Atuação:
Consultoria multidisciplinar, onde desenvolvemos trabalhos nas seguintes áreas: fusão e aquisição e internacionalização de empresas, tributária, linhas de crédito nacionais e internacionais, inclusive para as áreas culturais e políticas públicas.
Setor luta para fazer com que os consumidores comprem mais cerveja
Dolf van den Brink, acena antes do início da reunião anual de
acionistas em Amsterdã, Países Baixos, em 20 de abril de 2023.
REUTERS/Piroschka van de Wouw
Reutersi
O presidente-executivo da Heineken,
Dolf van den Brink, renunciou inesperadamente nesta segunda-feira, 12,
após seis anos liderando a cervejaria holandesa e apenas alguns meses
depois de definir sua nova estratégia, enquanto o setor luta para fazer
com que os consumidores comprem mais cerveja.
Van den Brink
assumiu o comando da segunda maior fabricante de cerveja do mundo em
meio à pandemia da Covid-19, em junho de 2020, e presidiu um período
turbulento desde então, marcado por uma enorme inflação de custos e
queda nas vendas que prejudicaram as margens e as ações.
Ao
anunciar sua saída surpresa, o conselho disse que lançará uma busca por
um sucessor para liderar a fabricante da cerveja Heineken, bem como
marcas como Tiger e Amstel.
Van
den Brink, que deixará o cargo em 31 de maio, concordou em permanecer
disponível como consultor por oito meses a partir de junho.
Ele e o
presidente do conselho de supervisão, Peter Wennink, disseram que agora
é o momento certo para a Heineken nomear uma nova liderança. A empresa
definiu uma nova estratégia que abrange os anos até 2030 em outubro.
A
Heineken “chegou a um estágio em que uma transição na liderança servirá
melhor à empresa na execução de suas ambições de longo prazo”, disse
van den Brink no comunicado, acrescentando que continua totalmente
focado na execução dessa estratégia até sua saída.
Van den Brink é
o mais recente de uma série de CEOs de empresas de consumo a deixar a
empresa após alguns anos difíceis para o setor, uma vez que o alto custo
de vida pressionou o orçamento dos consumidores.
As
cervejarias têm lutado para vender mais cerveja, com as esperanças de
uma recuperação das vendas repetidamente derrubadas por tudo, desde o
mau tempo até a incerteza política. A Heineken ficou atrás de seus pares
em áreas como eficiência de custos e retorno para os investidores.
Quem
quer que assuma o comando enfrenta o desafio de cumprir as promessas da
Heineken para 2030 em meio à volatilidade política e econômica global.
As
preocupações com o surgimento de novos concorrentes, o aparecimento de
medicamentos para perda de peso que podem pesar sobre as vendas de
alimentos e bebidas e a mudança de atitudes em relação ao consumo de
álcool, especialmente entre os jovens, também causam preocupações sobre o
futuro do setor.
Desafio
do governo é acertar o passo das contas públicas para cumprir as metas e
não desestabilizar o ambiente econômico às portas das eleições 2026
Alexandre Inacioi
As contas públicas
de um governo são muito parecidas com a rotina financeira das famílias.
Imagine que você administra uma casa onde, mês a mês, seus gastos são
maiores do que suas receitas. Para cobrir o buraco, a solução é recorrer
ao cheque especial. No começo, funciona, mas com o tempo os juros sobem
tanto que você começa a trabalhar apenas para pagar o juro da dívida,
sem conseguir tocar o dia a dia da casa.
Guardadas
as devidas proporções, é exatamente esse o drama que o Brasil vive hoje
em suas contas públicas. Os números mais recentes mostram que a corda
segue esticando – e se esse já é (e será) um dos grandes desafios do
atual e próximo governo federal, independentemente de quem vença o
pleito eleitoral de outubro de 2026.
Como o governo central é um
dos maiores compradores e investidores da economia, seus passos afetam
todo o cenário de juros e inflação.
Os dado mais recente do Banco Central evidencia que entre janeiro e
novembro de 2025 o governo central já gastou R$ 80,3 bilhões a mais
daquilo que conseguiu arrecadar no mesmo período. Chamado de déficit
primário, esse valor ainda não contabiliza os juros dos tais empréstimos
contratados ao longo dos anos, que precisam ser pagos. Logo, o buraco é
maior.
Apesar do rombo no acumulado do ano, contudo, o governo
deve fechar 2025 dentro da meta fiscal definida, acreditam
especialistas. Em 2024 e 2025, os primeiros anos após a aprovação do
arcabouço fiscal, a meta foi de equilíbrio das contas (resultado
primário com déficit zero) com margem de 0,25% do Produto Interno Bruto
(PIB) para cima ou para baixo, o equivalente à cerca de R$ 31 bilhões.
Felipe
Salto, economista-chefe da Warren Investimentos e ex-Secretário da
Fazenda de São Paulo, acredita na entrega do resultado dentro da meta,
embora no limite inferior da banda. Para isso, contudo, algumas despesas
deverão ser desconsideradas, no âmbito do que é permitido por
legislação.
“Em nossa projeção, o déficit primário vai ser 0,6% do
PIB. Isso vai permitir que a meta seja cumprida usando a banda inferior
dela, retirando os precatórios que podem ser descontados”, disse o
economista à IstoÉ Dinheiro. É uma estimativa em linha com a do Itaú, de acordo com o relatório mais recente do banco.
O economista-chefe da Warren Investimentos e ex-Secretário da Fazenda de São Paulo Felipe Salto
O que esperar para 2026
No
ano à frente, contudo, o cenário é distinto. É que para 2026 o governo
precisará buscar superávit conforme estabelece a Lei de Diretrizes
Orçamentárias (LDO). “A expectativa é um déficit, em 2026, de 0,7% do
PIB, o equivalente a R$ 92,4 bilhões, mas quando a meta é de um
superávit de R$ 34,3 bilhões, com a banda inferior em zero”, continua
Salto.
Outra projeção, desta vez feita por Rafaela Vitoria,
economista-chefe do banco Inter, vai em linha similar aproximada: é
calculado um déficit primário de R$ 96 bilhões (0,7% do PIB), mesmo
considerando o piso dela e os pagamentos não inclusos, de R$ 57 bilhões.
Essa última cifra equivale às despesas que o governo pode retirar da
conta do resultado primário porque há autorização legal – é o que o
mercado financeiro muitas vezes classifica como “contabilidade
criativa”.
A
meta fiscal de 2026, na visão de Salto, precisará ser alterada e o tema
deverá estar presente no primeiro relatório bimestral do Ministério da
Fazenda. Já Rafaela, por ora, vê diferente.
“Não acreditamos em
revisão da meta. A diferença pode ser em parte contingenciada, em parte
com alguma despesa sendo excluída do cálculo, ou novamente com a busca
de receitas extraordinárias, ainda não estimadas no orçamento”, escreveu
a economista em nota enviada à IstoÉ Dinheiro. O Itaú projeta resultado primário negativo em 0,8% do PIB em 2026 no relatório mais recente.
Rafaela Vitoria, economista-chefe do banco Inter
Vale
reiterar que o cenário de rombo nas contas públicas não é um resultado
entregue apenas pela atual gestão. Ao longo da última década, o Brasil
registra consecutivos déficits primários, ora maiores, ora menores,
afetando seguidamente o ambiente econômico brasileiro. É que quando o
governo gasta mal ou gasta mais do que arrecada, ele precisa pegar mais
dinheiro emprestado no mercado. Como a dívida aumenta, o risco de não
pagamento segue, e os investidores exigem juros maiores. Um governo
“gastão”, ademais, afeta a política de juros do Banco Central.
Como
o governo central é o motor da economia, ou seja, um dos maiores
compradores e investidores do país, os seus movimentos também afetam a
inflação, controlada pelo BC por meio da alta da taxa Selic, atualmente
em 15% ao ano, o que por fim castiga o consumo e o investimento no país
todo. A expectativa é de início do ciclo de baixa de juros ainda no
primeiro trimestre, já que a inflação está cedendo. O mais recente
boletim Focus, publicado pelo BC a partir do recolhimento das
expectativas dos agentes econômicos, indica inflação de 4,06% ao final
deste ano. A meta é 3%.
Tentativa de controlar as contas
Para
tentar conter essa sangria e se comprometer junto ao mercado
financeiro, em 2023, a atual gestão propôs o arcabouço fiscal, aprovado
pelo Congresso Nacional e roteiro de regras estabelecido na Lei
Complementar 200. De forma resumida, a regra determina que o governo só
pode gastar 70% daquilo que é arrecadado.
Caso não seja cumprida, o
percentual de gastos no ano seguinte cai para 50% da receita. Mas nem
todo gasto do governo entra nessa contabilidade. Existem exceções como
gastos com desastres, despesas das universidades públicas, execução
direta de obras e serviços de engenharia, entre outras. O problema é que
essa lista de exceções tem crescido.
Um relatório divulgado em
dezembro pela Instituição Fiscal Independente (IFI), o órgão técnico
ligado ao Senado que funciona como um vigia das contas públicas, trouxe
esse alerta. Nos primeiros anos de vigência do arcabouço fiscal, o
governo gastou R$ 170 bilhões por fora das regras fiscais vigentes, mas
que, ao mesmo tempo, são exceções que a própria lei já pressupunha.
“Estamos
vivenciando uma fragilização do arcabouço por conta das
excepcionalizações. Gasto é gasto, despesa é despesa. Do ponto de vista
macroeconômico, o que importa é se está gerando déficit e dívida ou não.
É aí que você tem um esvaziamento da credibilidade do arcabouço”, disse
em entrevista à IstoÉ Dinheiro Marcus Pestana, diretor-executivo do IFI.
Marcus Pestana, diretor-executivo do IFI (Crédito:Carlos Moura/Agência Senado)
Na
prática, esses gastos excepcionais funcionam como se houvesse uma
contabilidade paralela, onde despesas com precatórios, aportes em
estatais e gastos militares e com segurança, além de compensações para o
tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não
entram no limite principal de gastos estabelecido pelo arcabouço fiscal.
Mesmo assim, são gastos do governo.
No mercado financeiro e para
muitos economistas já há clareza que a regra criada para segurar os
gastos perdeu credibilidade. E mesmo diante do quadro, o ministro da
Fazenda, Fernando Haddad, tem demonstrado desconforto com a pressão dos
agentes mercadológicos. Ele afirma que há falta de reconhecimento sobre
os esforços feitos para organizar as contas.
“O
arcabouço fiscal foi inspirado no sistema de metas inflacionárias, com
as bandas pensadas para absorver choques externos, eventualidades não
planejáveis e não para gastos. Precatório é totalmente planejável e não
tem motivo para ser excepcionalizado. Com o orçamento cada vez mais
engessado, criam-se essas válvulas, essas gambiarras e o arcabouço perde
as suas funções básicas”, afirma Pestana, do IFI.
Para
Felipe Salto, economista da Warren, fica cada vez mais clara a
necessidade de discutir uma agenda estruturante para 2027, a ser
definida ainda em 2026, sob pena de se perder mais tempo.
“Independentemente de quem ganhe a eleição, essa agenda vai se impor.
Vamos estar com uma taxa de juros ainda muito alta, a dívida vai
continuar aumentando e, também, um déficit muito grande. A realidade vai
se impor e algum ajuste fiscal no primeiro ano vai ter que ser feito”,
disse Salto.
Haddad reconhece essa necessidade. Em um café com
jornalistas, o ministro disse que o governo precisará promover novas
reformas econômicas a partir de 2027 para garantir a sustentabilidade
das contas públicas, e que o atual arcabouço fiscal pode passar por
“aprimoramentos”. Mas ele reforça que não há razão para alterar sua
estrutura central.“Vamos fixar uma meta exigente, demandante, mas
possível de cumprir. É assim que estamos reconstruindo as contas
públicas”, reforçou.
A conclusão de especialistas em contas
públicas é que não há mais espaço para “puxadinhos” contábeis ou aumento
de impostos, já que o brasileiro paga uma das maiores cargas
tributárias do mundo entre países em desenvolvimento. O ajuste fiscal
tornou-se inevitável. Mais cedo ou mais tarde, o governo terá que
encarar a realidade de que não se pode gastar o que não tem.
Se o
dever de casa não for feito agora, de forma planejada, ele virá depois,
de maneira muito mais dolorosa para o bolso da população – por meio de
maior inflação e menos oportunidades. O relógio está correndo, e a
conta, como sempre, acaba chegando na mesa do consumidor.
Os ministros Fernando Haddad (Fazenda) e Simone Tebet (Planejamento) se manifestaram nesta sexta-feira (9) para celebrar o anúncio da União Europeia pela aprovação do acordo comercial com o Mercosul.
Brasília – 14/10/2025 – Ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Foto:Lula Marques/ Agência Brasil
Nas redes sociais, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, classificou o acordo como histórico e uma sinalização para um futuro de “pluralidade e oportunidade”.
“Acordo
histórico, não apenas pelo seu significado econômico, mas sobretudo
pelo significado geopolítico. Uma nova avenida de cooperação se abre
nesse momento conturbado, mostrando um novo caminho de pluralidade e
oportunidade”, disse Haddad.
A ministra do Planejamento e
Orçamento, Simone Tebet, destacou que o acordo irá proporcionar a
chegada de produtos brasileiros a mais consumidores, ampliação de
investimentos, o que poderá ajudar a reduzir a inflação no país.
“Um
marco histórico para o multilateralismo! O Acordo Mercosul-União
Europeia é um dos movimentos econômicos mais relevantes das últimas
décadas para o Brasil e para o Mercosul. Mais acesso a mercados
consumidores, mais investimentos, mais integração entre os países e,
principalmente, mais produtos disponíveis, maior competição, ajudando a
baixar ainda mais a inflação. Vai combinar crescimento econômico,
emprego e renda com sustentabilidade, tecnologia e inovação”, afirmou a
ministra, em nota oficial.
Acordo Mercosul-UE
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, confirmou a aprovação,
por ampla maioria dos países que integram a União Europeia (UE), do
acordo de livre comércio com o Mercosul – bloco formado por Argentina,
Brasil, Paraguai e Uruguai.
O acordo prevê redução imediata de
tarifas para máquinas e equipamentos de transporte como motores e
geradores para energia elétrica, motores de pistão (autopeças) e
aviões. Todos representam áreas estratégicas para inserção competitiva
do Brasil.
Também haverá oportunidade positiva para couro e peles,
pedras de cantaria, facas e lâminas e produtos químicos. Haverá redução
gradativa das tarifas, até zerá-las, sobre
diversas commodities (sujeitos a cotas).
“Uma
vitória do diálogo, da negociação e da aposta na cooperação e na
integração entre os países e blocos”, afirmou o presidente.
Lula
destacou que o acordo, além de trazer benefícios para os dois blocos, é
“uma sinalização em favor do comércio internacional”. O presidente
brasileiro foi atuante na costura desse acordo e tentou finalizá-lo no
final do ano passado, quando o Brasil presidia o bloco sul-americano.
Para Lula, o acordo entre Mercosul e União Europeia era uma prioridade.
Líderes europeus comemoram aprovação do acordo.
Segundo
a agência de notícias Reuters, os embaixadores dos 27 Estados-membros
da UE indicaram as posições de seus governos na manhã desta sexta-feira,
mas cada país deve confirmar seu voto por escrito até as 17h (13h, em
Brasília) de hoje.
Ainda de acordo com a Reuters, ao menos 15
países, que juntos representam pelo menos 65% da população total do
bloco europeu, votaram a favor da assinatura, conforme exigido.
Se
o resultado for confirmado, a presidente da Comissão Europeia, Ursula
von der Leyen poderá viajar ao Paraguai já na próxima semana para
ratificar o acerto com os os países-membros do Mercosul – bloco formado
por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai.
O Parlamento Europeu também precisará aprovar o acordo para que ele possa entrar em vigo
O
Ministério da Fazenda comemorou nesta sexta-feira (9) o resultado da
inflação oficial de 2025. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor
Amplo (IPCA) encerrou o ano em 4,26%, dentro do sistema de metas e com a quinta menor taxa registrada desde 1995, início do Plano Real.
A
avaliação é do secretário-executivo da pasta, Dario Durigan, que ocupa
interinamente o cargo de ministro da Fazenda durante as férias de
Fernando Haddad. Segundo ele, o resultado consolida um cenário de maior
estabilidade econômica e reforça a meta do governo de entregar a menor
inflação acumulada de um mandato presidencial desde a criação do real.
“Os
4,26% são o menor IPCA desde 2018. Mas, em 2018, o desemprego estava em
11,6%. Agora está em 5,2%. Estamos entregando inflação e desemprego
baixos”, afirmou Durigan, em publicação nas redes sociais.
O
ministro interino destacou ainda que o resultado ficou abaixo das
expectativas do mercado financeiro ao longo de boa parte do ano. No
primeiro semestre de 2025, o boletim Focus chegou a apontar projeções de inflação próximas de 5,6%.
Dario Durigan ressaltou que o resultado do IPCA ficou abaixo das expectativas do mercado financeiro. Foto: José Cruz/Arquivo Agência Brasil
Outro
ponto ressaltado por Durigan foi o comportamento mais moderado dos
preços dos alimentos, que tiveram alta de 1,43% no ano, contribuindo
para a desaceleração do índice geral. No grupo alimentação e bebidas, a
inflação ficou em 2,95%, bem abaixo dos 7,69% registrados em 2024.
“Com
a estabilidade econômica e fiscal que devolvemos ao Brasil, colhemos
bom crescimento do PIB, baixo desemprego, aumento da renda real do
trabalho e quedas da pobreza, da extrema pobreza e da desigualdade. Não
tenham dúvidas: em 2026 não será diferente!”, declarou.
Em 2025, a
inflação oficial ficou abaixo do teto da meta, de 4,5%, em um contexto
de política monetária contracionista, com a taxa básica de juros em 15%
ao ano, no maior nível desde 2006. Em nota, o secretário de Políticas
Econômicas da Fazenda, Guilherme Mello, ressaltou que a coordenação
entre a política fiscal e monetária ajudou a reduzir as pressões
inflacionárias.
Planejamento
A ministra do Planejamento,
Simone Tebet, também comemorou o resultado. Em publicação nas redes
sociais, ela destacou o impacto positivo da desaceleração dos preços
sobre o custo de vida da população.
Ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, também comemorou o resultado do IPCA. Foto:Lula Marques/Arquivo Agência Brasil
“Fechamos
bem o ano: IPCA de 2025 ficou em 4,26%, dentro do intervalo da meta
para inflação, e 0,57 ponto percentual abaixo dos 4,83% registrados em
2024. Os preços dos alimentos subiram menos: 2,95% em 2025 contra 7,69%
em 2024”, escreveu Tebet.
A ministra acrescentou que a
combinação de inflação mais baixa, mercado de trabalho aquecido e
aumento da renda melhora diretamente a vida dos brasileiros. Tebet
ressaltou a contribuição dos alimentos para a redução do índice de
preços.
“Tão importante quanto fechar dentro da meta é a inflação
baixa para o item que mais importa: alimentos. Menos da metade de 2024.
Mais comida na mesa dos brasileiros, que tiveram aumento real do salário
mínimo”, acrescentou.
"O
acordo não beneficia 'o agro brasileiro' como um bloco único. Ele
favorece quem já opera em padrão internacional", disse o consultor de
Estratégia e M&A da StoneX, José Luiz Mendes
Foto: Reuters
Reutersi
O
acordo comercial com o Mercosul confirmado pela maioria dos países
europeus nesta sexta-feira tem potencial de beneficiar o agronegócio
brasileiro, com a eliminação ou redução de tarifas, mas deverá favorecer
mais aquelas empresas e setores que já operam com elevados padrões de
sustentabilidade, avaliaram especialistas.
“O
ponto central: na prática, o acordo não beneficia ‘o agro brasileiro’
como um bloco único. Ele favorece quem já opera em padrão internacional e
consegue atender às exigências de sustentabilidade, rastreabilidade e
qualidade”, disse o consultor de Estratégia e M&A da StoneX, José
Luiz Mendes, nesta sexta-feira.
Ele ressaltou que a questão da sustentabilidade seguirá norteando os processos.
“É
bom para o Brasil e amplia o acesso a um dos mercados mais relevantes
do mundo. Mas ele também deixa claro que competitividade no agro, daqui
para frente, não será apenas produzir mais ou mais barato, e sim
produzir com eficiência, governança e estratégia”, acrescentou ele, em
nota.
A
União Europeia é conhecida pelas suas exigências ambientais, mas tem
adiado a implementação de uma lei antidesmatamento, que proibiria a
importação de mercadorias como carne bovina, cacau, café, óleo de palma e
soja produzidas em áreas desmatadas após 2020.
O adiamento da
vigência da lei de 2025 para o final de 2026 frustrou muitas empresas
brasileiras que se prepararam e investiram para capturar prêmios pelo
cumprimento da legislação, segundo análise anterior do Rabobank.
O
Brasil é o maior exportador global de soja, açúcar, café, suco de
laranja, carne bovina e de frango, sendo player de destaque na produção
de diversas outras mercadorias agrícolas.
De acordo com Mendes, da
StoneX, estudos variados indicam que o acordo Mercosul-UE pode gerar,
no longo prazo, um aumento próximo de 2% na produção do agronegócio
brasileiro, com ganhos concentrados em cadeias como pecuária, aves,
suínos, óleos e gorduras vegetais.
“É um efeito relevante, mas que
acontece de forma gradual, ao longo de vários anos, e depende muito da
capacidade de execução das empresas”, declarou.
Gustavo Menon,
especialista em Relações Internacionais e Direito Internacional da
American Global Tech University (AGTU), concorda, mas alertou em nota
que o acordo também incorpora temas considerados estratégicos, como
compromissos ambientais, compras públicas e regras preferenciais para
setores específicos.
Segundo ele, essa formatação refletirá em uma tendência de alinhar comércio internacional e sustentabilidade.
“Ao
mesmo tempo, esse enfoque impõe desafios adicionais aos países do
Mercosul, que precisarão conciliar competitividade, sustentabilidade e
adaptação regulatória.”
Beneficiados
O
potencial para ampliar negócios, entretanto, é considerável, já que
grande parte das exportações agrícolas do Mercosul para a União Europeia
terão algum nível de liberalização, sendo uma parcela relevante com
tarifa zero, conforme avaliação da Confederação da Agricultura e
Pecuária do Brasil (CNA) citada pela StoneX.
A consultoria também
aponta entre os mais beneficiados os setores de café solúvel, suco de
laranja, frutas frescas e pescados e crustáceos. “Esses produtos tendem a
se beneficiar de forma mais direta, porque a retirada de tarifas vira
ganho de margem, aumento de competitividade e maior previsibilidade de
acesso ao mercado europeu, onde o Brasil já é fornecedor relevante”,
disse Mendes.
Ele também destacou as indústrias de carne bovina,
aves e suínos, açúcar e etanol entre aquelas que podem também ter
benefício, mas observou que o acordo prevê cotas para cortes bovinos e
etanol, por exemplo, e não a isenção de tarifas ilimitada para tais
produtos.
“Aqui, o ganho existe, mas é limitado por cotas. Quem
deve capturar esse benefício são empresas maiores, organizadas, com
rastreabilidade, controle ambiental e capacidade de atender às
exigências do mercado europeu.”
Atualmente, as exportações
brasileiras de soja em grão, farelo de soja e milho não enfrentam
barreiras tarifárias, observou nesta semana a Associação Nacional dos
Exportadores de Cereais (Anec), a mesma situação registrada para o café
verde.
Contudo, disse a Anec, “o acordo poderá proporcionar maior
previsibilidade aos exportadores, reduzir custos e ampliar a priorização
dos produtos brasileiros, reforçando a competitividade do país nesses
mercados”.
A Anec também destacou que as importações do bloco
europeu também deverão seguir orientadas pelas questões da lei
antidesmatamento, quando ela começar a vigorar, além de fatores como
preços, sazonalidade de oferta e logística.
Após
pico de alta no início de 2025, entrada da safra e melhora na oferta
global garantiram queda de 5,08% nos preços ao consumidor no último
semestre
Café grãos (Crédito: Freepik)
Da reutersi
O
preço do café ao consumidor brasileiro encerrou 2025 com alta de
35,65%, de acordo com o indicador de inflação IPCA, após problemas de
oferta no Brasil e no exterior iniciados em 2024, segundo dados do
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados nesta
sexta-feira, 9.
Apesar
da forte valorização, o produto ficou menos caro na segunda parte de
2025 no país que é segundo consumidor global atrás dos Estados Unidos,
com a chegada da safra brasileira e mesmo com fatores como o tarifaço de
Donald Trump, que interferiu no fluxo comercial.
No biênio 2024/2025, contudo, o café ao consumidor acumulou avanço de 89,37%, após ter registrado alta de 39,60% em 2024.
“O
café diminuiu a pressão sobre os preços ao consumidor, mas tem um longo
caminho pela frente diante da forte alta entre 2024 e o começo de
2025”, disse a jornalistas Fernando Gonçalves, gerente do IBGE.
No
primeiro semestre de 2025, a variação do café chegou a superar 80% em
12 meses, mas os preços perderam força a partir de julho, com a entrada
da safra brasileira e menores preocupações relacionadas à oferta de
países como o Vietnã, cujas exportações saltaram no ano passado.
Segundo
Gonçalves, o alívio ocorreu com maior oferta global, condições
climáticas mais favoráveis e também por influência do câmbio no Brasil.
“A oferta maior já começou a aparecer para o consumidor final”, afirmou.
A
inflação oficial do país fechou 2025 com alta de 4,26%, dentro do teto
da meta de 4,50%. O café contribuiu com 0,18 ponto percentual para a
taxa final, ante 0,15 ponto em 2024.
Café tem 6ª queda mensal
Em
dezembro, o café registrou a sexta queda seguida no IPCA, com recuo de
0,26%, acumulando baixa de 5,08% no período de seis meses.
Por
outro lado, os alimentos subiram menos de 3% em 2025, oitava menor
variação desde o início do Plano Real, ajudando a conter a inflação.
“A
safra de grãos ajudou muito a colocar a inflação na meta e pesar menos
no bolso dos consumidores. O dólar menor também influenciou, assim como a
cotação das commodities. Mas a oferta muito grande de produtos foi o
que mais ajudou”, completou Gonçalves.
A
Shell informou nesta sexta-feira, 09, que obteve a licença para operar
como Empresa Brasileira de Navegação (EBN), o que a torna a primeira
empresa internacional de óleo e gás a receber a autorização.
A
companhia já iniciou a operação do navio tanque aliviador DP Ametista
Brasil, embarcação operada por uma tripulação 100% brasileira, formada
por 48 profissionais.
Segundo
o comunicado, o navio será utilizado no transporte de óleo por
cabotagem ao longo da costa brasileira, com foco em operações ligadas
aos ativos do pré-sal na Bacia de Santos, ampliando a eficiência
logística e operacional das atividades da Shell no país.
“A nova
operação gera ganhos de eficiência e otimizações financeiras para o
grupo, alinhados às boas práticas de gestão e governança, enquanto
fomentamos a geração de emprego e renda para profissionais brasileiros”,
destaca o gerente Comercial da Shell Brasil, Vinicius Mazzei, por meio
de nota.
A
Shell acrescenta que a autorização também contribui para a redução de
deslocamentos logísticos recorrentes, o que resulta em menor consumo de
combustível e, consequentemente, na redução das emissões associadas às
operações.
O navio foi originalmente construído na Coreia do Sul
para a Knutsen NYK Offshore Tankers (KNOT) e integrou a frota afretada
(alugada) da Shell por cerca de oito anos.