quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Bradesco leiloa mais de 80 imóveis com até 81% de desconto: como arrematar em 18 Estados

Em parceria com a Zuk, banco liquida ativos retomados com lances a partir de R$ 24 mil e oferece pagamento em até 48 vezes para atrair investidores em 2026

O que aconteceu

  • Mega Feirão de Retomados: O Bradesco colocou em leilão, neste mês de agosto, mais de 80 imóveis (entre casas, apartamentos, terrenos e espaços comerciais) distribuídos por 18 estados brasileiros.

  • Preços e Descontos: Os valores iniciais das propriedades variam de R$ 24 mil a R$ 2,1 milhões, com descontos agressivos que atingem a marca de 81%.

  • Condições de Pagamento: O banco oferece um atrativo de 10% de desconto adicional para pagamentos à vista, além da opção de parcelamento direto em até 48 vezes.

  • Destaque no Rio: A principal barganha do evento é um apartamento de 89 metros quadrados na região central do Rio de Janeiro, que responde pelo maior deságio da carteira (81%).

A consolidação de carteiras de crédito por parte dos grandes bancos tem aquecido o mercado secundário de imóveis neste segundo semestre de 2026. Em uma ofensiva comercial para liquidar ativos imobilizados e transformá-los em capital de giro, o Bradesco, em parceria com a empresa de leilões Zuk, colocou mais de 80 imóveis sob o martelo. A rodada de arremates virtuais destaca-se não apenas pela forte capilaridade nacional — atingindo 18 estados da federação —, mas pela agressividade dos descontos repassados ao mercado.

O catálogo diversificado atende a um espectro amplo de bolsos e perfis de risco. Os interessados encontram desde lotes e imóveis populares com lance inicial na casa dos R$ 24 mil até ativos de alto padrão financeiro, como uma propriedade de 292 metros quadrados cujo lance inicial parte de R$ 2,1 milhões. A distribuição geográfica das oportunidades inclui praças estratégicas e com forte liquidez, tais como São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Paraná e Santa Catarina.

Para os investidores que buscam pechinchas com foco em retrofit (reforma para posterior revenda ou locação comercial), o grande chamariz do leilão concentra-se na região Sudeste. Trata-se de um apartamento de 89 metros quadrados localizado no Centro do Rio de Janeiro (RJ), avaliado em R$ 490,8 mil, que detém o maior desconto da prateleira do evento: 81%.

A flexibilidade financeira desenhada para o certame também atua como alavanca de atração. Em um cenário em que a originação de crédito imobiliário tradicional se torna mais seletiva e custosa devido aos juros internos, o Bradesco permite o financiamento direto dos ativos. O comprador pode optar por pagar o arremate à vista, garantindo 10% de desconto sobre o lance vencedor, ou diluir o investimento em parcelamentos que chegam a até 48 meses.

A tese de investir em imóveis leiloados ganha reforço analítico quando cruzada com os atuais dados macroeconômicos. Informações recentes sobre o setor demonstram que, enquanto o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumula uma alta de 4,44% no balanço de 12 meses, o valor médio da locação residencial subiu a uma taxa anualizada de 9,28%. Essa assimetria — onde o reajuste dos aluguéis supera em larga escala a inflação oficial — transforma a arrematação de propriedades superdescontadas em um veículo robusto para geração de dividendos de tijolo (dividend yield), protegendo o patrimônio familiar da volatilidade financeira.

Guia do Investidor

A participação em leilões de propriedades retomadas por bancos exige planejamento tático e diligência jurídica. Siga o roteiro operacional para maximizar o retorno sem expor o capital a sobressaltos:

  • Acesso e Cadastro Prévio: A disputa pelos ativos ocorre integralmente no ambiente online. Os investidores devem acessar a plataforma oficial da Zuk e realizar um cadastro prévio, passo essencial para habilitar os lances na área de negociação.

  • Leitura Obrigatória do Edital: A regra máxima do mercado é a soberania do edital de venda. Antes de enviar qualquer oferta, consulte a documentação completa de cada lote para verificar quem se responsabiliza por eventuais dívidas anteriores de condomínio ou de IPTU pendentes sobre a propriedade.

  • Atenção às Características de Ocupação: Verifique nas especificações do imóvel se ele se encontra ocupado. Propriedades que ainda estão sob a posse dos antigos devedores exigem que o arrematante arquitete e custeie uma ação judicial de imissão na posse (despejo). Esse tempo de espera e gasto com advogados já está, na maioria das vezes, precificado pelo elevado desconto oferecido pelo banco.

  • Custo Oculto (Comissão): Ao dimensionar o limite do seu lance — seja ele destinado à liquidação à vista ou para o parcelamento em 48 vezes —, compute obrigatoriamente a taxa de 5% de comissão do leiloeiro sobre o valor de batida do martelo, além das despesas com ITBI e custas de cartório para a transferência do bem.

     

    https://istoedinheiro.com.br/leilao-imoveis-bradesco-zuk-desconto-48-vezes 


Bancos vão faturar com ‘pedágio’ no Pix e cartões no novo sistema de Split Payment

 

Proposta do governo estipula remuneração de R$ 0,39 por transação para que as instituições financeiras atuem como fiscais e recolham impostos automaticamente no momento da compra.

Principais Pontos

  • Arrecadação Instantânea: O mecanismo de “Split Payment” (pagamento dividido) da Reforma Tributária fará com que o imposto de cada compra seja retido no exato ato do pagamento, seja via Pix, débito, crédito ou boleto.

  • A Nova Fatia dos Bancos: Para processar essa divisão bilionária em milissegundos e repassar o dinheiro ao Fisco, um grupo de trabalho do governo propôs remunerar as instituições de pagamento em R$ 0,39 por operação.

  • Fim do ‘Capital de Giro’ Informal: As empresas deixarão de receber o valor cheio de suas vendas, perdendo o fôlego financeiro gerado pelos tributos que costumavam ficar no caixa da empresa até o mês de vencimento.

  • Testes Imediatos: O ano de 2026 atua como laboratório oficial, com alíquotas simbólicas (0,9% de CBS e 0,1% de IBS), preparando a transição e o início das retenções reais sobre o fluxo de caixa a partir de 2027.

O sistema financeiro brasileiro está prestes a ganhar uma nova — e gigantesca — linha de receita, enquanto o setor produtivo precisará recalcular sua gestão de tesouraria com urgência. A implementação do “Split Payment” (pagamento dividido), que atua como a espinha dorsal tecnológica da Reforma Tributária, transformará bancos, credenciadoras de maquininhas e carteiras digitais em extensões imediatas e implacáveis da Receita Federal.

A mecânica é inédita: sempre que um consumidor ou empresa realizar o pagamento de uma compra ou contratação de serviço via Pix, cartão ou boleto, o banco processador da transação irá fatiar o montante instantaneamente. O valor líquido da mercadoria seguirá para a conta do fornecedor, enquanto os impostos devidos cairão direto nos cofres públicos.

A grande novidade que movimentou os bastidores econômicos neste início de agosto de 2026 é o preço dessa conveniência para o Estado. Para adaptar toda a complexa infraestrutura sistêmica e assumir o risco de separar o dinheiro em tempo real, os bancos demandaram uma contrapartida financeira. O grupo de trabalho responsável por regulamentar a medida — que conta com membros do Ministério da Fazenda, da Controladoria-Geral da União (CGU) e de representantes da Febraban — colocou na mesa a proposta de pagar R$ 0,39 a cada transação processada pelo sistema.

Considerando que a economia brasileira gira trilhões de reais anualmente em bilhões de microtransações via Pix e cartões, esse “pedágio” representa uma injeção de recursos monumental para as instituições financeiras. O debate em Brasília agora busca equacionar o peso desse repasse, uma vez que a fatura sairá do próprio Estado e já levanta questionamentos sobre a conformidade de seus custos em relação aos limites do Arcabouço Fiscal.

A Engrenagem contra a Sonegação

A justificativa do Ministério da Fazenda para bancar um sistema de arrecadação em tempo real é clara: a eliminação quase total da sonegação e da inadimplência no consumo. Hoje, a estrutura de recolhimento exige um esforço fiscalizador gigantesco, abrindo margem para omissões e atrasos. Com o Split Payment, o sistema vai consultar a plataforma da Receita e do Comitê Gestor do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) em frações de segundo durante a compra, travando a fatia governamental antes que o dinheiro se misture aos recursos da empresa.

Para os contribuintes corporativos, a promessa é de simplificação a longo prazo. O novo modelo centralizará os pagamentos, eliminando progressivamente até 2033 a necessidade de gerar guias confusas e independentes para cinco tributos diferentes (IPI, PIS, Cofins, ICMS e ISS), que darão lugar à Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e ao IBS.

O Impacto Direto nas Empresas e a Fome de Caixa

Se, por um lado, o governo blinda suas receitas e os bancos ganham uma nova linha de tarifa por prestação de serviço ao Fisco, por outro, o varejo e o setor produtivo acendem um sinal de alerta gravíssimo para a sobrevivência de seu caixa.

Historicamente, as empresas utilizam a defasagem natural entre o dia da venda e o vencimento do tributo — que costuma ocorrer no mês subsequente, entre 20 e 30 dias depois — como um alívio financeiro. Esse montante transita pelas contas corporativas funcionando como um “capital de giro informal”, ajudando a pagar fornecedores ou, no mínimo, rendendo juros em aplicações de liquidez diária. Com o Split Payment, esse oxigênio financeiro desaparece de forma instantânea. Companhias que operam com margens justas terão uma queda brusca de liquidez, o que as empurrará para a contratação de linhas de crédito mais caras para financiar a operação do dia a dia.

O ano de 2026 cumpre o papel de laboratório fiscal: os impostos vêm destacados nas notas em caráter de teste (alíquota simbólica de 1%), sem que as retenções violentas afetem o caixa. Contudo, a partir de 2027, a CBS passa a ser cobrada efetivamente, iniciando o split opcional entre empresas, com um cronograma agressivo de transição que não permitirá mais erros de planejamento.

Guia do Empresário e Gestor Financeiro: Orientações Práticas

A chegada iminente da retenção instantânea exige ações de proteção ao caixa que devem ser aplicadas ainda neste ano de 2026. Veja o que é preciso estruturar:

  • Refaça as Projeções de Fluxo de Caixa (Tesouraria): Calcule o impacto exato da saída imediata do valor correspondente ao IBS e à CBS do saldo diário da sua empresa. Sem o “prazo de carência” para pagar o imposto, sua Necessidade de Capital de Giro (NCG) vai subir substancialmente. Renegocie agora mesmo os prazos de pagamento com seus fornecedores.

  • Atualização Imediata de ERP e PDV: O Split Payment exige integração impecável. Certifique-se de que o sistema emissor das notas fiscais e o sistema de recebimento (maquininhas/links de pagamento) operam em total sintonia para o cálculo automático e geração de guias digitais cruzadas.

  • Monitoramento da Base Eletrônica: Vendas em dinheiro vivo ficam marginalizadas nesta primeira etapa, mas se o seu negócio tem alto volume de faturamento oriundo de Pix, cartões de crédito e débito, esteja ciente de que o desconto será automático. Não conte com esses valores como caixa livre para o giro do mês.

  • Contratos e Regime de Transição (B2B): Quem vende para outras empresas (B2B) será impactado pelas obrigações fiscais de forma mais acelerada a partir de 2027. Prepare a contabilidade para mapear com precisão as entradas que já tiveram imposto retido e as margens da empresa no novo modelo.

     

     https://istoedinheiro.com.br/bancos-vao-faturar-com-pedagio-no-pix-e-cartoes-no-novo-sistema-de-split-payment

quarta-feira, 12 de agosto de 2026

O Labirinto do Calote: Por Que o Mercado de Crédito no Brasil Travou em 2026

 

Com a Selic cravada em 14% e mais de 81 milhões de CPFs negativados, balanços de Itaú e Bradesco evidenciam o contraste entre a forte rentabilidade do setor e a crise estrutural de crédito no Brasil.

O que aconteceu

  • Pressão de Juros e Calote: O Brasil atingiu a marca histórica de 81,7 milhões de adultos inadimplentes em 2026, reflexo direto do elevado custo de vida e do aperto monetário provocado pela taxa Selic, atualmente fixada em 14% ao ano.

  • Resultados do 2T26: Enquanto o Itaú apresentou forte lucro de R$ 12,4 bilhões com risco controlado, o Bradesco (lucro de R$ 7,05 bilhões) viu sua inadimplência acima de 90 dias sofrer ligeira elevação para 4,3%.

  • Perspectiva do Setor: Executivos das grandes instituições mantêm postura restritiva no apetite ao risco, descartando qualquer melhora estrutural rápida na capacidade de pagamento das famílias ao longo deste ano.

  • Intervenção Governamental: O Novo Desenrola Brasil, viabilizado por Medida Provisória, libera repactuações com descontos de até 90%, mas levanta alertas sobre o risco de reincidência de dívidas no médio prazo.

O ambiente de crédito no Brasil em 2026 solidificou-se como um dos mais desafiadores da história recente para o varejo. Na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do início de agosto, o Banco Central manteve o tom austero e cravou a taxa básica de juros (Selic) em 14% ao ano. Esse patamar, necessário para ancorar a economia, asfixia o orçamento familiar e impulsiona a inadimplência, que atingiu o impressionante teto de 81,7 milhões de adultos negativados no país.

Para efeito prático, metade da população maior de idade do país convive atualmente com alguma conta em atraso. O endividamento severo passou a comprometer, em média, mais de 31% da renda mensal dos lares, atingindo picos de 50% entre os cidadãos vulneráveis. O rotativo do cartão de crédito, com sua dinâmica impiedosa de juros, permanece como principal catalisador desse sufocamento.

O choque do superendividamento refletiu-se de maneiras distintas na recém-encerrada temporada de balanços financeiros referentes ao segundo trimestre de 2026 (2T26). Fica clara a adoção de estratégias altamente conservadoras pelas instituições, que lucram enquanto fecham a torneira de dinheiro novo.

O Itaú Unibanco, por exemplo, reportou lucro recorrente gerencial de R$ 12,4 bilhões, ostentando um invejável Retorno sobre Patrimônio Líquido (ROE) anualizado de 24,3%. O banco destacou que seu índice de inadimplência consolidado permaneceu blindado nas mínimas históricas, fruto de uma originação de crédito focada em clientes de alta resiliência e produtos com garantia colateralizada.

Na outra ponta, o Bradesco consolidou seu décimo trimestre consecutivo de recuperação do lucro — somando R$ 7,05 bilhões —, porém com sinais claros de que a ponta do varejo segue espinhosa. A inadimplência da instituição referente a atrasos acima de 90 dias marcou uma leve alta trimestral, cravando 4,3%. A liderança corporativa indicou que a deterioração refletiu o aperto sobre carteiras de Micro e Pequenas Empresas (MPMEs) e operações de capital de giro. Em uníssono, a alta cúpula dos grandes bancos adota tom de extrema precaução: o freio na concessão de crédito massificado será mantido e não existe otimismo para uma queda autônoma da inadimplência sem alívio macroeconômico forte.

Como válvula de escape à falência do cidadão comum, o governo interveio por meio da Medida Provisória (MP) 1.355/2026, reativando o Novo Desenrola Brasil desde maio. A mecânica é desenhada para limpar passivos de pequeno porte: pessoas com renda bruta mensal de até R$ 8.105 podem refinanciar débitos bancários de até R$ 15 mil (por instituição financeira) pagando juros máximos de 1,99% ao mês.

O programa força os bancos parceiros a oferecerem abatimentos significativos, que vão de 30% a 90% do valor da dívida. Apesar do respiro, senadores e economistas alertam para as estatísticas desfavoráveis. Nas rodadas primárias deste formato de renegociação, o mercado aferiu que houve crescimento de 15% na reincidência de calotes nas faturas repactuadas. A leitura central em 2026 é que programas governamentais oferecem um alívio pontual, mas são incapazes de resolver o problema basilar causado por estagnação de renda e uma Selic a 14% ao ano.

Guia do Investidor / Guia do Beneficiário: Orientações Práticas

Para o Investidor da B3 (Ações do Setor Financeiro):

  • Filtro pela Qualidade da Carteira: Com os juros em 14%, o driver principal para quem investe em ações como ITUB4, BBDC4 ou BBAS3 é a blindagem do crédito (NPL acima de 90 dias). Instituições com crescimento focado em linhas consignadas e operações colateralizadas de grandes empresas estão menos expostas ao calote surpresa.

  • Foque nos Dividendos: A expansão acelerada das carteiras abertas não é viável nesse momento do ciclo. Dessa forma, as ações funcionam como grandes geradoras de caixa (“vagas leiteiras”). Atente-se à regularidade da distribuição de Juros Sobre Capital Próprio (JCP), estratégia amplamente utilizada pelos bancos no 2T26 para otimizar tributos.

Para o Consumidor Endividado (Novo Desenrola Brasil):

  • Critérios de Inclusão: A sua dívida elegível ao Novo Desenrola precisava ter sido formalizada como empréstimo ou crédito até o dia 31 de janeiro de 2026, encontrando-se atrasada no prazo entre 91 e 720 dias.

  • Saque do FGTS como Trunfo e Armadilha: A atual MP permite utilizar o montante resgatado do Fundo de Garantia para pagar a dívida negociada à vista. Caso opte por usar valores provenientes do “saque-aniversário”, esteja ciente de que novas movimentações nesta modalidade ficarão travadas até o momento em que haja a recomposição devida do saldo.

  • Evite Golpes: As renegociações devem ser conduzidas diretamente com a instituição credora (em seus canais e aplicativos oficiais), e não devem ser pagas taxas a terceiros ou prefeituras para “acessar” o desconto do Governo.

     

     https://istoedinheiro.com.br/crise-de-credito-selic-recorde-negativados

Alerta do BC: Por Que Choques de Oferta Podem Manter os Juros Altos

 

A autoridade monetária do Brasil sinaliza que prolongará o ciclo de juros altos para conter a inflação, caso a alta de preços em alimentos e energia contamine as expectativas de longo prazo. Em comunicados recentes de agosto de 2026, o Banco Central reforça sua postura combativa para evitar efeitos secundários na economia nacional, mantendo a taxa Selic em patamar restritivo.

O que aconteceu

  • O Banco Central reafirma compromisso com o combate à inflação e alerta para a prolongação do ciclo de juros altos frente a choques de oferta.
  • A taxa Selic deve permanecer em 14% ao ano até o segundo semestre de 2026, consolidando uma política monetária estritamente restritiva.
  • A prioridade do Copom é ancorar as expectativas de inflação, evitando que o repasse de custos de commodities se alastre para outros setores da economia.

O Banco Central do Brasil enviou um recado direto ao mercado financeiro e aos agentes econômicos ao detalhar os cenários de risco para a trajetória da inflação no país. Em seus comunicados recentes em agosto de 2026, a autarquia enfatizou que, embora Choques de Oferta — como intempéries climáticas sobre a safra agrícola ou volatilidade nos preços internacionais do petróleo — sejam eventos em tese transitórios, a resposta monetária será contundente se houver contaminação das expectativas ou alastramento para os demais preços da economia.

A distinção é crucial para a condução da política monetária. Tradicionalmente, bancos centrais costumam “olhar através” de choques pontuais de oferta, uma vez que a elevação imediata da Selic não reduz a cotação do barril de petróleo nem normaliza a colheita de grãos. No entanto, o risco surge quando os agentes econômicos passam a reajustar contratos, salários e preços finais prevendo uma inflação permanentemente mais alta. É exatamente sobre esses chamados “efeitos secundários” ou “efeitos de segunda ordem” que o Banco Central promete atuar sem hesitação.

Rigor monetário: o que o Banco Central busca evitar?

O ambiente econômico de 2026 tem sido testado por uma combinação de fatores geopolíticos e eventos climáticos extremos que pressionam os custos de produção no agronegócio e no setor energético. Com a Selic mantida no patamar estritamente restritivo de 14% ao ano, o Copom busca garantir que a inflação oficial convirja de forma sustentável para a meta estabelecida de 3,0%.

A preocupação central da diretoria do BC reside na desancoragem das projeções de mercado captadas no Boletim Focus. Quando a expectativa de IPCA para os horizontes relevantes se afasta do centro da meta, o custo para trazer a inflação de volta ao objetivo aumenta consideravelmente, exigindo que a taxa de juros permaneça em níveis contratrativos por um período mais longo do que o previamente estimado.

Cenário de 2026: commodities, clima e ancoragem das expectativas

A reafirmação desse compromisso pela autoridade monetária afeta diretamente a precificação dos ativos na B3 e no mercado de dívida corporativa. O tom contundente do BC retira do horizonte qualquer perspectiva de corte iminente nos juros no curto prazo, promovendo o fechamento ou a inclinação da curva de juros futuros conforme a leitura dos dados correntes.

Para as empresas brasileiras, a manutenção prolongada da Selic em 14% implica custos de captação continuadamente elevados. As emissões de debêntures e a concessão de crédito bancário corporativo exigem maior seletividade e prêmios de risco adequados, refletindo o cenário de atividade econômica mais moderada e de restrição de caixa para companhias mais alavancadas.

Impactos na curva de juros e no crédito privado

1. Estratégia em Renda Fixa:

  • Títulos Atrelados à Inflação (NTN-B / Tesouro IPCA+): Continuam sendo a principal proteção estrutural para o capital. As taxas reais elevadas em 2026 oferecem ganho expressivo acima da variação do IPCA, blindando o investidor contra choques de oferta persistentes.
  • Títulos Pós-Fixados (CDI): Com a Selic em 14% ao ano, papéis pós-fixados mantêm alta atratividade, rentabilidade expressiva de curto prazo e liquidez diária, servindo como ancoragem de menor volatilidade.
  • Prefixados: Exigem cautela acrescida. Acomodar posições em títulos pré-fixados de longo prazo em momentos em que o BC alerta para riscos de choques de oferta pode expor a carteira a marcações a mercado negativas.

2. Alocação em Renda Variável (Ações e FIIs):

  • Setores Defensivos: Dê preferência a empresas geradoras de caixa previsível e com capacidade de repasse de inflação, como concessionárias de energia elétrica e saneamento.
  • Fundos Imobiliários de Papel: FIIs cujos portfólios são compostos por Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) indexados ao IPCA e ao CDI tendem a continuar entregando dividendos elevados no ambiente atual.
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  •  https://istoedinheiro.com.br/banco-central-juros-altos-prolongado-inflacao

PIS/Pasep 2026: Novo lote do abono salarial é pago nesta segunda-feira; veja quem recebe e como sacar

 

O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) dá sequência, nesta segunda-feira de agosto de 2026, à liberação do pagamento do PIS/Pasep, benefício anual destinado a trabalhadores do setor privado e servidores públicos. O abono, com ano-base 2024, atinge aqueles com remuneração média de até dois salários mínimos e valor máximo equivalente ao salário mínimo atual, sendo operacionalizado pela Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil.

O que aconteceu

  • O pagamento do PIS/Pasep do calendário de 2026, referente ao ano-base 2024, foi iniciado nesta segunda-feira pela Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil.
  • O valor do abono salarial varia de R$ 135,08 a R$ 1.621,00, calculado de forma proporcional aos meses trabalhados com carteira assinada ao longo de 2024.
  • Têm direito ao benefício os profissionais que receberam média de até dois salários mínimos mensais no ano de referência e que tiveram seus dados informados corretamente no eSocial ou RAIS.

A injeção de recursos no consumo das famílias ocorre por meio dos dois principais operadores financeiros estatais: a Caixa Econômica Federal, responsável pelo Programa de Integração Social (PIS) destinado aos empregados com carteira assinada na iniciativa privada, e o Banco do Brasil, encarregado do Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep).

O teto do abono salarial em 2026 acompanha o valor integral do piso nacional vigente, fixado em R$ 1.621,00. O repasse é fracionado na razão de 1/12 por cada mês trabalhado com vínculo formal durante o ano-base de 2024, considerando-se fração igual ou superior a 15 dias de trabalho como mês integral.

Quais as regras de elegibilidade e exceções?

Para ter direito ao abono salarial liberado no calendário corrente, o cidadão precisa cumprir cumulativamente quatro requisitos previstos na legislação:

  • Tempo de Cadastro: Estar cadastrado no PIS ou no Pasep há pelo menos cinco anos (com primeiro registro efetuado até 2021).
  • Tempo de Serviço: Ter exercido atividade remunerada formal para pessoa jurídica por, no mínimo, 30 dias consecutivos ou intercalados no ano-base 2024.
  • Teto de Renda: Ter recebido remuneração média mensal de até dois salários mínimos vigentes no ano-base.
  • Informação Cadastral: Ter os dados pessoais e trabalhistas informados corretamente pelo empregador na Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) ou no eSocial.

Empregados domésticos, trabalhadores rurais contratados por pessoa física e trabalhadores urbanos vinculados a pessoas físicas não têm direito ao abono salarial, uma vez que a contribuição do PIS/Pasep é recolhida exclusivamente por empresas e entidades governamentais.

Guia do beneficiário: como consultar e receber o PIS/Pasep?

Para consultar e realizar o resgate do PIS/Pasep de forma ágil e sem imprevistos, siga os passos abaixo:

  • Consulta de Elegibilidade: Acesse o aplicativo Carteira de Trabalho Digital (disponível para Android e iOS) ou o Portal Gov.br. Na aba “Benefícios”, selecione “Abono Salarial” para checar o valor disponível, a data de liberação e o banco pagador. Informações adicionais podem ser obtidas pela central Alô Trabalho, no telefone 158.
  • Como Receber o PIS (Trabalhadores Privados na Caixa):
    • Quem possui conta corrente ou poupança na Caixa recebe o crédito diretamente na conta.
    • Demais trabalhadores têm a conta Poupança Social Digital aberta automaticamente, movimentável pelo aplicativo Caixa Tem.
    • Saques presenciais podem ser realizados em lotéricas, correspondentes Caixa Aqui e caixas eletrônicos utilizando o Cartão Cidadão com senha registrada.
  • Como Receber o Pasep (Servidores Públicos no Banco do Brasil):
    • Correntistas do Banco do Brasil recebem o crédito diretamente em conta corrente ou poupança.
    • Não correntistas podem efetuar a transferência via Pix sem custos por meio do portal oficial do Banco do Brasil ou dirigir-se a uma agência com documento de identificação.
  • Resolução de Inconsistências: Caso o benefício conste como “não habilitado” por erro de dados na RAIS/eSocial, o trabalhador deve solicitar à empresa empregadora a correção da declaração junto ao Ministério do Trabalho e Emprego para liberação em lote residual.

O prazo final para todos os beneficiários contemplados no calendário de 2026 efetuarem o resgate dos recursos é até o dia 28 de dezembro de 2026. Da IstoÉ.

 

https://istoedinheiro.com.br/pis-pasep-2026-novo-lote-do-abono-salarial-e-pago-nesta-segunda-feira-veja-quem-recebe-e-como-sacar

terça-feira, 11 de agosto de 2026

IPCA de Julho de 2026 desacelera para 0,07%; veja os impactos

 

Com forte alívio vindo do grupo de Alimentação e Bebidas e pressão concentrada na energia elétrica, o acumulado em 12 meses recua para 4,44% e permanece abaixo do teto da meta do Banco Central.

Principais Pontos

  • Perda de fôlego no mês: O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) variou 0,07% em julho de 2026, desacelerando em relação à taxa de 0,16% registrada no mês de junho.

  • Trajetória em 12 meses: No acumulado dos últimos 12 meses, o IPCA recuou para 4,44%, mantendo-se dentro do intervalo de tolerância da meta do Banco Central, cujo teto é de 4,50%.

  • Efeito energia versus comida: O grupo Habitação apresentou a maior alta do mês (0,99%), impulsionado pela conta de luz, enquanto o grupo Alimentação e Bebidas registrou deflação (-0,67%), segurando o índice geral.

  • INPC no campo negativo: O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que mede a inflação para famílias de menor renda (1 a 5 salários mínimos), registrou taxa de -0,01% em julho.

O cenário inflacionário brasileiro deu sinais claros de arrefecimento no início do segundo semestre de 2026. Segundo os dados oficiais do IBGE, o IPCA de julho desacelerou para 0,07%, ficando abaixo do resultado de junho (0,16%) e consideravelmente inferior ao registrado em julho do ano passado (0,26%). Com esse desempenho, a inflação acumulada no ano atingiu 3,44%, enquanto o acumulado em 12 meses baixou de 4,64% em junho para 4,44% em julho.

O dado traz um refresco fundamental para o horizonte do Banco Central. Ao rodar em 4,44% no acumulado de 12 meses, o indicador permanece formalmente dentro do limite superior do sistema de metas de inflação (estabelecido em 3,00% com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual, ou seja, teto de 4,50%).

A leitura pormenorizada dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados pelo IBGE revela uma dinâmica de forças opostas que compensaram o resultado final de julho.

De um lado, o grupo Habitação exerceu a maior pressão de alta no mês, avançando 0,99% e gerando o maior impacto individual (+0,15 ponto percentual no índice). O grande vilão foi o item energia elétrica residencial, que saltou 3,09% em julho. O aumento reflete a vigência da bandeira tarifária amarela (com custo adicional de R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos) somada a reajustes tarifários aplicados em grandes distribuidoras metropolitanas, como São Paulo (8,85%), Porto Alegre (14,89%) e Curitiba (19,55%).

Do outro lado, a alimentação atuou como o principal amortecedor da inflação. O grupo Alimentação e Bebidas recuou 0,67% em julho, promovendo um alívio de -0,14 ponto percentual no IPCA. A queda de preços em itens básicos in natura e grãos favoreceu diretamente o orçamento familiar, o que explica por que o INPC — indicador com maior peso do orçamento alimentício para famílias de baixa renda — entrou em terreno deflacionário (-0,01%).

Entre os demais setores, destaques para a queda em Vestuário (-0,66%) e a alta moderada no grupo Saúde e Cuidados Pessoais (0,40%).

Cenário Monetário: O Recado para os Juros e o Banco Central

A publicação do IPCA de julho ocorre poucos dias após o Comitê de Política Monetária (Copom) ter ajustado a taxa Selic para 14,00% ao ano na reunião realizada em 5 de agosto de 2026. A desacelerada na inflação corrente reforça a tese de que a política monetária restritiva adotada pela autoridade monetária segue cumprindo seu papel de ancoragem das expectativas.

Entretanto, o Banco Central mantém o tom de cautela. A inflação de serviços e as pressões pontuais em custos de infraestrutura e energia exigem vigilância, impedindo cortes precipitados ou agressivos na taxa de juros básica nos próximos trimestres.

Guia do Investidor: Orientações Práticas

  • Títulos Atrelados ao IPCA (Tesouro IPCA+ e CRIs/CRAs): Com a inflação acumulada em 12 meses a 4,44% e os juros reais do mercado ainda atrativos, os papéis IPCA+ continuam sendo a principal blindagem de longo prazo. Eles garantem a manutenção do poder de compra mais um cupom de juros reais expressivo.

  • Títulos Pós-Fixados (Selic e CDI): Com a taxa básica de juros fixada em 14% ao ano, a renda fixa pós-fixada (Tesouro Selic, CDBs a 100% do CDI e LCIs/LCAs) mantém uma rentabilidade nominal excelente e com baixíssimo risco de volatilidade. É a alocação ideal para reserva de emergência e capital de curto prazo.

  • Ações do Setor elétrico e Utilities: A alta na tarifa de energia elétrica reforça a previsibilidade de receita e a atualização contratual das concessionárias geradoras e distribuidoras. Empresas com proventos previsíveis continuam sendo boas pagadoras de dividendos no atual momento macroeconômico.

  • Atenção ao Custo da Dívida: Para o consumidor final e pequenas empresas, a Selic em patamar elevado exige controle rigoroso sobre financiamentos, cheque especial e cartão de crédito. Aproveite o momento de descompressão nos preços dos alimentos para quitar dívidas custosas.

     

     https://istoedinheiro.com.br/ipca-de-julho-de-2026-desacelera-para-007

Brasileiros têm mais de R$ 5,1 bilhões esquecidos em bancos

 

Valores divulgados nesta terça-feira (11) pelo Banco Central (BC) mostram que há mais de R$ 5,12 bilhões esquecidos em instituições financeiras brasileiras. Desse total, R$ 3,76 bilhões pertencem a cerca de 22,66 milhões de pessoas físicas, e R$ 1,35 bilhão a 2 milhões de pessoas jurídicas, de acordo com informações do Sistema Valores a Receber (SVR).

Segundo o BC, dos mais de R$ 20,93 bilhões que estavam esquecidos em instituições financeiras como bancos e consórcios, R$ 15,81 bilhões foram sacados.

Dos valores já devolvidos, R$ 11,65 bilhões tiveram como destino 38,73 milhões de pessoas físicas, enquanto R$ 4,15 bilhões foram destinados a 4,7 milhões de pessoas jurídicas.

Saques

Os brasileiros sacaram, em junho, R$ 340 milhões em valores esquecidos por clientes bancários no sistema financeiro. Em maio, foram retirados R$ 427 milhões, valor ligeiramente inferior aos R$ 483 milhões devolvidos em abril.

As quantias dos valores a receber são geralmente mais baixas. Para cerca de 18,5 milhões de beneficiários, os valores esquecidos são de até R$ 10 – o que corresponde a cerca de 70% do total de beneficiários.

Para 4,96 milhões de usuários, os valores devidos encontram-se na faixa entre R$ 10,01 e R$ 100 (18,73% do total).

Valores acima disso foram esquecidos por cerca de 3 milhões de brasileiros (cerca de 11% do total).

Sistema

O SVR é um serviço do BC por meio do qual o cidadão pode consultar se ele próprio, sua empresa ou pessoa morta tem dinheiro esquecido em algum banco, consórcio ou outra instituição, como financeiras e corretoras.

Para a consulta, não é preciso fazer login, basta informar o Cadastro de Pessoa Física (CPF) e data de nascimento ou o Cadastro de Pessoa Jurídica (CNPJ) e a data de abertura da empresa, inclusive para aquelas já fechadas.

Caso haja algum valor, é preciso acessar o sistema e fazer login com a conta Gov.br, nos níveis prata ou ouro e verificação em duas etapas.

Resgate

O dinheiro pode ser resgatado de três formas:

  1. Solicitar diretamente à instituição responsável;
  2. Requerer pelo próprio Sistema de Valores a Receber;
  3. Pedir resgate automático de valores.

Os valores esquecidos são originados de:

  • contas-correntes ou poupanças encerradas;
  • cotas de capital e rateio de sobras líquidas de ex-participantes de cooperativas de crédito;
  • recursos não procurados de grupos de consórcio encerrados;
  • tarifas cobradas indevidamente;
  • parcelas ou despesas de operações de crédito cobradas indevidamente;
  • contas de pagamento pré ou pós-paga encerradas;
  • contas de registro mantidas por corretoras e distribuidoras encerradas;
  • outros recursos disponíveis nas instituições para devolução.
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