
Estadão Conteúdoi
São
Paulo, 4 – A Lar Cooperativa Agroindustrial, com sede em Medianeira
(PR), encerrou o exercício de 2025 com receita líquida de R$ 23,207
bilhões, crescimento de 14,4% em relação aos R$ 20,284 bilhões
registrados em 2024. O desempenho marca a retomada da trajetória de
expansão após o recuo de 6,9% observado no faturamento do ano anterior. O
resultado financeiro líquido somou R$ 983,45 milhões, avanço de 6,6%
frente aos R$ 922,3 milhões de 2024.
As sobras líquidas
totalizaram R$ 101,3 milhões em 2025, crescimento de 0,9% ante os R$
100,4 milhões do exercício anterior. A geração de impostos acompanhou a
alta, totalizando R$ 1,538 bilhão, incremento de 12,1% na comparação
anual. Os valores serão submetidos à aprovação dos cooperados em
assembleia.
De
acordo com a cooperativa, o avanço ocorreu apesar de fatores adversos
ao longo do ano. Na mensagem da administração, o diretor-presidente da
Lar, Irineo da Costa Rodrigues, afirmou que 2025 foi “um dos melhores
anos da cooperativa”, mesmo diante da “frustração parcial da lavoura de
soja no sul de Mato Grosso do Sul” e da ocorrência do “primeiro foco de
influenza aviária em maio de 2025”.
A composição da receita
líquida mostrou predominância do segmento de Alimentos, responsável por
41,45% do total, seguido por Grãos (36,75%), Insumos (15,05%),
Suinocultura (3,54%) e Varejo (1,63%). A avicultura consolidou-se como
principal motor do faturamento após ultrapassar os grãos no exercício
anterior.
No
campo operacional, a recepção de milho superou as metas, atingindo
3,709 milhões de toneladas, crescimento de 22,5% em relação às 3,028
milhões de toneladas recebidas em 2024, desempenho atribuído à boa
condução da segunda safra no Paraná. A recepção de soja somou 3,050
milhões de toneladas, alta de 8,7% na comparação anual, ainda que tenha
alcançado 95% do volume planejado, em função de impactos climáticos.
As
exportações diretas totalizaram US$ 932,06 milhões, avanço de 10,3%
frente aos US$ 844,87 milhões registrados no ano anterior. A cooperativa
embarcou produtos para 71 países em 2025, operando em 168 portos nos
últimos três anos, segundo o relatório.
A
estratégia de industrialização avançou com a entrada em operação da
terceira unidade de esmagamento de soja em Marechal Cândido Rondon (PR),
ampliando a segurança no abastecimento das cadeias de proteína. A
produção de farelo de soja alcançou 1,028 milhão de toneladas, enquanto o
biodiesel somou 47.156 metros cúbicos, com pico mensal de 7.500 m? em
dezembro.
Na pecuária, a produção de pintainhos atingiu 305,8
milhões de cabeças, aumento de 9,6%, enquanto o abate de aves somou
372,9 milhões de cabeças, crescimento de 3,5%. A suinocultura manteve
estabilidade, com 1,08 milhão de cabeças abatidas. A cooperativa
consolidou a atuação em três proteínas – frango, suíno e peixe – após
ingressar na piscicultura com a aquisição de uma unidade de abate em São
Miguel do Iguaçu (PR), que processou 2,52 milhões de peixes no ano de
estreia. “A geração de caixa consistente tem permitido a Lar continuar
investindo”, afirmou Rodrigues no balanço.
Para
sustentar a expansão, a Lar executou R$ 1,379 bilhão em investimentos
ao longo do ano. Os aportes incluíram a aquisição e construção de dez
novas unidades de recepção de grãos, a incorporação de 19 lojas da rede
Syngenta mais duas próprias, a ampliação da frota de 1.373 para 1,6 mil
veículos e o aumento da capacidade estática de armazenagem em 204 mil
toneladas.
A base social da cooperativa cresceu 9,9% em 2025,
encerrando o ano com 15.555 associados, ante 14.156 em 2024. O quadro de
funcionários avançou 2,1%, passando de 24.390 para 24.939
profissionais. A Lar mantém perfil majoritariamente composto por
pequenos produtores, com 46,5% dos cooperados em propriedades de até 20
hectares.
Para
2026, a cooperativa projeta faturamento bruto recorde de R$ 26,419
bilhões. A avicultura deve permanecer como principal motor do negócio,
com participação estimada de 40,70% (R$ 10,759 bilhões). As projeções
indicam ainda participação da soja (17,80%), insumos (16,10%), unidade
industrial de soja (9,90%), milho (8,20%) e suinocultura (2,90%).