terça-feira, 10 de março de 2026

Com disparada do petróleo, reajuste de gasolina e diesel no Brasil é inevitável? O que esperar

 

Pouco mais de uma semana após o início do conflito entre Estados Unidos e Irã no Oriente Médio, as cotações do petróleo do mercado internacional chegaram a ultrapassar a barreira dos US$ 100. A escala foi mais rápida do que alguns analistas previam, mas existe quase um consenso de que os consumidores brasileiros sentirão em breve os efeitos dessa alta.

Os contratos futuros de petróleo passaram a ser negociados em queda na segunda-feira, 9, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que considera que a guerra contra o Irã “está praticamente concluída, mas se mantinham acima de US$ 90. Desde que os EUA e Israel bombardearam o Irã em 28 de fevereiro, o Brent subiu até 65% e o WTI 78%.

Cálculos da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom) indicam que com o barril do petróleo a US$ 108 e o dólar a R$ 5,39 já haveria espaço para que a Petrobras fizesse um reajuste de R$ 1,22 na gasolina e de R$ 2,74 no diesel.

Estimativas indicam que os preços da gasolina no mercado interno estejam cerca de 40% defasados em relação aos praticados no mercado internacional. No caso do diesel, a defasagem já estaria na casa dos 85%.

“Desde que o petróleo chegou a US$ 80, eu acho que a Petrobras já deveria ter reajustado os preços da gasolina e do diesel. Não faz sentido ficar com uma defasagem, porque você inviabiliza a importação por parte de agentes privados e, ao mesmo tempo, corre o risco de desabastecimento em função de o Brasil ser importador”, disse à IstoÉ Dinheiro Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infra Estrutura (CBIE).

A demora da Petrobras em reajustar os preços dos combustíveis no Brasil tem um motivo claro: o controle da inflação. Um eventual reajuste nessa magnitude nos preços do diesel e da gasolina cairia como uma bomba nos planos de controle inflacionário do governo e na popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ainda mais em se tratando de um ano eleitoral.

“Pelo bom senso, seria inevitável um reajuste, mas em se tratando de Petrobras e do atual governo, acho que bom senso é uma palavra que não está no dicionário”, afirma Pires.

A expectativa é que a defasagem nos preços dos combustíveis não seja resolvida de uma única vez. Para Roberto Padovani, economista do banco BV, um reajuste nos preços dos combustíveis deve acontecer no curto prazo para reduzir a diferença entre os preços praticados no mercado internacional e no mercado doméstico.

Para ele, um repasse mais rápido nos valores do diesel é algo mais claro, até mesmo para evitar um desabastecimento do combustível. Contudo, ele acredita que o atual nível de defasagem da gasolina também já justificaria um reajuste.

“Algum reajuste vem rápido, considerando reduzir essa defasagem. Por mais que a Petrobras se beneficie com a alta do preço do petróleo e tenha caixa, tem também uma mensagem de gestão da companhia, que é aberta”, afirma Padovani.

A Petrobras historicamente evita repassar imediatamente a volatilidade global aos preços locais, segundo reiterou na semana passada a presidente da petroleira, Magda Chambriard. Na ocasião, fontes da companhia também disseram que a Petrobras monitorava de perto os desdobramentos do conflito e previa uma semana de observação no mercado de petróleo antes de uma eventual decisão sobre reajuste.

Em nota, a Petrobras disse que reafirma seu compromisso com a mitigação dos efeitos da volatilidade dos preços em um cenário de guerras e tensões geopolíticas.

“Isso é possível porque passamos a considerar em nossa estratégia comercial as nossas melhores condições de refino e logística, o que nos permite promover períodos de estabilidade nos preços ao mesmo tempo que resguarda a nossa rentabilidade de maneira sustentável. Essa abordagem reduz a transmissão imediata das variações internacionais para o mercado brasileiro, garantindo maior previsibilidade e segurança, protegendo nossos clientes de oscilações abruptas que se originam fora do país”, diz a nota da empresa.

Risco de desabastecimento

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) informou que recebeu informações sobre dificuldades pontuais de aquisição de diesel por produtores rurais no Rio Grande do Sul. De acordo com a agência, no entanto, a produção e a entrega do combustível seguem em ritmo regular pelo principal fornecedor da região, a Refinaria Alberto Pasqualini (Refap), da Petrobras.

A Abicom, no entanto, informou que a escalada das tensões no Oriente Médio paralisou o mercado de diesel importado no Brasil. Diante do temor de que a Petrobras não repasse os preços internacionais dos derivados para o mercado interno, os importadores privados suspenderam as compras – uma vez que o preço a ser vendido no Brasil ficaria inviável.

Em nota, a ANP informou que a agência “mantém o monitoramento contínuo do mercado regulado e, até o momento, não identifica restrições à manutenção das atividades ou à disponibilidade de combustíveis no mercado doméstico, considerando as fontes usuais de suprimento do país”. A nota diz ainda que “com relação às importações, até o momento, não há registro de dificuldades nas operações de nacionalização nem de restrições de acesso às fontes de suprimento”.

Diante da conjuntura, o quadro que se desenha para o Brasil é de um mercado doméstico com dois valores. O primeiro, o mercado privado, onde as refinarias que operam no país já repassaram pelo menos parte da recente alta do petróleo e tendem a seguir os preços internacionais. E o segundo, o mercado da Petrobras, onde o governo pode subsidiar o consumo da gasolina e do diesel.

“Não vejo risco de desabastecimento, porque a Petrobras, no limite, vai ser usada para comprar mais caro lá fora e vender mais barato aqui dentro. Agora, você vai ter uma confusão também no mercado interno, porque uma empresa privada não pode segurar os preços como a Petrobras segura, senão ela quebra”, afirma Pires.

Cotas adicionais

Para tentar minimizar o impacto da defasagem de preços, as distribuidoras estão pedindo à Petrobras volumes adicionais de venda de diesel. O objetivo da medida é fazer estoque a preços baixos para tentar preservar as margens.

Fontes ouvidas pela Reuters, no entanto, disseram que a estatal estaria recusando os pedidos por volumes adicionais e mantendo as cotas previstas em contrato. “Agora (com preços altos) não dá para dar cota adicional para o distribuidor comprar nosso diesel barato, se encher de volume, para depois vender… vão fazer estoque e ganhar dinheiro em cima da Petrobras”, disse a fonte à Reuters.

Procurados, o Ministério de Minas e Energia, não retornou ao pedido de comentários da reportagem. O espaço permanece aberto.

 

 https://istoedinheiro.com.br/petroleo-us-100-reajuste-gasolina-diesel

segunda-feira, 9 de março de 2026

Ódio contra mulheres nas redes é tema do Caminhos da Reportagem

 odio contra mulheres nas redes

Memes, ameaças, dados vazados, deepfakes pornográficos – as estratégias são muitas para transformar mulheres em alvos digitais. O que acontece no ambiente virtual é reflexo da sociedade fora da internet. E vice-versa. Mas com um agravante: o discurso de ódio gera engajamento, vende e rende lucros para misóginos e plataformas digitais.

O episódio A nova roupa do machismo, do programa Caminhos da Reportagem, da TV Brasil, apresenta a discussão sobre monetização e estímulo ao discurso de ódio contra mulheres na internet. O programa vai ao ar nesta segunda-feira (9), às 23h. 

Em 2025, o Brasil bateu recordes em casos de feminicídio, com 4 mulheres mortas por dia, segundo levantamento do Ministério de Justiça e Segurança Pública. Embora ainda não seja possível fazer uma correlação com o aumento do discurso de ódio na internet, é possível afirmar que a violência de gênero tem aumentado – dentro e fora das telas. 

Um levantamento do Desinfo.pop, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), monitorou 85 comunidades virtuais de redes de ódio. Os pesquisadores verificaram que, de 2019 a 2025, houve um crescimento de quase 600 vezes no envio de conteúdo misógino. Para a pesquisadora Julie Ricard, o diagnóstico é que há homens que se sentem atacados pelo poder conquistado pelas mulheres. “Eles estão quase numa missão de se proteger”, analisa. 

A musicista Bruna Volpi é uma das entrevistadas do Caminhos da Reportagem – TV Brasil

A musicista Bruna Volpi foi um desses alvos, por ironizar o comportamento masculino nas redes sociais. Em uma das mensagens que recebeu, um executivo de uma empresa da qual Bruna era cliente, disse que tinha os dados dela e a ameaçou. “Um homem que se ofende porque eu estou falando que nós merecemos viver, esse homem é um potencial perigo para a sociedade”, afirma. 

A Safernet, ONG referência de proteção de direitos digitais no país, percebeu um aumento de 220% no número de denúncias de crimes online de misoginia entre 2024 e 2025.

“As mulheres não aceitam mais o destino que o patriarcado tinha relegado a elas e isso é compreendido pelos homens como um ataque à masculinidade deles”, acredita a escritora Márcia Tiburi. 

Lola Aronovich é vítima há mais de 15 anos, sofrendo ataques por seu blog feminista. Até mesmo um site foi criado para difamá-la e vazar seus dados. Dois homens foram condenados; um reincidiu e tornou-se o primeiro preso no país por terrorismo digital, hoje cumprindo 41 anos de prisão. O caso impulsionou a criação da Lei 13.642/2018 (Lei Lola), que atribuiu à Polícia Federal a investigação de crimes digitais misóginos.

Segundo o delegado Flávio Rolim, coordenador de Combate a Crimes Cibernéticos de Ódio, da Polícia Federal, são crimes de “discursos e postagens que normalizam a violência e fomentam práticas extremas, como homicídios e estupro, contra a mulher”. 

Avanços e recuos 

Em janeiro, a Meta, empresa responsável pelo Facebook, Instagram e Threads, passou a permitir acusações de “anormalidade mental relacionadas a gênero ou orientação sexual”. “É um retorno ao tal conceito de ‘liberdade de expressão’ inicial quando a empresa foi criada para justificar uma menor moderação de temas que eles consideram de minorias”, analisa Julie Ricard.

“A gente sabe que ódio gera engajamento e que essa é a máquina deles, de manter as pessoas conectadas o máximo possível”, conclui. 

Luciana Zogaib, narradora esportiva da Rádio Nacional e TV Brasil – TV Brasil

No Brasil, não há ainda uma lei que criminalize a misoginia. Mulheres, como a comentarista e analista de games Layze Pinto Brandão, conhecida nas redes como Lahgolas, e a jornalista esportiva e narradora Luciana Zogaib sofrem com o discurso de ódio, principalmente por estarem em áreas predominantemente masculinas.  “Ter uma legislação coibiria um pouco mais, a pessoa passa a pensar duas vezes antes de fazer aquele tipo de coisa, principalmente por conta de valentões que se acham acima da lei”, afirma a gamer. 

Ficha técnica: 

Reportagem: Ana Graziela Aguiar 

Produção: Acácio Barros 

Reportagem cinematográfica: JM Barboza 

Auxílio técnico: Rafael Carvalho 

Apoio produção: Hiago Rocha (TV Ufal) 

Apoio imagens: Jefferson Pastori (SP), Eduardo Domingues (SP), Gilson Machado (RJ), Eusébio Gomes (RJ), Rodolpho Rodrigues (RJ), Eduardo Guimarães (RJ), André Rodrigo Pacheco (DF), Sigmar Gonçalves (DF) e Deco Monteiro (Ufal) 

Apoio auxílio técnico: Caio Araujo (RJ) e Dailton Matos (DF)  

Edição de texto: Carina Dourado 

Montagem e finalização: Rivaldo Martins 

Arte: Aleixo Leite 


Especialista diz que 95% dos projetos de IA não geram valor a empresas

 


Dólar cai 1,45%, a R$ 5,16, e Ibovespa sobe 0,86% após fala de Trump

 

O dólar reverteu os ganhos do início da sessão e fechou a segunda-feira, 9, em baixa firme no Brasil, em meio à atuação de exportadores e investidores comprados na ponta de venda de moeda e após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que a guerra no Oriente Médio está “praticamente concluída”. Já o Ibovespa fechou em alta. 

Após oscilar acima dos R$ 5,28 na abertura, o dólar à vista fechou em baixa de 1,45%, aos R$ 5,1655. No ano, a divisa passou a acumular queda de 5,89% ante o real.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 0,86%, a 180.913,40 pontos, após marcar 181.952,23 na máxima e 177.636,63 na mínima do dia.

O volume financeiro somava R$ 32,86 bilhões antes dos ajustes finais.

Às 17h17, o dólar futuro para abril — o mais líquido no mercado brasileiro — cedia 1,76% na B3, aos R$5,1965.

Em entrevista à CBS, Trump disse que acredita que a guerra contra o Irã “está praticamente concluída”, e que os EUA estão “muito à frente” do prazo inicial estimado de quatro a cinco semanas, segundo relato de um repórter da CBS na plataforma X.

Preocupações sobre a duração do conflito e seus reflexos na oferta de petróleo têm impulsionado os preços da commodity e adicionado preocupações sobre os efeitos na inflação global e, por consequência, na política monetária no mundo.