segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

CEO da Heineken renuncia em meio a vendas fracas e investidores insatisfeitos

 

O presidente-executivo da Heineken, Dolf van den Brink, renunciou inesperadamente nesta segunda-feira, 12, após seis anos liderando a cervejaria holandesa e apenas alguns meses depois de definir sua nova estratégia, enquanto o setor luta para fazer com que os consumidores comprem mais cerveja.

Van den Brink assumiu o comando da segunda maior fabricante de cerveja do mundo em meio à pandemia da Covid-19, em junho de 2020, e presidiu um período turbulento desde então, marcado por uma enorme inflação de custos e queda nas vendas que prejudicaram as margens e as ações.

Ao anunciar sua saída surpresa, o conselho disse que lançará uma busca por um sucessor para liderar a fabricante da cerveja Heineken, bem como marcas como Tiger e Amstel.

Van den Brink, que deixará o cargo em 31 de maio, concordou em permanecer disponível como consultor por oito meses a partir de junho.

Ele e o presidente do conselho de supervisão, Peter Wennink, disseram que agora é o momento certo para a Heineken nomear uma nova liderança. A empresa definiu uma nova estratégia que abrange os anos até 2030 em outubro.

A Heineken “chegou a um estágio em que uma transição na liderança servirá melhor à empresa na execução de suas ambições de longo prazo”, disse van den Brink no comunicado, acrescentando que continua totalmente focado na execução dessa estratégia até sua saída.

Van den Brink é o mais recente de uma série de CEOs de empresas de consumo a deixar a empresa após alguns anos difíceis para o setor, uma vez que o alto custo de vida pressionou o orçamento dos consumidores.

As cervejarias têm lutado para vender mais cerveja, com as esperanças de uma recuperação das vendas repetidamente derrubadas por tudo, desde o mau tempo até a incerteza política. A Heineken ficou atrás de seus pares em áreas como eficiência de custos e retorno para os investidores.

Quem quer que assuma o comando enfrenta o desafio de cumprir as promessas da Heineken para 2030 em meio à volatilidade política e econômica global.

As preocupações com o surgimento de novos concorrentes, o aparecimento de medicamentos para perda de peso que podem pesar sobre as vendas de alimentos e bebidas e a mudança de atitudes em relação ao consumo de álcool, especialmente entre os jovens, também causam preocupações sobre o futuro do setor.

O nó das contas públicas: governo encara desafio de cumprir meta de superávit em ano eleitoral

 

As contas públicas de um governo são muito parecidas com a rotina financeira das famílias. Imagine que você administra uma casa onde, mês a mês, seus gastos são maiores do que suas receitas. Para cobrir o buraco, a solução é recorrer ao cheque especial. No começo, funciona, mas com o tempo os juros sobem tanto que você começa a trabalhar apenas para pagar o juro da dívida, sem conseguir tocar o dia a dia da casa.

Guardadas as devidas proporções, é exatamente esse o drama que o Brasil vive hoje em suas contas públicas. Os números mais recentes mostram que a corda segue esticando – e se esse já é (e será) um dos grandes desafios do atual e próximo governo federal, independentemente de quem vença o pleito eleitoral de outubro de 2026.

Como o governo central é um dos maiores compradores e investidores da economia, seus passos afetam todo o cenário de juros e inflação.

Os dado mais recente do Banco Central evidencia que entre janeiro e novembro de 2025 o governo central já gastou R$ 80,3 bilhões a mais daquilo que conseguiu arrecadar no mesmo período. Chamado de déficit primário, esse valor ainda não contabiliza os juros dos tais empréstimos contratados ao longo dos anos, que precisam ser pagos. Logo, o buraco é maior.

Apesar do rombo no acumulado do ano, contudo, o governo deve fechar 2025 dentro da meta fiscal definida, acreditam especialistas. Em 2024 e 2025, os primeiros anos após a aprovação do arcabouço fiscal, a meta foi de equilíbrio das contas (resultado primário com déficit zero) com margem de 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB) para cima ou para baixo, o equivalente à cerca de R$ 31 bilhões.

Felipe Salto, economista-chefe da Warren Investimentos e ex-Secretário da Fazenda de São Paulo, acredita na entrega do resultado dentro da meta, embora no limite inferior da banda. Para isso, contudo, algumas despesas deverão ser desconsideradas, no âmbito do que é permitido por legislação.

“Em nossa projeção, o déficit primário vai ser 0,6% do PIB. Isso vai permitir que a meta seja cumprida usando a banda inferior dela, retirando os precatórios que podem ser descontados”, disse o economista à IstoÉ Dinheiro. É uma estimativa em linha com a do Itaú, de acordo com o relatório mais recente do banco.

O economista-chefe da Warren Investimentos e ex-Secretário da Fazenda de São Paulo Felipe Salto

O que esperar para 2026

No ano à frente, contudo, o cenário é distinto. É que para 2026 o governo precisará buscar superávit conforme estabelece a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). “A expectativa é um déficit, em 2026, de 0,7% do PIB, o equivalente a R$ 92,4 bilhões, mas quando a meta é de um superávit de R$ 34,3 bilhões, com a banda inferior em zero”, continua Salto.

Outra projeção, desta vez feita por Rafaela Vitoria, economista-chefe do banco Inter, vai em linha similar aproximada: é calculado um déficit primário de R$ 96 bilhões (0,7% do PIB), mesmo considerando o piso dela e os pagamentos não inclusos, de R$ 57 bilhões. Essa última cifra equivale às despesas que o governo pode retirar da conta do resultado primário porque há autorização legal – é o que o mercado financeiro muitas vezes classifica como “contabilidade criativa”.

A meta fiscal de 2026, na visão de Salto, precisará ser alterada e o tema deverá estar presente no primeiro relatório bimestral do Ministério da Fazenda. Já Rafaela, por ora, vê diferente.

“Não acreditamos em revisão da meta. A diferença pode ser em parte contingenciada, em parte com alguma despesa sendo excluída do cálculo, ou novamente com a busca de receitas extraordinárias, ainda não estimadas no orçamento”, escreveu a economista em nota enviada à IstoÉ Dinheiro. O Itaú projeta resultado primário negativo em 0,8% do PIB em 2026 no relatório mais recente.

Rafaela Vitoria, economista-chefe do banco Inter

Vale reiterar que o cenário de rombo nas contas públicas não é um resultado entregue apenas pela atual gestão. Ao longo da última década, o Brasil registra consecutivos déficits primários, ora maiores, ora menores, afetando seguidamente o ambiente econômico brasileiro. É que quando o governo gasta mal ou gasta mais do que arrecada, ele precisa pegar mais dinheiro emprestado no mercado. Como a dívida aumenta, o risco de não pagamento segue, e os investidores exigem juros maiores. Um governo “gastão”, ademais, afeta a política de juros do Banco Central.

Como o governo central é o motor da economia, ou seja, um dos maiores compradores e investidores do país, os seus movimentos também afetam a inflação, controlada pelo BC por meio da alta da taxa Selic, atualmente em 15% ao ano, o que por fim castiga o consumo e o investimento no país todo. A expectativa é de início do ciclo de baixa de juros ainda no primeiro trimestre, já que a inflação está cedendo. O mais recente boletim Focus, publicado pelo BC a partir do recolhimento das expectativas dos agentes econômicos, indica inflação de 4,06% ao final deste ano. A meta é 3%.

Tentativa de controlar as contas

Para tentar conter essa sangria e se comprometer junto ao mercado financeiro, em 2023, a atual gestão propôs o arcabouço fiscal, aprovado pelo Congresso Nacional e roteiro de regras estabelecido na Lei Complementar 200. De forma resumida, a regra determina que o governo só pode gastar 70% daquilo que é arrecadado.

Caso não seja cumprida, o percentual de gastos no ano seguinte cai para 50% da receita. Mas nem todo gasto do governo entra nessa contabilidade. Existem exceções como gastos com desastres, despesas das universidades públicas, execução direta de obras e serviços de engenharia, entre outras. O problema é que essa lista de exceções tem crescido.

Um relatório divulgado em dezembro pela Instituição Fiscal Independente (IFI), o órgão técnico ligado ao Senado que funciona como um vigia das contas públicas, trouxe esse alerta. Nos primeiros anos de vigência do arcabouço fiscal, o governo gastou R$ 170 bilhões por fora das regras fiscais vigentes, mas que, ao mesmo tempo, são exceções que a própria lei já pressupunha.

“Estamos vivenciando uma fragilização do arcabouço por conta das excepcionalizações. Gasto é gasto, despesa é despesa. Do ponto de vista macroeconômico, o que importa é se está gerando déficit e dívida ou não. É aí que você tem um esvaziamento da credibilidade do arcabouço”, disse em entrevista à IstoÉ Dinheiro Marcus Pestana, diretor-executivo do IFI.

Marcus Pestana, diretor-executivo do IFI (Crédito:Carlos Moura/Agência Senado)

Na prática, esses gastos excepcionais funcionam como se houvesse uma contabilidade paralela, onde despesas com precatórios, aportes em estatais e gastos militares e com segurança, além de compensações para o tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não entram no limite principal de gastos estabelecido pelo arcabouço fiscal. Mesmo assim, são gastos do governo.

No mercado financeiro e para muitos economistas já há clareza que a regra criada para segurar os gastos perdeu credibilidade. E mesmo diante do quadro, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, tem demonstrado desconforto com a pressão dos agentes mercadológicos. Ele afirma que há falta de reconhecimento sobre os esforços feitos para organizar as contas.

“O arcabouço fiscal foi inspirado no sistema de metas inflacionárias, com as bandas pensadas para absorver choques externos, eventualidades não planejáveis e não para gastos. Precatório é totalmente planejável e não tem motivo para ser excepcionalizado. Com o orçamento cada vez mais engessado, criam-se essas válvulas, essas gambiarras e o arcabouço perde as suas funções básicas”, afirma Pestana, do IFI.

Para Felipe Salto, economista da Warren, fica cada vez mais clara a necessidade de discutir uma agenda estruturante para 2027, a ser definida ainda em 2026, sob pena de se perder mais tempo. “Independentemente de quem ganhe a eleição, essa agenda vai se impor. Vamos estar com uma taxa de juros ainda muito alta, a dívida vai continuar aumentando e, também, um déficit muito grande. A realidade vai se impor e algum ajuste fiscal no primeiro ano vai ter que ser feito”, disse Salto.

Haddad reconhece essa necessidade. Em um café com jornalistas, o ministro disse que o governo precisará promover novas reformas econômicas a partir de 2027 para garantir a sustentabilidade das contas públicas, e que o atual arcabouço fiscal pode passar por “aprimoramentos”. Mas ele reforça que não há razão para alterar sua estrutura central.“Vamos fixar uma meta exigente, demandante, mas possível de cumprir. É assim que estamos reconstruindo as contas públicas”, reforçou.

A conclusão de especialistas em contas públicas é que não há mais espaço para “puxadinhos” contábeis ou aumento de impostos, já que o brasileiro paga uma das maiores cargas tributárias do mundo entre países em desenvolvimento. O ajuste fiscal tornou-se inevitável. Mais cedo ou mais tarde, o governo terá que encarar a realidade de que não se pode gastar o que não tem.

Se o dever de casa não for feito agora, de forma planejada, ele virá depois, de maneira muito mais dolorosa para o bolso da população – por meio de maior inflação e menos oportunidades. O relógio está correndo, e a conta, como sempre, acaba chegando na mesa do consumidor.

 


sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

Haddad e Tebet destacam benefícios para Brasil com acordo UE-Mercosul

 

Os ministros Fernando Haddad (Fazenda) e Simone Tebet (Planejamento) se manifestaram nesta sexta-feira (9) para celebrar o anúncio da União Europeia pela aprovação do acordo comercial com o Mercosul. 

Brasília – 14/10/2025 – Ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Foto: Lula Marques/ Agência Brasil

Nas redes sociais, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, classificou o acordo como histórico e uma sinalização para um futuro de “pluralidade e oportunidade”.

“Acordo histórico, não apenas pelo seu significado econômico, mas sobretudo pelo significado geopolítico. Uma nova avenida de cooperação se abre nesse momento conturbado, mostrando um novo caminho de pluralidade e oportunidade”, disse Haddad.

A ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, destacou que o acordo irá proporcionar a chegada de produtos brasileiros a mais consumidores, ampliação de investimentos, o que poderá ajudar a reduzir a inflação no país

Brasília (DF), 19/08/2025 -Ministra Simone Tebet. Foto: Andressa Anholete/Agência Senado

“Um marco histórico para o multilateralismo! O Acordo Mercosul-União Europeia é um dos movimentos econômicos mais relevantes das últimas décadas para o Brasil e para o Mercosul. Mais acesso a mercados consumidores, mais investimentos, mais integração entre os países e, principalmente, mais produtos disponíveis, maior competição, ajudando a baixar ainda mais a inflação. Vai combinar crescimento econômico, emprego e renda com sustentabilidade, tecnologia e inovação”, afirmou a ministra, em nota oficial. 

Acordo Mercosul-UE

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, confirmou a aprovação, por ampla maioria dos países que integram a União Europeia (UE), do acordo de livre comércio com o Mercosul – bloco formado por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai.

O acordo prevê redução imediata de tarifas para máquinas e equipamentos de transporte como motores e geradores para energia elétrica, motores de pistão (autopeças) e aviões. Todos representam áreas estratégicas para inserção competitiva do Brasil.

Também haverá oportunidade positiva para couro e peles, pedras de cantaria, facas e lâminas e produtos químicos. Haverá redução gradativa das tarifas, até zerá-las, sobre diversas commodities (sujeitos a cotas).

Repercussões 

Pelas redes sociais, o presidente Lula afirmou ser “uma vitória do diálogo”.

“Uma vitória do diálogo, da negociação e da aposta na cooperação e na integração entre os países e blocos”, afirmou o presidente.

Lula destacou que o acordo, além de trazer benefícios para os dois blocos, é “uma sinalização em favor do comércio internacional”. O presidente brasileiro foi atuante na costura desse acordo e tentou finalizá-lo no final do ano passado, quando o Brasil presidia o bloco sul-americano. Para Lula, o acordo entre Mercosul e União Europeia era uma prioridade.

Líderes europeus comemoram aprovação do acordo.

Segundo a agência de notícias Reuters, os embaixadores dos 27 Estados-membros da UE indicaram as posições de seus governos na manhã desta sexta-feira, mas cada país deve confirmar seu voto por escrito até as 17h (13h, em Brasília) de hoje.

Ainda de acordo com a Reuters, ao menos 15 países, que juntos representam pelo menos 65% da população total do bloco europeu, votaram a favor da assinatura, conforme exigido.

Se o resultado for confirmado, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen poderá viajar ao Paraguai já na próxima semana para ratificar o acerto com os os países-membros do Mercosul – bloco formado por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai.

O Parlamento Europeu também precisará aprovar o acordo para que ele possa entrar em vigo

Fazenda comemora IPCA de 4,26% e projeta menor inflação do Plano Real

 Reforma Tributária: Portaria do Ministério da Fazenda ...

O Ministério da Fazenda comemorou nesta sexta-feira (9) o resultado da inflação oficial de 2025. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) encerrou o ano em 4,26%, dentro do sistema de metas e com a quinta menor taxa registrada desde 1995, início do Plano Real.

A avaliação é do secretário-executivo da pasta, Dario Durigan, que ocupa interinamente o cargo de ministro da Fazenda durante as férias de Fernando Haddad. Segundo ele, o resultado consolida um cenário de maior estabilidade econômica e reforça a meta do governo de entregar a menor inflação acumulada de um mandato presidencial desde a criação do real.

“Os 4,26% são o menor IPCA desde 2018. Mas, em 2018, o desemprego estava em 11,6%. Agora está em 5,2%. Estamos entregando inflação e desemprego baixos”, afirmou Durigan, em publicação nas redes sociais.

O ministro interino destacou ainda que o resultado ficou abaixo das expectativas do mercado financeiro ao longo de boa parte do ano. No primeiro semestre de 2025, o boletim Focus chegou a apontar projeções de inflação próximas de 5,6%.

 Dario Durigan ressaltou que o resultado do IPCA ficou abaixo das expectativas do mercado financeiro. Foto: José Cruz/Arquivo Agência Brasil

Outro ponto ressaltado por Durigan foi o comportamento mais moderado dos preços dos alimentos, que tiveram alta de 1,43% no ano, contribuindo para a desaceleração do índice geral. No grupo alimentação e bebidas, a inflação ficou em 2,95%, bem abaixo dos 7,69% registrados em 2024.

“Com a estabilidade econômica e fiscal que devolvemos ao Brasil, colhemos bom crescimento do PIB, baixo desemprego, aumento da renda real do trabalho e quedas da pobreza, da extrema pobreza e da desigualdade. Não tenham dúvidas: em 2026 não será diferente!”, declarou.

Em 2025, a inflação oficial ficou abaixo do teto da meta, de 4,5%, em um contexto de política monetária contracionista, com a taxa básica de juros em 15% ao ano, no maior nível desde 2006. Em nota, o secretário de Políticas Econômicas da Fazenda, Guilherme Mello, ressaltou que a coordenação entre a política fiscal e monetária ajudou a reduzir as pressões inflacionárias.

Planejamento

A ministra do Planejamento, Simone Tebet, também comemorou o resultado. Em publicação nas redes sociais, ela destacou o impacto positivo da desaceleração dos preços sobre o custo de vida da população.

Ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, também comemorou o resultado do IPCA. Foto: Lula Marques/Arquivo Agência Brasil

 “Fechamos bem o ano: IPCA de 2025 ficou em 4,26%, dentro do intervalo da meta para inflação, e 0,57 ponto percentual abaixo dos 4,83% registrados em 2024. Os preços dos alimentos subiram menos: 2,95% em 2025 contra 7,69% em 2024”, escreveu Tebet.

A ministra acrescentou que a combinação de inflação mais baixa, mercado de trabalho aquecido e aumento da renda melhora diretamente a vida dos brasileiros. Tebet ressaltou a contribuição dos alimentos para a redução do índice de preços.

“Tão importante quanto fechar dentro da meta é a inflação baixa para o item que mais importa: alimentos. Menos da metade de 2024. Mais comida na mesa dos brasileiros, que tiveram aumento real do salário mínimo”, acrescentou.

Acordo Mercosul-UE deve favorecer agro que opera com sustentabilidade, dizem especialistas

 

O acordo comercial com o Mercosul confirmado pela maioria dos países europeus nesta sexta-feira tem potencial de beneficiar o agronegócio brasileiro, com a eliminação ou redução de tarifas, mas deverá favorecer mais aquelas empresas e setores que já operam com elevados padrões de sustentabilidade, avaliaram especialistas.

“O ponto central: na prática, o acordo não beneficia ‘o agro brasileiro’ como um bloco único. Ele favorece quem já opera em padrão internacional e consegue atender às exigências de sustentabilidade, rastreabilidade e qualidade”, disse o consultor de Estratégia e M&A da StoneX, José Luiz Mendes, nesta sexta-feira.

 

Ele ressaltou que a questão da sustentabilidade seguirá norteando os processos.

“É bom para o Brasil e amplia o acesso a um dos mercados mais relevantes do mundo. Mas ele também deixa claro que competitividade no agro, daqui para frente, não será apenas produzir mais ou mais barato, e sim produzir com eficiência, governança e estratégia”, acrescentou ele, em nota.

A União Europeia é conhecida pelas suas exigências ambientais, mas tem adiado a implementação de uma lei antidesmatamento, que proibiria a importação de mercadorias como carne bovina, cacau, café, óleo de palma e soja produzidas em áreas desmatadas após 2020.

O adiamento da vigência da lei de 2025 para o final de 2026 frustrou muitas empresas brasileiras que se prepararam e investiram para capturar prêmios pelo cumprimento da legislação, segundo análise anterior do Rabobank.

O Brasil é o maior exportador global de soja, açúcar, café, suco de laranja, carne bovina e de frango, sendo player de destaque na produção de diversas outras mercadorias agrícolas.

De acordo com Mendes, da StoneX, estudos variados indicam que o acordo Mercosul-UE pode gerar, no longo prazo, um aumento próximo de 2% na produção do agronegócio brasileiro, com ganhos concentrados em cadeias como pecuária, aves, suínos, óleos e gorduras vegetais.

“É um efeito relevante, mas que acontece de forma gradual, ao longo de vários anos, e depende muito da capacidade de execução das empresas”, declarou.

Gustavo Menon, especialista em Relações Internacionais e Direito Internacional da American Global Tech University (AGTU), concorda, mas alertou em nota que o acordo também incorpora temas considerados estratégicos, como compromissos ambientais, compras públicas e regras preferenciais para setores específicos.

Segundo ele, essa formatação refletirá em uma tendência de alinhar comércio internacional e sustentabilidade.

“Ao mesmo tempo, esse enfoque impõe desafios adicionais aos países do Mercosul, que precisarão conciliar competitividade, sustentabilidade e adaptação regulatória.”

Beneficiados

O potencial para ampliar negócios, entretanto, é considerável, já que grande parte das exportações agrícolas do Mercosul para a União Europeia terão algum nível de liberalização, sendo uma parcela relevante com tarifa zero, conforme avaliação da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) citada pela StoneX.

A consultoria também aponta entre os mais beneficiados os setores de café solúvel, suco de laranja, frutas frescas e pescados e crustáceos. “Esses produtos tendem a se beneficiar de forma mais direta, porque a retirada de tarifas vira ganho de margem, aumento de competitividade e maior previsibilidade de acesso ao mercado europeu, onde o Brasil já é fornecedor relevante”, disse Mendes.

Ele também destacou as indústrias de carne bovina, aves e suínos, açúcar e etanol entre aquelas que podem também ter benefício, mas observou que o acordo prevê cotas para cortes bovinos e etanol, por exemplo, e não a isenção de tarifas ilimitada para tais produtos.

“Aqui, o ganho existe, mas é limitado por cotas. Quem deve capturar esse benefício são empresas maiores, organizadas, com rastreabilidade, controle ambiental e capacidade de atender às exigências do mercado europeu.”

Atualmente, as exportações brasileiras de soja em grão, farelo de soja e milho não enfrentam barreiras tarifárias, observou nesta semana a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec), a mesma situação registrada para o café verde.

Contudo, disse a Anec, “o acordo poderá proporcionar maior previsibilidade aos exportadores, reduzir custos e ampliar a priorização dos produtos brasileiros, reforçando a competitividade do país nesses mercados”.

A Anec também destacou que as importações do bloco europeu também deverão seguir orientadas pelas questões da lei antidesmatamento, quando ela começar a vigorar, além de fatores como preços, sazonalidade de oferta e logística.

Preço do café recua pelo 6º mês seguido, mas acumula alta de 90% em 2 anos

 

O preço do café ao consumidor brasileiro encerrou 2025 com alta de 35,65%, de acordo com o indicador de inflação IPCA, após problemas de oferta no Brasil e no exterior iniciados em 2024, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados nesta sexta-feira, 9.

Apesar da forte valorização, o produto ficou menos caro na segunda parte de 2025 no país que é segundo consumidor global atrás dos Estados Unidos, com a chegada da safra brasileira e mesmo com fatores como o tarifaço de Donald Trump, que interferiu no fluxo comercial.

No biênio 2024/2025, contudo, o café ao consumidor acumulou avanço de 89,37%, após ter registrado alta de 39,60% em 2024.

“O café diminuiu a pressão sobre os preços ao consumidor, mas tem um longo caminho pela frente diante da forte alta entre 2024 e o começo de 2025”, disse a jornalistas Fernando Gonçalves, gerente do IBGE.

No primeiro semestre de 2025, a variação do café chegou a superar 80% em 12 meses, mas os preços perderam força a partir de julho, com a entrada da safra brasileira e menores preocupações relacionadas à oferta de países como o Vietnã, cujas exportações saltaram no ano passado.

Segundo Gonçalves, o alívio ocorreu com maior oferta global, condições climáticas mais favoráveis e também por influência do câmbio no Brasil. “A oferta maior já começou a aparecer para o consumidor final”, afirmou.

A inflação oficial do país fechou 2025 com alta de 4,26%, dentro do teto da meta de 4,50%. O café contribuiu com 0,18 ponto percentual para a taxa final, ante 0,15 ponto em 2024.

Café tem 6ª queda mensal

Em dezembro, o café registrou a sexta queda seguida no IPCA, com recuo de 0,26%, acumulando baixa de 5,08% no período de seis meses.

Por outro lado, os alimentos subiram menos de 3% em 2025, oitava menor variação desde o início do Plano Real, ajudando a conter a inflação.

“A safra de grãos ajudou muito a colocar a inflação na meta e pesar menos no bolso dos consumidores. O dólar menor também influenciou, assim como a cotação das commodities. Mas a oferta muito grande de produtos foi o que mais ajudou”, completou Gonçalves.

Shell obtém licença para operar como Empresa Brasileira de Navegação

 

A Shell informou nesta sexta-feira, 09, que obteve a licença para operar como Empresa Brasileira de Navegação (EBN), o que a torna a primeira empresa internacional de óleo e gás a receber a autorização.

A companhia já iniciou a operação do navio tanque aliviador DP Ametista Brasil, embarcação operada por uma tripulação 100% brasileira, formada por 48 profissionais.

Segundo o comunicado, o navio será utilizado no transporte de óleo por cabotagem ao longo da costa brasileira, com foco em operações ligadas aos ativos do pré-sal na Bacia de Santos, ampliando a eficiência logística e operacional das atividades da Shell no país.

“A nova operação gera ganhos de eficiência e otimizações financeiras para o grupo, alinhados às boas práticas de gestão e governança, enquanto fomentamos a geração de emprego e renda para profissionais brasileiros”, destaca o gerente Comercial da Shell Brasil, Vinicius Mazzei, por meio de nota.

A Shell acrescenta que a autorização também contribui para a redução de deslocamentos logísticos recorrentes, o que resulta em menor consumo de combustível e, consequentemente, na redução das emissões associadas às operações.

O navio foi originalmente construído na Coreia do Sul para a Knutsen NYK Offshore Tankers (KNOT) e integrou a frota afretada (alugada) da Shell por cerca de oito anos.