terça-feira, 17 de março de 2026

Moody’s alerta que ‘será difícil evitar uma recessão’ nos EUA com preços do petróleo nas alturas

 

O economista-chefe da Moody’s, Mark Zandi, alertou que os EUA podem entrar em recessão nos próximos 12 meses, visto que os altos preços da energia, resultantes da guerra no Oriente Médio, têm o potencial de pressionar ainda mais um mercado de trabalho já fragilizado.

Os preços do barril de petróleo seguiam acima de US$ 100 nesta terça-feira, 17. Por volta das 9h, os contratos futuros do Brent subiam 2,79%, a US$ 103,01 por barril, enquanto o petróleo West Texas Intermediate (WTI) dos EUA tinha alta de 2,92%, a US$ 96,20.

“Se os preços do petróleo permanecerem elevados por muito mais tempo (semanas, e não meses), será difícil evitar uma recessão”, afirmou Zandi em postagem na rede social X.

Segundo o especialista, mesmo antes do início do conflito, o modelo econômico da agência de risco mostrava uma probabilidade “alarmantemente alta” de 49% de início de recessão nos próximos 12 meses na maior potência econômica do mundo.

Na avaliação de Zandi, por trás desse risco maior de recessão estão, principalmente, os números fracos do mercado de trabalho, mas quase todos os indicadores econômicos têm apresentado sinais de fragilidade desde o fim do ano passado.

“Não é exagero esperar que o indicador de recessão ultrapasse o importante patamar de 50% em meio ao conflito e à consequente alta nos preços do petróleo”, escreveu, observando que todas as recessões – definidas como dois trimestres consecutivos de crescimento negativo do Produto Interno Bruto (PIB) – desde a Segunda Guerra Mundial, com exceção da pandemia de covid-19, foram precedidas por um aumento nos preços do petróleo.

Café com pipoca: 3corações compra operações da General Mills, incluindo Kitano e Yoki

 

O Grupo 3corações acertou a compra das operações da General Mills no Brasil, em um movimento que amplia sua presença no setor de alimentos. A compra foi feita por R$ 800 milhões e inclui marcas conhecidas do mercado nacional.

Entram no pacote as marcas Yoki e Kitano, além de estruturas de abastecimento localizadas em Pouso Alegre (MG) e Campo Novo do Parecis (MT).

A conclusão ainda depende de aval de órgãos reguladores e de outras etapas previstas nesse tipo de operação.

Com a transação, a 3corações passa a incorporar novas categorias ao portfólio, que hoje tem foco maior em café. A entrada de itens como farofas, pipocas, batata palha e temperos amplia a oferta de produtos e permite à companhia atuar em diferentes momentos de consumo ao longo do dia.

A operação também faz parte de um plano de expansão por meio da inclusão de novas linhas de produtos. A empresa informou que pretende manter as marcas adquiridas e trabalhar na integração das operações após o fechamento do negócio.

“Este é um passo fundamental em nosso propósito de estar cada vez mais próximos da família brasileira, fazendo-nos presentes em diferentes ocasiões de consumo”, afirma Pedro Lima, presidente do Grupo 3corações.

General Mills prevê conclusão da venda até o fim de 2026

Em comunicado, a General Mills afirmou que a venda está alinhada à reorganização de seus ativos, com foco em mercados e categorias considerados prioritários fora do Brasil. Segundo a empresa, a unidade brasileira respondeu por cerca de US$ 350 milhões em receita líquida no ano fiscal de 2025.

A multinacional indicou ainda que a transação deve contribuir para ajustes em indicadores operacionais e direcionar esforços para plataformas globais. A expectativa é de que o processo seja concluído até o fim de 2026, após as aprovações necessárias.

O negócio contou com assessoria financeira do Deutsche Bank e suporte jurídico do Miguel Neto Advogados.

 

 https://istoedinheiro.com.br/3coracoes-general-mills-compra

 

segunda-feira, 16 de março de 2026

Risco de estagflação nos EUA é ‘bastante alto’, diz à AFP Stiglitz, Nobel de Economia

 

A guerra no Oriente Médio coloca os Estados Unidos em alto risco de cair na estagflação, uma combinação de inflação alta e estagnação econômica, declarou à AFP Joseph Stiglitz, Prêmio Nobel de Economia, nesta segunda-feira (16).

“O risco de estagflação parece bastante alto para os Estados Unidos”, afirmou Stiglitz em uma entrevista.

Segundo o economista, antes mesmo do início da guerra, em 28 de fevereiro, a economia americana já estava “perto da estagflação” e o conflito atual “nos empurra para o abismo”.

A guerra no Oriente Médio praticamente paralisou a atividade no Estreito de Ormuz, por onde normalmente transita um quinto do abastecimento mundial de petróleo.

Os preços do barril subiram entre 40% e 50% depois que o Irã bloqueou esta via marítima e atacou alvos da indústria energética e naval nos países do Golfo, em resposta ao ataque dos Estados Unidos e de Israel contra seu território.

Stiglitz, que ganhou o Prêmio Nobel de Economia em 2001 por sua análise dos mercados com informação assimétrica, acredita que o presidente americano, Donald Trump, “destruiu a confiança nos Estados Unidos e no dólar”.

A isto se soma, agora, a inflação resultante da guerra, assim como uma incerteza maior para as famílias e as empresas.

“Não sabem quais vão ser as tarifas aduaneiras, nem quanto tempo esta guerra vai durar. Não sabem quais vão ser os preços da energia”, disse Stiglitz.

Avanço do atacarejo ajuda a entender crise do GPA; veja ranking dos mercados brasileiros

 

A crise do GPA, dono das marcas Extra e Pão de Açúcar, sinaliza também um momento de transformação do setor de varejo alimentar no país. A empresa entrou em recuperação extrajudicial nesta semana, informando uma dívida de R$ 4,5 bilhões a ser renegociada.

Especialistas consultados pela IstoÉ Dinheiro apontam que anos de inflação e juros altos tornaram a população brasileira mais sensível a preço, e fortaleceram o atacarejo, modelo de comércio que mistura atacado e varejo.

A mudança fica evidente no ranking da Associação Brasileira de Supermercados (Abras) dos supermercados com maior faturamento no país. A última edição, publicada em abril de 2025 e com dados referentes a 2024, mostra o GPA na 5ª posição, atrás do Supermercados BH, Grupo Mateus, Assaí e do primeiro colocado, Grupo Carrefour.

Veja o ranking completo:

#EmpresaFaturamento (R$)
Grupo Carrefour Brasil120,6 bi
Assaí Atacadista80,6 bi
Grupo Mateus36,4 bi
Supermercados BH21,3 bi
GPA (Grupo Pão de Açúcar)20,0 bi
Grupo Muffato17,4 bi
Grupo Pereira15,3 bi
Mart Minas & Dom Atacadista11,4 bi
Cencosud Brasil11,2 bi
10ºGrupo Koch10,3 bi
11ºPlurix9,4 bi
12ºCompanhia Zaffari8,4 bi
13ºDMA Distribuidora8,3 bi
14ºTenda Atacado7,4 bi
15ºCosta Atacadão7,3 bi
16ºSavegnago Supermercados6,9 bi
17ºAtacadão Dia a Dia6,0 bi
18ºSonda Supermercados5,9 bi
19ºNovo Atacarejo5,8 bi
20ºComercial Zaffari5,7 bi
21ºGrupo Líder5,3 bi
22ºSupermercados Andreazza5,2 bi
23ºGrupo ABC4,9 bi
24ºGrupo Supernosso4,7 bi
25ºSupermercados Bahamas4,3 bi
26ºZaragoza (Spani Atacadista)4,2 bi
27ºGiassi Supermercados4,1 bi
28ºRoldão Atacadista4,0 bi
29ºPague Menos3,9 bi
30ºAngeloni3,8 bi

A ascensão do atacarejo

Mistura de atacado com varejo, o segmento “atacarejo” dispensa embalagens enfeitadas, variedade de produtos premium e boa apresentação nas prateleiras. Ao invés disso, o cliente encontra bons preços e promoções para compra em grande quantidade, que atraem, inclusive, comerciantes de pequenos mercados de bairro.

“A escala operacional é o grande motor para que essas grandes varejistas se destaquem. Com essa escala é possível que esses grupos consigam adequar seu modelo de negócio ao ambiente econômico do momento”, analisa o economista Caio Mitsuo, especialista em investimentos e MBA em Finanças pela B7 Business School.

Campeão no ranking da Abras, o Carrefour conta com uma estratégia multiformato, atendendo também com a marca de atacarejo Atacadão. “Essa diversidade permite capturar diferentes perfis de cliente e gera escala que reduz custos logísticos e de suprimentos”, explica o analista-chefe da Cultura Capital, Gabriel Uarian.

O Assaí opera em um formato “atacarejo puro”. Segundo Uarian, a empresa expandiu agressivamente nos últimos anos, abrindo lojas em pontos estratégicos e alcançando um caixa forte, ainda que com margens menores.

Placa com logo do Assai em unidade em São Paulo. Foto: Paulo Whitaker/Reuters

 

Outra tradicional do atacarejo, o Grupo Mateus foca no Nordeste, onde se posiciona de acordo com preferências regionais e expande através de aquisições. Em uma estratégia similar, o Supermercados BH, apesar de não operar atacarejo, também aposta em grande afinidade com os consumidores de Minas Gerais, crescendo com eficiência em um espaço mais restrito.

A crise do GPA

O especialista em renda variável da Davos Investimentos, Marcelo Boragini, recorda que os problemas do grupo GPA não são recentes, e foram agravados durante tentativas de reorganização dos negócios nos últimos anos. A escalada dos juros atrapalhou ainda mais, aumentando o custo de crédito e o endividamento da empresa.

“Além da mudança do perfil do consumidor e da concorrência mais forte, o GPA enfrenta desafios internos importantes. Os processos de reestruturação estratégica são mais pesados e pressionam margens em um setor que já opera com uma rentabilidade relativamente baixa”, analisa Boragini.

Na tentativa de contornar a crise, o GPA reduziu operações e fechou lojas nos últimos anos. Em 2021, quando ainda operava sob controle do grupo francês Casino, a empresa se desfez da marca Assaí, uma estratégia equivocada de acordo com os analistas.

“O grupo apostou em bandeiras premium como o Pão de Açúcar e em formatos de proximidade. No entanto, o mercado migrou para preço agressivo, e o GPA ficou preso no meio: caro demais para quem busca atacarejo, mas sem o glamour exclusivo que justifica o prêmio em tempos de bolso apertado”, comenta Gabriel Uarian.

Com a expectativa de uma continuidade do crescimento do atacarejo, o GPA terá de criar estratégias para ganhar maior rentabilidade. Solucionar a dívida que o levou a recuperação extrajudicial é apenas parte do caminho até lá.

Produção industrial e vendas no varejo na China sobem acima do esperado em janeiro e fevereiro

 

A produção industrial da China teve expansão anual de 6,3% em janeiro e fevereiro, segundo dados publicados pelo Escritório Nacional de Estatísticas (NBS). O resultado ficou acima da previsão de analistas consultados pela FactSet, de lata de 5,5%. Em dezembro, o avanço foi de 5%.

Já as vendas no varejo chinês cresceram 2,8% em janeiro e fevereiro, na comparação anual. O dado também mostrou aceleração ante o incremento anual de dezembro, de 0,9%, e ficou acima do consenso da FacSet, que era de alta de 1,5%.

Os investimentos em ativos fixos, por sua vez, avançaram de 1,8% em janeiro e fevereiro ante o período equivalente de 2024, após o declínio de 3,8% em dezembro.

*Com informações do Dow Jones

Ações da Meta saltam após notícia sobre planos de demissão em massa

 

As ações da Meta subiram 3% nesta segunda-feira, 16, após reportagem da Reuters afirmar que a gigante das mídias sociais planeja demitir 20% ou mais de sua força de trabalho para compensar os altos investimentos em inteligência artificial.

Se a Meta chegar à cifra de 20%, os cortes serão os maiores desde a reestruturação do final de 2022 e início de 2023, apelidada de “ano da eficiência”, que eliminou cerca de 21.000 empregos do grupo.

Depois de ficar para trás na corrida da IA, a Meta gastou muito nos últimos anos para recuperar o atraso, construindo centros de dados e travando uma guerra por talentos. A companhia espera investir até US$ 135 bilhões apenas em 2026, aproximadamente o dobro do desembolsado ano passado.

As despesas destinam-se a garantir a capacidade de computação em nuvem necessária para treinar e executar modelos de IA, e a Meta gastará até US$27 bilhões por esses serviços da Nebius, de acordo com um contrato assinado nesta segunda-feira.

Embora os gastos tenham impulsionado melhorias nas ferramentas de anúncios da Meta e aumentado as receitas, ela ainda não lançou um modelo de IA que possa desafiar os líderes do setor, OpenAI, Anthropic e Google.

A Meta está trabalhando em um novo modelo chamado Avocado, mas o desempenho desse modelo também ficou aquém das expectativas.

Um corte de 20% na equipe pode representar cerca de US$ 6 bilhões em economia de custos, ou um aumento de 5% no lucro ajustado, disse Barton Crockett, analista da Rosenblatt Securities. “Isso não precisa parar em 20%. Poderá haver mais no futuro se a IA for realmente tão impactante na produtividade da equipe.”

A Meta, cuja força de trabalho totalizava 79 mil pessoas no final de dezembro, disse na sexta-feira que a reportagem da Reuters “é especulativa sobre abordagens teóricas”.

As ações da empresa subiam 2,45% às 11h03 (horário de Brasília), cotadas a US$627,76. Até o momento, o papel acumula queda de 7% este ano, depois de subir quase 13% em 2025.

IA e demissões em alta

As demissões em massa ligadas à IA têm aumentado globalmente. As empresas anunciaram mais de 61.000 cortes de pessoal ligados à IA, incluindo Amazon e Wisetech da Austrália, desde novembro.

O debate sobre a substituição de trabalhadores humanos pela IA se intensificou depois que o presidente-executivo da Block, Jack Dorsey, revelou no mês passado planos para demitir quase metade da equipe de sua empresa, dizendo que a tecnologia mudou “o que significa construir e administrar uma empresa”.

Alguns analistas observaram que as demissões em massa também seguem um período de excesso de contratações nas empresas. O presidente-executivo da OpenAI, Sam Altman, disse no mês passado que algumas empresas estavam culpando a IA pelos cortes de pessoal que contrataram de qualquer maneira.

“A IA é um bode expiatório conveniente para cortes que poderiam ter acontecido de qualquer forma? Talvez. Mas acreditamos que o mercado perceberá rapidamente que as empresas estão usando a IA como camuflagem”, disse Mark Shmulik, analista da Bernstein. Ele acrescentou que a Meta “provavelmente é a empresa estabelecida mais bem posicionada para se transformar em uma organização habilitada para IA”, apontando para o sucesso de sua reestruturação pós-pandemia.

Trump pede que outros ajudem a proteger Estreito de Ormuz; petróleo segue acima de US$ 100

 

As demandas do presidente dos EUA, Donald Trump, por uma coalizão para ajudar a reabrir o Estreito de Ormuz pareceram não ter surtido efeito, nesta segunda-feira, 16, quando os aliados Japão e Austrália disseram que não estão planejando enviar embarcações da Marinha ao Oriente Médio para escoltar navios através da hidrovia vital.

Com a guerra dos EUA e Israel contra o Irã criando turbulência em todo o Oriente Médio e abalando os mercados globais de energia em sua terceira semana, Trump insistiu no domingo que as nações que dependem muito do petróleo do Golfo têm a responsabilidade de proteger o estreito por onde transitam 20% da energia mundial.

Os mercados na Ásia reagiram com cautela, com o petróleo Brent subindo mais de 1% acima de US$ 104,50 e os mercados de ações regionais, em sua maioria, mais fracos em meio a preocupações sobre o risco para as instalações de petróleo do Oriente Médio e após a solicitação de Trump para que os aliados se envolvam mais.

“Estou pedindo que esses países entrem e protejam seu próprio território, porque é o território deles”, declarou Trump aos repórteres a bordo do Air Force One, no caminho da Flórida para Washington. “É o lugar de onde eles obtêm sua energia.”

Trump disse que seu governo já entrou em contato com sete países, mas não identificou os países. Ele postou em rede social no fim de semana que esperava que China, França, Japão, Coreia do Sul, Reino Unido e outros participassem.

A primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, uma firme apoiadora de Trump, disse na segunda-feira que seu país, limitado por sua constituição que renuncia à guerra, não tem planos de enviar embarcações navais para escoltar navios no Oriente Médio, de onde obtém 95% de seu petróleo.

“Não tomamos nenhuma decisão sobre o envio de navios de escolta. Continuamos a examinar o que o Japão pode fazer de forma independente e o que pode ser feito dentro da estrutura legal”, afirmou Takaichi ao Parlamento.

A Austrália, outro importante aliado de segurança dos EUA no Indo-Pacífico, que também depende muito de combustíveis produzidos com petróleo do Oriente Médio, disse que também não enviará navios de guerra para ajudar na reabertura do estreito.

“Sabemos como isso é incrivelmente importante, mas não é algo que nos foi solicitado ou para o qual estamos contribuindo”, declarou Catherine King, membro do gabinete do primeiro-ministro Anthony Albanese, em uma entrevista à emissora estatal ABC.

Bolsas em queda

As bolsas europeias operam em baixa na manhã desta segunda-feira, em meio às incertezas da guerra no Oriente Médio, que seguem impulsionando o petróleo, e à espera de decisões de juros de grandes bancos centrais.

Às 6h37 (de Brasília), a Bolsa de Londres oscilava perto da estabilidade, enquanto a de Paris recuava 0,56% e a de Frankfurt caía 0,32%. As de Milão, Madri e Lisboa, por sua vez, tinham respectivas perdas de 0,94%, 0,70% e 0,24%.

Na Ásia, o índice japonês Nikkei caiu 0,13% em Tóquio, a 53.751,15 pontos, enquanto o sul-coreano Kospi avançou 1,14% em Seul, a 5.549,85 pontos, o Hang Seng subiu 1,45% em Hong Kong, a 25.834,02 pontos, e o Taiex recuou 0,17% em Taiwan, a 33.342,51 pontos.

 

 

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