
Greg Jensen, co-diretor de investimentos (CIO) da Bridgewater Associates, fez um duro alerta sobre os riscos da inteligência artificial (IA) durante participação no podcast Odd Lots, da Bloomberg. O executivo comparou o estágio atual da tecnologia aos primeiros momentos da pandemia de Covid-19, ressaltando que a inação pode ter consequências severas e que é crucial lidar com o problema antes que se torne incontrolável.
O que aconteceu
- Greg Jensen, da Bridgewater Associates, alertou sobre os riscos da inteligência artificial, comparando o cenário atual ao início da pandemia de Covid-19.
- O especialista, que foi investidor inicial em empresas de IA, teme a velocidade dos avanços e a capacidade dos modelos de apresentar comportamentos inesperados.
- Ele defende a responsabilização de desenvolvedores e a tributação do “trabalho das máquinas” para mitigar os impactos sociais e econômicos da automação.
Apesar do tom alarmista, Jensen não é um crítico da tecnologia. Ele foi um dos primeiros investidores da OpenAI e da Anthropic e, ao longo de três décadas na Bridgewater, ajudou a incorporar modelos quantitativos, algoritmos e sistemas automatizados aos processos de investimento da companhia. Atualmente, ele supervisiona o laboratório interno de inteligência artificial da gestora e acompanha o uso da tecnologia nos mercados financeiros.
Segundo Jensen, os avanços têm sido rápidos a ponto de os modelos começarem a se aproximar e até mesmo superar as capacidades humanas. Ele afirmou que a IA desenvolvida pela Bridgewater quase alcançou o sistema de tomada de decisões baseado na chamada “intuição humana”, desenvolvido pela empresa ao longo de décadas.
“Acho que estamos a poucos anos de a IA ser significativamente melhor do que o conjunto de todos os humanos da Bridgewater. É apenas uma projeção, mas essa é a velocidade com que a tecnologia está avançando”, disse.
Quais são as principais preocupações com a inteligência artificial?
Parte da preocupação do executivo está relacionada à rapidez das mudanças e aos episódios recentes envolvendo sistemas de inteligência artificial. Jensen citou o ataque ao Hugging Face como um dos sinais iniciais de como os modelos podem apresentar comportamentos inesperados. Ele alertou que uma IA poderia tentar enganar avaliadores para atingir objetivos definidos durante o treinamento.
Em um cenário extremo, afirmou Jensen, sistemas muito avançados poderiam desenvolver estratégias cada vez mais agressivas para superar limitações impostas pelos próprios criadores. Essas declarações reforçam um movimento crescente dentro da indústria de tecnologia; recentemente, um ex-funcionário da Anthropic afirmou que a inteligência artificial representa um risco existencial para a humanidade, e o investidor Paul Tudor Jones comparou a chegada da IA à expectativa pela aproximação de um furacão de categoria 6.
Medidas propostas para controlar o avanço da IA
Para Jensen, desacelerar o desenvolvimento da tecnologia pode ser a melhor alternativa. “Quanto mais tempo esperamos, mais sem esperança a situação fica”, afirmou o co-CIO da Bridgewater. Ele defende a responsabilização de desenvolvedores e empresas por crimes eventualmente cometidos por sistemas de inteligência artificial.
O executivo também voltou a propor a tributação do chamado “trabalho das máquinas” como forma de compensar os impactos da automação sobre o mercado de trabalho. Na avaliação do gestor, cerca de 14% dos empregos existentes hoje poderão passar por mudanças radicais nos próximos três anos em função dos avanços da IA.
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