Atuação:
Consultoria multidisciplinar, onde desenvolvemos trabalhos nas seguintes áreas: fusão e aquisição e internacionalização de empresas, tributária, linhas de crédito nacionais e internacionais, inclusive para as áreas culturais e políticas públicas.
Leilão
da Anatel visa levar a tecnologia 5G para a faixa de 700MHz para
alcançar cidades menores e estradas mais distantes, onde há menor número
de antenas
Foto de divulgação de antena para telefonia móvel
Da IstoÉ Dinheiroi
Marcado para 30 de abril, o leilão da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel)
para o processo de concessão da faixa de radiofrequência de 700 MHz é
um passo decisivo para a consolidação da tecnologia 5G país afora.
A
tecnologia é implementada desde 2020 pelas gigantes de
telecomunicações. Mas esta faixa vai permitir o alcance de quase um
milhão de pessoas em locais onde há menos antenas. Diferentemente da
faixa de 3,5 GHz, leiloada em 2021 e focada em altíssima capacidade de
dados, o espectro de 700 MHz é uma frequência baixa que se destaca pelo
seu impressionante alcance geográfico.
Por
permitir que o sinal percorra distâncias maiores e atravesse obstáculos
físicos com facilidade, a faixa a ser leiloada em 2026 é considerada
essencial para garantir que a conectividade funcione com qualidade
dentro de residências, escolas, hospitais e edifícios, além de reduzir
drasticamente os custos de implantação em áreas de baixa densidade
demográfica.
As companhias interessadas entregaram propostas nesta
quarta-feira, 15 de abril. O processo recebeu o aval do Tribunal de
Contas da União (TCU) em fevereiro deste ano, após a constatação de que o
avanço da TV digital permitiu uma reorganização eficiente das
frequências, liberando espaço para a expansão dos serviços móveis.
Para
a Anatel, esta licitação é fundamental para aumentar competitividade
setorial e para a melhoria da qualidade dos serviços prestados ao
consumidor final, atacando diretamente os vazios de conectividade que
ainda persistem fora dos grandes centros urbanos. A expectativa do
governo federal é de que o certame beneficie diretamente pelo menos 800
mil pessoas em 864 pequenas localidades.
O plano do governo
federal com o novo leilão, realizado em conjunto com o Ministério das
Comunicações, é levar sinal de qualidade para rodovias e cidades
distantes e, assim, buscar reduzir a desigualdade digital. Ao permitir
que áreas rurais e estradas sejam atendidas com um número menor de
torres, o leilão assegura que mais brasileiros tenham acesso a serviços
digitais essenciais e às oportunidades econômicas oferecidas via rede
mundial de computadores.
O desafio do 5.5G
Enquanto
mais faixas são leiloadas, e a implementação do 5G segue, a indústria
de telecomunicações no Brasil vive um momento de pragmatismo
estratégico. Nos últimos meses do ano passado veio à tona o
posicionamento das gigantes do setor — Vivo, Claro e TIM — diante da
evolução do 5.5G no mundo. Com velocidade três vezes superior ao 5G,
além de outras características que melhor atendem à evolução da
inteligência artificial generativa, o 5.5G, ou 5G Advanced (5GA), como
tecnicamente é conhecido, por ora não é o foco nos planos de
investimentos. O momento é de observação e pequenos testes.
Após
investirem dezenas de bilhões de reais para implementar e consolidar a
infraestrutura do 5G ao redor do território brasileiro, as operadoras
demonstram cautela em relação a sua evolução. É que o ciclo de negócios
do 5G ainda está em desenvolvimento e o capital massivo injetado nas
antenas e leilões de frequências ainda não gerou o retorno esperado
sobre o investimento (ROI), evidenciou uma reportagem do Estadão.
Desde
que começou a ser implementado em 2020, o 5G brasileiro cobre cerca de
1,2 mil cidades e alcançava, ao final de 2025, 73% da população. Em
termos de adesão, o serviço já contabiliza 50 milhões de clientes, mas
isso representa aproximadamente 19% da base total de usuários móveis no
País. É um cenário que evidencia a ainda vasta avenida de crescimento
para o 5G convencional antes que a migração para o próximo patamar se
torne uma necessidade comercial imperativa.
Por sua vez, o 5.5G —
tecnicamente chamado de 5G Advanced (5GA) — já está disponível por meio
de fornecedores globais como Ericsson, Huawei e Nokia desde 2024. No
Brasil, contudo, o que se observa são testes controlados e lançamentos
pontuais. As teles têm ativado o sinal em áreas geográficas restritas e
voltadas a nichos específicos.
Um dos principais gargalos é a
barreira de entrada para o consumidor. A oferta de smartphones aptos a
processar o sinal 5.5G ainda é baixa, e os preços desses dispositivos
raramente ficam abaixo dos R$ 2,5 mil, o que restringe o acesso às
classes de maior renda. Apesar da resistência comercial imediata, o
potencial técnico do 5.5G é inegável e aponta para o futuro da
conectividade. A tecnologia proporciona uma velocidade média de 1,5
gigabit por segundo (Gbps), patamar três vezes superior ao 5G atual.
Além
da rapidez, o sistema oferece latência reduzida, menor consumo de
energia e a capacidade de conectar simultaneamente um número
significativamente maior de dispositivos em uma única antena. Na
prática, isso soluciona o travamento de vídeos em locais com altíssima
densidade de pessoas, como estádios e festivais. Mas o desafio de 2026
para as operadoras não é apenas técnico, mas de gestão: equilibrar o
apetite por inovação com a saúde financeira de um setor que ainda está
pagando a conta da revolução anterior.
O
Rio de Janeiro passa a contar, a partir de agora, com a Política
Estadual de Prevenção e Enfrentamento ao Abuso contra Mulheres no
Transporte Coletivo de Passageiros. É o que prevê lei sancionada pelo
governador em exercício, desembargador Ricardo Couto, e publicada nesta
sexta-feira (17) no Diário Oficial. A iniciativa amplia o conjunto de medidas de proteção às mulheres fluminenses adotadas pelo Executivo.
A
nova política aplica-se, exclusivamente, aos condutores de transporte
coletivo de passageiros, transporte por aplicativo e táxi.
Inclui ações como protocolos de atuação para condutores e demais
profissionais do transporte coletivo de passageiros diante de situações
de violência contra mulheres no interior dos veículos, priorizando a
assistência à vítima e o acionamento imediato das autoridades policiais.
A
deputada Lilian Behring (PCdoB), autora do projeto, destacou que a
iniciativa nasce da necessidade de enfrentar uma realidade ainda
presente no cotidiano de muitas mulheres.
“Essa
lei nasce da escuta de mulheres que sentem medo ao usar o transporte
público. Não é aceitável que um espaço de deslocamento se transforme em
um ambiente de violência e insegurança”.
Entre
as medidas previstas está a possibilidade de capacitação dos
profissionais do setor para que saibam identificar situações de risco e
agir de forma adequada, contribuindo para a proteção das passageiras.
“Nosso
objetivo é orientar e preparar esses profissionais para que saibam como
agir. Muitas vezes, uma atitude rápida pode interromper uma situação de
violência e garantir proteção à vítima”, explicou Lilian.
A
lei também determina que o Departamento de Transportes Rodoviários do
Rio de Janeiro (Detro) disponibilize um canal de orientação e
encaminhamento de denúncias às autoridades.
Para a parlamentar, a medida fortalece a rede de proteção e amplia o acesso das mulheres a mecanismos de denúncia.
“Criar
um canal dentro do próprio sistema de transporte é facilitar o caminho
para que essas mulheres sejam ouvidas e acolhidas. É transformar
estrutura em proteção real”, acrescentou.
Segundo o governo, cerca de 14 milhões de brasileiros trabalham na escala 6x1 atualmente
As jornadas mais extensas com escala 6x1 estão concentradas entre
trabalhadores de menor renda e menor escolaridade (Crédito: Pexels)
Da IstoÉ Dinheiroi
O fim da escala 6×1 está no centro do debate não só no ambiente produtivo como político. O projeto, que prevê o redução da jornada semanal sem redução de salário, e dois dias de descanso na semana, tem
sido a bandeira do governo atual desde que foi aprovada a reforma do
imposto de renda que isentou o pagamento do imposto para rendas de até
R$ 5 mil na média por mês.
Na terça-feira, 14, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou ao Congresso Nacional o projeto de lei
(PL) que prevê o fim com a escala de seis dias trabalhados para um de
descanso (6×1), e reduz a jornada de trabalho para, no máximo, 40 horas
semanais. O PL foi publicado em edição extra do Diário Oficial.
Segundo
o texto, os repousos semanais remunerados “deverão coincidir,
preferencialmente, com o sábado e o domingo, ressalvadas quanto à
escolha dos dias as peculiaridades de cada atividade ou negociação
coletiva de trabalho”. A medida vale tanto para contratos em vigor como
contratos futuros. A proibição da redução salarial se aplica a todos os
regimes, incluindo trabalho em regime integral, parcial e regimes
especiais.
A
medida entraria em vigor após a aprovação da lei. Como foi enviado com
urgência constitucional, a Câmara teria até 45 dias para apreciar a
proposta, sob risco de travar a pauta. O Senado teria o mesmo prazo.
– (Crédito:Tânia Rêgo/Agência Brasil)
Além do PL enviado por Lula, outras duas PECs (Proposta de Emenda à Constituição) sobre o fim da escala 6×1
estão em tramitação no Congresso. As duas propostas estão na Comissão
de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara. Uma é da deputada Erika
Hilton (PSOL-SP), a PEC 8/2025, e outra, a PEC 221/2019, do deputado
Reginaldo Lopes (PT-MG). Ambas defendem jornadas de trabalho de 36 horas
semanais, mas a de Erika Hilton aponta um período de adaptação para o
mercado de um ano, e a de Lopes um período de transição de 10 anos.
PEC 221/2019 – Reginaldo Lopes (PT-MG)
Foi
apresentada em 2019 e prevê “duração do trabalho normal não superior a
oito horas diárias e trinta e seis semanais, facultada a compensação de
horários e a redução da jornada, mediante acordo ou convenção coletiva
de trabalho”.
PEC 8/2025 – Erika Hilton (PSOL-SP)
Apresentada
em 2026 , também prevê um teto de oito horas diárias e 36 semanais, mas
com diferenças. O dispositivo adiciona “jornada de trabalho de quatro
dias por semana”, o que transformaria a escala 6×1 em escala 4×3. Além
disso, o texto define que a emenda constitucional entra em vigor um ano
após a data da publicação.
O
ministro da Secretaria de Relações Institucionais (SRI), José
Guimarães, afirmou que é possível discutir um período de transição para o
fim da escala de seis dias de trabalho e um de descanso. Contudo, rejeitou a desoneração
de empresas como forma de compensação para a implantação da
medida. “Não tem que ter mais desoneração. Pelo contrário, o país não
suporta isso. Não tem país que sobreviva economicamente, com o governo
renunciando a quase um trilhão de reais”.
De um lado, associações, entidades e empresários
As
associações representativas dos setores produtivos, em geral, destacam
os impactos negativos do fim da escala 6×1, apontando aumento de custos,
que serão repassados ao consumidor, redução de lucro e inflação. Os
setores mais afetados seriam Transporte Aéreo (53,2%), Alojamento (52%) e
Alimentação (47,1%). As micro e pequenas empresas possuem a maior
proporção de trabalhadores nesta escala.
Um levantamento divulgado nessa semana pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que o PIB do país sofrerá uma queda de 0,7%
se a jornada de trabalho for reduzida de 44 para 40 horas semanais.
Isso equivale a uma perda de R$ 76,9 bilhões para a economia brasileira.
Anteriormente, a CNI já havia divulgado que o custo da redução de jornada de trabalho até 40 horas poderia ser de R$ 178,2 bilhões a R$ 267,2 bilhões por ano.
Isso significaria um impacto de 7% na folha de pagamentos. A projeção
considerou dois cenários: compensando a redução com horas extras ou com
contratações novas. Segundo a projeção da CNI, os impactos serão
sentidos com maior força na indústria da construção e nas micro e
pequenas empresas industriais.
A entidade destaca que a indústria é
o setor que mais será impactado, caso o Congresso Nacional aprove a
medida. “O segmento enfrentará a maior queda no PIB em termos relativos,
de 1,2%, o equivalente a R$ 25,4 bilhões. Além da redução nas horas
trabalhadas, o aumento generalizado dos preços da economia em razão da
alta do custo do trabalho impactará em perda de competitividade para a
indústria nacional, ampliando os efeitos negativos da redução da jornada
sobre o setor”, diz a CNI.
A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel),
que representa um dos setores mais impactados, alega que, mais do que
uma questão de custo, há o desafio da escassez de mão-de-obra, em uma
economia que já está em seus patamares históricos mínimos de desemprego.
A Abrasel argumenta
ainda que, tanto os menores negócios, como as cidades menores, ambos
com menos poder de barganha, sairiam perdendo, assim como o consumidor,
que vai pagar parte dessa conta e não vai gostar. “O que está faltando
nessa discussão é conversar com o consumidor. Que o consumidor é o
verdadeiro pagador dessa conta”, aponta Paulo Solmucci, presidente da
Abrasel Nacional. A solução, afirma, estaria no contrato de trabalho no
modelo intermitente.
“Muitas entidades patronais sustentam que o
assunto não deveria ser regulado por lei, mas sim pela negociação
coletiva de trabalho, que permitiria a adoção das medidas em
conformidade com as peculiaridades de cada setor de atividades econômica
e observadas as possibilidades de cada empresa”, destaca Otávio Pinto,
sócio do Granadeiro Advogados.
A Abrasce (Associação Brasileira de
Shopping Centers) é uma delas. De acordo com a associação, a imposição
de uma regra única, sem considerar diferenças setoriais, pode gerar
impactos severos no emprego e no consumo. Segundo estudo desenvolvido em
parceria com a Tendências Consultoria, o setor de shopping centers pode
registrar uma perda de R$ 14,8 bilhões em faturamento e retração de até
12,2% no emprego formal, o que representa 130 mil postos de trabalho —
nível semelhante aos registrados na pandemia.
Já a CNC
(Confederação Nacional do Comércio) calcula cerca de 31,5 milhões de
brasileiros diretamente impactados pela mudança, a maioria nos setores
de serviços e comércio. Nesses segmentos econômicos, o percentual de
empregados com contratos superiores a 40 horas semanais chega a 90%.
De outro lado, governo, sindicatos e trabalhadores
Segundo
o governo, cerca de 14 milhões de brasileiros trabalham na escala 6×1
atualmente — incluindo 1,4 milhão de trabalhadoras domésticas. Além
disso, 26,3 milhões de celetistas não recebem horas extras, o que indica
jornadas frequentemente mais longas na prática.
O argumento é que
ao ampliar o tempo livre, o projeto busca melhorar a qualidade de vida,
fortalecer a convivência familiar e reduzir impactos na saúde. Segundo a
Previdência, em 2024, o país registrou cerca de 500 mil afastamentos
por doenças psicossociais relacionadas ao trabalho. As jornadas mais
extensas estão concentradas entre trabalhadores de menor renda e menor
escolaridade, o que faz da proposta também uma medida de redução de
desigualdades no mercado de trabalho.
No final de fevereiro, a
Secretaria de Comunicação (Secom) divulgou um levantamento da economista
Marilane Teixeira, pesquisadora do Centro de Estudos Sindicais e de
Economia do Trabalho (Cesit) da Universidade Estadual de Campinas
(Unicamp), mostrando que a redução da jornada semanal de trabalho de 44
para 36 horas teria potencial de gerar até 4,5 milhões de novos empregos
no Brasil e elevaria em cerca de 4% os níveis de produtividade no país.
O Sebrae,
que atua no suporte às MPEs, endossa o lado do governo e diz que está
pronto para apoiar os empreendedores na adequação à nova jornada, caso
se confirme a proposta. Em entrevista à IstoÉ Dinheiro,
o presidente do Sebrae nacional, Décio Lima, considera que a redução da
jornada é uma modernização do mercado de trabalho brasileiro, e não
deve ser vista apenas pelo ponto de vista do “custo momentâneo na planilha”.
Lima
reforça o argumento da qualidade de vida dos trabalhadores – 90% dos
empregados formais estão em pequenas empresas – e no ganho de
produtividade e bem-estar com a mudança no mercado de trabalho. “Quanto
mais abelha, mais mel, a economia cresce”, diz. Para ele, uma economia
humanizada, que permita uma distribuição de renda melhor, “naturalmente
vai gerar um processo de um crescimento econômico”.
Outro
argumento por parte dos que defendem a mudança está em experiências em
outros países. “Experiências internacionais mostram que, quando
implementada com planejamento e diálogo, a redução da jornada contribui
para melhor organização do trabalho e ganhos de produtividade”, afirma o
governo federal.
O Chile aprovou a redução gradual da jornada de
45 para 40 horas semanais até 2029, enquanto a Colômbia está em
transição de 48 para 42 horas até 2026. Na Europa, a jornada de 40 horas
ou menos é predominante: a França adota 35 horas semanais desde os anos
2000, e países como Alemanha e Holanda operam, na prática, com médias
inferiores a 40 horas.
Contudo, a advogada do TGA Advogados,
Marilia Mayumi Miyamoto, diz que essa comparação exige cautela. “Países
que adotam jornadas menores, em especial na Europa, apresentam níveis de
produtividade significativamente superiores aos do Brasil, o que lhes
permite manter altos níveis de renda e competitividade mesmo com menos
horas trabalhadas. No Brasil, por outro lado, a produtividade média
ainda é substancialmente inferior, o que torna arriscada a simples
importação desses modelos sem as devidas adaptações”.
Segundo um
estudo da consultoria 4Intelligente, No Brasil, a produtividade do
trabalho está estagnada há mais de uma década devido ao baixo
investimento e à complexidade tributária e reduzir a jornada para 40
horas exigiria um aumento imediato de 1,4% na produtividade para não
prejudicar o crescimento do PIB.
Um embate de 40 anos
A
ideia de reservar dois dias na semana para a folga dos trabalhadores
brasileiros não é nova. Na verdade, a proposta de reduzir a jornada para
40 horas na semana chegou a ser aprovada em uma comissão, no Congresso,
em 1987, durante a elaboração da Constituição Federal de 1988. Ou seja, há quase 40 anos.
À
época, milhões de trabalhadores enfrentavam uma realidade ainda mais
pesada que a atual, de 48 horas semanais, regulamentadas em 1943, na
Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), durante o primeiro governo
Getulio Vargas.
No
cálculo atual, as 44 horas preveem cinco dias de oito horas de
trabalho, um com quatro e outro de folga remunerada. Na maior parte das
vezes, isso significa, para os empregados, apenas um dia e meio de folga
no fim de semana.
Até 5 de outubro de 1988, quando a Constituição
atual entrou em vigor, os trabalhadores submetidos ao regime geral da
CLT tinham, na prática, apenas um dia de descanso remunerado, já que as
48 horas determinavam o trabalho integral de segunda a sábado – com uma
hora de intervalo para o almoço.
Durante a tramitação do
anteprojeto da proposta pela Comissão de Sistematização, última etapa
antes da redação da Constituição, os deputados acabaram encontrando um
meio-termo: a jornada de 44 horas semanais. A demanda pelas 40 horas
continuou, com novas emendas apresentadas, mas no fim o Plenário aprovou
a Constituinte com a redação atual.
*Com informações de Agência Brasil, Deutsche Welle, Estadão Conteúdo e Reuters
Gestora
de Guilherme Aché aponta que remuneração do board da Hapvida é 100x
proporcionalmente maior que a do Bradesco e exige troca de conselheiros
Jorge Pinheiro, atual CEO da Hapvida (HAPV3) (Crédito: Divulgação/Hudson Cavalcanti)
Eduardo Vargasi
:
Há
cerca de seis anos a Squadra Investimentos, de Guilherme Aché, publicou
uma carta detalhando uma série de problemas e irregularidades nos
balanços contábeis do IRB, em um dos episódios mais conhecidos do
mercado financeiro em um passado recente. Neste mês de abril, novamente,
a gestora publicou uma carta – mas desta vez não para falar de fraudes,
mas do aparente descompasso entre a administração da Hapvida e a realidade que a companhia vivencia.
No documento de cerca de 15 páginas a Squadra levanta os mais diversos problemas da empresa no momento atual e pleiteia mudanças na gestão. Mudanças no Conselho de Administração da Hapvida, mais especificamente.
O colegiado de nove pessoas – dos quais três são membros da família fundadora, os Pinheiro Koren de Lima
– recebe uma remuneração de R$ 57 milhões. É o terceiro conselho mais
caro do país, ficando apenas atrás de Bradesco (R$ 65 milhões) e Rede
D’Or (R$ 62 milhões).
O ponto, entretanto, é que proporcionalmente
se trata do conselho mais caro com bastante folga. Isso, dado que
Bradesco e Rede D’Or são companhias com valor de mercado de R$ 190
bilhões e R$ 89 bilhões, respectivamente. A Hapvida vale R$ 6,2 bilhões
atualmente, e valia cerca de R$ 5 bilhões há dias atrás.
Com isso, a razão entre a remuneração do conselho e o valor de mercado da Hapvida é de 114 basis-points (bps). No caso do Bradesco são 3bps.
O
Conselho do Itaú, uma das empresas mais valiosas do Ibovespa, com R$
476 bilhões de valor de mercado, custa os mesmos R$ 57 milhões. A razão é
de 1bps.
Na prática, a esmagadora maioria das companhias tem uma razão que não chega a 10bps ou 20bps.
“De
acordo com seu Formulário de Referência, a Companhia mantém para o
Conselho de Administração remuneração variável significativa e atrelada a
métricas centrais na remuneração da Diretoria Executiva – o que
compromete a independência do órgão e seu papel de supervisão da gestão.
No acumulado dos exercícios de 2023 e 2024, apesar de toda destruição
de valor para os acionistas, o bônus recebido pelo Conselho de
Administração correspondeu a 94% do ‘valor previsto no plano de
remuneração, caso as metas estabelecidas fossem atingidas'”, observa a
Squadra.
A
remuneração do conselho também representa 20% do lucro previsto para a
companhia neste ano, conforme o consenso dos analistas de sell-side – lucro este que é 86% menor do que o previsto anteriormente.
Para além dessa questão, a Squadra também fez apontamentos sobre a remuneração do CEO da Hapvida. Jorge Fontoura Pinheiro Koren de Lima foi apontado como um dos CEOs mais bem pagos do país nos últimos anos.
“Pacote de remuneração
portentoso para o CEO da Companhia, membro da família controladora, por
ocasião da combinação de negócios com a NDI. No acumulado dos
exercícios de 2023 e 2024, devido ao reconhecimento desse pacote, a
remuneração total do executivo mais bem recompensado foi de
aproximadamente R$ 110 milhões, cifra que lhe valeu menções, em
múltiplas reportagens, como um dos CEOs mais bem pagos do Brasil”, diz a
carta.
Aliás, sobre a integração com a NotreDame Intermédica – um
dos maiores M&As da bolsa de valores nos últimos anos – a gestora
também destaca que foi um negócio que não só ficou aquém do esperado mas
que destruiu valor.
“Desde a concretização da combinação de
negócios com a Notre Dame Intermédica (NDI) há 4 anos, o valor de
mercado acumula queda de R$ 80 bilhões, não tendo sido capturadas, nem
de perto, as sinergias anunciadas ao mercado à época da transação”, diz a
casa.
Nesse panorama, e com uma série de outros apontamentos, em praticamente um dossiê, a gestora de Guilherme Aché
considera que a Hapvida promoveu ‘uma das maiores destruições de valor
da história do mercado de capitais brasileiro’ desde o seu IPO, em 2018.
O descolamento das ações da Hapvida do Ibovespa – e do seu setor
Desde
o seu IPO em meados de 2018, a Hapvida viu suas ações derreterem mais
de 85%. Nessa mesma janela o Ibovespa saltou mais de 120%.
Dados da Bloomberg mostram que em meados de 2023 eram 15 analistas do sell-side que recomendavam a compra dos papéis. Atualmente uma única casa recomenda compra das ações da Hapvida.
Negociados a atuais R$ 12, os papéis HAPV3
mostram que foram mais de R$ 80 bilhões de destruição de valor de
mercado. Para além do comparativo com o principal índice da bolsa de
valores, o setor de saúde em si vive um momento positivo.
No
ano de 2025, conforme dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar
(ANS), os planos de saúde registraram o maior lucro da série histórica,
em um ano marcado por reajustes acima dos custos. O setor somou receitas
de R$ 391,6 bilhões e lucro líquido de R$ 24,4 bilhões no ano passado.
No
ano em questão a Hapvida somou receitas de R$ 30,8 bilhões, alta de 6%
ante o exercício anterior. O lucro foi de R$ 1,2 bilhão (queda de 32%) e
o Ebitda foi de R$ 3,37 bilhões (queda de 11%).
A Rede D’Or, na
mesma janela, lucrou R$ 3,9 bilhões com R$ 51 bilhões de receita,
representando crescimentos de 81% e 9%, respectivamente. A Fleury teve
um salto de 32% no seu lucro líquido, para R$ 616 milhões, com R$ 7,7
bilhões de receita líquida, registrando alta de 18%.
Na prática, a
Hapvida nadou de braçada – mas na direção contrária do setor, com
encolhimento de dois dígitos percentuais em linhas do bottom line do balanço. Isso, fruto de uma operação que também encolheu.
Segundo
dados da própria empresa, foram 238 mil beneficiários perdidos nas
regiões Sudeste e Sul, enquanto a ANS mostrou um incremento de 792 mil
beneficiários nas regiões em questão (já incluindo neste número as
perdas registradas pela empresa).
O que quer a Squadra Investimentos
Os
levantamentos sobre a situação da companhia, vale destacar, não vieram à
toa. A Squadra é dona de 7% das ações votantes da companhia e 5% do
capital social total.
A PPAR Pinheiro Participações S.A. – que
contempla a PPAR Participações, pessoas físicas do controle da empresa e
a família Pinheiro – detém 40%, ao passo que 48,5% das ações da Hapvida
estão em circulação, o chamado free float.
Neste contexto, há alguma queda de braço sobre o futuro da empresa.
Enquanto
a proposta da administração atual é pela renovação automática do
Conselho, a Squadra quer uma renovação do colegiado. A proposta da
administração, aliás, será submetida à votação em uma Assembleia Geral
Ordinária a ser realizada no dia 30 de abril.
“A Squadra requer
que a eleição de membros do Conselho de Administração na próxima
Assembleia Geral Ordinária se dê com a adoção do processo de voto
múltiplo na forma do art. 141 da Lei 6.404/76 e indica, por meio desta
carta, três candidatos que acredita terem a experiência e
complementariedade essenciais para a correção de rota que a Companhia
necessita”, pede a gestora, ao fim do documento.
Com isso, a casa sugere três nomes para o conselho:
Tania Sztamfater Chocolat
Bruno Magalhães e Silva
Eduardo Parente Menezes
Tania
Sztamfater Chocolat é engenheira de produção pela Escola Politécnica da
USP com carreira construída inteiramente no mercado financeiro.
Atualmente integra os conselhos de administração da Equatorial Energia,
Totvs e EMAE, além dos conselhos consultivos da Fundação OSESP e da WCD
Brasil. Sua trajetória mais recente foi no CPP Investments, um dos
maiores fundos de pensão do mundo, onde entre 2017 e março de 2026
liderou o escritório de São Paulo e a área de Active Equities para a
América Latina. Antes disso, passou pela Capital Group liderando
investimentos de Private Equity no Brasil e por quase uma década no Itaú
Unibanco em posições seniores de Investment Banking, Research e Private
Banking.
Bruno Magalhães e Silva é administrador de empresas pelo
IBMEC com pós-graduação em Direito Empresarial pela FGV-RJ. Sua
trajetória é marcada pela atuação na própria Squadra Investimentos, da
qual foi sócio fundador e Senior Partner, atuando como analista de
investimentos de 2008 a 2025 com foco nos setores de saúde, commodities e
facilities. Antes da Squadra, trabalhou como analista de ações na JGP
Asset Management.
Por fim, Eduardo Parente Menezes é engenheiro de
produção pela UFRJ e mestre em administração pela Universidade de Nova
Iorque. Atualmente é Chairman da Equatorial, conselheiro da Sabesp e
assessor do conselho da UTP no Peru. Entre 2018 e 2025, presidiu o Grupo
Yduqs. Antes disso, comandou a Companhia Siderúrgica do Pecém, o Porto
do Açu e a MRS Logística, foi diretor da Vale e passou nove anos na
McKinsey & Company, onde chegou a sócio responsável pelo escritório
do Rio de Janeiro.
A dança das cadeiras na diretoria
Afora eventuais mudanças no Conselho, a administração da empresa passa por mudanças severas.
Em menos de três anos, dos sete executivos-chave escalados no Investor Day
da empresa para apresentar a estratégia e gestão, apenas dois
permanecem na empresa – sendo que um deles é o CEO e membro da família
fundadora e o outro renunciou oficialmente, sendo recontratado 20 dias
depois para assumir outra função.
Jorge Pinheiro, o CEO,
irá deixar o cargo. Depois de quase três décadas à frente da empresa,
ele seguirá apenas como Conselho de Administração. O empresário ainda
segue no posto, mas está em período de transição.
Ele passará o
bastão para Luccas Adib, até então CFO e CTO da companhia. Adib
ingressou no C-level como CFO em dezembro de 2023 e assumiu também a
função de tecnologia em abril de 2025.
A
Squadra também vê uma questão a ser resolvida por aí – a gestora pede
que o Conselho a ser eleito no fim deste mês reavalie esta transição
antes de aprová-la.
A Hapvida também consolidou o anúncio de
mudanças nas lideranças na semana passada, cujas nomeações ainda serão
submetidas ao Conselho de Administração na assembleia do dia 30 de
abril:
Lucas Garrido — Vice-presidente de Finanças (CFO)
Fabiane Reschke — Vice-presidente Jurídica (CLO)
Felipe Nobre — Vice-presidente de Estratégia, M&A e Relações com Investidores
Felipe Araújo — Vice-presidente de Pessoas
Gianfranco Lucchesi — Vice-presidente de Planos Premium
Bruno Pinto — Vice-presidente de Relacionamento Médico e Sinistro (Chief Medical Officer)
Daniel Vidotti — Vice-presidente de Tecnologia (CIO)
Nicolau Camargo — Vice-presidente de Clientes
Essa dança das cadeiras ocorre enquanto a família Pinheiro
concentrou ainda mais poder ao comprar 47 milhões de ações por meio de
um derivativo com o BTG Pactual – movimento que elevou sua participação
no capital total. Com isso, a família se tornou formalmente a acionista
majoritária.
A IstoÉ Dinheiro entrou em contato com a Hapvida, que não respondeu pedidos de comentário. O espaço segue aberto.
De
2025 para 2026, o número de pessoas vivendo em casa própria quitada
reduziu ao passo que o número de pessoas vivendo em casa alugada e
pagando pelo domicílio expandiu, mostra a PNAD Contínua/IBGE, divulgada
nesta sexta-feira, dia 17
Casa própria no país (Crédito: Cecília Bastos/ USP Imagens)
Tatiana Schnoori
De 2025 para 2026, o número de pessoas vivendo em casa própria quitada reduziu ao passo que o número de pessoas vivendo em casa alugada
e pagando pelo domicílio expandiu. No recorte de tempo de 2016 para
2025, o número de domicílios alugados foi o que mais cresceu, 54,1%, de
12,2 milhões para 18,9 milhões, mostra a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua/IBGE), divulgada nesta sexta-feira, dia 17.
O
IBGE revela um crescimento de 2,6% no número de domicílios no Brasil,
um aumento de 2 milhões de unidades, de 2024 para 2025, totalizando 79,3
milhões de domicílios (2025) contra 77,3 milhões (2024).
De
2024 para 2025, o número total de domicílios próprios e quitados
apresentou redução de 61,6% para 60,2%, o que corresponde a 47,8 milhões
de domicílios. A comparação mostra uma queda de 1,4% entre os períodos.
.divulgação/IBGE. PNAD Contínua 2025 -recorte domicílios e
Com
relação ao percentual de domicílios próprios ainda em pagamento, a
pesquisa mostra que houve um aumento de 6% para 6,8% (5,4 milhões), de
2024 para 2025. Com relação ao aluguel, a expansão foi de 23% para 23,8%
na mesma base de comparação.
Por
tipo de unidade domiciliar, as casas correspondem a 82,7% (65,6
milhões) do total de domicílios no país, enquanto que os apartamentos
totalizam 17,1% (13,6 milhões).
Num
recorte de tempo mais amplo, de 2016 para 2025, o número de
apartamentos expandiu 48,7%, enquanto o de casas cresceu 14,2%,
contribuindo para o declínio na participação de casas e aumento na de
apartamentos, dentre o total de domicílios no país.
De 2016 para 2025
Em
2025, o número de domicílios particulares permanentes aumentou 18,9%,
de 66,7 milhões para 79,3 milhões, em comparação com 2016. Neste
período, o número de domicílios alugados foi o que mais cresceu, 54,1%,
de 12,2 milhões para 18,9 milhões. Já os domicílios próprios ainda
pagando tiveram elevação de 31,2%, enquanto os já pagos subiram 7,3%. As
informações são da Pnad Contínua: Características dos domicílios e
moradores, divulgada hoje (17) pelo IBGE.
O
aumento das unidades domiciliares alugadas foi um dos destaques, de
acordo com o analista da pesquisa, William Kratochwill. “Foi um aumento
de 5,4 pontos percentuais em relação a 2016. Quase um quarto dos
domicílios brasileiros são alugados, enquanto a taxa de domicílios
próprios ainda pagando não variou muito ao longo do tempo; de 6,2, em
2016, para 6,8, em 2025. Já domicílio próprio que já está pago vem
diminuindo e chegou a 60,2%. É uma redução de 6,6 pontos percentuais, em
relação a 2016”.
Bens de consumo
Entre
os bens mais consumidos nos domicílios no país no período, a pesquisa
mostra que a máquina de lavar roupa foi o item mais adquirido, com
expansão de 70,4% (2024) para 72,1% (2025). Em segundo lugar foi a
motocicleta, que registou expansão de 25,7% (2024) para 26,2% (2025),
seguido do item carro, que expandiu de 48,8 (2024) para 49,1% (2025), de
acordo com o levantamento do IBGE.
Fim temporário do bloqueio naval em Ormuz afasta temor de maior choque de oferta da história e derruba preços da commodity
Da IstoÉ Dinheiroi
Os preços do petróleo desabam mais de 10% nesta sexta-feira, 17, após o Irã anunciar a reabertura do Estreito de Ormuz.
Abbas Araghchi, o atual ministro das Relações Exteriores do Irã, declarou que a reabertura do Estreiro de Ormuz seguirá durante o restante do período de cessar-fogo do conflito, de 10 dias – em linha com o cessar-fogo do Líbano.
A passagem das embarcações seguirá uma rota coordenada já anunciada pela Organização de Portos e Assuntos Marítimos do país.
Nesse contexto, o petróleo Brent
cai 12,81% a US$ 86,66 por volta das 12h (horário de Brasília). Os
contratos para maio do West-Texas Intermediate (WTI) recuam 13,92% a US$
81,51.
A
incursão militar dos EUA e Israel no Irã, no fim de fevereiro, foi o
gatilho para o fechamento do estreito – passagem por onde transita 20%
do petróleo e do gás natural liquefeito de todo o mundo.
O
fechamento do estreito foi descrito por especialistas como um evento que
poderia ocasionar o pior choque de oferta do petróleo da história
global.
No
início deste mês o diretor executivo da Agência Internacional de
Energia (IEA), Fatih Birol, classificou a atual crise de petróleo como a
mais grave da história moderna, superando os impactos combinados dos
choques petrolíferos de 1973, 1979 e 2022.
O Fundo Monetário
Internacional (FMI) já revisou sus projeções e, nesta semana, reduziu as
expectativas para o crescimento econômico global, alertando que a
possibilidade de recessão é concreta na eventualidade de o conflito se
prolongar.
Navios iranianos retomam escoamento de barris de petróleo
Segundo
informações da AFP, três navios petroleiros iranianos deixaram na
quarta-feira, 15, o Golfo pelo Estreito de Ormuz com cinco milhões de
barris de petróleo, os primeiros desde o início do bloqueio dos Estados
Unidos aos portos do Irã.
A Kpler, empresa de dados marítimos, aponta que as embarcações Deep Sea’, Sonia I e Diona – então alvos de sanções dos EUA – atravessaram a passagem.
Enquanto o Deep Sea e o Diona transportam dois milhões de barris cada um, o Sonia I carrega um milhão de barris de petróleo.
Os EUA sustentavam, desde segunda-feira 13, um bloqueio aos portos iranianos.
Mercado de peixes em São Paulo, em imagem de arquivo (Crédito: Jorge Silva/Reuters)
Da Istoé Dinheiro com Reuters e Estadão Conteúdoi
O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), sinalizador do Produto Interno Bruto (PIB),
registrou alta de 0,6% em fevereiro na comparação com o mês anterior,
segundo dados divulgados pelo BC nesta quinta-feira, 16.
O resultado veio acima do esperado. A expectativa em pesquisa da Reuters para o resultado de fevereiro era de avanço de 0,47%.
Na
comparação com o mesmo mês do ano anterior o IBC-Br teve queda de 0,3%,
enquanto no acumulado em 12 meses passou a um ganho de 1,9%, de acordo
com números não dessazonalizados.
O
IBC-Br ex-agropecuária, que exclui os efeitos do setor da conta,
aumentou 0,61% em fevereiro, após uma alta de 0,96% no mês anterior
(revisado, de 0,86%). O indicador próprio da agropecuária subiu 0,23%,
após queda de 1,32% em janeiro (revisado, de -1,49%).
O índice de
serviços cresceu 0,29%, após subir 0,87% no mês anterior (revisado de
0,81%); o da indústria aumentou 1,18%, após aumentar de 0,40% em janeiro
(revisado, de 0,37%); e o de impostos – equivalente, em linhas gerais, à
rubrica de impostos líquidos sobre produtos do Produto Interno Bruto (PIB) – cresceu 0,75%, após alta de 0,78% em janeiro (revisado de 0,47%).
Expectativas
Analistas
acreditam que a economia brasileira deve continuar mantendo alguma
força em 2026, em meio a um mercado de trabalho ainda forte e medidas de
estímulo, como a isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5
mil, que favorecem o consumo.
No entanto, o conflito entre Estados
Unidos e Israel contra o Irã já pressionou os preços de transportes e
alimentos em março, com o IPCA avançando 0,88% no mês, taxa mais alta em
cerca de um ano.
No
mês passado, o Banco Central reduziu a taxa básica Selic em 0,25 ponto
percentual, a 14,75%, mas alertou para cautela em relação aos passos à
frente devido à guerra no Oriente Médio.