segunda-feira, 9 de março de 2026

Ódio contra mulheres nas redes é tema do Caminhos da Reportagem

 odio contra mulheres nas redes

Memes, ameaças, dados vazados, deepfakes pornográficos – as estratégias são muitas para transformar mulheres em alvos digitais. O que acontece no ambiente virtual é reflexo da sociedade fora da internet. E vice-versa. Mas com um agravante: o discurso de ódio gera engajamento, vende e rende lucros para misóginos e plataformas digitais.

O episódio A nova roupa do machismo, do programa Caminhos da Reportagem, da TV Brasil, apresenta a discussão sobre monetização e estímulo ao discurso de ódio contra mulheres na internet. O programa vai ao ar nesta segunda-feira (9), às 23h. 

Em 2025, o Brasil bateu recordes em casos de feminicídio, com 4 mulheres mortas por dia, segundo levantamento do Ministério de Justiça e Segurança Pública. Embora ainda não seja possível fazer uma correlação com o aumento do discurso de ódio na internet, é possível afirmar que a violência de gênero tem aumentado – dentro e fora das telas. 

Um levantamento do Desinfo.pop, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), monitorou 85 comunidades virtuais de redes de ódio. Os pesquisadores verificaram que, de 2019 a 2025, houve um crescimento de quase 600 vezes no envio de conteúdo misógino. Para a pesquisadora Julie Ricard, o diagnóstico é que há homens que se sentem atacados pelo poder conquistado pelas mulheres. “Eles estão quase numa missão de se proteger”, analisa. 

A musicista Bruna Volpi é uma das entrevistadas do Caminhos da Reportagem – TV Brasil

A musicista Bruna Volpi foi um desses alvos, por ironizar o comportamento masculino nas redes sociais. Em uma das mensagens que recebeu, um executivo de uma empresa da qual Bruna era cliente, disse que tinha os dados dela e a ameaçou. “Um homem que se ofende porque eu estou falando que nós merecemos viver, esse homem é um potencial perigo para a sociedade”, afirma. 

A Safernet, ONG referência de proteção de direitos digitais no país, percebeu um aumento de 220% no número de denúncias de crimes online de misoginia entre 2024 e 2025.

“As mulheres não aceitam mais o destino que o patriarcado tinha relegado a elas e isso é compreendido pelos homens como um ataque à masculinidade deles”, acredita a escritora Márcia Tiburi. 

Lola Aronovich é vítima há mais de 15 anos, sofrendo ataques por seu blog feminista. Até mesmo um site foi criado para difamá-la e vazar seus dados. Dois homens foram condenados; um reincidiu e tornou-se o primeiro preso no país por terrorismo digital, hoje cumprindo 41 anos de prisão. O caso impulsionou a criação da Lei 13.642/2018 (Lei Lola), que atribuiu à Polícia Federal a investigação de crimes digitais misóginos.

Segundo o delegado Flávio Rolim, coordenador de Combate a Crimes Cibernéticos de Ódio, da Polícia Federal, são crimes de “discursos e postagens que normalizam a violência e fomentam práticas extremas, como homicídios e estupro, contra a mulher”. 

Avanços e recuos 

Em janeiro, a Meta, empresa responsável pelo Facebook, Instagram e Threads, passou a permitir acusações de “anormalidade mental relacionadas a gênero ou orientação sexual”. “É um retorno ao tal conceito de ‘liberdade de expressão’ inicial quando a empresa foi criada para justificar uma menor moderação de temas que eles consideram de minorias”, analisa Julie Ricard.

“A gente sabe que ódio gera engajamento e que essa é a máquina deles, de manter as pessoas conectadas o máximo possível”, conclui. 

Luciana Zogaib, narradora esportiva da Rádio Nacional e TV Brasil – TV Brasil

No Brasil, não há ainda uma lei que criminalize a misoginia. Mulheres, como a comentarista e analista de games Layze Pinto Brandão, conhecida nas redes como Lahgolas, e a jornalista esportiva e narradora Luciana Zogaib sofrem com o discurso de ódio, principalmente por estarem em áreas predominantemente masculinas.  “Ter uma legislação coibiria um pouco mais, a pessoa passa a pensar duas vezes antes de fazer aquele tipo de coisa, principalmente por conta de valentões que se acham acima da lei”, afirma a gamer. 

Ficha técnica: 

Reportagem: Ana Graziela Aguiar 

Produção: Acácio Barros 

Reportagem cinematográfica: JM Barboza 

Auxílio técnico: Rafael Carvalho 

Apoio produção: Hiago Rocha (TV Ufal) 

Apoio imagens: Jefferson Pastori (SP), Eduardo Domingues (SP), Gilson Machado (RJ), Eusébio Gomes (RJ), Rodolpho Rodrigues (RJ), Eduardo Guimarães (RJ), André Rodrigo Pacheco (DF), Sigmar Gonçalves (DF) e Deco Monteiro (Ufal) 

Apoio auxílio técnico: Caio Araujo (RJ) e Dailton Matos (DF)  

Edição de texto: Carina Dourado 

Montagem e finalização: Rivaldo Martins 

Arte: Aleixo Leite 


Especialista diz que 95% dos projetos de IA não geram valor a empresas

 


Dólar cai 1,45%, a R$ 5,16, e Ibovespa sobe 0,86% após fala de Trump

 

O dólar reverteu os ganhos do início da sessão e fechou a segunda-feira, 9, em baixa firme no Brasil, em meio à atuação de exportadores e investidores comprados na ponta de venda de moeda e após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que a guerra no Oriente Médio está “praticamente concluída”. Já o Ibovespa fechou em alta. 

Após oscilar acima dos R$ 5,28 na abertura, o dólar à vista fechou em baixa de 1,45%, aos R$ 5,1655. No ano, a divisa passou a acumular queda de 5,89% ante o real.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 0,86%, a 180.913,40 pontos, após marcar 181.952,23 na máxima e 177.636,63 na mínima do dia.

O volume financeiro somava R$ 32,86 bilhões antes dos ajustes finais.

Às 17h17, o dólar futuro para abril — o mais líquido no mercado brasileiro — cedia 1,76% na B3, aos R$5,1965.

Em entrevista à CBS, Trump disse que acredita que a guerra contra o Irã “está praticamente concluída”, e que os EUA estão “muito à frente” do prazo inicial estimado de quatro a cinco semanas, segundo relato de um repórter da CBS na plataforma X.

Preocupações sobre a duração do conflito e seus reflexos na oferta de petróleo têm impulsionado os preços da commodity e adicionado preocupações sobre os efeitos na inflação global e, por consequência, na política monetária no mundo.

Petróleo passa a cair e mercados melhoram após Trump falar em guerra ‘praticamente concluída’

 

Os mercados mudaram de direção e os contratos futuros de petróleo passaram a ser negociados em queda nesta segunda-feira, 9, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que considera que a guerra contra o Irã “está praticamente concluída.

Pela manhã, o barril de petróleo chegou a bater quase US$ 120, atingindo os maiores níveis desde 2022 devido à restrição de oferta decorrente de interrupções no transporte do combustível, com a guerra contra o Irã entrando em seu décimo dia. O aumento dos preços da energia pode se alastrar e alimentar a inflação em um momento em que muitos consumidores dos EUA estão lutando para arcar com os custos na economia.

Após o fechamento dos mercados, no chamado after market, o petróleo WTI caía 5,04%, a US$ 86,32 o barril. Já o Brent tinha queda de 3,31%, a US$ 89,62 o barril.

De acordo com relato de uma repórter da CBS News na plataforma X, citando uma entrevista com Trump, o presidente dos EUA avaliou que os EUA estão “muito à frente” de seu prazo inicial estimado em quatro ou cinco semanas.

“Acho que a guerra está praticamente concluída, praticamente. Eles não têm Marinha, não têm comunicações, não têm Força Aérea”, disse Trump, segundo a repórter da CBS News na Casa Branca Weijia Jiang.

Sobre o novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, Trump disse à CBS News: “Não tenho nenhuma mensagem para ele”. Trump afirmou que tem alguém em mente para substituir Khamenei, mas não entrou em detalhes.

Wall St fecha em alta

De acordo com dados preliminares, o S&P 500 ganhou 56,22 pontos, ou 0,83%, fechando em 6.796,24 pontos, enquanto o Nasdaq Composite avançou 309,13 pontos, ou 1,38%, para 22.696,81 pontos. O Dow Jones Industrial Average subiu 240,91 pontos, ou 0,51%, para 47.742,46 pontos.

“Ainda há muita incerteza em relação à duração do conflito, bem como à duração do fechamento do Estreito de Ormuz”, disse Sam Stovall, estrategista-chefe de investimentos da CFRA Research, em Nova York. “Novamente hoje, ver uma reversão tão relativa nos movimentos de preços indica que os investidores estão procurando qualquer oportunidade de voltar aos mercados acionários.”

Alckmin diz que Brasil e África do Sul estão em negociações avançadas para acordo de cooperação

 

O vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, disse nesta segunda-feira, 9, que Brasil e África do Sul estão em negociações avançadas para um acordo de cooperação para integrar cadeias produtivas dos dois países em setores estratégicos e facilitação de investimentos. Ele discursou na abertura do Fórum Empresarial Brasil-África do Sul, por ocasião da visita de Estado do presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, ao Brasil.

Alckmin citou investimentos mútuos entre o Brasil e a África do Sul e destacou que empresas brasileiras como Petrobras, JBS, BRF, Tramontina, Marcopolo e WEG já estão presentes no país africano.

Ao mesmo tempo, o capital sul-africano contribui em setores estratégicos, tais como mineração, infraestrutura, transporte e fábricas. “Somos duas nações com capacidade tecnológica reconhecida”, defendeu.

“Nosso intercâmbio comercial ainda é relativamente modesto, mas já no ano passado aumentamos 11,6% a corrente de comércio, comparado a 2024. Poderemos avançar ainda mais revisando o acordo de comércio preferencial entre o Mercosul e a União Aduaneira da África Austral”, disse Alckmin. “Menos de 10% do nosso comércio é beneficiado pelas preferências tarifárias do acordo. Queremos ampliar as linhas tarifárias”, completou.

Ele também lembrou que a África do Sul é o país com a maior frota de jatos da Embraer no continente africano e que, no ano passado, a Embraer firmou acordo de cooperação com a estatal sul-africana, abrindo caminho para uma parceria industrial.

“O governo brasileiro está pronto para apoiar uma proposta que contém financiamento e cooperação industrial. Energia e minerais críticos, transições aceleradas nas áreas digital e energética oferecem um leque abrangente de oportunidades”, prosseguiu Alckmin.

No agronegócio, o vice-presidente afirmou que também há espaço para fortalecimento das cadeias de valor agroalimentares. “A segurança alimentar é o eixo central da nossa parceria. Queremos contribuir de forma concreta para a segurança alimentar e para a geração de renda e inclusão dos dois lados do Atlântico.”