quinta-feira, 19 de março de 2026

ANP notificou no DF seis distribuidoras e autuou Raízen, Ipiranga e Masut

 

A Força-Tarefa criada pelo governo integrada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon/MJSP) e a Polícia Federal, realizou na quarta-feira, 18, uma operação conjunta que fiscalizou seis distribuidoras de combustíveis no Distrito Federal. A ANP notificou as seis distribuidoras e, até o final da tarde, já havia autuado três delas – Raízen, Ipiranga e Masut – por questões relativas à abusividade de preços.

Desta vez, a operação focou na cadeia acima dos postos de combustíveis, afirmou a ANP, que na terça-feira, 17, também foram fiscalizados.

Já a Senacon, com base no Código de Defesa do Consumidor, notificou as distribuidoras Vibra (antiga BR), Raízen e Ipiranga que, juntas, concentram cerca de 70% do mercado nacional.

A operação, de acordo com as autoridades, ganhou amplitude após denúncias e informações enviadas por postos e por órgãos de defesa do consumidor, como Procons, com indícios de práticas abusivas.

Entre as suspeitas estão a venda de combustíveis comprados a preços anteriores com valores já reajustados e a retenção de produtos para aguardar novas altas.

“Nunca a ANP, o Ministério de Minas e Energia (MME), a Receita Federal (RF), a Polícia Federal, a Senacon, o Sistema Nacional de Defesa do Consumidor e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) atuaram de forma tão integrada”, afirmou em nota o secretário nacional do Consumidor, Ricardo Morishita.

Itaú BBA vê ‘guerra temporária’, queda no preço do petróleo e aumento de cautela nos BCs

 

Apesar da escalada do conflito e de um petróleo que já opera acima dos US$ 110, o Itaú BBA vê um horizonte com algum nível de otimismo. A tese é de que já na primeira quinzena de abril o Estreito de Ormuz seja reaberto e, com isso, o preço do petróleo sofra uma correção.

Assim, a visão é de que o conflito atual tenha uma semelhança com a Guerra do Golfo e não perdure por tanto tempo. Em entrevista coletiva à imprensa nesta quinta-feira, 19, o economista do Itaú Pedro Schneider frisou que, em um cenário de alívio das tensões geopolíticas, o preço poderá voltar para menos de US$ 100 o barril.

“O fechamento [do estreito] deve durar pelo menos até metade de abril. Se não tiver nenhuma novidade, se seguir fechado, o preço seguirá subindo. A assimetria versus o preços atuais é de preços mais altos e não mais baixos, olhando para a frente. Para voltar abaixo de US$ 100 precisa ter solução para guerra e não existe expectativa de curto prazo, mas não existe expectativa de guerra o ano todo – justamente porque a relevância do local ali é gigantesca”, diz Pedro Schneider.

Isso, considerando que o custo econômico do estreito fechado é altíssimo – o que funciona como um incentivo para que os EUA não escalem violência, a fim de evitar choques inflacionário e um cenário que chegaria a afetar o governo Trump nas eleições de meio de mandato (midterms) que ocorrerão em novembro.

Ainda que com uma ‘guerra temporária’, o choque de petróleo deve durar mais de um mês.

No momento, as expectativas de inflação seguem comportadas nas projeções da casa, mas o conflito aumenta os riscos altistas e pode mudar uma das principais variáveis do Banco Central (BC).

Caso o petróleo se mantenha permanentemente acima do nível visto no pré-guerra, a postura do BC – assim como outras autoridades monetárias globais – deve ser de mais austeridade.

No comunicado do Comitê de Política Monetária (Copom) desta semana o BC já havia reiterado a postura cautelosa durante o ciclo de flexibilização, e um petróleo mais próximo de US$ 200 pode fazer a autoridade monetária recalibrar a rota.

“Quando petróleo sobe e fica, BCs sobem juros também. No embargo da Opec na década de 1970 o Federal Reserve vinha subindo juros, tentou cortar, mas veio do choque do petróleo. Quando isso ocorreu, o Fed inclusive voltou a subir os juros novamente”, exemplifica Schneider.

“No Fed, por exemplo, se você atualizar esse gráfico para hoje, até ontem, já não tem mais expectativa do mercado de corte de juros neste ano. Claro que depende de outras coisas, depende não só de inflação, do tamanho do choque de petróleo, também depende da atividade e a gente vê a atividade nos Estados Unidos como forte. Então acho que tem aumentado a chance chance do Fed não conseguir cortar juros neste ano porque a inflação está alta. Ela está rodando em 3% e o risco agora ela é ser mais que 3% e não menos que 3%”, completa.

A projeção da casa é de um petróleo entre US$ 70 e US$ 75 ao fim deste ano, com os preços incorporando o risco geopolítico que deve seguir no radar – cenário que a casa vê como ‘mais provável’.

Olhando para juros e inflação, o Itaú projeta 12,25% de Selic terminal para 2026 e 11,25% para 2027, ao passo que a expectativa da casa para o IPCA fica em 3,8% para este ano e 3,9% para o próximo.

Projeções macroeconômicas do Itaú BBA; petróleo; ipca; selic; inflação
Divulgação/Itaú BBA

Inflação ainda ‘comportada’ mesmo com choque do petróleo

Julia Gottlieb, também economista do banco, comenta que a casa segue enxergando uma ‘inflação corrente ainda comportada’, embora as surpresas altistas na leitura do IPCA-15 e do IPCA de fevereiro, com alguns itens voláteis apresentando altas acima do esperado – incluindo passagens aéreas, seguro de automóveis e outros itens.

“O que acontece agora é que os riscos de inflação ficaram maiores, especialmente por conta de combustível, que está ligado à guerra e ao seu efeito no preço do petróleo”, analisa.

A especialista frisa que cada vez que a Petrobras aumenta 10% no preço da gasolina no repasse às refinarias, há um impacto direto de cerca de 20 pontos-base (bps) na inflação.

No caso do diesel, são os mesmos 10% para 20bps, entretanto o efeito é indireto, dado que o combustível em questão tem um peso baixo no índice de inflação, porém impacta a cadeia econômica como um todo, aumentando custos de frete.

“Tem risco de alta tanto na gasolina quanto no quanto no diesel, e isso é o efeito direto e principal, o maior risco altista para a inflação. Tem ainda um outro risco adicional do conflito para inflação, que é caso o conflito se prolongue. Isso pode gerar um aumento no preço de fertilizante e, quanto mais alto o preço de fertilizante, maior o preço de soja, do trigo. A nossa dependência de fertilizante é bem grande. Então a gente acha que esse efeito tende a ser mais para 2027 do que para 2026”, detalha.

Sobre o ciclo de política monetária, destaca que o mercado apresenta um nível relevante de dissenso sobre a magnitude dos cortes, exemplificando que o mercado se mantinha dividido sobre projeções para o último Copom, com players projetando cortes de 0,25%, 0,5% e até mesmo uma manutenção.

“O BC começou o ciclo de flexibilização de juros com corte de 25bps. O Copom começou de forma cautelosa, e está calibrando o grau de restrição. Vai continuar cortando, mas a magnitude vai depender de como vai evoluir a guerra e o impacto disso nos preços de petróleo e consequentemente nas expectativas de inflação em um horizonte relevante.”

petróleo; bcs; inflação; IPCA
Divulgação/Itaú BBA
 
 
https://istoedinheiro.com.br/itau-petroleo-selic-guerra 

 

A Philip Morris, fabricante de algumas das mais famosas marcas de cigarro do mundo como a Marlboro, vendeu sua participação na Swedish Match do Brasil (que integra a Swedish Match Lights). O comprador foi o fundo de participações Ignis FIP. O valor da operação não foi divulgado.

A empresa vendida fabrica como carros-chefes os fósforos Fiat Lux e os isqueiros Cricket. Atua também com outros dispositivos de uso geral como aparelhos e lâminas de barbear, lâmpadas, pilhas, palitos, plásticos PVC e folha de alumínio.

O fundo comprador, Ignis FIP, fica sob responsabilidade do empresário Marcos Fernando Garms, empresário que também está à frente do grupo familiar Arruda Garms, com atuação nos setores de açúcar e etanol, agronegócio e distribuição automotiva.

A venda precisa ainda da aprovação dos órgãos reguladores. Até lá, a operação da Swedish Match do Brasil segue sob controle da Philip Morris.

Philip Morris foca consumo de tabaco e nicotina ‘sem fumaça’

Em nota, a dona da Marlboro afirma que a decisão de venda está alinhada a sua visão “de um futuro sem cigarros”. A empresa tem investido em expandir o consumo de tabaco e nicotina sem fumaça, através de dispositivos eletrônicos de tabaco aquecido, e-vapor (popularmente chamados de “vape”) e nicotina mastigável.

Segundo o último balanço financeiro divulgado pela empresa, sua receita chegou a US$ 40,6 bilhões no ano passado, um crescimento de 7,3% em relação aos US$ 37,8 bilhões do ano anterior.

Os itens “sem fumaça” apresentaram crescimento mais acelerado e já correspondem a 41,5% da receita total. A empresa busca que 2/3 de seu faturamento venha do segmento até 2030.

 

 https://istoedinheiro.com.br/philip-morris-vende-fiat-lux-cricket-19326

Haddad confirma que deixa Ministério da Fazenda nesta quinta

 

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, confirmou que está deixando o cargo nesta quinta-feira, 19, durante discurso na Caravana Federativa, em São Paulo, ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Mais tarde nesta quinta, em entrevista coletiva no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo, Haddad deve anunciar sua pré-candidatura ao governo do Estado de São Paulo nas eleições de outubro deste ano.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, deixa nesta quinta-feira o comando da pasta após mais de três anos de uma gestão que promoveu mudanças em regras fiscais, combateu benefícios tributários e aumentou impostos com uma defesa de maior taxação aos mais ricos e alívio aos mais pobres, deixando agora o posto para seu atual secretário-executivo.

Haddad deixa o cargo para concorrer nas eleições ao governo de São Paulo após afirmar repetidas vezes que não tinha vontade de se candidatar a um cargo público e enfatizar que desejava colaborar com a campanha pela reeleição de Lula. Essa será sua segunda candidatura ao governo do Estado, após ter sido derrotado em 2022 por Tarcísio de Freitas (Republicanos), que buscará a reeleição.

Haddad também perdeu a eleição à Presidência, em 2018, e não conseguiu se reeleger à prefeitura de São Paulo, em 2016, após ter sido eleito para o cargo quatro anos antes, na primeira vez que disputou um cargo eletivo.

À frente da equipe econômica do governo do presidente petista, Haddad iniciou a articulação de medidas ainda durante a transição de governo, no fim de 2022, quando conseguiu aprovar uma emenda constitucional que liberou gastos sociais e investimentos por fora das normas fiscais.

Já na cadeira de ministro, em 2023, ele propôs a substituição da regra do teto de gastos públicos, que vigorava desde o governo do presidente Michel Temer, por um novo arcabouço baseado em metas fiscais e que permite um crescimento real dos gastos, desde que em ritmo menor que o das receitas.

Tributos

Diante da alta dependência de medidas arrecadatórias para que o regramento se sustentasse, característica criticada por agentes de mercado, o ministro colocou o combate a benefícios tributários como prioridade de sua gestão, propondo também uma série de elevações de impostos.

Nos mais de três anos de atuação, ele conseguiu aprovar cortes da desoneração da folha salarial de setores da economia e de benefícios ao setor de eventos criados durante a pandemia e, mais recentemente, uma redução linear de incentivos tributários não constitucionais.

Sob seu comando, ainda foram criadas ou elevadas taxações sobre combustíveis, apostas esportivas, compras internacionais, fundos exclusivos e offshore, veículos elétricos, fintechs e Juros sobre Capital Próprio (JCP), entre outros.

Em uma agenda mais modesta de corte de gastos, foram revisados critérios de benefícios sociais e do abono salarial. Também foi criada uma trava para o crescimento real do salário-mínimo, que havia sido turbinado anteriormente pelo próprio governo de Lula.

Haddad também esteve à frente das negociações da reforma tributária sobre o consumo, aprovada após décadas de discussão, e da reforma do Imposto de Renda, que isentou quem ganha até R$5 mil mensais — uma promessa de campanha de Lula — e estabeleceu uma taxação mínima de até 10% sobre pessoas com renda mais elevada.

Na gestão do ministro, a dívida pública do país cresceu — de 71,4% do PIB em janeiro de 2023 para 78,7% do PIB em janeiro deste ano — e, segundo projeções do Tesouro Nacional, continuará em trajetória de alta nos próximos anos. Haddad, no entanto, mantém a defesa do arcabouço para as contas públicas e atribui o movimento principalmente ao nível de juros no país, que eleva o custo de rolagem da dívida, e também à herança fiscal que recebeu do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro.

quarta-feira, 18 de março de 2026

É a Alemanha que precisa do Brasil, e não o contrário

 

O Brasil, apesar de sua estagnação econômica, ganhou influência na política internacional. A Alemanha, ao contrário, perdeu. Mas em Berlim parece que ainda não entenderam isso.Há exatos oito anos era publicada aqui minha primeira coluna Tropiconomia. Ela falava sobre como o Brasil formava muito poucos engenheiros – e, pior ainda, nem mesmo precisava deles. Havia escassos postos de trabalho para eles na pesquisa e desenvolvimento do setor privado. Quase nada mudou desde então.

Em retrospecto, posso afirmar: infelizmente poucas mudanças fundamentais ocorreram na economia brasileira como um todo nesses oitos anos. Com raras exceções, as empresas brasileiras fora do setor agrícola não estão na primeira divisão mundial.

Há dez anos que a economia brasileira quase não cresce, e ela está muito distante da euforia que predominava há 20 anos. Você se lembra de Eike Batista? Ele já foi um dos homens mais ricos do mundo. Hoje dá cursos para pequenas empresas e conta sobre os tempos passados – isso me parece sintomático dos problemas da economia brasileira.

Em Berlim, ainda vivem no passado

Mesmo assim, a relação entre a Alemanha e o Brasil mudou nesses oito anos. O Brasil é, hoje, apesar de sua estagnação econômica, mais influente na política internacional do que era então. A Alemanha, ao contrário, perdeu influência. Mas parece que essa valorização política da América do Sul e do Brasil nesses oito anos ainda não foi percebida em Berlim.

Oito anos atrás, a situação era completamente diferente: Angela Merkel havia sido reconfirmada chanceler federal pelo Parlamento alemão (Bundestag). A Alemanha parecia ser mais forte do que nunca: ocupação recorde, superávits orçamentários, boom das exportações. A Alemanha era a âncora de estabilidade econômica na Europa. Merkel chegou a ser considerada a mulher mais poderosa do mundo, e a autoestima da nação estava em alta.

Na Alemanha, muitos ainda vivem nesse mundo – sobretudo na relação com a América do Sul. Na verdade, a Alemanha passa hoje por uma grave crise estrutural.

Com a pandemia de covid-19, a invasão da Ucrânia pela Rússia, a alta da energia e dos custos de produção locais e a fuga da indústria, a Alemanha nunca esteve tão desorientada como hoje, desde a criação do país após a Segunda Guerra Mundial. Em consequência, a influência alemã no mundo diminuiu.

Mas, em Berlim, age-se como se a Alemanha continuasse sendo, na América do Sul, tão influente, respeitada e atraente como oito anos atrás.

Punição coletiva para a América Latina

Se forem considerados os pontos altos das relações bilaterais desde 2018, a agenda conjunta parece pálida e sem ambição. Após a eleição de Jair Bolsonaro, em 2018, as relações exteriores com toda a América do Sul foram inicialmente colocadas em compasso de espera. A América Latina foi, por assim dizer, punida coletivamente por causa do presidente de extrema direita do Brasil.

A aproximação mais importante só ocorreu em 2023, quando o então chanceler federal Olaf Scholz visitou Chile, Argentina e Brasil para firmar parcerias energéticas. Em Brasília, a delegação alemã percebeu, surpresa, que o então recém-empossado presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, tinha uma visão completamente diferente sobre a guerra na Ucrânia (“Se um não quer, dois não brigam”, disse ele na época). O chamado Sul Global não demonstrou interesse pelas preocupações da Alemanha em relação à guerra às suas portas.

O acordo comercial entre a União Europeia (UE) e Mercosul é mais um desses projetos conjuntos que o bloco europeu vem conduzindo sem ambição. Não são apenas os franceses ou os poloneses, como se gosta de dizer na Alemanha, que dificultam o avanço, mas também – por meio da UE – políticos e políticas alemães.

Até agora, o chanceler federal Friedrich Merz ainda não deixou claro que uma América do Sul democrática seja importante para ele. Seu comentário infeliz sobre Belém, no entanto, revelou qual é a importância que a América do Sul tem no horizonte político dele.

O que a Alemanha tem a oferecer?

E a Alemanha, hoje, depende mais do que nunca do Brasil e da América do Sul: ela precisa de energia (petróleo e gás, etanol e, em breve, hidrogênio verde) e das matérias-primas (terras raras, cobre, lítio, mas também produtos agropecuários) vindas da América do Sul, mas não está disposta a investir dinheiro para garantir esse acesso no longo prazo.

Se todos os outros mercados do mundo desmoronarem, a Alemanha precisará do mercado de 660 milhões de habitantes da América Latina. Se a economia alemã quiser voltar a crescer, trabalhadores qualificados e especialistas latino-americanos serão necessários.

O inverso, porém, não é verdadeiro. A América do Sul precisa cada vez menos da Alemanha. Em Berlim, ainda não caiu a ficha de que o interesse das pessoas na América do Sul pela Alemanha está diminuindo.

Além de palavras calorosas (“uma relação em pé de igualdade”) e críticas à falta de padrões ambientais, a Alemanha tem pouco a oferecer. Uma exceção são as universidades alemãs, que continuam atraentes para os estudantes latino-americanos.

Acredito que existe o risco de esse desequilíbrio se agravar ainda mais. Pois, devido à guerra no Oriente Médio e ao aumento da polarização entre os EUA e a China, a América do Sul ganhará importância geopolítica. Para a Alemanha, o futuro é incerto.

Com isso, me despeço das leitoras e dos leitores. Foi para mim, ao longo dos anos, um prazer acompanhar os inúmeros comentários e discussões sobre minhas colunas.

Há mais de 25 anos, o jornalista Alexander Busch é correspondente de América do Sul do grupo editorial Handelsblatt (que publica o semanário Wirtschaftswoche e o diário Handelsblatt) e do jornal Neue Zürcher Zeitung. Nascido em 1963, cresceu na Venezuela e estudou economia e política em Colônia e em Buenos Aires. Busch vive e trabalha em São Paulo e Salvador. É autor de vários livros sobre o Brasil.

O texto reflete a opinião do autor, não necessariamente a da DW.

 

 https://istoedinheiro.com.br/coluna-e-a-alemanha-que-precisa-do-brasil-e-nao-o-contrario

Selic: com apostas divididas, Copom anuncia hoje decisão sobre taxa de juros

 


Com a guerra no Irã e disparada do preço do petróleo, mercado passou a projetar corte menor da Selic, de 0,25 ponto percentual, e há quem fale até em manutenção

 

 

inflação; selic; juros; copom Galípolo

Presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo Foto: Andressa Anholete/Agência Senado (Crédito: Andressa Anholete/Agência Senado)

 

 darlanlvarengai

Dessa vez não há um consenso no mercado sobre a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que anunciará nesta quarta-feira, 17, a sua decisão sobre a taxa básica de juros. Mesmo assim, a expectativa predominante é de que a Selic terá o primeiro corte em quase dois anos.

O último corte na Selic foi efetuado em maio de 2024, quando a taxa básica caiu de 10,75% para 10,5%. Depois disso, o ciclo só foi de alta dos juros, e desde junho de 2025 a Selic está estacionada em 15%. Veja aqui o histórico.

 Na última semana, o mercado financeiro passou a projetar um corte menor na Selic neste mês e no ano, em meio à disparada do petróleo e incertezas provocadas pela guerra no Oriente Médio. O preço do barril de petróleo saltou da casa dos US$ 60 para o patamar de US$ 100.

 No último boletim Focus, divulgado na segunda-feira, 16, a expectativa passou a ser de um corte de 0,25 ponto percentual no Copom de março e não mais de 0,50 ponto, como estava sendo projetado até a semana anterior. Com isso, a Selic cairia dos atuais 15% para 14,75%.  Já previsão para a taxa básica ao fim de 2026 passou de 12,13% para 12,25%. Veja aqui o detalhamento.

Na última reunião do Copom, em janeiro, os diretores sinalizaram que, “em se confirmando o cenário esperado”, a flexibilização da política monetária começaria na reunião seguinte. Ou seja, o BC indicou começar o corte de juros nesta reunião.

No cenário projetado pela MoneYou e Lev Intelligence, por exemplo, a possibilidade é de 40% de corte de 25 bp, 35% de corte de 50 bp e 25% de manutenção. “O cenário de incertezas inflacionárias locais continua dada a questão fiscal e mercado de trabalho apertado que
criam tensão, com o forte adicional do conflito Irã-EUA, elevando o cenário de incertezas e complicando o cenário para as decisões de política monetária, com a inflação reiterando um qualitativo ruim apesar de alguns alívios pontuais em itens importantes”, avalia a casa.

A Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) projeta corte de 0,25 ponto percentual nesta semana e taxa de 12,25% ao0 fim do ano.

 “Teria que cortar os juros? Teria. O balanço das empresas está implodindo por dentro com a alavancagem? Estão. O crédito está mais difícil? Sim. Era para cortar, mas se eu fosse banqueiro central esperaria e sinalizaria que se “nada demais acontecer” eu cortaria mais na frente”, afirma.

 Juros nos EUA

Também nesta quarta, o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) anuncia a sua decisão de juros. A expectativa é de que os juros sejam mantidos inalterados mais uma vez no intervalo atual, de 3,5% a 3,75%, em meio as pressões de Donald Trump por novos cortes.

 

 https://istoedinheiro.com.br/selic-vai-cair-copom-anuncia-nesta-quarta-decisao-juros

Governo anuncia maior fiscalização de fretes diante de ameaça de greve dos caminhoneiros

 

O ministro dos Transportes, Renan Filho, e o diretor-geral da ANTT, Guilherme Sampaio, anunciaram nesta quarta-feira, 18, medidas para ampliar a fiscalização do cumprimento da tabela do piso mínimo do frete para caminhoneiros e para responsabilizar infratores.

O anúncio ocorre em meio aos esforços do governo para tentar frear a alta do preços dos combustíveis e a crescente preocupação sobre as ameaças de uma greve nacional dos caminhoneiros, como a que paralisou o país em 2018, durante o governo de Michel Temer.

Segundo o ministro, as medidas colaboram para o “distensionamento” do movimento grevista e atendem a demandas dos caminhoneiros.

Empresas que não cumprirem a tabela do frente perderão o direito de transportar cargas no país. O objetivo é impedir que caminhoneiros sejam contratados com valores abaixo do preço mínimo. Ele assegurou que o governo federal estaria buscando “remuneração justa” pelo cumprimento dos preços mínimos da tabela, que foi atualizada na última sexta-feira, 13.

“É cumprimento da legislação e modernização da regulação”, resumiu Renan Filho.

VEJA ABAIXO O ANÚNCIO DAS MEDIDAS

Segundo ele, o somatório das multas aplicadas por descumprimento da tabela do frete chegou a R$ 419 milhões nos últimos quatro meses, o que reforça a necessidade de aperfeiçoar os instrumentos de regulação para garantir o cumprimento da lei

.“Quem insistir em desrespeitar a tabela passará a ser efetivamente responsabilizado, como transportador, contratante, acionista ou controlador da empresa, com medidas que interromperão a irregularidade, desestimularão a reincidencia e corrigirão distorções de mercado”, afirmou Renan Filho.

 As medidas anunciadas nesta quarta, entretanto, ainda precisa ser publicadas no para entrarem em vigor. Ainda não se se as mudanças serão feitas por decreto, medida provisória ou outro instrumento jurídico.

O governo alega que estaria ocorrendo especulação nos preços de combustíveis, tendo em vista o contexto geopolítico e a cotação internacional do preço de petróleo.


Haddad discute mudança no ICMS

Já o Ministério da Fazenda convocou uma reunião com os estados também nesta quarta para discutir uma possível redução temporária da alíquota do ICMS e medidas para conter a alta dos combustíveis.

“Tem reunião hoje com o Confaz, nós vamos fazer uma proposta para eles. Desenhamos uma proposta e vamos apresentá-la, mas eu não vou antecipar para não ser deselegante com os secretários que estão reunidos para essa finalidade”, disse ele a jornalistas ao chegar ao Ministério da Fazenda nesta manhã.

A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transporte e Logística (CNTTL), que manifestou na véspera apoio às mobilizações de caminhoneiros no País, diante do aumento do preço do diesel, informou na noite de terça-feira, 17, que agendou uma reunião com o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos.

“Em função da dinâmica do movimento paredista articulado pelos caminhoneiros autônomos, que ganhou repercussão midiática, lideranças da categoria irão se reunir com caminhoneiros de todos os portos do país nesta quarta-feira, dia 18, em Santos”, informou o presidente da entidade, Paulo João Estausia, em comunicado.

A CNTTL ainda defende que a Petrobras retome a distribuição de combustíveis no país para servir como reguladora de preços no mercado.

O preço médio do diesel S-10, o tipo mais vendido no Brasil, subiu 18,86% no país desde 28 de fevereiro, quando começou a guerra dos EUA e Israel contra o Irã, impactando os mercados de petróleo e combustíveis, segundo levantamento do painel online ValeCard.

A Petrobras informou na noite de terça-feira que segue “comprometida com uma atuação responsável, equilibrada e transparente” e que tem como “pilar fundamental não repassar automaticamente a volatilidade dos preços internacionais” ao mercado doméstico.

Segundo a companhia, o reajuste recente do diesel “está em consonância” com tal estratégia e a “estrutura de formação de preços continua sólida e funcionando”. A manifestação da estatal foi divulgada no Linkedin, em meio à mobilização dos caminhoneiros por uma greve em protesto contra o aumento do preço do óleo diesel.