sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Real tem 2ª maior valorização entre 28 moedas do mundo no começo de 2026

 

O real apresentou a segunda maior valorização frente ao dólar em ranking elaborado pela consultoria Elos Ayta com 28 países. Com alta de 5,9% até o fechamento de quinta-feira, 29, a moeda brasileira aparece atrás apenas do peso chileno, que valorizou 6,2%.

O desempenho positivo do real ocorre em um momento de enfraquecimento amplo do dólar. Entre as 28 moedas monitoradas pelo levantamento, 22 tiveram valorização frente à moeda americana. Em apenas cinco países a moeda local perdeu valor. Em uma, o câmbio permaneceu estável.

“O enfraquecimento do dólar não é homogêneo. As maiores desvalorizações cambiais em janeiro concentram-se em economias específicas”, destaca a consultoria.

Logo atrás do real no ranking, aparecem a coroa norueguesa (5,77%), o dólar australiano (5,63%) e o rand sul-africano (5,34%). Na lanterna do levantamento, está a rúpia indiana, que desvalorizou 1,96% frente ao dólar.

Apesar da desvalorização no ranking elaborado pela Elos Ayta, o dólar ainda tem variação positiva de 2,25% no índice DXY, que o compara com seis moedas consideradas fortes: o euro, o iene, a libra esterlina, o dólar canadense, a coroa sueca e o franco suíço.

Veja o ranking completo, com real na 2ª posição:

PaísMoedaValorização %
ChilePeso Chileno6,2
BrasilReal (Dólar Ptax)5,9
NoruegaCoroa Norueguesa5,77
AustráliaDólar Australiano5,63
África do SulRand Sul-Africano5,34
RússiaRublo Russo5,12
SuéciaCoroa Sueca4,89
MéxicoPeso Mexicano4,34
SuíçaFranco Suíço3,95
IsraelNovo Shekel Israelense3,24
InglaterraLibra Esterlina2,78
ColômbiaPeso Colombiano2,49
JapãoIene2,45
DXY(Índice do Dólar)2,25
DinamarcaCoroa Dinamarquesa2,08
CanadáDólar Canadense1,48
Zona do EuroEuro1,19
ArgentinaPeso Argentino1,16
Coreia do SulWon0,87
ChinaYuan0,72
PeruSol0,6
TaiwanDólar Taiwanês0,1
Arábia SauditaRial Saudita0
FilipinasPeso Filipino-0,2
Hong KongDólar de Hong Kong-0,38
IndonésiaRupia Indonésia-0,56
TurquiaLira Turca-0,99
ÍndiaRúpia Indiana-1,96

Tensões geopolíticas pressionam o dólar

O desempenho fraco do dólar frente a moedas globais relaciona-se com um momento conturbado dos Estados Unidos, com Donald Trump implementando uma política externa considerada imprevisível e marcada por ataques até mesmo a aliados históricos. Internamente, o presidente também enfrenta pressões, com protestos violentos próximos às eleições do Congresso.

“O sistema financeiro global se tornou excessivamente concentrado em um único eixo, o dólar, e começa, lentamente, a buscar saídas. Não por pânico imediato, mas por cálculo estratégico”, pontua o economista Fabio Ongaro, vice-presidente de finanças da Câmara Italiana do Comércio de São Paulo (Italcam) e CEO da Energy Group. Ele destaca como o enfraquecimento do dólar acompanha um momento de valorização do ouro.

“É importante ser preciso. O dólar não quebrou, não perdeu sua função como moeda de comércio global e segue dominante nas transações internacionais. O que ele começou a perder é algo mais sutil e mais perigoso: a exclusividade como ativo de refúgio”, avalia o economista.

 

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Panamá negocia com dinamarquesa Maersk operação de portos do canal

 

O Panamá anunciou, nesta sexta-feira (30), que mantém contato com a empresa dinamarquesa Maersk para que assuma temporariamente dois portos estratégicos operados nos acessos ao canal pela companhia de Hong Kong CK Hutchison, cuja concessão foi anulada pela Justiça.

Em uma decisão duramente criticada pela China e pela companhia, a Suprema Corte de Justiça do Panamá invalidou na quinta-feira os contratos, após ameaças do presidente americano, Donald Trump, de “retomar” a via interoceânica, ao afirmar que ela estaria sob controle de Pequim.

 “Conversas já foram iniciadas” com “uma subsidiária do grupo APM Moller Maersk, que demonstrou disposição para assumir transitoriamente a operação de ambos os terminais e que dispõe da capacidade e da experiência necessárias”, afirmou o presidente panamenho, José Raúl Mulino, em pronunciamento à nação transmitido pela televisão.

Mulino, que considera “leoninos” (abusivos) os contratos atuais, assegurou que, até a execução da decisão judicial, haverá “um período de continuidade do operador atual” e, em seguida, uma fase de “transição”, que culminará com uma nova concessão sob “condições favoráveis” a seu país.

Os portos panamenhos “continuarão operando sem alterações”, garantiu o presidente, ao afirmar que será assegurada uma “transição administrativa ordenada”.

A subsidiária da Maersk confirmou, em um comunicado, “sua disposição para assumir a operação temporária” a fim de “mitigar qualquer risco” que possa afetar serviços essenciais ao comércio regional e global.

Os Estados Unidos, que inauguraram o canal em 1914, e a China são os principais usuários dessa rota, por onde passam cerca de 5% do comércio marítimo mundial.

 – Repúdio da China –

 Sem detalhar seus argumentos, o plenário da mais alta corte panamenha declarou “inconstitucionais” as leis por meio das quais a Panama Ports Company (PPC), subsidiária da CK Hutchison Holdings, controlava desde 1997 os portos de Balboa e Cristóbal, nos acessos ao canal.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, advertiu, nesta sexta-feira, que Pequim “tomará todas as medidas necessárias para proteger de forma decisiva os direitos legítimos e os interesses” de suas empresas.

As autoridades de Hong Kong rejeitaram que um “governo estrangeiro utilize meios coercitivos, repressivos ou outros métodos” para interferir nas relações comerciais.

Por sua vez, a PPC afirmou que a decisão “carece de base jurídica e coloca em risco (…) o bem-estar e a estabilidade de milhares de famílias panamenhas” que dependem de suas atividades.

A anulação havia sido solicitada no ano passado pela Controladoria à Justiça, sob o argumento de que a concessão — renovada em 2021 por 25 anos — era “inconstitucional” e de que a Hutchison supostamente não teria pago ao Estado panamenho US$ 1,2 bilhão (aproximadamente R$ 6 bilhões, na cotação da época) por suas operações.

A PPC, por outro lado, sustenta ser “o único operador portuário do país no qual o Estado é acionista” e afirma ter pago nos últimos três anos ao governo panamenho US$ 59 milhões (R$ 324 milhões).

– Venda complicada –

A CK Hutchison Holdings, criada por Li Ka-shing, o homem mais rico de Hong Kong, é um dos maiores conglomerados desse centro financeiro semiautônomo chinês, com atuação em finanças, varejo, infraestrutura, telecomunicações e logística.

Após o anúncio feito pelo Panamá, as ações do conglomerado caíram 4,6% na sessão desta sexta-feira na Bolsa de Hong Kong.

A decisão judicial ocorre em meio a um prolongado processo de venda dos portos, anunciado pela Hutchison em março de 2025, para transferir sua participação nos terminais panamenhos para um conglomerado liderado pela americana BlackRock, como parte de um pacote avaliado em US$ 22,8 bilhões (R$ 131 bilhões, em valores da época).

Na ocasião, a operação foi bem recebida pelos Estados Unidos, mas perdeu ritmo depois que a China advertiu que o acordo poderia prejudicar seus interesses globais.

Pequim pediu às partes que agissem com “cautela”, sob pena de consequências legais caso prosseguissem sem sua autorização.

– A pressão de Trump –

Os Estados Unidos construíram o canal e o entregaram ao Panamá em 31 de dezembro de 1999, em virtude de tratados bilaterais.

No entanto, desde que voltou à Casa Branca, em janeiro, Trump tem ameaçado “recuperar” a via, ao afirmar que a China a controla, apesar de ela ser administrada por uma instituição pública panamenha autônoma em relação ao governo.

“É muito difícil imaginar que (a decisão) não tenha sido influenciada pela persistente pressão dos Estados Unidos sobre a propriedade do canal”, afirmou Kelvin Lam, economista especializado em China da consultoria Pantheon Macroeconomics.

O especialista avaliou que, no futuro, investidores estrangeiros tenderão a ser cada vez mais cautelosos ao aplicar capital “em projetos de infraestrutura estratégicos no quintal dos Estados Unidos”.

O Panamá nega categoricamente que Pequim exerça controle de fato sobre o canal, que responde por 40% do tráfego de contêineres dos Estados Unidos.

Desemprego cai para 5,1%, menor nível da história, mostra IBGE

 


Ao longo do ano, o número médio de pessoas sem trabalho recuou de 7,2 milhões para 6,2 milhões. Durante o período da pandemia de Covid-19, em 2020 e 2021, o desemprego chegou a alcançar taxas superiores a 13%, com aproximadamente 14 milhões de desocupados.

Segundo os dados da Pnad, a queda do desemprego em 2025 ocorreu em um contexto de expansão da ocupação, sem aumento dos indicadores de subutilização ou desalento.

“Importante registrar que a queda da desocupação não foi provocada por aumento da subutilização da força de trabalho ou do desalento, reduzindo a pressão por trabalho. A trajetória de queda da taxa de desocupação em 2025 foi sustentada pela expansão da ocupação, principalmente nas atividades de serviços”, destaca a coordenadora de Pesquisas por Amostra de Domicílios do IBGE, Adriana Beringuy.

O contingente de pessoas ocupadas atingiu um novo recorde em 2025, ao alcançar a marca de 103 milhões, frente aos 101,3 milhões observados no ano anterior. No início da série histórica, em 2012, esse total era de 89,3 milhões.

Outro indicador que reforça esse movimento é o nível de ocupação – proporção de pessoas ocupadas em relação à população em idade de trabalhar – que chegou a 59,1% em 2025, acima dos 58,6% de 2024 e dos 58,1% registrados em 2012.

O número de empregados do setor privado com carteira assinada avançou em 2025 e atingiu 38,9 milhões de pessoas, crescimento de 2,8% em relação a 2024. O aumento corresponde a cerca de 1 milhão de novos vínculos formais no ano e representa o maior contingente da série histórica.

Em sentido oposto, o total de empregados sem carteira no setor privado apresentou leve retração, passando de 13,9 milhões para 13,8 milhões. O número de trabalhadores domésticos também diminuiu, chegando a 5,7 milhões.

Desemprego em queda, rendimentos em alta

Os rendimentos do trabalho também apresentaram crescimento. O rendimento médio real habitual das pessoas ocupadas foi estimado em R$ 3.560 em 2025, o que representa um aumento de 5,7% em relação a 2024, ou R$ 192 a mais.

Na série iniciada em 2012, o menor valor havia sido observado em 2022, quando o rendimento médio ficou em R$ 3.032. Já a massa de rendimento real habitual somou R$ 361,7 bilhões no ano, o maior resultado da série, com alta de 7,5% frente ao ano anterior.

De acordo com o IBGE, o crescimento da ocupação ocorreu de forma mais intensa em atividades como informação e comunicação, serviços financeiros, imobiliários, profissionais e administrativos, além do conjunto que inclui administração pública, defesa, educação, saúde e serviços sociais.

Esses segmentos concentram trabalhadores com maior escolaridade, vínculos formais e rendimentos mais elevados, o que contribuiu para a elevação da renda média.

A valorização do salário mínimo também teve impacto sobre os rendimentos, especialmente em atividades com menor grau de formalização. Segundo a coordenação da pesquisa, esse fator ajudou a disseminar o crescimento da renda entre diferentes formas de inserção no mercado de trabalho.

 

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quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Mattel: quanto custam os novos bonecos do He-Man lançados para o filme ‘Mestres do Universo’

 

A Mattel lançou na quinta-feira, 29, uma nova linha de bonecos para seu próximo filme live-action “Mestres do Universo”, com o objetivo de repetir o sucesso de “Barbie”, de 2023. A fabricante de brinquedos tem mais de uma dúzia de filmes em desenvolvimento, buscando revigorar suas marcas e estimular a demanda.

“Mestres do Universo” é o segundo grande lançamento da Mattel nos cinemas depois de “Barbie”, que arrecadou mais de US$ 1,4 bilhão em todo o mundo e ganhou um Oscar. O lançamento do brinquedo aproveita o impulso do primeiro teaser trailer do novo filme, divulgado na semana passada, que já acumulou mais de 30 milhões de visualizações no YouTube.

Roberto Stanichi, diretor global de marcas da Mattel, disse que há muita nostalgia por uma linha de brinquedos que surgiu pela primeira vez na década de 1980. “Por isso, estávamos esperando o momento certo para trazê-la de volta de uma forma que realmente fizesse jus ao legado”, afirmou ele na Feira Internacional de Brinquedos de Nuremberg, na Alemanha.

Os bonecos — incluindo He-Man, Esqueleto e Maligna — serão vendidos por cerca de US$ 25 e serão lançados globalmente a partir de abril, cerca de dois meses antes de o filme, estrelado por Nicholas Galitzine como He-Man, chegar aos cinemas.

A decisão de relançar a marca foi motivada pela Mattel ter encontrado a equipe certa para fazer o filme, liderada pelo diretor indicado ao Oscar Travis Knight, disse ele à Reuters. O elenco inclui Jared Leto como o vilão Esqueleto, além de Idris Elba, Alison Brie e Camila Mendes.

Haddad diz que fez algumas indicações a Lula para diretoria do BC, mas que não foi o único

 

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou, nesta quinta-feira, 29, que já indicou nomes para as duas vagas na diretoria do Banco Central (BC) ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo ele, entretanto, não foi o único a conversar sobre o tema com o presidente.

“Eu fiz algumas sugestões, mas não fui o único. Então, em geral, nesses casos, ele ouve pessoas da economia, da confiança dele, procura conhecer eventualmente um ou outro candidato antes de tomar a decisão. Eu não sei se essa decisão foi tomada. Quando for tomada, o presidente, em geral, envia imediatamente ao Congresso, porque acaba vazando”, disse ele na chegada ao ministério da Fazenda.

Viagem

Haddad ainda afirmou que não sabe ainda se irá à Índia com o presidente Lula. O petista irá ao país asiático entre os dias 17 e 21 de fevereiro. Em entrevista neste mês, o ministro havia dito que Lula havia lhe convidado, mas agora a resposta mudou.

“Eu não sei. Possivelmente não”, declarou Haddad a jornalistas nesta quinta ao chegar no ministério.

Essa viagem poderia marcar o fim da gestão de Haddad na Fazenda, quando ele decidiria, junto com Lula, sobre seu futuro eleitoral para 2026.

O ministro repetiu nesta quinta que deve deixar a Pasta ainda em fevereiro.

FecomercioSP: inadimplência na cidade de SP fica estável em janeiro ante dezembro

 

O endividamento e a inadimplência na cidade de São Paulo apresentaram estabilidade técnica em janeiro, atingindo 68,9% e 19,9% dos lares paulistanos, respectivamente. Em dezembro, os índices eram de 69% e 20%. Os dados são da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP).

Na comparação com janeiro de 2025, o número de famílias com algum tipo de dívida cresceu 1,7 ponto porcentual, quando o índice era de 67,2%. Já a inadimplência manteve-se praticamente estável nesta mesma base de comparação, quando atingia 19,6% das famílias.

Para a FecomercioSP, a moderação da inflação e o aquecimento do mercado de trabalho são elementos que têm contribuído para um maior controle das contas. No entanto, a entidade atenta para uma piora relativa no perfil das famílias com compromissos em atraso, o que pode limitar um recuo mais expressivo da inadimplência.

De acordo com o estudo, o tempo médio de atraso no pagamento aumentou, saindo de 62,6 dias em dezembro para 64 dias em janeiro. Na comparação com janeiro do ano passado, porém, o indicador permaneceu no mesmo nível.

A parcela de lares que afirmam não ter condições de quitar as dívidas em atraso também se manteve estável (8,8%). Em dezembro, o porcentual havia sido de 8,6%, nível também praticamente idêntico ao de janeiro de 2025 (8,7%).

Em números absolutos, mais de 3 milhões de famílias estão endividadas em São Paulo, das quais cerca de 892 mil com contas em atraso.

Cartão de crédito

O cartão de crédito segue como o principal volume de compromissos de mais da metade (79,8%) das famílias endividadas na capital paulista. O porcentual, porém, diminuiu ante dezembro (80,6%) e na comparação com janeiro de 2025 (83,1%).

A pesquisa ainda apontou que o financiamento imobiliário aparece como o segundo maior grupo de dívidas (16,8%), com o índice se aproximando do recorde da série histórica (16,9%). Em seguida, aparecem os carnês (12,8%).

0,25 ou 0,50 p.p.? Mercado se divide sobre magnitude do corte nos juros após ‘novidade’ em comunicado do Copom

 

A decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central pela manutenção na taxa de juros em 15% ao ano já era esperada pelos agentes do mercado, sendo a maior expectativa pelo comunicado do Comitê. E foi justamente a indicação, no final do documento, que chamou a atenção dos analistas.

O Copom antecipou que, caso o cenário atual seja mantido, deve-se iniciar o ciclo de afrouxamento da taxa de juros na próxima reunião, em 17 e 18 de março, ainda que com “serenidade”. “Havia diversas opções possíveis na mesa, mas os membros do comitê escolheram a mais clara possível, voltando a usar o ‘forward guidance'”, diz Flávio Serrano, economista-chefe do Banco Bmg. “O grande destaque vem no último parágrafo, no qual o Banco Central sinaliza de forma bastante explícita, e essa é a surpresa”, afirma Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos.

Com a decisão, diz Pedro Ros, CEO da Referência Capital, “o Copom transfere o centro da análise do nível da taxa para a expectativa sobre o próximo movimento”. Assim, agora agentes de mercado se dividem sobre a magnitude do possível corte, de 0,25 ponto percentual, como veem os que acham que o Copom manterá a “cautela”, ou de 0,50 ponto percentual, aposta entre os que avaliam que os indicadores darão espaço para um corte maior.

“Em ambiente de inflação menor e transmissão da política monetária mais evidentes, a estratégia envolve calibração do nível de juros. O Comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião, porém reforça que manterá a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta. O compromisso com a meta impõe serenidade quanto ao ritmo e à magnitude do ciclo, que dependerão da evolução de fatores que permitam maior confiança no atingimento da meta para a inflação no horizonte relevante para a condução da política monetária”, diz o trecho do comunicado do Copom.

“No último parágrafo, o Banco Central dá pistas do que é o plano de voo. Fala abertamente que antevê que o ciclo de redução da taxa Selic deve ser iniciado na próxima reunião”, destaca Rafael Cardoso, economista-chefe do Banco Daycoval. O banco mantém sua projeção de um corte de 0,25 ponto percentual para a próxima reunião, na mesma magnitude na seguinte, para depois ampliar esse corte e cegar a 12% no final do ano. De acordo com o Boletim Focus, levantamento semanal feito pelo Banco Central com agentes do mercado, a projeção é de que a Selic chegue ao final de 2026 a 12,5%.

O economista Pablo Spyer, do conselho da Ancord, também aponta para a sinalização feito pelo Copom. “Promoveu uma mudança relevante na comunicação ao indicar, de forma explícita, a intenção de iniciar o ciclo de cortes de juros já na próxima reunião. Ao antecipar a flexibilização, o Banco Central oferece um forward guidance (orientação futura) claro, mas cuidadosamente condicionado, reforçando que o compromisso com a meta impõe cautela quanto ao ritmo e à magnitude dos cortes”. Para Spyer, a mensagem é de que o ciclo de aperto terminou, mas o ciclo de afrouxamento será conduzido com serenidade.

Roberto Padovani, economista-chefe do BV, diz que o cenário projetado pelo banco se mantém, de um corte em ‘ritmo cauteloso’ de 0,25 ponto percentual, com a taxa encerrando em 12% este ano. Já Serrano, do Banco Bmg, projeta um corte de 0,50 ponto percentual na reunião de março, “mesmo o Copom indicando uma maior cautela em relação ao possível ritmo de ajuste”.

Na Austing Rating a projeção também é de um corte de 0,50 p.p. em março, com projeção de uma Selic a 11,50% no fim de 2026. “Apesar do tom cauteloso, que para alguns pode sinalizar uma redução tímida de apenas 0,25 p.p., para a Austin Rating o Comitê terá condições mais seguras para um corte de 0,5 p.p, com ciclo contínuo desse ritmo até a última reunião de 2026. Ainda assim, o comunicado deixou claro que há riscos na conjuntura atual e que, desvios no cenário base, podem gerar mudanças no posicionamento do Comitê”, pontua a análise assinada pelos economistas Alex Agostini e Rodolpho Sartori.

Esta foi a primeira reunião do Copom em 2026 e a quinta consecutiva sem alteração – “o que reforma a estratégia de evitar uma flexibilização prematura que possa comprometer o processo de ancoragem das expectativas”, diz Lucca Macieira, analista de Mercado da Victrix Capital.

A reunião do Copom no Brasil coincidiu com a decisão de juros também nos Estados Unidos, a chamada Super Quarta. Por lá, a taxa também foi mantida, mas sem unanimidade entre os membros do comitê, o Fomc. Dos 12 membros do Fomc (equivalente ao Comitê de Política Monetária no Brasil), 10 votaram pela manutenção, incluindo o presidente Jerome Powell. Outros dois membros votaram pela redução de 0,25 ponto percentual na taxa.

A taxa de juros é o principal instrumento de política monetária para o direcionamento da inflação à meta. A meta definida pelo CMN (Conselho Monetário Nacional) é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos, ou seja, entre 1,5% e 4,5% ao ano. Na análise do Copom, os membros apontam para a expectativa da inflação ainda acima da meta, apesar do recuo nas últimas leituras.

Além do índice inflacionário, o Comitê também analisa outros indicadores, como taxa de emprego, cenário fiscal, atividade econômica e cenário externo. “Devemos continuar observando a Selic em patamar bastante contracionista apesar do início do ciclo de cortes. Pelo menos para esse ano e após isso, claro que existe um fator eleitoral e isso tende a afetar bastante próximas decisões”, observa Perri, da Forum Investimentos.

Leia a íntegra do comunicado do Copom

O ambiente externo ainda se mantém incerto em função da conjuntura e da política econômica nos Estados Unidos, com reflexos nas condições financeiras globais. Tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por tensão geopolítica.

Em relação ao cenário doméstico, o conjunto dos indicadores segue apresentando, conforme esperado, trajetória de moderação no crescimento da atividade econômica, enquanto o mercado de trabalho ainda mostra sinais de resiliência. Nas divulgações mais recentes, a inflação cheia e as medidas subjacentes seguiram apresentando arrefecimento, mas mantiveram-se acima da meta para a inflação.

As expectativas de inflação para 2026 e 2027 apuradas pela pesquisa Focus permanecem em valores acima da meta, situando-se em 4,0% e 3,8%, respectivamente. A projeção de inflação do Copom para o terceiro trimestre de 2027, atual horizonte relevante de política monetária, situa-se em 3,2 % no cenário de referência (Tabela 1).

Os riscos para a inflação, tanto de alta quanto de baixa, seguem mais elevados do que o usual. Entre os riscos de alta para o cenário inflacionário e as expectativas de inflação, destacam-se (i) uma desancoragem das expectativas de inflação por período mais prolongado; (ii) uma maior resiliência na inflação de serviços do que a projetada em função de um hiato do produto mais positivo; e (iii) uma conjunção de políticas econômicas externa e interna que tenham impacto inflacionário maior que o esperado, por exemplo, por meio de uma taxa de câmbio persistentemente mais depreciada. Entre os riscos de baixa, ressaltam-se (i) uma eventual desaceleração da atividade econômica doméstica mais acentuada do que a projetada, tendo impactos sobre o cenário de inflação; (ii) uma desaceleração global mais pronunciada decorrente do choque de comércio e de um cenário de maior incerteza; e (iii) uma redução nos preços das commodities com efeitos desinflacionários.

O Comitê segue acompanhando os impactos do contexto geopolítico na inflação brasileira, e como os desenvolvimentos da política fiscal doméstica impactam a política monetária e os ativos financeiros, reforçando a postura de cautela em cenário de maior incerteza. O cenário segue sendo marcado por expectativas desancoradas, projeções de inflação elevadas, resiliência na atividade econômica e pressões no mercado de trabalho.

O Copom decidiu manter a taxa básica de juros em 15,00% a.a., e entende que essa decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante. Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego.

O cenário atual, marcado por elevada incerteza, exige cautela na condução da política monetária. O Comitê avalia que a estratégia em curso tem se mostrado adequada para assegurar a convergência da inflação à meta. Em ambiente de inflação menor e transmissão da política monetária mais evidentes, a estratégia envolve calibração do nível de juros. O Comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião, porém reforça que manterá a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta. O compromisso com a meta impõe serenidade quanto ao ritmo e à magnitude do ciclo, que dependerão da evolução de fatores que permitam maior confiança no atingimento da meta para a inflação no horizonte relevante para a condução da política monetária.

Votaram por essa decisão os seguintes membros do Comitê: Gabriel Muricca Galípolo (presidente), Ailton de Aquino Santos, Gilneu Francisco Astolfi Vivan, Izabela Moreira Correa, Nilton José Schneider David, Paulo Picchetti e Rodrigo Alves Teixeira.