segunda-feira, 20 de abril de 2026

Serra Verde recebe pisos de preços para terras raras magnéticas em acordo de compra nos EUA

 

A mineradora brasileira de terras raras Serra Verde, que anunciou nesta segunda-feira um acordo para ser adquirida pela USA Rare Earth, receberá pisos de preços para quatro terras raras em um acordo de fornecimento de 15 anos com o governo dos EUA e investidores privados, segundo uma apresentação sobre o tema.

Críticos têm dito que os pisos de preços, que visam nivelar as condições competitivas com a China, produtora dominante de terras raras, têm o potencial de distorcer o mercado.

A China é responsável por cerca de 90% da produção global de terras raras processadas, enquanto EUA, Europa e outras nações ocidentais estão correndo para construir seus próprios setores domésticos de terras raras, vitais para a transição energética, eletrônica e aplicações de defesa.

No ano passado, o governo dos EUA ofereceu pela primeira vez um piso de preço à MP Materials, que controla a única mina de terras raras em operação na América do Norte, como parte de um acordo multibilionário de apoio e financiamento.

A Serra Verde informou nesta segunda-feira que havia fechado um acordo de 15 anos para fornecer toda a produção da primeira fase de sua mina a um veículo de propósito especial capitalizado pelo governo dos EUA e por fontes privadas.

O acordo de fornecimento inclui pisos de preços para as quatro principais terras raras necessárias para a fabricação de ímãs permanentes — neodímio, praseodímio, disprósio e térbio — usados em veículos elétricos, turbinas eólicas, drones e jatos de combate.

O preço mínimo para o neodímio e o praseodímio (NdPr), que muitas vezes são fornecidos como um produto conjunto, é o mesmo da MP Materials: US$110 por quilograma, segundo a apresentação.

O preço chinês do óxido de NdPr SMM-REO-DIO quase dobrou desde que o governo dos EUA ofereceu um piso de preço para a MP Materials e estava em 795.000 iuanes por tonelada, ou US$117 por kg, acima dos US$63 em 9 de julho de 2025, quando o acordo com a MP Materials foi anunciado.

A mina da Serra Verde é rica em terras raras pesadas, diferentemente de muitos outros depósitos ocidentais, e o acordo incluiu preços mínimos para disprósio e térbio de US$575 e US$2.050 por kg, respectivamente.

A empresa e o veículo especial dos EUA compartilharão 70% dos ganhos adicionais se o preço de mercado fora da China subir acima dos preços mínimos, acrescentou.

Focus: mercado passa a projetar inflação de 4,8% em 2026 e corte menor na Selic

 

 

O Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira, 20, pelo Banco Central (BC), mostra que o mercado elevou mais ainda a projeção para a inflação para o final de 2026 e vê também um corte menor na taxa básica de juros (Selic) ao término deste e do próximo ano.

A previsão para o IPCA – a inflação oficial do país – passou de 4,71% para 4,8% em 2026, bem acima do teto da meta. O centro da meta oficial para a inflação é de 3%, sempre com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos.

Antes do início da guerra no Oriente Médio, os analistas projetavam inflação abaixo de 4% neste ano.

A projeção para 2027 foi elevada de 3,91% para 3,99% ao ano, fora do centro da meta.

Projeções atualizadas do Boletim Focus do Banco Central

Selic

Para a Selic, o mercado passou a projetar juros a 13% ao final do ano, e não mais de 12,5% como vinha precificando até então. Para o fim 2027, a previsão passou de 10,5% para 12%. A Selic está atualmente em 14,75%.

A pesquisa do BC aponta que os economistas seguem esperando um corte de 0,25 ponto percentual na Selic na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) marcada para os dias 28 e 29 de abril, embora tenham passado a ver uma redução de igual magnitude na reunião seguinte, em junho, ante expectativa na semana anterior de um corte de 0,50 ponto percentual.

PIB e dólar

Para o Produto Interno Bruto (PIB), a estimativa de crescimento para 2026 subiu de 1,85% para 1,86%, e foi mantida em 1,80% para 2027.

Para a cotação do dólar, a expectativa do Focus para o câmbio agora está em R$ 5,30 para o fim de 2026 e em R$ 5,35 ao fim de 2027, ante R$ 5,40 e R$ 5,45, respectivamente, da semana anterior.

O dólar encerrou a semana passada com sua menor cotação desde março de 2024, acumulando na semana uma queda de 0,53% e no ano uma baixa de 9,21%.

Os ajustes nas estimativas acontecem em meio à guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, iniciada no final de fevereiro, e que levou ao fechamento do Estreito de Ormuz, hidrovia por onde passa um quinto do comércio mundial de petróleo. O conflito abalou os mercados financeiros e gerou temores inflacionários ao redor do mundo.

Com informações da Reuters

sábado, 18 de abril de 2026

Lula e Merz se encontram em momento delicado para seus governos

 

Presidente vai a Hannover com agenda econômica e de reforço de laços políticos, mas encontrará um governo alemão que sofre com impopularidade. Já líder brasileiro tem se deparado com reeleição cada vez mais desafiadora.O presidente Luiz Inácio Lula da Silva desembarca na Alemanha neste fim de semana para cumprir uma agenda que combina encontros políticos e reuniões empresariais para reforçar a relação bilateral entre Brasília e Berlim.

Na agenda está a participação de Lula na Feira Industrial de Hannover, que neste ano terá o Brasil como país homenageado, e a terceira rodada das chamadas consultas intergovernamentais de alto nível Alemanha-Brasil, um mecanismo de diálogo que o governo alemão mantém com poucos parceiros internacionais e que prevê reuniões regulares entre os países.

Como parte da agenda, Lula terá reuniões com o chanceler federal da Alemanha, Friedrich Merz. Esse será o terceiro encontro entre Lula e Merz, mas o primeiro que não ocorre à margem de uma cúpula internacional. Os dois já se encontraram no ano passado na COP30, em Belém, e na reunião do G20, na África do Sul.

Embora os dois governos tenham propagandeado o encontro como uma reafirmação dos laços econômicos e políticos, a cúpula ocorre em meio a crescentes desafios internos para Lula e Merz em seus respectivos países.

O cenário não é inédito e já tem virado uma espécie de “tradição” do mecanismo de consultas intergovernamentais, que pela terceira vez têm ocorrido em uma conjuntura de dificuldades para pelo menos um dos governos participantes.

Em 2015, a primeira edição das consultas intergovernamentais ocorreu em um cenário de crescente crise econômica e política no Brasil, que poucos meses depois acabaria por sepultar o governo Dilma. Já o segundo encontro, em 2023, ocorreu em um momento de reaproximação entre o Brasil e Alemanha após a era Bolsonaro, mas também em meio à erosão do governo do então chanceler federal Olaf Sholz, cuja coalizão desmoronaria menos de um ano depois.

Merz: economia e popularidade em baixa

Sem ainda completar um ano à frente do governo alemão, o chanceler federal Friedrich Merz, da conservadora União Democrata Cristã (CDU), nunca foi tão impopular.

Uma pesquisa divulgada na primeira quinzena de abril apontou que 70% dos eleitores alemães estão insatisfeitos com a atuação pessoal do chefe de governo. Só 21% se mostram satisfeitos. Já os números da coalizão de governo, que conta com o bloco conservador CDU/CSU de Merz e o Partido Social-Democrata (SPD), são ainda piores, com 73% dos eleitores se mostrando insatisfeitos.

Sob Merz, a Alemanha continua a patinar economicamente. Após dois anos de recessão, relacionados principalmente à invasão da Ucrânia pela Rússia e o consequente aumento dos preços da energia, a maior economia europeia teve um crescimento pífio de 0,2% em 2025. E as previsões inicialmente mais otimistas para 2026 vêm sendo agora reduzidas por causa dos efeitos da guerra no Irã, com a projeção de crescimento de 1,3% caindo para 0,6%, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI).

Em março, o país também registrou mais de 3 milhões de desempregados, com a taxa chegando a 6,4% e com a série mostrando poucos sinais de mudança. Nos últimos meses, o noticiário do país também passou a ficar repleto de anúncios de planos de demissão em massa em grandes empresas, incluindo gigantes como a montadora Volkswagen.

A insatisfação dos alemães com o governo Merz também se refletido no fato de que 66% dos eleitores se sentem sobrecarregados por impostos e contribuições para a previdência social. A mesma pesquisa mostrou que 70% dos alemães não acreditam que o governo será capaz de implementar medidas para melhorar a situação econômica.

Merz ascendeu ao governo alemão em maio do ano passado prometendo uma série de reformas estruturais, que incluíram estímulos bilionários para os setores de infraestrutura e de defesa, numa tentativa de reposicionar a Alemanha econômica e politicamente. Mas até agora os efeitos têm sido modestos, enquanto projetos envolvendo saúde e previdência ainda nem saíram do papel.

Dentro da coalizão de governo, também há sinais de disputas internas, com cada pacote de reformas sendo encarado mais como um teste de estresse para a coalizão entre o bloco CDU/CSU e o SPD do que demonstrações de unidade.

Em fevereiro, numa rara autocrítica, Merz admitiu algumas das dificuldades. “Talvez não tenhamos deixado claro com rapidez suficiente, após a mudança de governo, que não seríamos capazes de realizar esse enorme esforço de reforma da noite para o dia”.

A má avaliação do governo tem se refletido em pesquisas eleitorais. No momento, o bloco CDU/CSU, que ficou em primeiro lugar na última eleição federal, tem perdido e apoio e aparecido regularmente tecnicamente empatado na preferência do eleitorado com o partido de ultradireita Alternativa para a Alemanha (AfD), que também tem crescido em eleições estaduais.

Já o parceiro SPD tem visto sua preferência continuar a diminuir, ficando abaixo até mesmo do histórico mau resultado da eleição de 2025. Embora as próximas eleições só estejam previstas para 2029, no atual cenário, a soma de preferências do bloco CDU/CSU e SPD indica que os partidos não seriam capazes de assegurar uma maioria no Parlamento alemão.

O cenário externo também tem se revelado desafiador para Merz, com a continuidade da guerra da Ucrânia, a nova turbulência do conflito no Irã e a dificuldade de lidar com o governo do americano Donald Trump, que tem ameaçado retirar os EUA da Otan, o principal pilar da segurança alemã.

Lula: busca pela reeleição tem se mostrado mais desafiadora

Embora a situação de Lula seja menos turbulenta que a de Merz, o presidente brasileiro também se vê em um momento de crescentes desafios.

Candidato declarado a reeleição em outubro, Lula, que deve disputar sua sétima eleição presidencial, tem visto nos últimos meses o que parecia ser um cenário bastante favorável a uma nova vitória ser pouco a pouco ameaçado pela pré-candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro, filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Pesquisas tem mostrado que a pré-candidatura de Flávio, que inicialmente foi encarada no fim do ano passado como um artifício para servir de moeda de troca política, tem se mostrado cada vez mais viável, pressionando as chances de Lula.

Nesta semana, uma pesquisa Genial/Quaest apontou que Lula ainda tem vantagem num primeiro turno, mas que Flávio já aparece tecnicamente empatado com o presidente numa eventual segunda rodada.

A menos de seis meses do primeiro turno, uma pesquisa Datafolha também indicou na semana passada que a avaliação negativa do governo Lula permanece em 40%, enquanto a positiva caiu de 32% para 29% frente a um levantamento de março, enquanto 29% classificam a gestão como regular.

Mesmo com o desemprego atingindo mínimas históricas e inflação dentro da meta, especialistas em opinião pública apontam que persiste entre parte do eleitorado a percepção de dificuldade econômica, alimentada pela precarização de certas categorias de trabalho e forte endividamento.

No Congresso, o governo também tem acumulado dificuldades, com o governo tendo que pagar preços altos para conseguir a aprovação de projetos e tendo que lidar regularmente com “pautas-bomba” apresentadas nas duas Casas.

Alguns aliados têm reconhecido as dificuldades, apontando para problemas de comunicação. No fim de março, o ministro da Casa Civil, Rui Costa, mandou indiretas para o ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira, dando a entender que o governo não está sabendo propagandear suas realizações.

Apesar das dificuldades, especialistas destacam o fato de a campanha eleitoral ainda não ter efetivamente começado, apontando que o governo ainda tem a possibilidade de reagir mostrando realizações de forma mais sistemática e atuar mais abertamente para desconstruir candidaturas rivais.


Presidente da Iberdrola se encontra com Lula em meio a renovação de concessões no Brasil

 

   

 Ignácio Galán - Neoenergia

 

   

O presidente da Iberdrola, Ignacio Galán, reuniu-se com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a cúpula bilateral Espanha-Brasil, em Barcelona, na sexta-feira, 17, informou a companhia.

No encontro, Galán destacou a importância estratégica do País para o futuro das suas atividades. O executivo também transmitiu a Lula o compromisso do grupo com o País, tendo realizado investimentos de quase R$ 40 bilhões nos últimos quatro anos.

A Iberdrola é a empresa espanhola que controla a Neoenergia, maior companhia do Brasil em distribuição elétrica, com mais de 17 milhões de clientes e concessões nos Estados da Bahia, Rio Grande do Norte, Pernambuco, São Paulo e Mato Grosso do Sul, além da capital federal, Brasília.

Neste momento, a companhia está em processo de renovação das concessões de distribuição no Brasil, incluindo aí a Neoenergia Coelba (BA), a Neoenergia Cosern (RN) e a Neoenergia Elektro (SP e MS).

O presidente da Iberdrola disse a Lula que, uma vez confirmada a renovação das concessões, a companhia tem a intenção de seguir investindo de maneira expressiva nos próximos anos, segundo nota da empresa.

O foco é continuar expandindo e modernizando as redes de todas as suas distribuidoras e eletrificando áreas como o oeste da Bahia, a fim de dar acesso a uma “energia segura, competitiva e limpa a residências e indústrias, como o agronegócio”, segundo a nota.

Incluindo os ativos de geração, transmissão e distribuição de eletricidade, a Neoenergia está presente em 18 Estados brasileiros e no Distrito Federal e conta com mais de 725 mil quilômetros de linhas de distribuição elétrica e 8 mil quilômetros de linhas de transmissão, além de 3.600 MW de geração renovável, principalmente hidrelétrica.

Como a Nomad faz a gestão de 500 funcionários sem exigir volta total ao escritório

 

 

Segundo o CEO da Nomad, Lucas Vargas, as regras para o modelo de trabalho não são escritas em pedra e, no fim do dia, algum nível de flexibilidade segue sendo atrativa e gerando valor para a companhia – embora fintechs e gigantes de tecnologia tenham voltado ao 100% presencial em um passado recente.

O executivo conta ao Dinheiro Entrevista que essa cultura acabou estando no DNA da Nomad, visto que a companhia nasceu em meio à pandemia e obrigatoriamente teve vários dias em trabalho 100% remoto.

“A gente tem certeza de que o modelo 100% presencial não é o melhor, mas também que o 100% remoto não é. E mais: nenhum modelo único funciona para todas as pessoas ou todas as funções”, afirma Lucas Vargas.

“Se existe algum benefício de ter nascido na pandemia, foi essa origem distribuída. Isso nos permitiu criar processos, cerimônias e rotinas já pensadas para um ambiente remoto desde o primeiro dia”, complementa.

 

  

 


 

fintech tem atualmente mais de 500 funcionários e, com isso, não possui uma regra única para toda a empresa. O modelo híbrido é adaptado de acordo com cada time, cada função e até o nível de senioridade.

“Estagiários, por exemplo, estão mais presentes no escritório porque precisam de aprendizado mais próximo. Algumas funções também exigem mais interação presencial, então ajustamos conforme a necessidade”, diz Vargas, que relata estar quase sempre no escritório da companhia, na capital paulista, ou viajando à trabalho.

Dado o caráter internacional da empresa e os produtos cross border, a empresa também vê vantagens e adotar flexibilidade.

“Negociamos com parceiros nos Estados Unidos, Europa e Ásia, então o trabalho remoto não é só cultural, ele é estrutural para o negócio.”

‘Multiplicar 10x é algo crível’

Na esteira de crescimento de dois dígitos percentuais do seu braço de investimentos, a Nomad prevê faturar R$ 1 bilhão em 2026, com a companhia tendo chego ao breakeven no ano passado – jargão do mercado para se referir ao momento em que a receita total de uma empresa se iguala aos custos e despesas totais.

A empresa nasceu em meados de 2018 e soma mais de 3,8 milhões de clientes atualmente, com mais de R$ 8 bilhões em ativos sob custódia no exterior.

Vargas destaca que, com isso, dobrar e depois multiplicar até mesmo em dez vezes é algo ‘crível’.

“A expectativa é de continuidade da geração de caixa nos próximos anos, e com isso poderemos reinvestir e acelerar o crescimento, fazendo essa manutenção do breakeven

Segmento da Nomad ainda é visto como oceano azul

Apesar do ganho de tração de players que oferecem conta global e produtos similares, a gestão da companhia ainda enxerga um mercado endereçável com grande volume.

“O principal concorrente hoje ainda é o cartão de crédito brasileiro. Mesmo com custos elevados, ele continua sendo o produto mais utilizado por brasileiros no exterior, o que mostra o quanto esse mercado ainda tem espaço para evolução”, observa o CEO da Nomad.

Sobre a guerra de taxas no setor, destaca que a gestão tem focado na retenção dos clientes e não prevê cortes agressivos em um futuro breve.

“A retenção do cliente não vem do preço, mas da experiência. Se o cliente viaja e o cartão não funciona, isso gera uma frustração enorme e aumenta a propensão de ele buscar alternativas – e é aí que o foco no uso internacional faz diferença. Existe uma tendência de comoditização com a entrada de novos players, mas a nossa estratégia é focar em profundidade no produto internacional. A satisfação do cliente no uso lá fora, seja em pagamentos ou investimentos, é o principal diferencial que buscamos construir.”

 

 https://istoedinheiro.com.br/nomad-home-office

O que está em jogo no leilão de 700 Mhz da Anatel e o desafio do 5.5G

 

 

Marcado para 30 de abril, o leilão da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) para o processo de concessão da faixa de radiofrequência de 700 MHz é um passo decisivo para a consolidação da tecnologia 5G país afora.

A tecnologia é implementada desde 2020 pelas gigantes de telecomunicações. Mas esta faixa vai permitir o alcance de quase um milhão de pessoas em locais onde há menos antenas. Diferentemente da faixa de 3,5 GHz, leiloada em 2021 e focada em altíssima capacidade de dados, o espectro de 700 MHz é uma frequência baixa que se destaca pelo seu impressionante alcance geográfico.

Por permitir que o sinal percorra distâncias maiores e atravesse obstáculos físicos com facilidade, a faixa a ser leiloada em 2026 é considerada essencial para garantir que a conectividade funcione com qualidade dentro de residências, escolas, hospitais e edifícios, além de reduzir drasticamente os custos de implantação em áreas de baixa densidade demográfica.

As companhias interessadas entregaram propostas nesta quarta-feira, 15 de abril. O processo recebeu o aval do Tribunal de Contas da União (TCU) em fevereiro deste ano, após a constatação de que o avanço da TV digital permitiu uma reorganização eficiente das frequências, liberando espaço para a expansão dos serviços móveis.

Para a Anatel, esta licitação é fundamental para aumentar competitividade setorial e para a melhoria da qualidade dos serviços prestados ao consumidor final, atacando diretamente os vazios de conectividade que ainda persistem fora dos grandes centros urbanos. A expectativa do governo federal é de que o certame beneficie diretamente pelo menos 800 mil pessoas em 864 pequenas localidades.

O plano do governo federal com o novo leilão, realizado em conjunto com o Ministério das Comunicações, é levar sinal de qualidade para rodovias e cidades distantes e, assim, buscar reduzir a desigualdade digital. Ao permitir que áreas rurais e estradas sejam atendidas com um número menor de torres, o leilão assegura que mais brasileiros tenham acesso a serviços digitais essenciais e às oportunidades econômicas oferecidas via rede mundial de computadores.

O desafio do 5.5G

Enquanto mais faixas são leiloadas, e a implementação do 5G segue, a indústria de telecomunicações no Brasil vive um momento de pragmatismo estratégico. Nos últimos meses do ano passado veio à tona o posicionamento das gigantes do setor — Vivo, Claro e TIM — diante da evolução do 5.5G no mundo. Com velocidade três vezes superior ao 5G, além de outras características que melhor atendem à evolução da inteligência artificial generativa, o 5.5G, ou 5G Advanced (5GA), como tecnicamente é conhecido, por ora não é o foco nos planos de investimentos. O momento é de observação e pequenos testes.

Após investirem dezenas de bilhões de reais para implementar e consolidar a infraestrutura do 5G ao redor do território brasileiro, as operadoras demonstram cautela em relação a sua evolução. É que o ciclo de negócios do 5G ainda está em desenvolvimento e o capital massivo injetado nas antenas e leilões de frequências ainda não gerou o retorno esperado sobre o investimento (ROI), evidenciou uma reportagem do Estadão.

Desde que começou a ser implementado em 2020, o 5G brasileiro cobre cerca de 1,2 mil cidades e alcançava, ao final de 2025, 73% da população. Em termos de adesão, o serviço já contabiliza 50 milhões de clientes, mas isso representa aproximadamente 19% da base total de usuários móveis no País. É um cenário que evidencia a ainda vasta avenida de crescimento para o 5G convencional antes que a migração para o próximo patamar se torne uma necessidade comercial imperativa.

Por sua vez, o 5.5G — tecnicamente chamado de 5G Advanced (5GA) — já está disponível por meio de fornecedores globais como Ericsson, Huawei e Nokia desde 2024. No Brasil, contudo, o que se observa são testes controlados e lançamentos pontuais. As teles têm ativado o sinal em áreas geográficas restritas e voltadas a nichos específicos.

Um dos principais gargalos é a barreira de entrada para o consumidor. A oferta de smartphones aptos a processar o sinal 5.5G ainda é baixa, e os preços desses dispositivos raramente ficam abaixo dos R$ 2,5 mil, o que restringe o acesso às classes de maior renda. Apesar da resistência comercial imediata, o potencial técnico do 5.5G é inegável e aponta para o futuro da conectividade. A tecnologia proporciona uma velocidade média de 1,5 gigabit por segundo (Gbps), patamar três vezes superior ao 5G atual.

Além da rapidez, o sistema oferece latência reduzida, menor consumo de energia e a capacidade de conectar simultaneamente um número significativamente maior de dispositivos em uma única antena. Na prática, isso soluciona o travamento de vídeos em locais com altíssima densidade de pessoas, como estádios e festivais. Mas o desafio de 2026 para as operadoras não é apenas técnico, mas de gestão: equilibrar o apetite por inovação com a saúde financeira de um setor que ainda está pagando a conta da revolução anterior.

Rio terá lei contra abuso a mulheres no transporte coletivo

 

A nova política aplica-se, exclusivamente, aos condutores de transporte coletivo de passageiros, transporte por aplicativo e táxi. Inclui ações como protocolos de atuação para condutores e demais profissionais do transporte coletivo de passageiros diante de situações de violência contra mulheres no interior dos veículos, priorizando a assistência à vítima e o acionamento imediato das autoridades policiais.

A deputada Lilian Behring (PCdoB), autora do projeto, destacou que a iniciativa nasce da necessidade de enfrentar uma realidade ainda presente no cotidiano de muitas mulheres.

“Essa lei nasce da escuta de mulheres que sentem medo ao usar o transporte público. Não é aceitável que um espaço de deslocamento se transforme em um ambiente de violência e insegurança”.

Entre as medidas previstas está a possibilidade de capacitação dos profissionais do setor para que saibam identificar situações de risco e agir de forma adequada, contribuindo para a proteção das passageiras.

“Nosso objetivo é orientar e preparar esses profissionais para que saibam como agir. Muitas vezes, uma atitude rápida pode interromper uma situação de violência e garantir proteção à vítima”, explicou Lilian.

A lei também determina que o Departamento de Transportes Rodoviários do Rio de Janeiro (Detro) disponibilize um canal de orientação e encaminhamento de denúncias às autoridades.

Para a parlamentar, a medida fortalece a rede de proteção e amplia o acesso das mulheres a mecanismos de denúncia.

“Criar um canal dentro do próprio sistema de transporte é facilitar o caminho para que essas mulheres sejam ouvidas e acolhidas. É transformar estrutura em proteção real”, acrescentou.