
Rejeição do plano pelos credores e paralisação das lojas encerraram a tentativa de recuperação.
A Justiça de São Paulo decretou a falência do Grupo Ricoy, convertendo o processo de recuperação judicial em arrecadação e venda de ativos para pagamento de credores. A sentença atinge 33 empresas ligadas à rede varejista, que no auge operou 96 lojas próprias em mais de 70 municípios paulistas e empregou mais de 5 mil trabalhadores.
A decisão foi assinada em 28 de agosto de 2026 pela juíza Fernanda Perez Jacomini, da 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo, encerrando o processo iniciado em outubro de 2025, onde a empresa pretendia reestruturar o negócio. O plano apresentado pela companhia foi rejeitado em julho pelos credores da Classe III, sem que houvesse requisitos legais para a aplicação da aprovação forçada, o chamado cram down. Uma proposta alternativa formulada por credores também fracassou ao obter adesão de apenas 0,185% dos créditos representados na assembleia, patamar distante do quórum de 35% exigido pela legislação. A administradora judicial Vivante constatou a interrupção no envio de documentos contábeis desde fevereiro e a paralisação das atividades em agosto, gerando a decretação da falência antes da fase de pagamentos.
O passivo sujeito à recuperação judicial supera R$ 461 milhões, distribuído entre 2.824 credores trabalhistas com R$ 50,7 milhões, 653 credores sem garantia real com R$ 385,9 milhões e 1.194 micro e pequenas empresas somando R$ 24,6 milhões.
A trajetória do grupo teve origem na fusão dos supermercados Riviera e Yokoi na Zona Sul da capital paulista, seguida pela expansão com a compra de marcas regionais como Amais, Economax, Pão de Mel, Peri, Gimenez, Rei do Gado e Russi, além da criação do Vencedor Atacadista e de um centro de distribuição em 2011. De acordo com o laudo econômico do processo, o desgaste financeiro decorreu dos impactos fiscais da aquisição do Grupo Russi, somados ao avanço da concorrência, à elevação dos juros, ao encurtamento de prazos dos fornecedores e à alta dos custos logísticos. Relatórios da administradora apontaram ainda a utilização de máquinas de cartão que direcionavam pagamentos para empresas fora do grupo em recuperação.
Com o encerramento definitivo da operação, as habilitações de crédito passam a seguir o rito falimentar, enquanto a arrecadação de bens determinará a capacidade efetiva de cobertura das dívidas represadas.
https://istoedinheiro.com.br/falencia-grupo-ricoy-decretada-justica-sp
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