quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Plano de Trump de tomar petróleo venezuelano irrita China e faz preços caírem

 

Os preços globais do petróleo caíam nesta quarta-feira, 7, e a China acusou os EUA de intimidação, depois que o governo do presidente Donald Trump disse que havia persuadido a Venezuela a desviar suprimentos de Pequim e a exportar aos EUA até US$2 bilhões em petróleo bruto sancionado.

Os preços do petróleo bruto caíam cerca de 1% nos mercados mundiais nesta quarta-feira devido ao aumento previsto da oferta.

O acordo estava alinhado ao objetivo declarado de Trump de controlar as vastas reservas de petróleo da Venezuela, membro sul-americano da Opep, depois de depor o líder Nicolás Maduro, há muitos anos considerado um ditador e acusado de envolvimento com o tráfico de drogas em aliança com inimigos de Washington.

Os aliados do Partido Socialista de Maduro permanecem no poder na Venezuela, onde a presidente interina Delcy Rodriguez está trilhando uma linha tênue entre denunciar seu “sequestro” e dar início à cooperação com os EUA sob ameaças explícitas de Trump.

Trump se reunirá com executivos do setor de petróleo

O presidente dos EUA se reunirá com executivos de empresas petrolíferas dos EUA na sexta-feira, informou uma autoridade da Casa Branca nesta quarta-feira.

A Chevron é a única grande empresa petrolífera dos EUA que opera atualmente nos campos de petróleo da Venezuela, embora a Exxon Mobil e a ConocoPhillips tenham sido grandes produtoras antes de seus projetos no país sul-americano serem nacionalizados há duas décadas.

Trump: dinheiro do petróleo “será controlado por mim”

O presidente norte-americano disse que os EUA iriam refinar e vender até 50 milhões de barris de petróleo bruto presos na Venezuela sob um bloqueio como um primeiro passo do plano para reviver o setor local há muito tempo em declínio, apesar de possuir as maiores reservas do mundo.

“Esse petróleo será vendido a seu preço de mercado, e esse dinheiro será controlado por mim, como presidente dos Estados Unidos da América, para garantir que seja usado para beneficiar o povo da Venezuela e dos Estados Unidos!”, postou Trump na terça-feira.

Fontes da empresa estatal de petróleo PDVSA disseram à Reuters que as negociações para um acordo de exportação haviam progredido, embora o governo da Venezuela não tenha feito nenhum anúncio oficial.

A CNBC acrescentou que estes 50 milhões de barris são apenas o primeiro lote, com as vendas previstas para continuarem indefinidamente, e que as sanções dos EUA contra a Venezuela serão suspensas como parte do acordo.

O acordo poderia exigir inicialmente que as cargas destinadas ao principal comprador da Venezuela, a China, fossem redirecionadas, uma vez que Caracas está buscando descarregar milhões de barris retidos em navios-tanque e depósitos.

“O uso descarado da força pelos Estados Unidos contra a Venezuela e sua exigência de ‘América em primeiro lugar’ quando a Venezuela se desfaz de seus próprios recursos petrolíferos são atos típicos de intimidação”, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, em uma coletiva de imprensa.

“Essas ações violam seriamente o direito internacional, infringem gravemente a soberania da Venezuela e prejudicam gravemente os direitos do povo venezuelano.”

Pequim, que importou 389.000 barris por dia de petróleo venezuelano em 2025, representando cerca de 4% de suas importações marítimas de petróleo bruto, pode agora recorrer mais ao Irã e à Rússia, disseram traders.

A China, a Rússia e os aliados esquerdistas da Venezuela denunciaram a incursão dos EUA para capturar Maduro, que foi a maior intervenção de Washington na América Latina desde a invasão do Panamá em 1989 para derrubar Manuel Noriega.

Os aliados de Washington também estão profundamente desconfortáveis com o precedente extraordinário de capturar um chefe de Estado estrangeiro, com Trump fazendo uma série de ameaças de mais ações – do México à Groenlândia – para promover os interesses dos EUA.

Dezenas de mortos durante a captura de Maduro

Alguns detalhes ainda não foram esclarecidos sobre como as Forças Especiais dos EUA entraram em Caracas de helicóptero na escuridão de sábado, rompendo o cordão de segurança de Maduro e capturando-o na porta de uma sala segura, sem perda de vidas norte-americanas.

A Venezuela não confirmou o total de suas perdas, embora o exército tenha publicado uma lista de 23 mortos e a aliada Cuba tenha dito que 32 membros de seus serviços militares e de inteligência morreram.

Oposição venezuelana continua esperando

A principal opositora de Maduro na Venezuela, Maria Corina Machado, que saiu do país para receber o Prêmio Nobel da Paz em outubro, quer voltar para casa, onde diz que a oposição venceria facilmente uma votação livre.

Mas ela também está tomando cuidado para não antagonizar Trump, dizendo que gostaria de entregar pessoalmente a ele o prêmio Nobel que ele cobiçava e que ela dedicou a ele na época. Ela apoia o desejo de Trump de tornar a Venezuela um importante aliado e o centro energético das Américas.

Proibida de concorrer em uma eleição em 2024, o aliado de Machado, Edmundo Gonzalez, venceu de forma esmagadora, de acordo com a oposição, os EUA e vários observadores eleitorais.

terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Banco Central questiona decisão monocrática no caso do Banco Master e pede decisão colegiada do TCU

 

O Banco Central (BC) entrou com um embargo de declaração no Tribunal de Contas da União (TCU) para questionar a decisão monocrática do ministro Jhonatan de Jesus que determinou uma inspeção no BC para averiguar o processo de análise do Banco Master.

Segundo o BC, o regimento interno do TCU determina que apenas decisões colegiadas podem determinar inspeções em órgão federais.

Por isso, o BC cobra essa decisão, que deveria ser feita pela Primeira Turma do tribunal, e não teria sido incluída no despacho do ministro.

“Tendo em vista que não há, na decisão monocrática proferida por Vossa Excelência, indicação de deliberação da Primeira Câmara do TCU determinando a inspeção no BCB, serve-se esta autarquia dos presentes embargos de declaração para solicitar que tal omissão seja sanada, mediante a indicação da decisão do referido colegiado acerca da mencionada diligência”, diz o Banco Central.

A informação foi divulgada pelo site G1 e confirmada pelo Estadão.

O TCU está em período de recesso, assim como o Congresso e o Poder Judiciário, e só retorna aos trabalhos na sexta-feira, 16 de janeiro.

Ministro do TCU alertou que pode impedir BC de vender bens do Banco Master

Jhonatan Jesus, do TCU, emitiu despacho na segunda-feira, 5, alertando que pode determinar que o Banco Central seja impedido de vender bens do Banco Master na liquidação do banco.

O ministro também detalhou como terá que ser feita a inspeção no Banco Central relativo ao processo de análise de supervisão do banco privado.

“Diante do risco de prática de atos potencialmente irreversíveis, não se descarta que venha a ser apreciada, em momento oportuno, providência cautelar dirigida ao Banco Central do Brasil, de natureza assecuratória e com contornos estritamente finalísticos e proporcionais, voltada à preservação do valor da massa liquidanda e da utilidade do controle externo, desde que amparada em elementos objetivos, com motivação expressa e ponderação específica quanto ao perigo na demora reverso”, diz Jesus.

Também nesta segunda, o presidente da Corte, ministro Vital do Rêgo, afirmou por meio de nota que “não paira dúvida” sobre a competência do TCU para fiscalizar o trabalho do Banco Central.

“Vital do Rêgo reafirma que não paira qualquer dúvida sobre a competência do TCU para fiscalizar o Banco Central, que decorre diretamente da Constituição Federal. Nos arts. 70 e 71 da Constituição, o TCU é investido do controle externo da administração pública federal direta e indireta, abrangendo a fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial dos órgãos e entidades, inclusive autarquias como o Banco Central. A fiscalização inclui a verificação da legalidade, legitimidade e economicidade dos atos de gestão pública, sem prejuízo da autonomia técnica e decisória do Banco Central”, diz o presidente.

Técnicos do TCU farão uma inspeção “in loco” no Banco Central para verificar documentos, registros internos e banco de dados referente ao caso.

O ministro determinou ponto a ponto o que precisará ser avaliado pelos técnicos do tribunal:

  1. o exame do histórico da supervisão prudencial do conglomerado, com acesso ao processo eletrônico interno PE nº 285696 e aos autos correlatos que documentem o acompanhamento, os marcos de reclassificação de risco, as exigências e as respostas, bem como eventuais medidas restritivas e seu monitoramento;
  2. a verificação das razões e critérios adotados quanto à instauração (ou não) de processo administrativo sancionador e outras providências de enforcement, especialmente quando houver comunicação de indícios a órgãos de persecução;
  3. a obtenção e análise do teor e registros formais da reunião/videoconferência de 17/11/2025 (convocação, pauta, participantes, ata/memória, documentos apresentados e exigências posteriores);
  4. a reconstrução e o exame do processo instaurado em 18/11/2025 relativo a requerimentos datados de 17/11/2025, com identificação do fluxo, das exigências, das instâncias técnicas e jurídicas envolvidas e dos fundamentos determinantes;
  5. a motivação técnica e a aderência procedimental de decisões relacionadas a transferência de controle e reorganizações societárias (inclusive quanto a requisitos de instrução e governança deliberativa), à luz da regulamentação aplicável; e
  6. os fundamentos para adoção (ou não) de medidas intermediárias previstas no arcabouço legal, quando cabíveis, antes da decretação do regime extremo.

Segundo o ministro, os técnicos do TCU deverão verificar a “motivação, coerência e proporcionalidade, examinar a consideração de alternativas menos gravosas e aferir, com rastreabilidade documental, o tratamento conferido a tratativas relevantes de mercado, inclusive aquelas apresentadas em janela imediatamente anterior à decretação do regime, sem prejuízo de outros pontos que a equipe entenda pertinentes no planejamento, com as cautelas de praxe”.

Queixas à nota técnica do Banco Central

Jesus também se queixou, em seu despacho, de que a nota técnica enviada pelo Banco Central na semana passada não trouxe documentos e se limitou a cronologia e fundamentos da decisão.

“Os pontos centrais afirmados na Nota Técnica – embora relevantes como narrativa institucional – não foram acompanhados de prova documental nos autos”, disse o ministro.

Ele também questiona o Banco Central, que afirmou na mesma nota técnica que não houve divergências entre os diretores do Banco Central, Ailton de Aquino Santos, diretor da área de Fiscalização, e Renato Dias Gomes, da Diretoria de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução.

Jesus afirma que houve matérias em jornais sobre a divisão interna entre as diretorias, e que isso precisa ser verificado agora.

“Essa aparente tensão recomenda que a inspeção reconstrua o iter decisório com documentação originária, permitindo aferir: (i) se houve, de fato, posições técnicas alternativas ou ressalvas relevantes; (ii) como foram processadas e superadas; e (iii) se a motivação final enfrentou, de modo suficiente, elementos contrários e alternativas menos gravosas”, diz.

Banco Central sob cerco

Após o depoimento colhido pelo Supremo Tribunal Federal (STF) com o diretor Ailton de Aquino, na semana passada, a decisão do TCU aumenta o cerco sobre o Banco Central. No Banco, as decisões do TCU são consideradas inéditas e heterodoxas, com o papel do órgão de supervisão bancária sendo colocado em xeque em pleno processo de análise.

Os temores são de que as instruções dadas por Jesus, agora com respaldo do presidente da corte, Vital do Rêgo, abram brechas para que o banqueiro Daniel Vorcaro consiga reverter a liquidação ou ser indenizado pelo caso, na Justiça.

A nota técnica do Banco Central, fez referência a três possíveis crimes que poderiam ter sido cometido pelo Master.

Além da venda de carteira falsa ao Banco de Brasília (BRB), que motivou o pedido de prisão de Vorcaro, o BC também fez uma comunicação ao Ministério Público Federal no dia 17 de novembro, sobre fraudes em fundos que chegariam a R$ 11,5 bilhões.

Uma semana, depois, no dia 25, já após a liquidação do banco, outra comunicação foi feita, por “indícios de condutas relacionadas à gestão fraudulenta de instituição financeira, à realização de operação simulada ou sem lastro e ao emprego de artifícios destinados a criar aparência de legalidade para operações desprovidas de substância econômica”, segundo o Banco Central.

Atividade forte no Brasil estimula Ibovespa a buscar os 164 mil pontos

 

A valorização do petróleo e novo indício de aquecimento da atividade brasileira estimulavam alta do Ibovespa praticamente desde a abertura dos negócios nesta terça-feira, 6. Entre a mínima e a máxima, o principal indicador da B3 saltou cerca de 2.100 pontos, com avanço quase generalizado na carteira teórica com 85 papéis.

O índice dos gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) do setor de serviços do Brasil subiu de 50,1 pontos em novembro para 53,7 pontos em dezembro, indicando a expansão mais rápida em mais de um ano. Leituras acima de 50 pontos indicam expansão da atividade. Os dados foram divulgados nesta manhã pela S&P Global, que destaca que houve uma melhoria substancial na demanda por serviços, com as vendas crescendo pelo segundo mês consecutivo e na maior proporção desde novembro de 2024.

“O PMI é um indicador importante, de um observador externo sobre a nossa atividade. Serviços estão em alta. Isso mostra que a economia brasileira está rodando”, diz Pedro Cutolo, estrategista da One Wealth Management.

Além da alta do Ibovespa, o real se valoriza em relação ao real. “Os juros futuros é que estão meio desanimados”, afirma Cutolo, ao referir-se ao viés das taxas futuras nesta manhã. Neste ambiente de atividade aquecida, avalia, não tem razão para corte de juros em janeiro ou março. Ele espera queda iniciando em abril.

Já o petróleo sobe em torno de 0,60%, enquanto o minério de ferro subiu 0,69% em Dalian, na China. Em dia de agenda escassa, o destaque são PMIs no exterior e no Brasil, além da divulgação da balança comercial de dezembro e de 2025, às 15 horas, seguida de entrevista. O vice-presidente e ministro do Mdic, Geraldo Alckmin, fará a abertura da entrevista coletiva.

Os investidores continuam acompanhando os desdobramentos geopolíticos da destituição do presidente venezuelano, Nicolás Maduro. “O principal tema nos mercados globais continua sendo a Venezuela, mas isso não tem tido grandes implicações sobre preços de ativos”, pontua em comentário matinal, o economista Carlos Lopes, do Banco BV.

Na primeira sessão após a prisão de Maduro e da esposa, Cilia Flores, o Ibovespa fechou em alta de 0,83%, aos 161.869,76 pontos, em meio a perspectiva de desinflação mundial, apesar da valorização de mais de 1,5% nas cotações do petróleo.

Quanto à balança comercial, mediana encontrada em pesquisa feita pelo Projeções Broadcast é de superávit comercial de US$ 65,0 bilhões em 2025, abaixo do registrado em 2024 (US$ 74,6 bilhões). Em relação ao dado de dezembro, espera-se superávit comercial de US$ 7,1 bilhões , após saldo positivo de US$ 5,842 bilhões em novembro.

Às 10h48, o Ibovespa subia 1,30%, aos 163.976,71 pontos, na máxima, vindo de abertura na mínima de 161.869,76 pontos. Petrobras tinha alta de 0,40% (PN) e de 0,31% (ON), mas Vale cedia 0,14%.

Entre os grandes bancos o sinal era positivo, com a maior valorização em 2,04% (Bradesco ON).

Ibovespa retoma os 164 mil pontos e se aproxima da máxima histórica; dólar cai a R$ 5,37

 

Na esteira de uma valorização arraigada dentre quase todos os ativos da carteira, o Ibovespa avança 1,37% aos 163.920,39 pontos, se aproximando da máxima histórica do índice.

Grandes movers – como Vale, Itaú e Petrobras – operam no campo positivo. Ações do Bradesco saltam mais de 2%, ao passo que a Axia, antiga Eletrobras, avança mais de 3,5%.

As quedas ficam concentradas em companhias do ramo de siderurgia e mineração, como a Gerdau que recua cerca de 1%. As retrações ocorre a despeito da valorização de 0,7% do minério de ferro em Dalian a US$ 114,61, maior cotação em cinco meses.

O dia é de atenção nos indicadores econômicos, com o mercado mantendo o apetite ao risco apesar da tensão geopolítica por conta do ataque dos EUA à Venezuela e a deposição de Nicolás Maduro.

A agenda conta com divulgação de PMIs e, às 15h, serão divulgados dados sobre a balança comercial brasileira, impactando o mercado doméstico.

Wall Street opera sem volatilidade, com o Dow Jones avançando 0,15% enquanto Nasdaq e  S&P 500 sobem 0,12% e 0,08%, respectivamente.

Ibovespa fechou o pregão de segunda, 5, em alta de 0,83%, aos 160.869,76 pontos.

Dólar segue perto da estabilidade

O dólar recua no pregão desta terça, 6, com retração de 0,62% a R$ 5,3766 às 11h40, dez minutos após o Banco Central iniciar um leilão de 50.000 contratos de swap cambial para rolagem do vencimento de 2 de fevereiro.

Na segunda-feira, o dólar chegou a ser impulsionado sob o impacto do ataque dos Estados Unidos à Venezuela, em meio a preocupações quanto aos desdobramentos econômicos da operação norte-americana, mas perdeu força e fechou o dia cotado a R$5,4051, em baixa de 0,35%.

Com os temores sobre o ataque diminuindo, o dólar exibia nesta terça-feira variações modestas ante outras divisas no exterior, onde investidores esperam pela divulgação ao longo da semana de novos dados sobre a economia dos EUA — em especial dos números do mercado de trabalho, que podem alterar as apostas sobre a política monetária do Federal Reserve.

No Brasil, com o Congresso e parte das autoridades do Executivo ainda em recesso, os investidores não têm por enquanto gatilhos fortes para operar, o que mantém o dólar muito próximo da estabilidade ante o real, perto dos R$5,40.

“Caso rompa este suporte (de R$4,50), teremos novamente tendência de baixa do dólar de médio prazo”, pontuou em relatório o diretor da consultoria Wagner Investimentos, José Faria Júnior, acrescentando que no longo prazo a divisa segue em tendência de queda.

Inflação impulsionada por IA é risco mais negligenciado em 2026, dizem investidores

 

Os mercados acionários globais, aproveitando a euforia da inteligência artificial no início de 2026, podem estar desconsiderando uma das maiores ameaças que podem estragar a festa: um aumento da inflação impulsionado em parte pelo boom dos investimentos em tecnologia.

Os índices de bolsas de valores dos Estados Unidos, onde sete grupos de tecnologia contribuíram com metade de toda a valorização do mercado no ano passado, tiveram ganhos de dois dígitos em 2025, atingindo recordes.

As expectativas de novos cortes no juro dos EUA também impulsionaram títulos de dívida, proporcionando aos investidores de Treasuries o melhor desempenho anual dos últimos cinco anos, já que a inflação recuou, embora permaneça acima da meta média de 2% do Federal Reserve.

Para 2026, espera-se que ondas de estímulo governamental nos EUA, Europa e Japão, bem como o boom da IA, reabasteçam o crescimento global.

Isso faz com que os gestores de dinheiro se preparem para que a inflação volte a acelerar, levando os bancos centrais a encerrarem ciclos de corte de taxas, freando o fluxo de dinheiro fácil para os mercados obcecados por IA.

“Você precisa de um alfinete que fure a bolha e ele provavelmente virá por meio de dinheiro mais apertado”, disse Trevor Greetham, chefe de multiativos da Royal London Asset Management. Ele disse que, embora estivesse mantendo as ações de grandes empresas de tecnologia por enquanto, não ficaria surpreso se visse a inflação crescendo em todo o mundo até o final de 2026.

O aperto monetário reduzirá o apetite dos investidores por investimento em tecnologia, aumentará custos de financiamento para projetos de IA e reduzirá lucros dos grupos de tecnologia e preços de ações, disse Greetham.

A corrida de vários trilhões de dólares dos chamados hiperescaladores, como Microsoft, Meta e Alphabet para construir novas centrais de processamento de dados também foi uma força inflacionária, disseram analistas, devido à taxa em que esses projetos estão consumindo energia e chips avançados.

“Em nossa previsão, os custos estão aumentando, e não diminuindo, porque há inflação nos custos dos chips e nos custos de energia”, disse Andrew Sheets, estrategista do Morgan Stanley.

Ele disse que a inflação dos preços ao consumidor dos EUA permanecerá acima da meta de 2% do Federal Reserve até o final de 2027, em parte devido ao forte investimento corporativo em IA.

Fabio Bassi, chefe de estratégia de ativos cruzados do J.P. Morgan, disse que a melhoria do mercado de trabalho dos EUA, os gastos com estímulo econômico e cortes nos juros já realizados manterão a inflação acima da meta do Fed “independentemente do preço dos chips”.

Em sua perspectiva para 2026, a Aviva Investors disse que um dos principais riscos de mercado seria o fato dos bancos centrais encerrarem ciclos de corte de taxas ou até mesmo começarem a aumentá-las, à medida que as pressões sobre os preços cresçam devido ao investimento em IA e às ondas de gastos com estímulos governamentais na Europa e no Japão.

 CHIPS E JUROS

“O que nos mantém acordados à noite é que o risco de inflação ressurgiu”, disse Julius Bendikas, chefe europeu de economia e alocação dinâmica de ativos da Mercer, que administra US$683 bilhões em ativos diretamente e assessora instituições que administram um total de US$16,2 trilhões.

Bendikas ainda não está apostando em uma correção do mercado de ações, mas está se afastando dos mercados de dívida que podem ser abalados por um choque inflacionário.

Os mercados já deram os primeiros sinais de nervosismo em relação ao aumento dos custos e ao possível excesso de gastos com IA.

As ações da Oracle despencaram no mês passado, quando a empresa revelou que os investimentos aumentaram, enquanto as ações da Broadcom, sua parceira tecnológica nos EUA, também caíram depois que ela alertou que suas altas margens de lucro serão reduzidas.

A fabricante de computadores pessoais HP espera sentir a pressão sobre preços e lucros no segundo semestre de 2026, devido ao aumento nos custos dos chips de memória, impulsionado pelo aumento da demanda por centrais de processamento de dados.

“A inflação é o que pode começar a assustar os investidores e fazer com que os mercados apresentem algumas rachaduras”, disse Kevin Thozet, membro do comitê de investimentos e gerente de portfólio da gestora de ativos Carmignac.

Com a aceleração do ciclo de crescimento econômico, “o risco de inflação permanece muito subestimado”, disse ele, o que o levou a estocar Treasuries protegidos contra inflação. Com o aumento dos riscos de aumento da taxa de juros, disse ele, as avaliações de preço-lucro que os investidores aplicaram às ações de grandes empresas de inteligência artificial cairão.

 ANALISTAS VEEM EXPLOSÃO DE CUSTOS DE IA

O Deutsche Bank espera que os investimentos em datacenters de IA atinjam até US$4 trilhões até 2030, e a rápida implantação desses projetos pode causar gargalos no fornecimento de chips e eletricidade, o que fará com que os custos de investimento aumentem, disseram analistas do banco.

George Chen, sócio da consultoria Asia Group, que ocupou anteriormente um cargo sênior na Meta, disse que o estouro dos custos e a inflação dos preços ao consumidor aumentarão os custos dos projetos de IA e levarão os investidores a repensarem a busca pelo tema da IA.

“A inflação dos custos dos chips de memória aumentará os preços dos grupos de IA, reduzirá os retornos dos investidores e, então, o fluxo de dinheiro para esse setor diminuirá”, disse ele.

Por que a queda de Maduro não abalou os mercados e o que esperar para o preço do petróleo

 

Quais empresas podem ser favorecidas?

O índice de energia do S&P 500 subiu para seu nível mais alto desde março de 2025, com Exxon Mobil subindo 2,2% e Chevron saltando 5,1% após Trump afirmar que as grandes empresas petrolíferas americanas retornarão à Venezuela.

A ExxonMobil e a ConocoPhillips encerraram suas operações na Venezuela após o governo de Hugo Chávez exigir em 2007 que a empresa estatal PDVSA detivesse ao menos 60% de participação em todos os projetos petrolíferos nacionais.

A Chevron foi a única gigante americana a aceitar os termos e permanecer no país. Anos depois, em 2017, a companhia conseguiu manter sua presença novamente ao obter licenças especiais do governo dos EUA, contornando os embargos que proibiam a continuidade das operações de empresas americanas em solo venezuelano.

Tanto a Chevron como a ExxonMobil possuem ainda negócios relevantes na Guiana, país vizinho da Venezuela e também lar de reservas significativas de petróleo. Para Adriano Pires, são duas das empresas que podem mais rapidamente se beneficiar de uma mudança no paradigma comercial do petróleo venezuelano.

Professor da FIA Business School, Carlos Honorato destaca que empresas de tecnologia petroleira também podem tirar proveito de uma mudança de regime na Venezuela, já que o país conta com infraestrutura extremamente desatualizada. Alguns exemplos são Halliburton, SLB e Weatherford.

O logotipo da estatal petrolífera venezuelana PDVSA é visto em um caminhão-tanque de combustível, em Caracas, Venezuela, 14 de maio de 2025.
O logotipo da estatal petrolífera venezuelana PDVSA é visto em um caminhão-tanque de combustível, em Caracas, Venezuela, 14 de maio de 2025. (Crédito:REUTERS/Leonardo Fernandez Viloria)

E qual o impacto para o Brasil?

No Brasil, as ações das empresas do setor de petróleo fecham em queda nesta segunda-feira, ainda que tímidas, incluindo os papéis da Petrobras (-1,43%) e da Prio (-1,51%).

O recuo nos preços dos ativos no Brasil decorre da constatação de que os preços do petróleo permanecerão baixos por um período mais prolongado. “Esse ano vai ser um ano difícil para os petroleiros se o preço petróleo realmente ficar onde a gente acha que vai, abaixo dos US$ 60”, analisa Pires.

Por ora, a avaliação é que o impacto para o Brasil tende a ser maior em termos geopolíticos e no preço do barril de petróleo, e não no volume de exportações, já que esta seguirá controlada pela Opep+.

Pires avalia que petroleiras brasileiras também podem se beneficiar no médio e longo prazo de uma eventual abertura do mercado de exploração na Venezuela, a depender do novo arranjo político e econômico que surgirá no país. “Um campo de 20 mil  barris não é para Chevron. Um campo desses, por exemplo, pode atrair empresas de médio porte americanas, canadenses, ou até brasileiras, como PetroReconcavo ou Prio”, diz.

Futuro incerto para a Venezuela

Apesar de a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, ter estendido a mão para o governo dos EUA para “trabalharem conjuntamente numa agenda de cooperação orientada ao desenvolvimento compartilhado”, não está claro se o novo governo venezuelano vai de fato cooperar com os EUA na questão petrolífera.

Honorato destaca que Trump deixou claro que seus planos dizem mais respeito ao petróleo venezuelano do que a situação política do país. “Ele não está preocupado em mudar o regime. Então, se tiver um arranjo de uma elite chavista — que é considerada corrupta — ao governo americano, muito provavelmente você vai ter menos impacto do que o imaginável”, analisa.

Outra avaliação é de que uma ocupação militar — como as realizadas pelos Estados Unidos em Iraque e Afeganistão nos anos 1990 e 2000 — é improvável. “Os Estados Unidos teve péssimas experiências com intervenções mais complexas. Acho que o Trump está longe de querer isso. Ele vai querer colocar alguém no poder lá que faça o que ele quer, e que a intervenção vai ser mais política do que militar”, diz Paz.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Após licença para atuar como banco de investimento, Avenue busca custódia de ativos no exterior

 

A Avenue recebeu do Banco Central (BC) a licença para atuar como banco de investimento. Com essa nova licença, a instituição poderá explorar novas áreas, como operações de câmbio mais independentes e novos produtos de financiamento cross-border, incluindo operações com stablecoins.

Em entrevista exclusiva ao Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, o fundador e CEO Roberto Lee afirmou que essa licença faz parte de um plano mais amplo de internacionalização dos investimentos dos clientes da Avenue. Lee explica que, nas próximas gerações, os brasileiros terão vidas financeiras além das fronteiras nacionais, e a licença atual é um passo estratégico para se preparar para esse movimento.

Em relação aos próximos passos, a Avenue visa a custódia de ativos no exterior, mas Lee ressalta: “Não sei se vai dar tempo de colocar tudo isso de pé em 2026”. Além dos ativos tradicionais, a empresa está atenta aos ativos virtuais, especialmente as stablecoins – criptomoedas geralmente lastreadas em moeda fiduciária e projetadas para serem estáveis.

“As criptomoedas, as stablecoins, já estão presentes em nossas vidas, mas têm um volume pequeno comparado ao todo. Os ativos tradicionais são muito mais potentes e presentes. Acho que, ao longo dos anos, isso se inverte, mas é uma futurologia”, diz o CEO.

O fundador da Avenue conclui a entrevista comentando que o objetivo final é expandir a infraestrutura brasileira para o exterior. Em sua visão, sem essa expansão, a instituição não conseguirá atender seus clientes brasileiros ao longo dos anos.