sábado, 18 de abril de 2026

O que está em jogo no leilão de 700 Mhz da Anatel e o desafio do 5.5G

 

 

Marcado para 30 de abril, o leilão da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) para o processo de concessão da faixa de radiofrequência de 700 MHz é um passo decisivo para a consolidação da tecnologia 5G país afora.

A tecnologia é implementada desde 2020 pelas gigantes de telecomunicações. Mas esta faixa vai permitir o alcance de quase um milhão de pessoas em locais onde há menos antenas. Diferentemente da faixa de 3,5 GHz, leiloada em 2021 e focada em altíssima capacidade de dados, o espectro de 700 MHz é uma frequência baixa que se destaca pelo seu impressionante alcance geográfico.

Por permitir que o sinal percorra distâncias maiores e atravesse obstáculos físicos com facilidade, a faixa a ser leiloada em 2026 é considerada essencial para garantir que a conectividade funcione com qualidade dentro de residências, escolas, hospitais e edifícios, além de reduzir drasticamente os custos de implantação em áreas de baixa densidade demográfica.

As companhias interessadas entregaram propostas nesta quarta-feira, 15 de abril. O processo recebeu o aval do Tribunal de Contas da União (TCU) em fevereiro deste ano, após a constatação de que o avanço da TV digital permitiu uma reorganização eficiente das frequências, liberando espaço para a expansão dos serviços móveis.

Para a Anatel, esta licitação é fundamental para aumentar competitividade setorial e para a melhoria da qualidade dos serviços prestados ao consumidor final, atacando diretamente os vazios de conectividade que ainda persistem fora dos grandes centros urbanos. A expectativa do governo federal é de que o certame beneficie diretamente pelo menos 800 mil pessoas em 864 pequenas localidades.

O plano do governo federal com o novo leilão, realizado em conjunto com o Ministério das Comunicações, é levar sinal de qualidade para rodovias e cidades distantes e, assim, buscar reduzir a desigualdade digital. Ao permitir que áreas rurais e estradas sejam atendidas com um número menor de torres, o leilão assegura que mais brasileiros tenham acesso a serviços digitais essenciais e às oportunidades econômicas oferecidas via rede mundial de computadores.

O desafio do 5.5G

Enquanto mais faixas são leiloadas, e a implementação do 5G segue, a indústria de telecomunicações no Brasil vive um momento de pragmatismo estratégico. Nos últimos meses do ano passado veio à tona o posicionamento das gigantes do setor — Vivo, Claro e TIM — diante da evolução do 5.5G no mundo. Com velocidade três vezes superior ao 5G, além de outras características que melhor atendem à evolução da inteligência artificial generativa, o 5.5G, ou 5G Advanced (5GA), como tecnicamente é conhecido, por ora não é o foco nos planos de investimentos. O momento é de observação e pequenos testes.

Após investirem dezenas de bilhões de reais para implementar e consolidar a infraestrutura do 5G ao redor do território brasileiro, as operadoras demonstram cautela em relação a sua evolução. É que o ciclo de negócios do 5G ainda está em desenvolvimento e o capital massivo injetado nas antenas e leilões de frequências ainda não gerou o retorno esperado sobre o investimento (ROI), evidenciou uma reportagem do Estadão.

Desde que começou a ser implementado em 2020, o 5G brasileiro cobre cerca de 1,2 mil cidades e alcançava, ao final de 2025, 73% da população. Em termos de adesão, o serviço já contabiliza 50 milhões de clientes, mas isso representa aproximadamente 19% da base total de usuários móveis no País. É um cenário que evidencia a ainda vasta avenida de crescimento para o 5G convencional antes que a migração para o próximo patamar se torne uma necessidade comercial imperativa.

Por sua vez, o 5.5G — tecnicamente chamado de 5G Advanced (5GA) — já está disponível por meio de fornecedores globais como Ericsson, Huawei e Nokia desde 2024. No Brasil, contudo, o que se observa são testes controlados e lançamentos pontuais. As teles têm ativado o sinal em áreas geográficas restritas e voltadas a nichos específicos.

Um dos principais gargalos é a barreira de entrada para o consumidor. A oferta de smartphones aptos a processar o sinal 5.5G ainda é baixa, e os preços desses dispositivos raramente ficam abaixo dos R$ 2,5 mil, o que restringe o acesso às classes de maior renda. Apesar da resistência comercial imediata, o potencial técnico do 5.5G é inegável e aponta para o futuro da conectividade. A tecnologia proporciona uma velocidade média de 1,5 gigabit por segundo (Gbps), patamar três vezes superior ao 5G atual.

Além da rapidez, o sistema oferece latência reduzida, menor consumo de energia e a capacidade de conectar simultaneamente um número significativamente maior de dispositivos em uma única antena. Na prática, isso soluciona o travamento de vídeos em locais com altíssima densidade de pessoas, como estádios e festivais. Mas o desafio de 2026 para as operadoras não é apenas técnico, mas de gestão: equilibrar o apetite por inovação com a saúde financeira de um setor que ainda está pagando a conta da revolução anterior.

Rio terá lei contra abuso a mulheres no transporte coletivo

 

A nova política aplica-se, exclusivamente, aos condutores de transporte coletivo de passageiros, transporte por aplicativo e táxi. Inclui ações como protocolos de atuação para condutores e demais profissionais do transporte coletivo de passageiros diante de situações de violência contra mulheres no interior dos veículos, priorizando a assistência à vítima e o acionamento imediato das autoridades policiais.

A deputada Lilian Behring (PCdoB), autora do projeto, destacou que a iniciativa nasce da necessidade de enfrentar uma realidade ainda presente no cotidiano de muitas mulheres.

“Essa lei nasce da escuta de mulheres que sentem medo ao usar o transporte público. Não é aceitável que um espaço de deslocamento se transforme em um ambiente de violência e insegurança”.

Entre as medidas previstas está a possibilidade de capacitação dos profissionais do setor para que saibam identificar situações de risco e agir de forma adequada, contribuindo para a proteção das passageiras.

“Nosso objetivo é orientar e preparar esses profissionais para que saibam como agir. Muitas vezes, uma atitude rápida pode interromper uma situação de violência e garantir proteção à vítima”, explicou Lilian.

A lei também determina que o Departamento de Transportes Rodoviários do Rio de Janeiro (Detro) disponibilize um canal de orientação e encaminhamento de denúncias às autoridades.

Para a parlamentar, a medida fortalece a rede de proteção e amplia o acesso das mulheres a mecanismos de denúncia.

“Criar um canal dentro do próprio sistema de transporte é facilitar o caminho para que essas mulheres sejam ouvidas e acolhidas. É transformar estrutura em proteção real”, acrescentou.

Fim da escala 6×1: entenda a discussão no Congresso e os argumentos a favor e contra

 

O fim da escala 6×1 está no centro do debate não só no ambiente produtivo como político. O projeto, que prevê o redução da jornada semanal sem redução de salário, e dois dias de descanso na semana, tem sido a bandeira do governo atual desde que foi aprovada a reforma do imposto de renda que isentou o pagamento do imposto para rendas de até R$ 5 mil na média por mês.

Na terça-feira, 14, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou ao Congresso Nacional o projeto de lei (PL) que prevê o fim com a escala de seis dias trabalhados para um de descanso (6×1), e reduz a jornada de trabalho para, no máximo, 40 horas semanais. O PL foi publicado em edição extra do Diário Oficial.

Segundo o texto, os repousos semanais remunerados “deverão coincidir, preferencialmente, com o sábado e o domingo, ressalvadas quanto à escolha dos dias as peculiaridades de cada atividade ou negociação coletiva de trabalho”. A medida vale tanto para contratos em vigor como contratos futuros. A proibição da redução salarial se aplica a todos os regimes, incluindo trabalho em regime integral, parcial e regimes especiais.

A medida entraria em vigor após a aprovação da lei. Como foi enviado com urgência constitucional, a Câmara teria até 45 dias para apreciar a proposta, sob risco de travar a pauta. O Senado teria o mesmo prazo.

– (Crédito:Tânia Rêgo/Agência Brasil)

Além do PL enviado por Lula, outras duas PECs (Proposta de Emenda à Constituição) sobre o fim da escala 6×1 estão em tramitação no Congresso. As duas propostas estão na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara. Uma é da deputada Erika Hilton (PSOL-SP), a PEC 8/2025, e outra, a PEC 221/2019,  do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG). Ambas defendem jornadas de trabalho de 36 horas semanais, mas a de Erika Hilton aponta um período de adaptação para o mercado de um ano, e a de Lopes um período de transição de 10 anos.

  • PEC 221/2019 – Reginaldo Lopes (PT-MG)

Foi apresentada em 2019 e prevê “duração do trabalho normal não superior a oito horas diárias e trinta e seis semanais, facultada a compensação de horários e a redução da jornada, mediante acordo ou convenção coletiva de trabalho”.

  • PEC 8/2025 – Erika Hilton (PSOL-SP)

Apresentada em 2026 , também prevê um teto de oito horas diárias e 36 semanais, mas com diferenças. O dispositivo adiciona “jornada de trabalho de quatro dias por semana”, o que transformaria a escala 6×1 em escala 4×3. Além disso, o texto define que a emenda constitucional entra em vigor um ano após a data da publicação.

O ministro da Secretaria de Relações Institucionais (SRI), José Guimarães, afirmou que é possível discutir um período de transição para o fim da escala de seis dias de trabalho e um de descanso. Contudo, rejeitou a desoneração de empresas como forma de compensação para a implantação da medida. “Não tem que ter mais desoneração. Pelo contrário, o país não suporta isso. Não tem país que sobreviva economicamente, com o governo renunciando a quase um trilhão de reais”.

De um lado, associações, entidades e empresários

As associações representativas dos setores produtivos, em geral, destacam os impactos negativos do fim da escala 6×1, apontando aumento de custos, que serão repassados ao consumidor, redução de lucro e inflação. Os setores mais afetados seriam Transporte Aéreo (53,2%), Alojamento (52%) e Alimentação (47,1%). As micro e pequenas empresas possuem a maior proporção de trabalhadores nesta escala.

Um levantamento divulgado nessa semana pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que o PIB do país sofrerá uma queda de 0,7% se a jornada de trabalho for reduzida de 44 para 40 horas semanais. Isso equivale a uma perda de R$ 76,9 bilhões para a economia brasileira.

Anteriormente, a CNI já havia divulgado que o custo da redução de jornada de trabalho até 40 horas poderia ser de R$ 178,2 bilhões a R$ 267,2 bilhões por ano. Isso significaria um impacto de 7% na folha de pagamentos. A projeção considerou dois cenários: compensando a redução com horas extras ou com contratações novas. Segundo a projeção da CNI, os impactos serão sentidos com maior força na indústria da construção e nas micro e pequenas empresas industriais.

A entidade destaca que a indústria é o setor que mais será impactado, caso o Congresso Nacional aprove a medida. “O segmento enfrentará a maior queda no PIB em termos relativos, de 1,2%, o equivalente a R$ 25,4 bilhões. Além da redução nas horas trabalhadas, o aumento generalizado dos preços da economia em razão da alta do custo do trabalho impactará em perda de competitividade para a indústria nacional, ampliando os efeitos negativos da redução da jornada sobre o setor”, diz a CNI.

A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), que representa um dos setores mais impactados, alega que, mais do que uma questão de custo, há o desafio da escassez de mão-de-obra, em uma economia que já está em seus patamares históricos mínimos de desemprego.

A Abrasel argumenta ainda que, tanto os menores negócios, como as cidades menores, ambos com menos poder de barganha, sairiam perdendo, assim como o consumidor, que vai pagar parte dessa conta e não vai gostar. “O que está faltando nessa discussão é conversar com o consumidor. Que o consumidor é o verdadeiro pagador dessa conta”, aponta Paulo Solmucci, presidente da Abrasel Nacional. A solução, afirma, estaria no contrato de trabalho no modelo intermitente.

“Muitas entidades patronais sustentam que o assunto não deveria ser regulado por lei, mas sim pela negociação coletiva de trabalho, que permitiria a adoção das medidas em conformidade com as peculiaridades de cada setor de atividades econômica e observadas as possibilidades de cada empresa”, destaca Otávio Pinto, sócio do Granadeiro Advogados.

A Abrasce (Associação Brasileira de Shopping Centers) é uma delas. De acordo com a associação, a imposição de uma regra única, sem considerar diferenças setoriais, pode gerar impactos severos no emprego e no consumo. Segundo estudo desenvolvido em parceria com a Tendências Consultoria, o setor de shopping centers pode registrar uma perda de R$ 14,8 bilhões em faturamento e retração de até 12,2% no emprego formal, o que representa 130 mil postos de trabalho — nível semelhante aos registrados na pandemia.

Já a CNC (Confederação Nacional do Comércio) calcula cerca de 31,5 milhões de brasileiros diretamente impactados pela mudança, a maioria nos setores de serviços e comércio. Nesses segmentos econômicos, o percentual de empregados com contratos superiores a 40 horas semanais chega a 90%.

De outro lado, governo, sindicatos e trabalhadores

Segundo o governo, cerca de 14 milhões de brasileiros trabalham na escala 6×1 atualmente — incluindo 1,4 milhão de trabalhadoras domésticas. Além disso, 26,3 milhões de celetistas não recebem horas extras, o que indica jornadas frequentemente mais longas na prática.

O argumento é que ao ampliar o tempo livre, o projeto busca melhorar a qualidade de vida, fortalecer a convivência familiar e reduzir impactos na saúde. Segundo a Previdência, em 2024, o país registrou cerca de 500 mil afastamentos por doenças psicossociais relacionadas ao trabalho. As jornadas mais extensas estão concentradas entre trabalhadores de menor renda e menor escolaridade, o que faz da proposta também uma medida de redução de desigualdades no mercado de trabalho.

No final de fevereiro, a Secretaria de Comunicação (Secom) divulgou um levantamento da economista Marilane Teixeira, pesquisadora do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (Cesit) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), mostrando que a redução da jornada semanal de trabalho de 44 para 36 horas teria potencial de gerar até 4,5 milhões de novos empregos no Brasil e elevaria em cerca de 4% os níveis de produtividade no país.

O Sebrae, que atua no suporte às MPEs, endossa o lado do governo e diz que está pronto para apoiar os empreendedores na adequação à nova jornada, caso se confirme a proposta. Em entrevista à IstoÉ Dinheiro, o presidente do Sebrae nacional, Décio Lima, considera que a redução da jornada é uma modernização do mercado de trabalho brasileiro, e não deve ser vista apenas pelo ponto de vista do “custo momentâneo na planilha”.

Lima reforça o argumento da qualidade de vida dos trabalhadores – 90% dos empregados formais estão em pequenas empresas – e no ganho de produtividade e bem-estar com a mudança no mercado de trabalho. “Quanto mais abelha, mais mel, a economia cresce”, diz. Para ele, uma economia humanizada, que permita uma distribuição de renda melhor, “naturalmente vai gerar um processo de um crescimento econômico”.

Outro argumento por parte dos que defendem a mudança está em experiências em outros países. “Experiências internacionais mostram que, quando implementada com planejamento e diálogo, a redução da jornada contribui para melhor organização do trabalho e ganhos de produtividade”, afirma o governo federal.

O Chile aprovou a redução gradual da jornada de 45 para 40 horas semanais até 2029, enquanto a Colômbia está em transição de 48 para 42 horas até 2026. Na Europa, a jornada de 40 horas ou menos é predominante: a França adota 35 horas semanais desde os anos 2000, e países como Alemanha e Holanda operam, na prática, com médias inferiores a 40 horas.

Contudo, a advogada do TGA Advogados, Marilia Mayumi Miyamoto, diz que essa comparação exige cautela. “Países que adotam jornadas menores, em especial na Europa, apresentam níveis de produtividade significativamente superiores aos do Brasil, o que lhes permite manter altos níveis de renda e competitividade mesmo com menos horas trabalhadas. No Brasil, por outro lado, a produtividade média ainda é substancialmente inferior, o que torna arriscada a simples importação desses modelos sem as devidas adaptações”.

Segundo um estudo da consultoria 4Intelligente, No Brasil, a produtividade do trabalho está estagnada há mais de uma década devido ao baixo investimento e à complexidade tributária e reduzir a jornada para 40 horas exigiria um aumento imediato de 1,4% na produtividade para não prejudicar o crescimento do PIB.

Um embate de 40 anos

A ideia de reservar dois dias na semana para a folga dos trabalhadores brasileiros não é nova. Na verdade, a proposta de reduzir a jornada para 40 horas na semana chegou a ser aprovada em uma comissão, no Congresso, em 1987, durante a elaboração da Constituição Federal de 1988. Ou seja, há quase 40 anos.

À época, milhões de trabalhadores enfrentavam uma realidade ainda mais pesada que a atual, de 48 horas semanais, regulamentadas em 1943, na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), durante o primeiro governo Getulio Vargas.

No cálculo atual, as 44 horas preveem cinco dias de oito horas de trabalho, um com quatro e outro de folga remunerada. Na maior parte das vezes, isso significa, para os empregados, apenas um dia e meio de folga no fim de semana.

Até 5 de outubro de 1988, quando a Constituição atual entrou em vigor, os trabalhadores submetidos ao regime geral da CLT tinham, na prática, apenas um dia de descanso remunerado, já que as 48 horas determinavam o trabalho integral de segunda a sábado – com uma hora de intervalo para o almoço.

Durante a tramitação do anteprojeto da proposta pela Comissão de Sistematização, última etapa antes da redação da Constituição, os deputados acabaram encontrando um meio-termo: a jornada de 44 horas semanais. A demanda pelas 40 horas continuou, com novas emendas apresentadas, mas no fim o Plenário aprovou a Constituinte com a redação atual.

*Com informações de Agência Brasil, Deutsche Welle, Estadão Conteúdo e Reuters

sexta-feira, 17 de abril de 2026

R$ 80 bilhões incinerados e conselho mais caro da bolsa: entenda o imbróglio da Hapvida e o que está em jogo

 

Há cerca de seis anos a Squadra Investimentos, de Guilherme Aché, publicou uma carta detalhando uma série de problemas e irregularidades nos balanços contábeis do IRB, em um dos episódios mais conhecidos do mercado financeiro em um passado recente. Neste mês de abril, novamente, a gestora publicou uma carta – mas desta vez não para falar de fraudes, mas do aparente descompasso entre a administração da Hapvida e a realidade que a companhia vivencia.

No documento de cerca de 15 páginas a Squadra levanta os mais diversos problemas da empresa no momento atual e pleiteia mudanças na gestão. Mudanças no Conselho de Administração da Hapvida, mais especificamente.

O colegiado de nove pessoas – dos quais três são membros da família fundadora, os Pinheiro Koren de Lima – recebe uma remuneração de R$ 57 milhões. É o terceiro conselho mais caro do país, ficando apenas atrás de Bradesco (R$ 65 milhões) e Rede D’Or (R$ 62 milhões).

O ponto, entretanto, é que proporcionalmente se trata do conselho mais caro com bastante folga. Isso, dado que Bradesco e Rede D’Or são companhias com valor de mercado de R$ 190 bilhões e R$ 89 bilhões, respectivamente. A Hapvida vale R$ 6,2 bilhões atualmente, e valia cerca de R$ 5 bilhões há dias atrás.

Com isso, a razão entre a remuneração do conselho e o valor de mercado da Hapvida é de 114 basis-points (bps). No caso do Bradesco são 3bps.

O Conselho do Itaú, uma das empresas mais valiosas do Ibovespa, com R$ 476 bilhões de valor de mercado, custa os mesmos R$ 57 milhões. A razão é de 1bps.

Na prática, a esmagadora maioria das companhias tem uma razão que não chega a 10bps ou 20bps.

“De acordo com seu Formulário de Referência, a Companhia mantém para o Conselho de Administração remuneração variável significativa e atrelada a métricas centrais na remuneração da Diretoria Executiva – o que compromete a independência do órgão e seu papel de supervisão da gestão. No acumulado dos exercícios de 2023 e 2024, apesar de toda destruição de valor para os acionistas, o bônus recebido pelo Conselho de Administração correspondeu a 94% do ‘valor previsto no plano de remuneração, caso as metas estabelecidas fossem atingidas'”, observa a Squadra.


 

A remuneração do conselho também representa 20% do lucro previsto para a companhia neste ano, conforme o consenso dos analistas de sell-side – lucro este que é 86% menor do que o previsto anteriormente.

Para além dessa questão, a Squadra também fez apontamentos sobre a remuneração do CEO da Hapvida. Jorge Fontoura Pinheiro Koren de Lima foi apontado como um dos CEOs mais bem pagos do país nos últimos anos.

“Pacote de remuneração portentoso para o CEO da Companhia, membro da família controladora, por ocasião da combinação de negócios com a NDI. No acumulado dos exercícios de 2023 e 2024, devido ao reconhecimento desse pacote, a remuneração total do executivo mais bem recompensado foi de aproximadamente R$ 110 milhões, cifra que lhe valeu menções, em múltiplas reportagens, como um dos CEOs mais bem pagos do Brasil”, diz a carta.

Aliás, sobre a integração com a NotreDame Intermédica – um dos maiores M&As da bolsa de valores nos últimos anos – a gestora também destaca que foi um negócio que não só ficou aquém do esperado mas que destruiu valor.

“Desde a concretização da combinação de negócios com a Notre Dame Intermédica (NDI) há 4 anos, o valor de mercado acumula queda de R$ 80 bilhões, não tendo sido capturadas, nem de perto, as sinergias anunciadas ao mercado à época da transação”, diz a casa.

Nesse panorama, e com uma série de outros apontamentos, em praticamente um dossiê, a gestora de Guilherme Aché considera que a Hapvida promoveu ‘uma das maiores destruições de valor da história do mercado de capitais brasileiro’ desde o seu IPO, em 2018.

O descolamento das ações da Hapvida do Ibovespa – e do seu setor

Desde o seu IPO em meados de 2018, a Hapvida viu suas ações derreterem mais de 85%. Nessa mesma janela o Ibovespa saltou mais de 120%.

Dados da Bloomberg mostram que em meados de 2023 eram 15 analistas do sell-side que recomendavam a compra dos papéis. Atualmente uma única casa recomenda compra das ações da Hapvida.

Negociados a atuais R$ 12, os papéis HAPV3 mostram que foram mais de R$ 80 bilhões de destruição de valor de mercado. Para além do comparativo com o principal índice da bolsa de valores, o setor de saúde em si vive um momento positivo.

No ano de 2025, conforme dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), os planos de saúde registraram o maior lucro da série histórica, em um ano marcado por reajustes acima dos custos. O setor somou receitas de R$ 391,6 bilhões e lucro líquido de R$ 24,4 bilhões no ano passado.

No ano em questão a Hapvida somou receitas de R$ 30,8 bilhões, alta de 6% ante o exercício anterior. O lucro foi de R$ 1,2 bilhão (queda de 32%) e o Ebitda foi de R$ 3,37 bilhões (queda de 11%).

A Rede D’Or, na mesma janela, lucrou R$ 3,9 bilhões com R$ 51 bilhões de receita, representando crescimentos de 81% e 9%, respectivamente. A Fleury teve um salto de 32% no seu lucro líquido, para R$ 616 milhões, com R$ 7,7 bilhões de receita líquida, registrando alta de 18%.

Na prática, a Hapvida nadou de braçada – mas na direção contrária do setor, com encolhimento de dois dígitos percentuais em linhas do bottom line do balanço. Isso, fruto de uma operação que também encolheu.

Segundo dados da própria empresa, foram 238 mil beneficiários perdidos nas regiões Sudeste e Sul, enquanto a ANS mostrou um incremento de 792 mil beneficiários nas regiões em questão (já incluindo neste número as perdas registradas pela empresa).

O que quer a Squadra Investimentos

Os levantamentos sobre a situação da companhia, vale destacar, não vieram à toa. A Squadra é dona de 7% das ações votantes da companhia e 5% do capital social total.

A PPAR Pinheiro Participações S.A. – que contempla a PPAR Participações, pessoas físicas do controle da empresa e a família Pinheiro – detém 40%, ao passo que 48,5% das ações da Hapvida estão em circulação, o chamado free float.

Neste contexto, há alguma queda de braço sobre o futuro da empresa.

Enquanto a proposta da administração atual é pela renovação automática do Conselho, a Squadra quer uma renovação do colegiado. A proposta da administração, aliás, será submetida à votação em uma Assembleia Geral Ordinária a ser realizada no dia 30 de abril.

“A Squadra requer que a eleição de membros do Conselho de Administração na próxima Assembleia Geral Ordinária se dê com a adoção do processo de voto múltiplo na forma do art. 141 da Lei 6.404/76 e indica, por meio desta carta, três candidatos que acredita terem a experiência e complementariedade essenciais para a correção de rota que a Companhia necessita”, pede a gestora, ao fim do documento.

Com isso, a casa sugere três nomes para o conselho:

  • Tania Sztamfater Chocolat
  • Bruno Magalhães e Silva
  • Eduardo Parente Menezes

Tania Sztamfater Chocolat é engenheira de produção pela Escola Politécnica da USP com carreira construída inteiramente no mercado financeiro. Atualmente integra os conselhos de administração da Equatorial Energia, Totvs e EMAE, além dos conselhos consultivos da Fundação OSESP e da WCD Brasil. Sua trajetória mais recente foi no CPP Investments, um dos maiores fundos de pensão do mundo, onde entre 2017 e março de 2026 liderou o escritório de São Paulo e a área de Active Equities para a América Latina. Antes disso, passou pela Capital Group liderando investimentos de Private Equity no Brasil e por quase uma década no Itaú Unibanco em posições seniores de Investment Banking, Research e Private Banking.

Bruno Magalhães e Silva é administrador de empresas pelo IBMEC com pós-graduação em Direito Empresarial pela FGV-RJ. Sua trajetória é marcada pela atuação na própria Squadra Investimentos, da qual foi sócio fundador e Senior Partner, atuando como analista de investimentos de 2008 a 2025 com foco nos setores de saúde, commodities e facilities. Antes da Squadra, trabalhou como analista de ações na JGP Asset Management.

Por fim, Eduardo Parente Menezes é engenheiro de produção pela UFRJ e mestre em administração pela Universidade de Nova Iorque. Atualmente é Chairman da Equatorial, conselheiro da Sabesp e assessor do conselho da UTP no Peru. Entre 2018 e 2025, presidiu o Grupo Yduqs. Antes disso, comandou a Companhia Siderúrgica do Pecém, o Porto do Açu e a MRS Logística, foi diretor da Vale e passou nove anos na McKinsey & Company, onde chegou a sócio responsável pelo escritório do Rio de Janeiro.

A dança das cadeiras na diretoria

Afora eventuais mudanças no Conselho, a administração da empresa passa por mudanças severas.

Em menos de três anos, dos sete executivos-chave escalados no Investor Day da empresa para apresentar a estratégia e gestão, apenas dois permanecem na empresa – sendo que um deles é o CEO e membro da família fundadora e o outro renunciou oficialmente, sendo recontratado 20 dias depois para assumir outra função.

Jorge Pinheiro, o CEO, irá deixar o cargo. Depois de quase três décadas à frente da empresa, ele seguirá apenas como Conselho de Administração. O empresário ainda segue no posto, mas está em período de transição.

Ele passará o bastão para Luccas Adib, até então CFO e CTO da companhia. Adib ingressou no C-level como CFO em dezembro de 2023 e assumiu também a função de tecnologia em abril de 2025.

“Reconheço, no entanto, que os resultados financeiros recentes ficaram aquém do que somos capazes de entregar. Poderíamos ter feito mais e melhor. Essa consciência nos move”, disse o executivo, em uma carta enviada aos acionistas no início deste mês.

A Squadra também vê uma questão a ser resolvida por aí – a gestora pede que o Conselho a ser eleito no fim deste mês reavalie esta transição antes de aprová-la.

A Hapvida também consolidou o anúncio de mudanças nas lideranças na semana passada, cujas nomeações ainda serão submetidas ao Conselho de Administração na assembleia do dia 30 de abril:

  • Lucas Garrido — Vice-presidente de Finanças (CFO)
  • Fabiane Reschke — Vice-presidente Jurídica (CLO)
  • Felipe Nobre — Vice-presidente de Estratégia, M&A e Relações com Investidores
  • Felipe Araújo — Vice-presidente de Pessoas
  • Gianfranco Lucchesi — Vice-presidente de Planos Premium
  • Bruno Pinto — Vice-presidente de Relacionamento Médico e Sinistro (Chief Medical Officer)
  • Daniel Vidotti — Vice-presidente de Tecnologia (CIO)
  • Nicolau Camargo — Vice-presidente de Clientes

Essa dança das cadeiras ocorre enquanto a família Pinheiro concentrou ainda mais poder ao comprar 47 milhões de ações por meio de um derivativo com o BTG Pactual – movimento que elevou sua participação no capital total. Com isso, a família se tornou formalmente a acionista majoritária.

A IstoÉ Dinheiro entrou em contato com a Hapvida, que não respondeu pedidos de comentário. O espaço segue aberto.

Casa alugada é a principal opção de moradia para o brasileiro, mostra IBGE

 

 

De 2025 para 2026, o número de pessoas vivendo em casa própria quitada reduziu ao passo que o número de pessoas vivendo em casa alugada e pagando pelo domicílio expandiu. No recorte de tempo de 2016 para 2025, o número de domicílios alugados foi o que mais cresceu, 54,1%, de 12,2 milhões para 18,9 milhões, mostra a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua/IBGE), divulgada nesta sexta-feira, dia 17.

O IBGE  revela um crescimento de 2,6% no número de domicílios no Brasil, um aumento de 2 milhões de unidades, de 2024 para 2025, totalizando 79,3 milhões de domicílios (2025) contra 77,3 milhões (2024).

De 2024 para 2025, o número total de domicílios próprios e quitados apresentou redução de 61,6% para 60,2%, o que corresponde a 47,8 milhões de domicílios. A comparação mostra uma queda de 1,4% entre os períodos.

.divulgação/IBGE. PNAD Contínua 2025 -recorte domicílios e

Com relação ao percentual de domicílios próprios ainda em pagamento, a pesquisa mostra que houve um aumento de 6% para 6,8% (5,4 milhões), de 2024 para 2025. Com relação ao aluguel, a expansão foi de 23% para 23,8% na mesma base de comparação.

Por tipo de unidade domiciliar, as casas correspondem a 82,7% (65,6 milhões) do total de domicílios no país, enquanto que os apartamentos totalizam 17,1% (13,6 milhões).

Num recorte de tempo mais amplo, de 2016 para 2025, o número de apartamentos expandiu 48,7%, enquanto o de casas cresceu 14,2%, contribuindo para o declínio na participação de casas e aumento na de apartamentos, dentre o total de domicílios no país.

De 2016 para 2025

Em 2025, o número de domicílios particulares permanentes aumentou 18,9%, de 66,7 milhões para 79,3 milhões, em comparação com 2016. Neste período, o número de domicílios alugados foi o que mais cresceu, 54,1%, de 12,2 milhões para 18,9 milhões. Já os domicílios próprios ainda pagando tiveram elevação de 31,2%, enquanto os já pagos subiram 7,3%. As informações são da Pnad Contínua: Características dos domicílios e moradores, divulgada hoje (17) pelo IBGE.

O aumento das unidades domiciliares alugadas foi um dos destaques, de acordo com o analista da pesquisa, William Kratochwill. “Foi um aumento de 5,4 pontos percentuais em relação a 2016. Quase um quarto dos domicílios brasileiros são alugados, enquanto a taxa de domicílios próprios ainda pagando não variou muito ao longo do tempo; de 6,2, em 2016, para 6,8, em 2025. Já domicílio próprio que já está pago vem diminuindo e chegou a 60,2%. É uma redução de 6,6 pontos percentuais, em relação a 2016”.

Bens de consumo

Entre os bens mais consumidos nos domicílios no país no período, a pesquisa mostra que a máquina de lavar roupa foi o item mais adquirido, com expansão de 70,4% (2024)  para 72,1% (2025). Em segundo lugar foi a motocicleta, que registou expansão de 25,7% (2024) para 26,2% (2025), seguido do item carro, que expandiu de 48,8 (2024) para 49,1% (2025), de acordo com o levantamento do IBGE.

(com Agência Brasil)

Petróleo desaba mais de 10% após Irã anunciar reabertura do Estreito de Ormuz durante cessar-fogo

 

 

Os preços do petróleo desabam mais de 10% nesta sexta-feira, 17, após o Irã anunciar a reabertura do Estreito de Ormuz.

Abbas Araghchi, o atual ministro das Relações Exteriores do Irã, declarou que a reabertura do Estreiro de Ormuz seguirá durante o restante do período de cessar-fogo do conflito, de 10 dias – em linha com o cessar-fogo do Líbano.

A passagem das embarcações seguirá uma rota coordenada já anunciada pela Organização de Portos e Assuntos Marítimos do país.

Nesse contexto, o petróleo Brent cai 12,81% a US$ 86,66 por volta das 12h (horário de Brasília). Os contratos para maio do West-Texas Intermediate (WTI) recuam 13,92% a US$ 81,51.

A incursão militar dos EUA e Israel no Irã, no fim de fevereiro, foi o gatilho para o fechamento do estreito – passagem por onde transita 20% do petróleo e do gás natural liquefeito de todo o mundo.

O fechamento do estreito foi descrito por especialistas como um evento que poderia ocasionar o pior choque de oferta do petróleo da história global.

No início deste mês o diretor executivo da Agência Internacional de Energia (IEA), Fatih Birol, classificou a atual crise de petróleo como a mais grave da história moderna, superando os impactos combinados dos choques petrolíferos de 1973, 1979 e 2022.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) já revisou sus projeções e, nesta semana, reduziu as expectativas para o crescimento econômico global, alertando que a possibilidade de recessão é concreta na eventualidade de o conflito se prolongar.

Navios iranianos retomam escoamento de barris de petróleo

Segundo informações da AFP, três navios petroleiros iranianos deixaram na quarta-feira, 15, o Golfo pelo Estreito de Ormuz com cinco milhões de barris de petróleo, os primeiros desde o início do bloqueio dos Estados Unidos aos portos do Irã.

A Kpler, empresa de dados marítimos, aponta que as embarcações Deep Sea’, Sonia I e Diona – então alvos de sanções dos EUA – atravessaram a passagem.

Enquanto o Deep Sea e o Diona transportam dois milhões de barris cada um, o Sonia I carrega um milhão de barris de petróleo.

Os EUA sustentavam, desde segunda-feira 13, um bloqueio aos portos iranianos.

quinta-feira, 16 de abril de 2026

‘Prévia do PIB’ do BC aponta crescimento de 0,6% em fevereiro, acima do esperado

 

O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), sinalizador do Produto Interno Bruto (PIB), registrou alta de 0,6% em fevereiro na comparação com o mês anterior, segundo dados divulgados pelo BC nesta quinta-feira, 16.

O resultado veio acima do esperado. A expectativa em pesquisa da Reuters para o resultado de fevereiro era de avanço de 0,47%.

Na comparação com o mesmo mês do ano anterior o IBC-Br teve queda de 0,3%, enquanto no acumulado em 12 meses passou a um ganho de 1,9%, de acordo com números não dessazonalizados.

O IBC-Br ex-agropecuária, que exclui os efeitos do setor da conta, aumentou 0,61% em fevereiro, após uma alta de 0,96% no mês anterior (revisado, de 0,86%). O indicador próprio da agropecuária subiu 0,23%, após queda de 1,32% em janeiro (revisado, de -1,49%).

O índice de serviços cresceu 0,29%, após subir 0,87% no mês anterior (revisado de 0,81%); o da indústria aumentou 1,18%, após aumentar de 0,40% em janeiro (revisado, de 0,37%); e o de impostos – equivalente, em linhas gerais, à rubrica de impostos líquidos sobre produtos do Produto Interno Bruto (PIB) – cresceu 0,75%, após alta de 0,78% em janeiro (revisado de 0,47%).

Expectativas

Analistas acreditam que a economia brasileira deve continuar mantendo alguma força em 2026, em meio a um mercado de trabalho ainda forte e medidas de estímulo, como a isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil, que favorecem o consumo.

No entanto, o conflito entre Estados Unidos e Israel contra o Irã já pressionou os preços de transportes e alimentos em março, com o IPCA avançando 0,88% no mês, taxa mais alta em cerca de um ano.

No mês passado, o Banco Central reduziu a taxa básica Selic em 0,25 ponto percentual, a 14,75%, mas alertou para cautela em relação aos passos à frente devido à guerra no Oriente Médio.

O mercado projeta atualmente para o PIB (Produto Interno Bruto) uma alta de 1,85% em 2026 e de 1,80% em 2027. Ainda assim, o desempenho previsto segue abaixo do avanço de 2,3% do PIB que o Brasil registrou em 2025, que foi o pior desde 2020, segundo dados do IBGE.