quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Depois do ‘apocalipse do software’, pechinchas começam atrair investidores

 

O “apocalipse do software” em Wall Street vem se intensificando. Agora, os investidores debatem se é hora de voltar a investir nas ações que sofreram forte desvalorização. As consequências para o setor de software, que inclui algumas ações emblemáticas, refletem a crescente ansiedade em relação à potencial disrupção causada pela inteligência artificial, à medida que os investidores dividem cada vez mais o setor entre vencedores e perdedores.

A volatilidade também ocorre em um momento em que os investidores se desfazem de suas participações em tecnologia e migram para outros setores do mercado que, em sua maioria, apresentaram desempenho inferior nos últimos anos, enquanto aguardam os balanços trimestrais das empresas, que podem impactar ainda mais os preços dos ativos.

“A onda de vendas, que provavelmente começou no último trimestre, é uma manifestação da conscientização sobre o poder disruptivo da IA…”, disse James St. Aubin, diretor de investimentos da Ocean Park Asset Management, em Santa Monica, Califórnia. “Talvez seja uma reação exagerada, mas a ameaça é real e as avaliações precisam levar isso em conta.”

Ações desvalorizadas de empresas europeias de serviços profissionais, como LSEG e RELX, subiram nesta quinta-feira, indicando que o movimento de queda estava diminuindo. Ambas ainda acumulam baixa de pelo menos 9% nesta semana.

O índice de software e serviços do S&P 500 despencou 13% apenas na última semana, perdendo mais de US$ 800 bilhões em valor de mercado no período, puxado por quedas acentuadas em empresas como a Intuit, ServiceNow e Oracle. Em relação ao índice geral S&P 500, o grupo de software registrou, até esta terça-feira, seu pior desempenho trimestral desde maio de 2002 — período da crise após o estouro da bolha das pontocom –, de acordo com estrategistas de ações da Evercore ISI.

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Essas quedas acentuadas desencadearam sinais técnicos que podem indicar, pelo menos temporariamente, um piso para o grupo, e alguns gestores de carteiras têm feito compras modestas das ações desvalorizadas. Os investidores hesitaram em declarar o fim da crise.

“Há valor a longo prazo nessas empresas, e elas estão chegando a um ponto em que as considero mais atraentes”, disse Jake Seltz, gestor de portfólio da Allspring Global Investments em Minneapolis, que vem aumentando “marginalmente” suas participações em algumas empresas, incluindo ServiceNow e Monday.com.

Nos últimos meses, Seltz disse que estava aguardando catalisadores para comprar de forma mais agressiva, como empresas de software relatando forte receita com produtos relacionados à IA ou mais anúncios de clientes corporativos sobre a implementação desse tipo de software.

Distância das ações de tecnologia

Os receios sobre as implicações de uma nova ferramenta do modelo de linguagem Claude, da Anthropic, desencadearam a mais recente onda de volatilidade, que foi agravada por relatórios de resultados decepcionantes, incluindo os da gigante de software Microsoft.

O índice de software do S&P 500 caiu cerca de 25% desde seu pico recente no final de outubro — um período em que o S&P 500 apresentou pouca variação. Os operadores de opções demonstraram pouco interesse em adquirir ações das empresas de software que foram castigadas.

“Isto foi um verdadeiro apocalipse do software”, disse Art Hogan, estrategista-chefe de mercado da B. Riley Wealth.

A forte queda nas ações de empresas de software também ocorre durante uma rotação mais ampla do mercado, com uma fuga de empresas de tecnologia e um aumento na procura por ações de valor e qualidade em outros setores, como bens de consumo essenciais, energia e indústria.

Estes papéis até recentemente foram menos favorecidos do que o setor de tecnologia, durante o “bull market” (período de alta do mercado) que começou em outubro de 2022.

“O motivo correto para vender essas empresas caras é que existem outras oportunidades em setores com melhor avaliação e maior potencial de crescimento, e não porque você está em pânico com uma possível queda nas empresas de software e tecnologia”, disse Jim Masturzo, diretor de investimentos da Research Affiliates.

Em busca de pechinchas

O debate entre os investidores gira em torno da questão de se esse valor agora se encontra no software. Entre as empresas que mais perderam valor este ano estão Intuit, ServiceNow e Salesforce.

A Microsoft é a empresa com o pior desempenho este ano entre as sete maiores empresas de capitalização de mercado. Outras quedas acentuadas nesta semana incluíram a empresa de tecnologia e conteúdo Thomson Reuters, que detém a base de dados jurídica Westlaw e a agência de notícias Reuters.

A queda acentuada do setor de software significa que o grupo estava tecnicamente sobrevendido, sugerindo que estava próximo de “pelo menos um fundo de curto prazo”, disse Walter Todd, diretor de investimentos da Greenwood Capital, na Carolina do Sul. Sua empresa realizou algumas compras modestas de ações da ServiceNow e da Microsoft nos últimos dias.

Embora não queira apostar tudo em software, “acho que ele está começando a apresentar valor”, disse Todd. “Não acredito que a substituição completa da infraestrutura de software existente pela solução de IA nessas situações seja realista.”

Brad Conger, diretor de investimentos da Hirtle, Callaghan & Co., afirmou que começou a avaliar possíveis compras de ações, incluindo as da SAP, Adobe e Intuit, que foram duramente atingidas pela onda de vendas. “Pode-se argumentar que elas estão prestes a se recuperar.”

Mas ele acrescentou que ainda não está preparado para comprar nos níveis atuais, pois não se sente “confortável com o fato de as ações terem atingido um nível em que a pior ameaça já esteja precificada”.

Para alguns investidores, as consequências foram semelhantes às quedas repentinas provocadas no ano passado pelo surgimento do modelo de IA de baixo custo Deepseek, o que gerou questionamentos sobre o ecossistema financeiro de IA.

“Estamos começando a entender melhor as capacidades da IA, o mercado está reajustando os preços, o que sinaliza menos confiança no crescimento futuro das vendas de software em um mundo impulsionado pela IA”, disse René Reyna, chefe de estratégia de produtos temáticos e especializados da Invesco.

“Será que já exageramos? Ainda não sabemos. Mas vender pode gerar mais vendas.”

Tendência é produzir caminhões elétricos também no Brasil, diz o CEO da Scania

 

Para o CEO da Scania para a América Latina, Christopher Podgorski, não há uma ‘bala de prata’ para resolver o problema da renovação da matriz energética nos transportes. A tese do executivo é de que o futuro é ‘eclético, e não elétrico’ – e de olho nisso, a companhia planeja aumentar seu share de produção de veículos e componentes elétricos nos próximos anos.

Em participação no Dinheiro Entrevista, Podgorski relata que os dados apontam que, até 2040, a matriz de transporte será neutra em termos de emissão de carbono – do total, 40% da composição da matriz será de soluções eletrificadas.

Os desafios para aumentar a frota de caminhões elétricos, entretanto, são muito mais de viabilidade econômica e de mudança de mercado – e de comportamentos de consumo – do que te de tecnologia, uma batalha que a indústria considera vencida.

 

  


   

 “O carbono é um inimigo difícil de abater e o tema não é mais tecnologia; a tecnologia é dominante, é provada. Nós não falamos hoje de protótipos, estamos falando de produtos disponíveis comercialmente, com escala industrial e com toda a confiabilidade. Já estamos produzindo chassis de ônibus elétricos aqui em São Bernardo do Campo, e à medida que negócios potenciais se concretizem com alguns players importantes, nós também vamos passar a produzir os os caminhões elétricos no Brasil”, diz.

O prognóstico é de que os primeiros países a serem eletrificados serão os que desenvolveram, além da tecnologia, o ‘aprendizado e as melhores maneiras de criar a infraestrutura’ – com uma rede de carregadores sustentável financeiramente e com escala, por exemplo.

“Você precisa criar políticas públicas, instrumentos de financiamento e uma nova estrutura de transporte que tem que competir com uma que já tem 120 anos”, avalia o CEO da Scania.

Atualmente a Scania ainda não produz caminhões elétricos em solo brasileiro, apenas componentes.

A empresa anunciou um ciclo de investimentos de R$ 2 bilhões no Brasil para o período 2025-2028, cujo foco principal é a eletrificação e descarbonização, visando a produção de veículos pesados elétricos em São Bernardo do Campo (SP), consolidando a planta como líder tecnológica na América Latina.

Desde março de 2025 os chassis de ônibus elétricos são produzidos na planta fabril.

Fora da América Latina, a empresa realiza a produção e montagem de caminhões elétricos pesados (Battery Electric Vehicles, ou BEV) em Södertälje, na Suécia, onde a montadora tem capacidade para produzir caminhões elétricos completos e também uma fábrica dedicada à montagem de baterias para esses veículos. O primeiro modelo do tipo foi montado em meados de setembro de 2020.

Globalmente falando, com base nos dados mais recentes da Agência Internacional de Energia (IEA) e relatórios de mercado como o BloombergNEF, de 3% a 5% das vendas anuais de novos caminhões são elétricos.

Em se tratando da frota total em circulação, o número é consideravelmente menor, de menos de 1%.

Comprar um caminhão elétrico é trocar Capex por Opex

Em se tratando da conta financeira sobre os caminhões elétricos, Podgorski relata que, no fim do dia, é uma questão de a companhia priorizar retornos de prazos mais longos.

A matemática da coisa consiste na troca entre Capex por Opex. Capex é o dinheiro investido em ativos ou bens e projetos de longo prazo, ao passo que o Opex é o gasto do dia a dia para manter a operação rodando – um constrói o futuro da empresa, o outro mantém o presente funcionando.

Nesse caso, o Capex seria a compra de um caminhão, ao passo que o Opex seria o custo de manutenção e o combustível.

“Se você compra um veículo diesel hoje, você vai pagar um X e você vai ter um custo de manutenção Y. Se você compra um elétrico, você vai pagar 2,5 X, mas você vai reduzir substancialmente o seus custos operacionais, tanto no custo da energia, com o preço do quilowatt-hora (kWh) quanto na manutenção, já que tem menos peças móveis”, explica o executivo.

“É uma equação que muda, dependendo do tamanho da sua carteira. Se você puder investir mais, você terá um retorno maior ao longo do tempo”, completa.

Ele também detalha que essa troca é mais vantajosa a depender dos clientes, quanto há mais acesso a cargas de empresas que ‘reconheçam o valor de uma operação descarbonizada’.

Scania vê concentração na infraestrutura de elétricos

Em termos de rede de infraestrutura, o executivo vê uma eletrificação começando ‘principalmente em zonas conurbadas’, tanto no transporte de passageiros quanto no de cargas, com veículos mais leves.

Depois disso, paulatinamente a distribuição é intensificada.

No momento, a visão é de que existe um polo no Sudeste, e que a densidade de carregadores e outros itens só deve aumentar ao longo dos próximos anos.

“Quando olhamos o mapa do Brasil, que na prática funciona como vários países dentro de um só, vemos dois grandes eixos: Rio–São Paulo e São Paulo–Campinas, ou regiões próximas. É nessas áreas que a maior parte dos data centers está instalada ou em processo de instalação, o que significa maior disponibilidade de energia elétrica e infraestrutura. Hoje, já é possível afirmar que existe um corredor eletrificado nesses dois eixos, que concentram cerca de um terço da economia brasileira, em termos de PIB.”

O tema já foi abordado por outros executivos que participaram do Dinheiro Entrevista. O CEO da Indigo avaliou que faltam carregadores de ‘meio de jornada’ e que há concentração em estabelecimentos como shoppings, ao passo que o Vice-Presidente Sênior da BYD no Brasil alegou que há ausência de políticas públicas que incentivem uma renovação da frota nacional.

 

 https://istoedinheiro.com.br/scania-caminhao-eletrico

Governo não sabia de projetos que aumentam ganhos de servidores do Congresso, diz ministra

 

A ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, confirmou nesta quarta-feira, 4, que o governo não tinha conhecimento prévio dos projetos de lei aprovados na véspera pelo Congresso que ampliam os ganhos dos servidores do Legislativo. A informação foi divulgada pelo Blog da Míriam Leitão, no site do jornal O Globo.

Dweck afirmou que discorda da proposta e que o governo tentou pactuar com os demais Poderes regras para as remunerações que ultrapassam o teto constitucional, mas a discussão não prosperou.

As propostas preveem reajustes nos vencimentos básicos entre 2026 e 2029 para os servidores das duas casas, além da criação da Gratificação de Desempenho e Alinhamento Estratégico (GDAE), que pode chegar a até 100% do salário básico – isso abre caminho para alguns servidores receberem acima do teto constitucional do funcionalismo público.

A ministra afirmou também que não há consenso entre os Poderes sobre o que pode ou não furar o teto do funcionalismo público. A legislação permite, por exemplo, que indenizações extrapolem o limite, mas não define o que é considerado indenização, segundo a ministra.

“Os três Poderes precisam sentar e pactuar sobre esse assunto”, afirmou Dweck na entrevista, que foi veiculada no fim da noite da quarta-feira, 4. De acordo com a ministra, a questão é semelhante à reforma tributária, que teve diversos projetos em tramitação durante anos até que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conseguiu aprová-la.

Dweck disse que não concorda com a proposta de reforma administrativa elaborada pelo deputado Pedro Paulo (PSD-RJ), coordenador do grupo de trabalho que discute o tema. “O projeto não foi feito junto com o Executivo”, afirmou. “Ele constitucionalizou demais, colocou diretrizes como obrigação.”

O projeto, segundo a ministra, abre espaço para o que considera exageros, como a extinção de cargos por decreto presidencial. Apesar das críticas, Dweck disse que o texto de Pedro Paulo tem méritos, como o combate aos supersalários. O projeto também é preferível à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) apresentada pelo governo de Jair Bolsonaro (PL), que a ministra considera “um desmonte do Estado”.

 

 https://istoedinheiro.com.br/governo-nao-sabia-de-projetos-que-aumentam-ganhos-de-servidores-do-congresso-diz-esther-dweck

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

380 mil atingidos seguem no processo contra BHP na Inglaterra, diz escritório

 

O escritório de advocacia Pogust Goodhead, que representa atingidos pelo desastre de Mariana em processo que corre numa corte londrina, afirmou que 380 mil autores – cerca de 61,3% do total de 620 mil atingidos – permanecem no processo contra a BHP. Contudo, o escritório enfatiza que os autores que firmaram acordos com quitação plena e definitiva em programas específicos no Brasil e receberam indenização não poderão, por força de lei, prosseguir com suas ações no processo.

“A descontinuidade dessas ações é uma etapa necessária à medida que o litígio avança para a Fase 2, na qual o Tribunal avaliará e fixará os valores indenizatórios, sendo imprescindível haver clareza quanto ao grupo de autores que permanecerá na ação”, disse o escritório em nota. “Serão descontinuadas as ações de pessoas indenizadas e pagas no âmbito do Programa Novel Geral (com algumas limitadas exceções), do Programa de Indenização Definitiva (PID) e do programa voltado a agricultores familiares e pescadores individuais (Agropesca).”

Governo vai triplicar incentivo fiscal para socorrer indústria química

 

O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, anunciou que o governo federal pretende elevar de R$ 1 bilhão para R$ 3 bilhões o orçamento destinado ao Regime Especial da Indústria Química (Reiq) para este ano.

Segundo Alckmin, a medida será formalizada na próxima semana, por meio de uma Medida Provisória (MP) e de um projeto de lei complementar que o Palácio do Planalto encaminhará ao Congresso Nacional, em regime de urgência.


“Na próxima semana, o presidente [Luiz Inácio Lula da Silva] deve fazer dois atos importantes para fortalecer a indústria química e garantir o emprego”, anunciou Alckmin ao se reunir com representantes do setor, sindicalistas e políticos, na tarde desta terça-feira (3), em Brasília.

“Com isso, o regime, que já tem R$ 1 bi previstos no orçamento deste ano, passará para R$ 3 bilhões”, acrescentou Alckmin, referindo-se ao programa de incentivo fiscal criado para reduzir custos de produção da indústria química por meio da redução das alíquotas de tributos federais como a Cofins (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social) e o PIS/Pasep (Programa de Integração Social e o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público).

“[O fortalecimento do Reiq] é importante, pois estimula a manutenção dos empregos, o crescimento e a competitividade da indústria química”, destacou o ministro, assegurando que o objetivo da medida é estimular investimentos e impulsionar a competitividade nacional no setor, considerado estratégico.

A ampliação dos incentivos fiscais é uma primeira resposta às súplicas de lideranças industriais, políticas e sindicais de regiões industriais, como Cubatão, na Baixada Santista, em São Paulo. Conforme a Agência Brasil noticiou, em meados de janeiro, o prefeito de Cubatão, César Nascimento (PSD), tornou público que pediria ajuda ao governo federal para tentar conter o esvaziamento daquele que já foi um dos mais importantes polos industriais do país.

O pedido foi feito após duas fábricas que operavam na cidade há décadas encerrarem parte de suas operações locais.

Para a Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), a perda de protagonismo de um polo industrial da relevância de Cubatão “acendeu um alerta sobre o risco de desestruturação permanente da base industrial do setor”.

De acordo com a entidade, o compromisso federal de reforçar o regime da indústria química ocorre em meio a um cenário crítico para o setor, que opera com ociosidade média superior a 35%; enfrenta o crescimento acelerado das importações, a perda de participação no mercado interno e a pressão decorrente dos custos de produção (energia, matérias-primas etc), considerados elevados quando comparados com os dos concorrentes.

Presente à reunião desta terça-feira, o prefeito de Cubatão relatou à equipe ministerial os efeitos do fechamento de fábricas para os cofres públicos municipais, como a perda de arrecadação e o fechamento de vagas de emprego formal e qualificado. Mais tarde, nas redes sociais, o prefeito festejou a promessa de fortalecimento do Reiq, classificando-a como uma “vitória”.

“Desta forma, garantiremos que não haverá mais demissões no futuro, porque haverá investimentos”, disse o prefeito.

Medidas emergenciais 

Na avaliação da Abiquim, medidas emergenciais e transitórias representam um “passo relevante na tentativa de evitar uma perda estrutural para a indústria química nacional”, mas demandarão outras ações, como a efetiva implementação do Programa Especial de Sustentabilidade da Indústria Química (Presiq), sancionado no fim do ano passado.

“O Presiq garantirá incentivos de R$ 3 bilhões por ano para o setor, por cinco anos, a partir do ano que vem, mas estávamos com um ‘gap’ neste ano de 2026”, afirmou o presidente-executivo da Abiquim, André Passos Cordeiro, destacando que os efeitos econômicos do Presiq só seriam sentidos a partir de 2027.

“Mas o vice-presidente foi muito compreensivo com as dificuldades do setor e impactos para o país e se comprometeu com os mesmos R$ 3 bilhões de incentivos para a indústria química ainda este ano”, concluiu, resumindo a importância do alívio tributário que o aporte federal ao Reiq dará às indústrias.

Defesa

Ainda durante a reunião desta terça-feira, Alckmin destacou que o governo federal vem intensificando as ações de defesa comercial. Segundo ele, há atualmente 17 processos de investigação de dumping em curso.

O chamado dumping é quando uma empresa estrangeira e um país exportam seus produtos por preços inferiores ao custo de produção, com o objetivo de quebrar os concorrentes locais. As ações antidumping buscam coibir a entrada destes produtos estrangeiros em território nacional, de forma a proteger os fabricantes locais.

“Estamos trabalhando para a defesa comercial. Não podemos aceitar dumping”, alegou Alckmin, assegurando que as medidas de proteção seguem as normas da Organização Mundial do Comércio (OMC) e fazem parte de uma estratégia para garantir o crescimento estrutural do setor industrial no país.

Produção nacional da Shein patina com prazos apertados e exigência de preços baixos para produtores

 

Em 2023 a varejista chinesa Shein anunciava um investimento milionário no Brasil: US$ 150 milhões em parcerias com dois mil fabricantes locais, criando 100.000 empregos no setor no Brasil até 2026. 

Em 2024 a produção em território nacional ganhou ainda mais urgência para a plataforma, com a criação da “taxa das blusinhas”, que acabou com a isenção de impostos para compras até US$ 50 em sites internacionais, criando uma taxa de 20%.

Mais de dois anos se passaram e a realidade está bem distante do sonho vendido pela companhia: com prazos muito apertados, preços mais baixos do que os praticados pelo varejo nacional e grandes desafios de logística, os ambiciosos planos da gigante chinesa estão patinando no país. 

A reportagem da Reuters ouviu representantes da indústria e fabricantes que trabalharam na operação da Shein no país. “Uma coisa é trabalhar no Brasil, outra é trabalhar na China. O Brasil tem regramento e normas muito diferentes”, disse Fernando Pimentel, diretor-superintendente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), que representa mais de 25.000 empresas em todo o Brasil.

Dois executivos familiarizados com a estratégia da Shein no Brasil, que pediram para não ser identificados, confirmaram que a produção local ficou aquém das metas originais da empresa, sem fornecer números.

Dificuldade em atender demanda 

Seis proprietários de fábricas entrevistados pela Reuters disseram que encerraram suas parcerias depois que a Shein exigiu cortes acentuados de preços e prazos mais apertados que consideraram impossíveis de cumprir.

“Para chegar ao preço que eles queriam, teríamos que trabalhar com um outro tipo de tecido”, disse Januncio Nóbrega de Azevedo, proprietário da Nobre Confecções, uma empresa de 59 funcionários que fazia parte de um consórcio de confecções no Nordeste atendendo pedidos da Shein no segundo semestre de 2023.

Depois de produzir para a Shein por seis meses, ele ficou com excesso de material que teve que vender no mercado local por um valor não divulgado.

Por outro lado, a reportagem também ouviu Marco Britto, proprietário da GB Confecções, no Espírito Santo, que segue produzindo para a Shein e elogiou a agilidade no pagamento da plataforma, que paga em 30 dias ao invés dos 90 dias de outras companhias do setor.  “Eles são muito menos burocráticos, é fácil trabalhar com a Shein”, disse.

PMEs operam com margens apertadas

Quatro dos seis ex-fornecedores da Shein entrevistados pela Reuters operam em pequenas cidades focadas na indústria têxtil.

“Tínhamos expectativas altas”, disse José Medeiros de Araújo, proprietário da Zaja, uma fábrica de confecções em Cerro Corá, cidade do Rio Grande do Norte com pouco mais de 11.000 habitantes.

Depois de produzir um pedido inicial para a Shein em meados de 2023, o empresário disse que a varejista repentinamente exigiu prazos de entrega mais rápidos, reduziu seu número total de pedidos e exigiu cortes de preços de até 30%.

Em um caso, foi solicitado que ele reduzisse o preço de atacado de uma saia de R$ 50 para R$ 38, e de uma jaqueta de R$ 65 para R$ 45.

“O plano era crescer”, disse ele. “Mas, para nós, aqui no Nordeste, era inviável”.

“Preço baixo e prazo curto só funcionam em cadeias maduras, previsíveis e capitalizadas. No Brasil, muitas PMEs operam com margens apertadas e pouquíssima gordura financeira para absorver riscos. Quando o grande player ignora isso, ele não torna o fornecedor mais eficiente, ele simplesmente torna a operação insustentável. Velocidade sem base não gera competitividade; gera colapso nessas empresas”, explicou Marcos Freitas, CEO da Seja AP e especialista em evolução empresarial.

A Shein não quis comentar as declarações. 

Progresso mais lento 

Em resposta à reportagem, a Shein admitiu que a entrada no mercado brasileiro não foi como o esperado. “A produção no Brasil exigiu tempo para amadurecer, e logo diferenças na infraestrutura empresarial e industrial se tornaram aparentes”, disse a empresa. “Como tal, o progresso tem sido mais lento e desafiador.”

O resultado foi uma mudança de estratégia da companhia, que agora está adotando uma abordagem mais “seletiva” para aprofundar parcerias com “as fábricas mais capazes”.

A Shein se recusou a dizer quantos fornecedores locais tem atualmente, mas acrescentou que seu marketplace online no Brasil “apoia mais de 45.000 empreendedores e vendedores locais, reforçando o Brasil como um dos mercados mais dinâmicos da empresa em todo o mundo”. 

Além de Galípolo, Ailton Aquino e outros diretores do BC se reunirão com senadores nesta quarta

 

A reunião entre o presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, Renan Calheiros (MDB-AL), e o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, para tratar do caso Master também contará com a presença de diretores da autarquia.

Conforme a agenda oficial, estarão presentes os diretores de Fiscalização, Ailton Aquino; de Regulação, Gilneu Vivan; e de Cidadania e Supervisão de Conduta, Izabela Moreira Correa. Além da diretoria de Regulação, Vivan comanda temporariamente a Diretoria de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução.

O encontro será realizado na sede do BC, em Brasília, entre 16h30 e 17h30 desta quarta-feira (4).

Pelo Senado, além de Calheiros, participarão os senadores Fernando Farias (MDB-AL), Eduardo Braga (MDB-AM), Esperidião Amin (PP-SC), Randolfe Rodrigues (PT-AP), Alessandro Vieira (MDB-SE) e Damares Alves (Republicanos-DG). Todos compõem o grupo de trabalho instaurado mais cedo na CAE para acompanhar as investigações do caso Master.