro ou servidores do tribunal com acesso a esse nível de sigilo podem acompanhar o processo.

O BRB afirmou, em nota enviada ao Estadão, que solicitou, “por meio do escritório contratado para a condução de auditoria forense, habilitação para acessar todos os procedimentos investigativos, no âmbito da Operação Compliance Zero”.

“O Banco BRB destaca que aguarda a decisão da Justiça sobre as solicitações realizadas”, disse a instituição.

O BRB tentou comprar uma parcela do Master, mas a operação foi reprovada pelo Banco Central (BC) em setembro, após pouco mais de cinco meses de análise. Dois meses depois, em 18 de novembro, o BC determinou a liquidação extrajudicial do Master, e o controlador do banco, Daniel Vorcaro, foi preso no âmbito da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal (PF).

No mês passado, o BRB anunciou, em fato relevante, a contratação do escritório Machado Meyer Advogados, com suporte técnico da Kroll, para conduzir uma investigação independente com o objetivo de apurar fatos mencionados na operação que possam envolver a companhia.

Segundo o comunicado, os reportes serão feitos “a um Comitê Independente de Investigação, instaurado em 28 de novembro de 2025 por meio da Portaria Presi nº 2025/016, formado por executivos que não possuíam qualquer função no BRB – Banco de Brasília S.A. durante o período avaliado.”

A investigação da PF apontou uma série de falhas e omissões do BRB nas operações com o Master. Pouco após a liquidação extrajudicial do banco, o Conselho de Administração do BRB decidiu pedir à Justiça Federal de Brasília para ingressar como assistente de acusação na ação movida contra o Master.

BNDES aprova R$ 950 mi para construção de nova usina de etanol da Inpasa na Bahia

 

Rio, 12 – O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) informou ter aprovado um financiamento de R$ 950 milhões para a Inpasa Agroindustrial S/A. Os recursos serão destinados à construção da sexta biorrefinaria da companhia no País.

A planta industrial será voltada à produção de etanol anidro e hidratado a partir da moagem de milho, sorgo e de outros grãos, no município de Luís Eduardo Magalhães, na Bahia. O montante aprovado inclui R$ 350 milhões provenientes do Fundo Clima e R$ 600 milhões da linha FINEM.

O projeto prevê que a nova unidade tenha capacidade para processar anualmente até um milhão de toneladas de milho, 498 milhões de litros de etanol, 248,9 mil toneladas de DDGS (Grãos Secos de Destilaria com Solúveis, da sigla em inglês) e 24.862 toneladas de óleo vegetal e 185 GWh de energia elétrica.

“A usina de etanol terá um impacto significativo na economia local, além de contribuir para que a Bahia deixe de ser importadora para se tornar exportadora de biocombustíveis”, declarou o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, em nota distribuída à imprensa.

A expectativa é que a usina atinja sua capacidade máxima de produção a partir de 2027.

China e UE acordam necessidade de normas de preços para exportação de carros elétricos chineses

 

 

 UE e China fecham acordo sobre investimentos | Monitor Mercantil

 

 

A China e a União Europeia (UE) concordaram que é necessário fornecer orientações gerais sobre compromissos de preços aos exportadores chineses de veículos elétricos para o bloco europeu, em esforços para que os exportadores chineses possam abordar suas preocupações de maneira mais “prática e direcionada”, seguindo as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC), informou uma nota do Ministério do Comércio chinês nesta segunda-feira, 12.

A nota informa que, para isso, a UE emitirá um “Documento de Orientação sobre a Apresentação de Aplicações de Compromisso de Preço”. É explicado que esse documento confirmará que o bloco irá aderir ao princípio da “não discriminação”.

“Isso demonstra plenamente o espírito de diálogo e os resultados das consultas entre a China e a UE. Ambas as partes têm a capacidade e a disposição de resolver adequadamente as diferenças por meio de diálogo e consulta dentro do quadro das regras da OMC”, reforça a pasta, que defendeu a importância de manter a estabilidade da cadeia da indústria automotiva e da cadeia de suprimentos na China, na UE e globalmente.

Na avaliação de Pequim, o ponto de acordo entre as partes não é apenas “favorável ao desenvolvimento saudável das relações econômicas e comerciais” China-UE, mas também à “manutenção de uma ordem de comércio internacional” com base em regras.

UE aprova acordo comercial com o Mercosul, que ganha novo fôlego em 2026

 


Além do acordo, intervenções de Trump na Venezuela devem trazer ainda mais atratividade para o bloco econômico



acordo mercosul união europeia
Anúncio da conclusão do acordo com a participação dos líderes de Argentina, Uruguai, União Europeia, Brasil e Paraguai. Crédito: Ricardo Stuckert/PR

 

A União Europeia aprovou nesta sexta-feira (9/1) o acordo comercial com o Mercosul, após 25 anos de negociações entre os dois blocos econômicos. Apesar da crise vivida pela América do Sul após o ataque militar e as intervenções políticas e econômicas na Venezuela por parte do presidente dos EUA, Donald Trump, a aprovação do acordo comercial deve trazer ainda mais atratividade para o Mercosul, na avaliação de fontes do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Há a possibilidade de o acordo ser assinado na próxima segunda-feira (12/1).

Na véspera de Bruxelas anunciar finalmente sua chancela ao entendimento, a despeito das críticas da França, que votou contra, o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, já havia telefonando para o presidente Lula, confirmando sua vinda ao Brasil em abril para acelerar as negociações com o Mercosul.

O mesmo interesse já foi manifestado pelo Reino Unido, que, com o Brexit, ficou fora do entendimento com os países europeus, e com o Japão. Na avaliação de pelos menos três fontes de alto escalão do governo brasileiro, o entendimento que cria o maior mercado de livre comércio do mundo aumenta o "rating" do Mercosul e dará nova tração às negociações em curso.

A assinatura ocorreu depois de a Comissão Europeia acenar com benefícios a produtores rurais. A decisão de chancelar o acordo representou, na avaliação de diplomatas europeus, um gesto político importante diante da política externa dos EUA. Os países envolvidos poderão, agora, firmar o acordo a partir da próxima segunda-feira (12/1), a depender das agendas.

Oposição da França

Uma dia antes, na quinta-feira (8/1), sob pressão de manifestações de produtores com seus tratores em Paris, o presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou que votaria contra o entendimento negociado. Dito e feito. A França e a Polônia foram até aqui os maiores críticos do acordo. No entanto, respaldo da Itália, esses países ficam sem os votos suficientes para impedi-lo. Para que fosse aprovado, era necessária uma maioria qualificada de 15 dos 27 países da UE, representando 65% da população do bloco.

Entre diplomatas experientes que acompanharam a construção do acordo, a França admite a portas fechadas que o entendimento é de seu interesse. Mas criou, nos últimos tempos, uma narrativa tão antagônica que se tornou difícil contorná-la diante da opinião pública sem prejuízo à própria imagem. O país vive uma crise política, já com foco na eleição presidencial de 2027, para a qual a direita aparece em vantagem.

Na terça-feira (6/1), para viabilizar o entendimento e convencer os reticentes sobre a importância da criação do maior mercado de livre comércio do mundo, a Comissão Europeia anunciou o desbloqueio de fundos para o setor. Macron reconheceu o que chamou de “inquestionável avanço”, mas ainda assim afirmou que votaria contra o acordo.logo-jota

Expectativa do mercado para inflação de 2026 cai a 4,05%; veja as projeções do Focus

 

A expectativa dos especialistas consultados pelo Banco Central para a alta da inflação medida pelo IPCA em 2026 caiu 0,01 ponto percentual, a 4,05%, mostra a pesquisa Focus divulgada nesta segunda-feira, 12.

Para 2027, a projeção do mercado para a inflação permanece em 3,80% ao final do ano, ainda longe do centro da meta. O centro da meta oficial a ser perseguida pelo Banco Central é de 3%, sempre com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos.

A inflação no Brasil acelerou em dezembro a 0,33%, mas ainda encerrou 2025 abaixo do teto da meta, com uma taxa de 4,26%, consolidando um processo de desinflação no país apesar da pressão do setor de serviços.

Projeções atualizadas do Boletim Focus do Banco Central. Foto: Reprodução/Instagram (Crédito:Reprodução/Instagram)

Selic e PIB

Os analistas no Focus seguem vendo o início dos cortes da taxa de juros em março, com uma redução de 0,5 ponto percentual na Selic, atualmente em 15%. Também não houve mudanças nas expectativas de que a taxa básica terminará 2026 em 12,25% e 2027 a 10,50%.

Para o Produto Interno Bruto (PIB), as estimativas de crescimento permaneceram em 1,80% tanto para 2026 quanto para 2027.

Dólar

Para o câmbio, a projeção para o final de 2026 e 2027 foi mantida em R$ 5,50.

Com informações da Reuters

 


CEO da Heineken renuncia em meio a vendas fracas e investidores insatisfeitos

 

O presidente-executivo da Heineken, Dolf van den Brink, renunciou inesperadamente nesta segunda-feira, 12, após seis anos liderando a cervejaria holandesa e apenas alguns meses depois de definir sua nova estratégia, enquanto o setor luta para fazer com que os consumidores comprem mais cerveja.

Van den Brink assumiu o comando da segunda maior fabricante de cerveja do mundo em meio à pandemia da Covid-19, em junho de 2020, e presidiu um período turbulento desde então, marcado por uma enorme inflação de custos e queda nas vendas que prejudicaram as margens e as ações.

Ao anunciar sua saída surpresa, o conselho disse que lançará uma busca por um sucessor para liderar a fabricante da cerveja Heineken, bem como marcas como Tiger e Amstel.

Van den Brink, que deixará o cargo em 31 de maio, concordou em permanecer disponível como consultor por oito meses a partir de junho.

Ele e o presidente do conselho de supervisão, Peter Wennink, disseram que agora é o momento certo para a Heineken nomear uma nova liderança. A empresa definiu uma nova estratégia que abrange os anos até 2030 em outubro.

A Heineken “chegou a um estágio em que uma transição na liderança servirá melhor à empresa na execução de suas ambições de longo prazo”, disse van den Brink no comunicado, acrescentando que continua totalmente focado na execução dessa estratégia até sua saída.

Van den Brink é o mais recente de uma série de CEOs de empresas de consumo a deixar a empresa após alguns anos difíceis para o setor, uma vez que o alto custo de vida pressionou o orçamento dos consumidores.

As cervejarias têm lutado para vender mais cerveja, com as esperanças de uma recuperação das vendas repetidamente derrubadas por tudo, desde o mau tempo até a incerteza política. A Heineken ficou atrás de seus pares em áreas como eficiência de custos e retorno para os investidores.

Quem quer que assuma o comando enfrenta o desafio de cumprir as promessas da Heineken para 2030 em meio à volatilidade política e econômica global.

As preocupações com o surgimento de novos concorrentes, o aparecimento de medicamentos para perda de peso que podem pesar sobre as vendas de alimentos e bebidas e a mudança de atitudes em relação ao consumo de álcool, especialmente entre os jovens, também causam preocupações sobre o futuro do setor.

O nó das contas públicas: governo encara desafio de cumprir meta de superávit em ano eleitoral

 

As contas públicas de um governo são muito parecidas com a rotina financeira das famílias. Imagine que você administra uma casa onde, mês a mês, seus gastos são maiores do que suas receitas. Para cobrir o buraco, a solução é recorrer ao cheque especial. No começo, funciona, mas com o tempo os juros sobem tanto que você começa a trabalhar apenas para pagar o juro da dívida, sem conseguir tocar o dia a dia da casa.

Guardadas as devidas proporções, é exatamente esse o drama que o Brasil vive hoje em suas contas públicas. Os números mais recentes mostram que a corda segue esticando – e se esse já é (e será) um dos grandes desafios do atual e próximo governo federal, independentemente de quem vença o pleito eleitoral de outubro de 2026.

Como o governo central é um dos maiores compradores e investidores da economia, seus passos afetam todo o cenário de juros e inflação.

Os dado mais recente do Banco Central evidencia que entre janeiro e novembro de 2025 o governo central já gastou R$ 80,3 bilhões a mais daquilo que conseguiu arrecadar no mesmo período. Chamado de déficit primário, esse valor ainda não contabiliza os juros dos tais empréstimos contratados ao longo dos anos, que precisam ser pagos. Logo, o buraco é maior.

Apesar do rombo no acumulado do ano, contudo, o governo deve fechar 2025 dentro da meta fiscal definida, acreditam especialistas. Em 2024 e 2025, os primeiros anos após a aprovação do arcabouço fiscal, a meta foi de equilíbrio das contas (resultado primário com déficit zero) com margem de 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB) para cima ou para baixo, o equivalente à cerca de R$ 31 bilhões.

Felipe Salto, economista-chefe da Warren Investimentos e ex-Secretário da Fazenda de São Paulo, acredita na entrega do resultado dentro da meta, embora no limite inferior da banda. Para isso, contudo, algumas despesas deverão ser desconsideradas, no âmbito do que é permitido por legislação.

“Em nossa projeção, o déficit primário vai ser 0,6% do PIB. Isso vai permitir que a meta seja cumprida usando a banda inferior dela, retirando os precatórios que podem ser descontados”, disse o economista à IstoÉ Dinheiro. É uma estimativa em linha com a do Itaú, de acordo com o relatório mais recente do banco.

O economista-chefe da Warren Investimentos e ex-Secretário da Fazenda de São Paulo Felipe Salto

O que esperar para 2026

No ano à frente, contudo, o cenário é distinto. É que para 2026 o governo precisará buscar superávit conforme estabelece a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). “A expectativa é um déficit, em 2026, de 0,7% do PIB, o equivalente a R$ 92,4 bilhões, mas quando a meta é de um superávit de R$ 34,3 bilhões, com a banda inferior em zero”, continua Salto.

Outra projeção, desta vez feita por Rafaela Vitoria, economista-chefe do banco Inter, vai em linha similar aproximada: é calculado um déficit primário de R$ 96 bilhões (0,7% do PIB), mesmo considerando o piso dela e os pagamentos não inclusos, de R$ 57 bilhões. Essa última cifra equivale às despesas que o governo pode retirar da conta do resultado primário porque há autorização legal – é o que o mercado financeiro muitas vezes classifica como “contabilidade criativa”.

A meta fiscal de 2026, na visão de Salto, precisará ser alterada e o tema deverá estar presente no primeiro relatório bimestral do Ministério da Fazenda. Já Rafaela, por ora, vê diferente.

“Não acreditamos em revisão da meta. A diferença pode ser em parte contingenciada, em parte com alguma despesa sendo excluída do cálculo, ou novamente com a busca de receitas extraordinárias, ainda não estimadas no orçamento”, escreveu a economista em nota enviada à IstoÉ Dinheiro. O Itaú projeta resultado primário negativo em 0,8% do PIB em 2026 no relatório mais recente.

Rafaela Vitoria, economista-chefe do banco Inter

Vale reiterar que o cenário de rombo nas contas públicas não é um resultado entregue apenas pela atual gestão. Ao longo da última década, o Brasil registra consecutivos déficits primários, ora maiores, ora menores, afetando seguidamente o ambiente econômico brasileiro. É que quando o governo gasta mal ou gasta mais do que arrecada, ele precisa pegar mais dinheiro emprestado no mercado. Como a dívida aumenta, o risco de não pagamento segue, e os investidores exigem juros maiores. Um governo “gastão”, ademais, afeta a política de juros do Banco Central.

Como o governo central é o motor da economia, ou seja, um dos maiores compradores e investidores do país, os seus movimentos também afetam a inflação, controlada pelo BC por meio da alta da taxa Selic, atualmente em 15% ao ano, o que por fim castiga o consumo e o investimento no país todo. A expectativa é de início do ciclo de baixa de juros ainda no primeiro trimestre, já que a inflação está cedendo. O mais recente boletim Focus, publicado pelo BC a partir do recolhimento das expectativas dos agentes econômicos, indica inflação de 4,06% ao final deste ano. A meta é 3%.

Tentativa de controlar as contas

Para tentar conter essa sangria e se comprometer junto ao mercado financeiro, em 2023, a atual gestão propôs o arcabouço fiscal, aprovado pelo Congresso Nacional e roteiro de regras estabelecido na Lei Complementar 200. De forma resumida, a regra determina que o governo só pode gastar 70% daquilo que é arrecadado.

Caso não seja cumprida, o percentual de gastos no ano seguinte cai para 50% da receita. Mas nem todo gasto do governo entra nessa contabilidade. Existem exceções como gastos com desastres, despesas das universidades públicas, execução direta de obras e serviços de engenharia, entre outras. O problema é que essa lista de exceções tem crescido.

Um relatório divulgado em dezembro pela Instituição Fiscal Independente (IFI), o órgão técnico ligado ao Senado que funciona como um vigia das contas públicas, trouxe esse alerta. Nos primeiros anos de vigência do arcabouço fiscal, o governo gastou R$ 170 bilhões por fora das regras fiscais vigentes, mas que, ao mesmo tempo, são exceções que a própria lei já pressupunha.

“Estamos vivenciando uma fragilização do arcabouço por conta das excepcionalizações. Gasto é gasto, despesa é despesa. Do ponto de vista macroeconômico, o que importa é se está gerando déficit e dívida ou não. É aí que você tem um esvaziamento da credibilidade do arcabouço”, disse em entrevista à IstoÉ Dinheiro Marcus Pestana, diretor-executivo do IFI.

Marcus Pestana, diretor-executivo do IFI (Crédito:Carlos Moura/Agência Senado)

Na prática, esses gastos excepcionais funcionam como se houvesse uma contabilidade paralela, onde despesas com precatórios, aportes em estatais e gastos militares e com segurança, além de compensações para o tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não entram no limite principal de gastos estabelecido pelo arcabouço fiscal. Mesmo assim, são gastos do governo.

No mercado financeiro e para muitos economistas já há clareza que a regra criada para segurar os gastos perdeu credibilidade. E mesmo diante do quadro, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, tem demonstrado desconforto com a pressão dos agentes mercadológicos. Ele afirma que há falta de reconhecimento sobre os esforços feitos para organizar as contas.

“O arcabouço fiscal foi inspirado no sistema de metas inflacionárias, com as bandas pensadas para absorver choques externos, eventualidades não planejáveis e não para gastos. Precatório é totalmente planejável e não tem motivo para ser excepcionalizado. Com o orçamento cada vez mais engessado, criam-se essas válvulas, essas gambiarras e o arcabouço perde as suas funções básicas”, afirma Pestana, do IFI.

Para Felipe Salto, economista da Warren, fica cada vez mais clara a necessidade de discutir uma agenda estruturante para 2027, a ser definida ainda em 2026, sob pena de se perder mais tempo. “Independentemente de quem ganhe a eleição, essa agenda vai se impor. Vamos estar com uma taxa de juros ainda muito alta, a dívida vai continuar aumentando e, também, um déficit muito grande. A realidade vai se impor e algum ajuste fiscal no primeiro ano vai ter que ser feito”, disse Salto.

Haddad reconhece essa necessidade. Em um café com jornalistas, o ministro disse que o governo precisará promover novas reformas econômicas a partir de 2027 para garantir a sustentabilidade das contas públicas, e que o atual arcabouço fiscal pode passar por “aprimoramentos”. Mas ele reforça que não há razão para alterar sua estrutura central.“Vamos fixar uma meta exigente, demandante, mas possível de cumprir. É assim que estamos reconstruindo as contas públicas”, reforçou.

A conclusão de especialistas em contas públicas é que não há mais espaço para “puxadinhos” contábeis ou aumento de impostos, já que o brasileiro paga uma das maiores cargas tributárias do mundo entre países em desenvolvimento. O ajuste fiscal tornou-se inevitável. Mais cedo ou mais tarde, o governo terá que encarar a realidade de que não se pode gastar o que não tem.

Se o dever de casa não for feito agora, de forma planejada, ele virá depois, de maneira muito mais dolorosa para o bolso da população – por meio de maior inflação e menos oportunidades. O relógio está correndo, e a conta, como sempre, acaba chegando na mesa do consumidor.