sexta-feira, 17 de abril de 2026

Casa alugada é a principal opção de moradia para o brasileiro, mostra IBGE

 

 

De 2025 para 2026, o número de pessoas vivendo em casa própria quitada reduziu ao passo que o número de pessoas vivendo em casa alugada e pagando pelo domicílio expandiu. No recorte de tempo de 2016 para 2025, o número de domicílios alugados foi o que mais cresceu, 54,1%, de 12,2 milhões para 18,9 milhões, mostra a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua/IBGE), divulgada nesta sexta-feira, dia 17.

O IBGE  revela um crescimento de 2,6% no número de domicílios no Brasil, um aumento de 2 milhões de unidades, de 2024 para 2025, totalizando 79,3 milhões de domicílios (2025) contra 77,3 milhões (2024).

De 2024 para 2025, o número total de domicílios próprios e quitados apresentou redução de 61,6% para 60,2%, o que corresponde a 47,8 milhões de domicílios. A comparação mostra uma queda de 1,4% entre os períodos.

.divulgação/IBGE. PNAD Contínua 2025 -recorte domicílios e

Com relação ao percentual de domicílios próprios ainda em pagamento, a pesquisa mostra que houve um aumento de 6% para 6,8% (5,4 milhões), de 2024 para 2025. Com relação ao aluguel, a expansão foi de 23% para 23,8% na mesma base de comparação.

Por tipo de unidade domiciliar, as casas correspondem a 82,7% (65,6 milhões) do total de domicílios no país, enquanto que os apartamentos totalizam 17,1% (13,6 milhões).

Num recorte de tempo mais amplo, de 2016 para 2025, o número de apartamentos expandiu 48,7%, enquanto o de casas cresceu 14,2%, contribuindo para o declínio na participação de casas e aumento na de apartamentos, dentre o total de domicílios no país.

De 2016 para 2025

Em 2025, o número de domicílios particulares permanentes aumentou 18,9%, de 66,7 milhões para 79,3 milhões, em comparação com 2016. Neste período, o número de domicílios alugados foi o que mais cresceu, 54,1%, de 12,2 milhões para 18,9 milhões. Já os domicílios próprios ainda pagando tiveram elevação de 31,2%, enquanto os já pagos subiram 7,3%. As informações são da Pnad Contínua: Características dos domicílios e moradores, divulgada hoje (17) pelo IBGE.

O aumento das unidades domiciliares alugadas foi um dos destaques, de acordo com o analista da pesquisa, William Kratochwill. “Foi um aumento de 5,4 pontos percentuais em relação a 2016. Quase um quarto dos domicílios brasileiros são alugados, enquanto a taxa de domicílios próprios ainda pagando não variou muito ao longo do tempo; de 6,2, em 2016, para 6,8, em 2025. Já domicílio próprio que já está pago vem diminuindo e chegou a 60,2%. É uma redução de 6,6 pontos percentuais, em relação a 2016”.

Bens de consumo

Entre os bens mais consumidos nos domicílios no país no período, a pesquisa mostra que a máquina de lavar roupa foi o item mais adquirido, com expansão de 70,4% (2024)  para 72,1% (2025). Em segundo lugar foi a motocicleta, que registou expansão de 25,7% (2024) para 26,2% (2025), seguido do item carro, que expandiu de 48,8 (2024) para 49,1% (2025), de acordo com o levantamento do IBGE.

(com Agência Brasil)

Petróleo desaba mais de 10% após Irã anunciar reabertura do Estreito de Ormuz durante cessar-fogo

 

 

Os preços do petróleo desabam mais de 10% nesta sexta-feira, 17, após o Irã anunciar a reabertura do Estreito de Ormuz.

Abbas Araghchi, o atual ministro das Relações Exteriores do Irã, declarou que a reabertura do Estreiro de Ormuz seguirá durante o restante do período de cessar-fogo do conflito, de 10 dias – em linha com o cessar-fogo do Líbano.

A passagem das embarcações seguirá uma rota coordenada já anunciada pela Organização de Portos e Assuntos Marítimos do país.

Nesse contexto, o petróleo Brent cai 12,81% a US$ 86,66 por volta das 12h (horário de Brasília). Os contratos para maio do West-Texas Intermediate (WTI) recuam 13,92% a US$ 81,51.

A incursão militar dos EUA e Israel no Irã, no fim de fevereiro, foi o gatilho para o fechamento do estreito – passagem por onde transita 20% do petróleo e do gás natural liquefeito de todo o mundo.

O fechamento do estreito foi descrito por especialistas como um evento que poderia ocasionar o pior choque de oferta do petróleo da história global.

No início deste mês o diretor executivo da Agência Internacional de Energia (IEA), Fatih Birol, classificou a atual crise de petróleo como a mais grave da história moderna, superando os impactos combinados dos choques petrolíferos de 1973, 1979 e 2022.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) já revisou sus projeções e, nesta semana, reduziu as expectativas para o crescimento econômico global, alertando que a possibilidade de recessão é concreta na eventualidade de o conflito se prolongar.

Navios iranianos retomam escoamento de barris de petróleo

Segundo informações da AFP, três navios petroleiros iranianos deixaram na quarta-feira, 15, o Golfo pelo Estreito de Ormuz com cinco milhões de barris de petróleo, os primeiros desde o início do bloqueio dos Estados Unidos aos portos do Irã.

A Kpler, empresa de dados marítimos, aponta que as embarcações Deep Sea’, Sonia I e Diona – então alvos de sanções dos EUA – atravessaram a passagem.

Enquanto o Deep Sea e o Diona transportam dois milhões de barris cada um, o Sonia I carrega um milhão de barris de petróleo.

Os EUA sustentavam, desde segunda-feira 13, um bloqueio aos portos iranianos.

quinta-feira, 16 de abril de 2026

‘Prévia do PIB’ do BC aponta crescimento de 0,6% em fevereiro, acima do esperado

 

O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), sinalizador do Produto Interno Bruto (PIB), registrou alta de 0,6% em fevereiro na comparação com o mês anterior, segundo dados divulgados pelo BC nesta quinta-feira, 16.

O resultado veio acima do esperado. A expectativa em pesquisa da Reuters para o resultado de fevereiro era de avanço de 0,47%.

Na comparação com o mesmo mês do ano anterior o IBC-Br teve queda de 0,3%, enquanto no acumulado em 12 meses passou a um ganho de 1,9%, de acordo com números não dessazonalizados.

O IBC-Br ex-agropecuária, que exclui os efeitos do setor da conta, aumentou 0,61% em fevereiro, após uma alta de 0,96% no mês anterior (revisado, de 0,86%). O indicador próprio da agropecuária subiu 0,23%, após queda de 1,32% em janeiro (revisado, de -1,49%).

O índice de serviços cresceu 0,29%, após subir 0,87% no mês anterior (revisado de 0,81%); o da indústria aumentou 1,18%, após aumentar de 0,40% em janeiro (revisado, de 0,37%); e o de impostos – equivalente, em linhas gerais, à rubrica de impostos líquidos sobre produtos do Produto Interno Bruto (PIB) – cresceu 0,75%, após alta de 0,78% em janeiro (revisado de 0,47%).

Expectativas

Analistas acreditam que a economia brasileira deve continuar mantendo alguma força em 2026, em meio a um mercado de trabalho ainda forte e medidas de estímulo, como a isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil, que favorecem o consumo.

No entanto, o conflito entre Estados Unidos e Israel contra o Irã já pressionou os preços de transportes e alimentos em março, com o IPCA avançando 0,88% no mês, taxa mais alta em cerca de um ano.

No mês passado, o Banco Central reduziu a taxa básica Selic em 0,25 ponto percentual, a 14,75%, mas alertou para cautela em relação aos passos à frente devido à guerra no Oriente Médio.

O mercado projeta atualmente para o PIB (Produto Interno Bruto) uma alta de 1,85% em 2026 e de 1,80% em 2027. Ainda assim, o desempenho previsto segue abaixo do avanço de 2,3% do PIB que o Brasil registrou em 2025, que foi o pior desde 2020, segundo dados do IBGE.

 

OCDE: taxa de desemprego se mantém em 5% em fevereiro, perto de mínima histórica

 

A taxa de desemprego da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) ficou estável em 5% em fevereiro, bem próxima da mínima recorde de 4,8% atingida em junho de 2023, segundo comunicado divulgado nesta quinta-feira, 16. Na comparação mensal, o desemprego permaneceu inalterado em 19 países da OCDE em fevereiro, subiu em outros 11 e recuou em três.

 

O conselho de administração da Oncoclínicas aprovou nesta quinta-feira proposta de operação de fomento à companhia e à distribuidora de produtos hospitalares e oncológicos apresentada pela MAK Capital e pela Lumina, conforme fato relevante da empresa enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

A proposta, a ser financiada pela Lumina, no valor entre R$100 milhões e R$150 milhões, a depender do valor das garantias disponíveis, tem objetivo de “viabilizar a aquisição de medicamentos pela companhia junto à OncoProd e, assim, preservar a geração de receitas de ambas as companhias e a continuidade de sua cadeia de fornecimento essencial”, afirmou a Oncoclínicas.

De acordo com o fato relevante, a operação contará com a constituição de garantia fiduciária de recebíveis oriundos de contratos celebrados pela rede credenciada da Oncoclínicas com operadoras de planos de saúde, hospitais e/ou seguradoras, e sua implementação estará sujeita à celebração dos documentos definitivos e ao cumprimento de condições precedentes usuais.

A operação também depende de condições precedentes específicas, incluindo a formalização dos instrumentos aplicáveis entre a Oncoclínicas e a OncoProd, bem como a definição do montante de recebíveis a serem cedidos fiduciariamente em valor compatível com a operação e a obtenção das anuências necessárias de operadoras de planos de saúde, hospitais e seguradoras para a vinculação e direcionamento desses recebíveis.

Na mesma divulgação, a Oncoclínicas disse que, em cumprimento às condições apresentadas pela MAK Capital e Lumina para confirmação da proposta, o conselho de administração recebeu a renúncia de Bruno Lemos Ferrari aos cargos de membro e vice-presidente do colegiado, com efeitos imediatos.

Para preencher os dois cargos vagos em função das renúncias de Marcelo Gasparino e Bruno Lemos Ferrari, Mateus Affonso Bandeira, indicado pela MAK Capital, e Carlos Gil Ferreira, diretor-presidente da companhia, foram nomeados como membros do conselho, com mandato até a Assembleia Geral Ordinária e Extraordinária da empresa convocada para o próximo dia 30.

Quem são os 2 cientistas brasileiros na lista de mais influentes da Times junto com Wagner Moura

 

 

A revista Time divulgou nesta quarta-feira, 15, a lista das 100 pessoas mais influentes do mundo. Três brasileiros entraram na lista, dos quais o mais famoso é o ator Wagner Moura. Os outros dois são cientistas, com contribuições importantes para a alimentação e saúde no mundo: Mariangela Hungria e Luciano Moreira. Veja aqui a lista da Time.

Mariangela é agrônoma e microbiologista, trabalha para a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e em 2025 foi laureada com o World Food Prize, a condecoração mais importante da agricultura mundial, conhecida como o “Nobel” da Alimentação e Agricultura. Ela dedicou sua carreira à pesquisa de insumos biológicos como alternativa para substituir os fertilizantes químicos.

Luciano, por sua vez, é biólogo e pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Ele criou uma versão do mosquito Aedes Aegypti, transmissor da dengue, com uma bactéria chamada Wolbachia (comum em muitos insetos). Com a presença da bactéria, o vírus não consegue se reproduzir no mosquito, fazendo com que ele não transmita a doença para os seres humanos. Em 2025, foi reconhecido como uma das dez pessoas que moldaram a ciência naquele ano, segundo a prestigiosa revista científica Nature.

Mariangela Hungria e os fertilizantes naturais

O texto de Mariangela para a Time foi escrito por Kyla Mandel, editora-sênior da revista. Mandel destaca que a pesquisadora brasileira desenvolveu micróbios do solo que permitem que as culturas absorvam nitrogênio do ar de forma mais natural, sem os lados negativos do uso de fertilizantes sintéticos, como a contaminação de rios.

A Time informa que, graças a Mariangela, 85% da soja brasileira é cultivada usando esses micróbios, e que as inovações ajudaram os agricultores brasileiros a economizar, no total, cerca de US$ 25 bilhões por ano e a evitar a emissão de 230 milhões de toneladas métricas de dióxido de carbono.

Em entrevista concedida ao Estadão em 2025, Mariangela contou que desde os oito anos de idade ela já sabia que queria ser uma microbiologista. Graduou-se em Engenharia Agronômica na USP, na época “uma profissão bem masculina e machista”, conta. Depois, fez mestrado e doutorado, ambos com teses em fixação biológica do nitrogênio. Entrou na Embrapa em 1982.

“Eu aqui, no interior do Paraná, sempre lutando, num país onde o financiamento para pesquisa é muito irregular, e tendo dedicado uma carreira aos insumos biológicos, numa época que era só de químicos. Além de ser mulher, mãe, eram tantas improbabilidades na minha vida toda, numa carreira que era essencialmente masculina, que tudo isso era muito difícil de acreditar. Mas, deu certo desse jeito”, contou Mariangela ao Estadão em 2025.

A cientista afirmou que, se pudesse deixar um legado, seria uma homenagem às mulheres. “Se não fossem as mulheres, a gente teria um número ainda maior de pessoas passando fome, relatou. O combate à fome é uma das prioridades dela, e considera que a tecnologia é fundamental para isso, mas sabe que o problema é multidisciplinar.

Luciano Moreira e o Aedes Aegypti que não transmite dengue

O cientista brasileiro Luciano Moreira lidera a maior fábrica de mosquitos do mundo (foto: Peter Ilicciev_WMP Brasil_Fiocruz)
O cientista brasileiro Luciano Moreira lidera a maior fábrica de mosquitos do mundo (foto: Peter Ilicciev_WMP Brasil_Fiocruz)

Luciano Moreira é um entomologista (biólogo especializado em insetos), e teve o texto escrito por Scott O’Neill, CEO do World Mosquito Program (Programa Mundial dos Mosquitos), ONG que busca proteger o mundo de doenças como dengue, febre amarela, chikungunya e zika.

O’Neill relatou a importância de Moreira na criação e implementação do método Wolbachia de combate à dengue. A bactéria Wolbachia impede que o vírus se reproduza dentro dos mosquitos e, portanto, que os mosquitos transmitam a dengue para os seres humanos.

A fêmea do mosquito infectada com a Wolbachia passa a bactéria para os ovos. Dessa forma, as novas gerações de mosquitos já nascem infectadas, reduzindo a circulação do vírus. A bactéria é inofensiva para os mosquitos, tornando o método sustentável.

A Time também mencionou a expansão nacional constante do método desde a primeira implantação, em 2012, com o trabalho de Moreira conseguindo a construção de evidências da eficácia, o fortalecimento de parcerias comunitárias e a conquista da confiança do público.

Dessa forma, o cientista da Fiocruz logrou em 2025 o lançamento da Wolbito do Brasil – a maior biofábrica do mundo dedicada à criação de mosquitos Wolbachia.

Assim como Mariangela, Luciano contou ao Estadão que o interesse pela ciência começou ainda na infância. “Acho que remete lá atrás quando era criança”, afirmou, em 2025. “Eu sempre gostei de mexer, de testar coisas. Eu achava insetos em casa, misturava produto de limpeza da minha mãe, injetava neles e observava o que acontecia. Era sempre curioso, buscando coisas. Tinha essa vontade de tentar achar soluções, de entender o que acontecia quando experimentava algo”.

Para Moreira, os resultados alcançados pelo método dele não eliminam os desafios nem dispensam cautela, mas ajudam a sustentar o caminho escolhido. “Quando nós vemos resultados positivos, sabemos que estamos contribuindo”.

Ativos da Enel em SP no valor de quase US$ 4 bi estão em risco em concessão, dizem auditores

 

 

A Enel pode perder sua concessão de distribuição de energia em São Paulo, colocando em risco ativos financeiros e intangíveis no valor de 3,34 bilhões de euros (US$ 3,9 bilhões) e 595 milhões de euros em ágio, disseram auditores no relatório anual do grupo italiano.

A demonstração financeira da Enel para 2025 fornece uma “visão verdadeira e justa” da posição financeira da empresa italiana de serviços públicos, disse a empresa de auditoria KPMG no relatório anual recentemente publicado.

No entanto, a KPMG acrescentou que a recuperabilidade de ativos e ágio da Enel relacionados à concessão na maior cidade do Brasil e sua possível renovação foi uma questão fundamental na auditoria das contas do grupo de energia.

A Aneel, agência reguladora de energia elétrica do Brasil, decidiu no início deste mês dar andamento a um processo de caducidade que poderia, em última instância, levar à rescisão da concessão de distribuição de energia elétrica detida por uma unidade local da Enel em São Paulo, impedindo a renovação automática de seu contrato, que expira em 2028.

Em meio a escalada de riscos para que a Enel deixe a grande São Paulo, a companhia nega qualquer negociação ou discussão em andamento sobre uma eventual troca de controle da distribuidora e tem reafirmado o interesse na renovação da concessão.