sexta-feira, 11 de setembro de 2026

Tenda é principal escolha do JPMorgan entre construtoras

 

O JPMorgan, um dos maiores bancos de investimento do mundo, avalia que o desempenho das construtoras residenciais brasileiras será cada vez mais influenciado pelo sentimento em relação às eleições de 2026. A instituição reitera sua recomendação de compra para a Tenda (TEND3), destacando-a como a principal escolha entre as empresas do setor, com potencial de alta de 59%.

O que aconteceu

  • A Tenda (TEND3) é eleita a principal escolha do JPMorgan, com potencial de valorização de 59% para suas ações.
  • O banco projeta que o cenário das eleições de 2026 impactará diretamente as construtoras residenciais do país.
  • Recomendações variam entre compra para baixa renda e neutra para média/alta renda, com ressalvas e riscos apontados.

A análise do JPMorgan sugere que uma eventual mudança de governo no Brasil favoreceria as empresas de média e alta renda, como Cyrela (CYRE3) e EZTEC (EZTC3), em função de uma possível intensificação do ajuste fiscal. Por outro lado, a permanência da atual administração tenderia a beneficiar as companhias de baixa renda, a exemplo de Tenda (TEND3), Direcional (DIRR3) e Cury (CURY3), que são impulsionadas por programas governamentais como o Minha Casa, Minha Vida (MCMV).

Com base na projeção de continuidade do governo atual, o banco de investimento reiterou sua recomendação de compra para Tenda, Direcional e Cury. Para Cyrela e EZTEC, a recomendação permanece neutra devido às incertezas para 2027, embora exista a possibilidade de valorização das ações em um cenário de mudança no sentimento do mercado.

Cenário para mrv e riscos

A MRV (MRVE3) se destaca com uma recomendação neutra, diferentemente das outras empresas de baixa renda. A previsão de novas perdas na Resia, sua subsidiária de imóveis para locação nos Estados Unidos, é um fator determinante para essa avaliação no segundo semestre. As perdas estimadas são de aproximadamente US$ 50 milhões.

Entre os riscos para o cenário positivo das empresas de baixa renda, o JPMorgan aponta a pressão inflacionária, especialmente com a cotação do petróleo acima de US$ 80 por barril. Uma desaceleração temporária nos repasses de financiamentos imobiliários da Caixa Econômica Federal (CEF) também é considerada, assim como uma greve de funcionários da Caixa, prevista para começar em 10 de setembro, mas com expectativa de curta duração.

O JPMorgan definiu preços-alvo para dezembro de 2027, indicando um potencial de valorização de 50% a 60% para as ações com recomendação de compra. Para os papéis classificados como neutros, a expectativa de alta é de 40% a 50%.

Por que a tenda é a principal escolha?

A Tenda (TEND3) é a principal escolha do banco, com um potencial de valorização de 59% até o preço-alvo de R$ 52,50. A preferência é justificada pelo seu valuation atrativo, negociando a 4,8 vezes o preço sobre lucro (P/L) estimado para 2027, e pela possibilidade de recuperação operacional da Alea, sua subsidiária de estruturas de madeira, que o mercado ainda não teria precificado totalmente.

Direcional em destaque

A Direcional (DIRR3) aparece logo em seguida, com potencial de alta de 60% até o preço-alvo de R$ 17,50. O banco ressalta o valuation de 5,4 vezes o P/L estimado para 2027, com um desconto de 22% em relação à Cury. A companhia também se beneficia do potencial de valorização do seu banco de terrenos em Belo Horizonte, impulsionado pela nova legislação de zoneamento, e da parceria com a Moura Dubeux para projetos de baixa renda no Nordeste.

Qualidade da cury

Para a Cury (CURY3), o JPMorgan enfatiza a elevada qualidade da companhia e sua notável conversão de lucro líquido em fluxo de caixa livre, que alcança 75%, sendo a maior entre as empresas de baixa renda acompanhadas pelo banco. O preço-alvo foi ajustado de R$ 43,50 para R$ 48, o que implica um potencial de alta de 49%. A ação negocia a 6,9 vezes o P/L estimado para 2027, cerca de 25% abaixo do pico de 9,5 vezes registrado no início do ano. O banco ainda projeta um dividend yield de aproximadamente 8% para 2026.

Perspectivas para cyrela

No segmento de média e alta renda, o JPMorgan mantém recomendação neutra para a Cyrela (CYRE3), com preço-alvo de R$ 34,50. Contudo, a análise aponta para uma forte valorização em caso de mudança no governo, cenário em que a ação poderia atingir 1,7 vez o valor patrimonial por ação (P/VPA), contra cerca de 1 vez atualmente. A venda da torre corporativa Pininfarina por R$ 1,4 bilhão é outro ponto destacado, com potencial de resultar em uma distribuição de dividendos equivalente a um yield de aproximadamente 11%.

Desempenho da eztec

Para a EZTEC (EZTC3), a recomendação neutra reflete principalmente o cenário macroeconômico, com juros elevados por mais tempo, que tende a impactar o segmento de média e alta renda. Apesar disso, a companhia demonstrou crescimento de 53% nos lançamentos no primeiro semestre. Nos últimos 30 dias, a ação acumulou alta de 19%, superando a Cyrela (16%) e o Ibovespa (8%). O novo preço-alvo é de R$ 19.

Por que a mrv continua neutra?

A MRV (MRVE3) persiste como uma exceção entre as empresas de baixa renda analisadas. Embora o negócio principal apresente recuperação, com crescimento de lançamentos e melhora das margens, o JPMorgan prevê novas perdas na Resia, estimadas em US$ 50 milhões (aproximadamente R$ 260 milhões), para o segundo semestre. A operação nos EUA busca vender terrenos, instalações, equipamentos e participações minoritárias em projetos, com desinvestimentos projetados em cerca de US$ 165 milhões.

A MRV negocia a 4,7 vezes o P/L estimado para 2027, alinhada à Tenda, mas com um desconto de 15% a 30% em relação aos pares. Para o JPMorgan, esse desconto é justificado pela incerteza e baixa visibilidade sobre os resultados futuros. A dívida líquida da companhia, incluindo passivos de cessão de créditos, alcançou R$ 10,6 bilhões no segundo trimestre, equivalente a 2,3 vezes o patrimônio líquido, o maior patamar do setor.


https://istoedinheiro.com.br/tenda-principal-escolha-jpmorgan-construtoras


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