segunda-feira, 27 de abril de 2026

Show de Shakira terá impacto econômico maior que Lady Gaga e Madonna, estima Rio

 

A prefeitura do Rio de Janeiro divulgou uma estimativa de R$ 776,2 milhões para o impacto econômico do show gratuito, a ser realizado pela cantora Shakira, na praia de Copacabana neste sábado, 2. O dado integra o estudo “Potenciais Impactos Econômicos do ‘Todo Mundo no Rio’ 2026 – Shakira”.

A estimativa de impacto econômico supera os R$ 600 milhões projetados pelo poder municipal para a apresentação de Lady Gaga no ano passado e o s R$ 469,4 milhões calculados para o concerto feito por Madonna em 2024.

O cálculo considera um ticket médio de R$ 547,30 por dia para turistas brasileiros (com permanência de três dias), R$ 626,40 para estrangeiros (quatro dias) e R$ 141,75 para o público local.

A organização espera dois milhões de pessoas, sendo 13,9% sejam de turistas nacionais (278 mil), 1,6% de turistas internacionais (32 mil) e 84,6% de cariocas e moradores da Região Metropolitana (1,7 milhão).

Shows impactam arrecadação da prefeitura

Ainda segundo a própria prefeitura, o “Todo Mundo no Rio” do ano passado, com Lady Gaga, motivou o pagamento de R$ 66,8 milhões em impostos sobre serviços ligados ao turismo, eventos, transporte municipal, aeroporto/rodoviária e artistas. O valor representa um crescimento real de 23,2% — descontada a inflação — em relação a maio de 2023, quando o Rio ainda não realizava grandes shows internacionais no período.

Na comparação entre maio de 2025 e maio de 2024 — ano do show de Madonna — o crescimento real foi de 8,2%, com arrecadação adicional de R$ 5,1 milhões, já que, em maio de 2024, o total havia sido de R$ 61,8 milhões.

 

 

Desembargador é afastado 60 dias por autorizar saque de R$ 1 milhão 4 dias após sentença

 

 Juiz José Eulálio Figueiredo de Almeida toma posse como ...

 

 

   

O desembargador José Eulálio Figueiredo de Almeida, do Tribunal de Justiça do Maranhão, foi afastado das funções por 60 dias por autorizar um saque de R$ 1 milhão no âmbito de uma ação de inventário, quando ainda exercia a magistratura em primeira instância em uma vara cível de São Luís.

 Segundo decisão do Conselho Nacional de Justiça, em junho de 2020, Almeida liberou aquele valor mesmo após advertido acerca da tramitação em Vara de Sucessões de processo de declaração de herança e de possível fraude na escritura pública de inventário e partilha.

O Estadão pediu manifestação do magistrado. Nos autos, a defesa de Almeida destacou que ele possui longa trajetória na carreira, com aproximadamente 35 anos de exercício, ‘sem registro de penalidades disciplinares anteriores que maculem seu histórico funcional’.

“As provas produzidas no presente Processo Administrativo Disciplinar evidenciam que o magistrado foi alertado por sua assessoria acerca da possível deficiência instrutória da inicial”, assinala trecho do acórdão do CNJ, sob relatoria do conselheiro Marcello Terto.

Uma servidora declarou que elaborou minuta apontando a ausência de documentos indispensáveis, mas que o magistrado ‘afirmou ser suficiente a escritura pública apresentada’.

Mesmo assim, a liminar foi deferida por ele. Posteriormente, um ofício da 1.ª Vara de Interdição e Sucessões informou que o montante integrava espólio submetido a inventário judicial, que o pedido não se adequava à Lei nº 6.858/1980 e que seria necessária a adoção de providências para evitar decisões conflitantes.

Mais grave ainda, aponta o acórdão, o julgamento ocorreu sem a prévia habilitação do espólio mediante intimação do curador da herança – ‘na prática, sem a presença de parte ré regularmente constituída na relação processual, o que evidencia déficit estrutural de contraditório e compromete a própria higidez procedimental da decisão’.

Para o CNJ, ‘chama a atenção’ o fato de que o montante de R$ 1.053.781,55 foi liberado apenas quatro dias após a sentença, quando ainda fluía prazo para eventual impugnação ou recurso. Testemunhas ouvidas no processo disciplinar afirmaram não ser prática usual na vara cível a expedição de alvará durante o prazo recursal.

“No tocante à responsabilidade, além dos descuidos evidenciados, impõe-se considerar a manifesta ausência de rigor técnico na prolação de sentença de mérito que autorizou o levantamento de quantia vultosa antes mesmo do transcurso do prazo recursal”, pontua um trecho do acórdão. “Diante desse contexto, inconsistências documentais, alerta do juízo sucessório, questionamentos da instituição financeira e elevado valor envolvido, impunha-se postura cautelosa e diligente antes da liberação do numerário.”

Quando da sentença, o magistrado tratou a existência do inventário apenas de ‘forma incidental’, afirmando que a ausência de outros habilitados confirmaria a condição de herdeiro único do autor, sem enfrentar juridicamente a questão da competência do juízo sucessório.

O Conselho impôs afastamento de Almeida por dois meses, período em que o desembargador irá receber vencimentos proporcionais.

“A cautela é inerente ao regular exercício da jurisdição, sendo inadmissível condutas descuidadas que exponham o processo ou terceiros a riscos indevidos”, segue o relatório. “À luz do conjunto probatório, está caracterizada a violação ao artigo 35, inciso I, da Lei Orgânica da Magistratura Nacional, que impõe ao magistrado o dever de cumprir e fazer cumprir, com independência, serenidade e exatidão, as disposições legais e os atos de ofício.”

Para o colegiado, José Eulálio Figueiredo de Almeida também infringiu quatro artigos do Código de Ética da Magistratura, ‘especialmente quanto à exigência de decisões racionalmente justificadas e cautelosas, atentas às suas consequências.’

O CNJ concluiu que ‘não se trata de mero erro interpretativo, mas de déficit relevante de cautela decisória em contexto que exigia especial rigor técnico, dada a magnitude do valor envolvido, as inconsistências documentais apontadas e a expressa comunicação do juízo sucessório’.

“A conduta revelou comprometimento da segurança jurídica e fragilização do devido processo legal. A postura negligente compromete a imagem do Poder Judiciário e expõe a risco concreto interesses patrimoniais de terceiros.”

Para o Conselho, o processo, estruturado sob as garantias do contraditório, da competência e da regular instrução, ‘constitui o instrumento que assegura a imparcialidade do juiz e a isonomia entre as partes’. “No caso, tais garantias foram significativamente enfraquecidas, com repercussão institucional que ultrapassa o âmbito individual da controvérsia.”

Fim da escala 6×1? Veja o que dizem as empresas que já adotam jornadas reduzidas

 

A rotina de trabalho no comércio, especialmente em bares e restaurantes, sempre esteve associada a jornadas longas e poucos dias de descanso. Esse modelo, conhecido como escala 6×1, ainda predomina em setores de atendimento contínuo, mas começa a ser revisto por empresários que testam formatos alternativos.

A mudança ganha força em meio ao debate no Congresso sobre a redução da jornada e após o adiamento da proposta de emenda à Constituição que trata do tema. Passado o recesso do feriado de Tiradentes, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) aprovou por unanimidade nesta quarta-feira, 22, a PEC que propõe o fim dessa escala no país.

Com a aprovação, a proposta segue para discussão numa comissão especial, que tem entre 10 e 40 sessões para aprovar ou rejeitar um parecer com uma regra de transição antes de a proposta ser finalmente votada no plenário.

Modelos alternativos

À frente de uma hamburgueria com duas unidades em São Paulo e uma no litoral paulista, Fernando Russell, de 50 anos, decidiu alterar a escala da equipe após anos operando num modelo híbrido, que alternava semanas de 6×1 e 5×2. “Até 2025, todas as unidades trabalhavam numa escala em que domingos abria meio período e nas segundas não abria. Dessa forma, metade da equipe folgava aos domingos”, diz. Na prática, os funcionários trabalhavam numa semana 6×1 e na outra semana 5×2.

Em junho de 2025, a hamburgueria iniciou um teste em uma das lojas, reduzindo a carga de trabalho. “Para compensar a contratação, passamos a abrir também às segundas-feiras. Deu certo e a unidade passou a ter um resultado financeiro melhor”, afirma.

Segundo ele, a mudança não reduziu a lucratividade e ainda contribuiu para diminuir faltas e trocas de equipe. “Eu mesmo sou professor universitário há 21 anos. Por esse background, sei o quão importante é ter condições de trabalho saudáveis.”

O modelo foi expandido para as demais unidades neste mês e segue em avaliação. Sobre o fim do atual modelo de escala, ele acredita que terá mais pontos positivos do que negativos. “Acredito que o grande empresário não vai quebrar, não vai ser prejudicado. Na pior das hipóteses, vai operar com uma margem um pouco menor”, opina. Nos pequenos empreendimentos, diz Fernando, os efeitos tendem a ser diferentes de acordo com o setor e o nível de organização. “Talvez eles sejam mais impactados por não terem uma gestão profissional e, até por isso, o Governo precisa auxiliar de alguma forma.”

A experiência se soma a outras iniciativas no setor que buscam equilibrar funcionamento contínuo com jornadas menos extensas, um movimento que começa a redesenhar a dinâmica do trabalho nesses setores. “É sempre bom lembrar que as pessoas de folga costumam gastar mais no comércio. É um dia a mais para ir ao salão de beleza, para ir a um restaurante, para ir ao comércio fazer compras”, complementa o empresário.

Como empresas adotam a escala 4×3 e 5×2 no atendimento

A adoção de jornadas reduzidas no comércio não segue um único modelo. Enquanto parte dos negócios migra para o 5×2, outros avançam para formatos como o 4×3, com três dias de folga por semana. Em comum, está a necessidade de reorganizar equipes e turnos para manter o funcionamento diário.

Em São Paulo, a empresária Isabela Raposeiras, dona da cafeteria Coffee Lab e escola de cafés, decidiu avançar além do 5×2 e implementar a escala 4×3 nas lojas em julho de 2025.

A mudança partiu de uma decisão de gestão e de experiência própria. Após anos trabalhando sob regime 6×1, ela optou por não replicar o modelo na empresa.

“Nunca fomos 6×1, jamais seria. Todos os meus empregos CLT foram 6×1 e jamais quis impor esse horror e opressão aos meus funcionários”, diz a empresária.

Hoje, as unidades funcionam todos os dias, com equipes em escala rotativa e ao menos duas folgas consecutivas. Áreas internas, como escritório e torrefação, ainda operam em 5×2, mas com migração em curso para o 4×3.

Segundo ela, a motivação principal foi reduzir o desgaste de quem atua diretamente com o público. “Atender o consumidor é uma atividade exigente. A ideia foi garantir mais tempo de descanso para melhorar a qualidade do trabalho”, afirma. A empresária diz que, após ajustes nos processos, a operação absorveu a mudança sem perda de eficiência.

Os efeitos, relata, apareceram na rotina e nos resultados. A equipe passou a apresentar menos erros e maior estabilidade, enquanto o faturamento cresceu ao longo do ano. Para ela, o modelo exige revisão de processos e gestão mais detalhada, mas pode ser adotado em diferentes tipos de negócio.

Em outra frente, redes maiores também testam mudanças na jornada. O restaurante Gurumê, com unidades no Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília, iniciou, em junho de 2025, a implementação da escala 5×2 em parte das unidades, com base em um redesenho da operação. A proposta parte de um mapeamento da demanda por turno e por horário, ajustando o número de funcionários à necessidade real.

“Nosso objetivo é aumentar a retenção e a performance, criando um equilíbrio entre vida pessoal e profissional para todas as funções do restaurante. Isso já se reflete na experiência do cliente”, afirma o sócio-fundador Jerônimo Bocayuva. A estratégia também responde à dificuldade de contratação e retenção em funções que exigem treinamento.

A rede iniciou o projeto em uma unidade piloto e ampliou gradualmente o modelo, sem aumento do quadro de funcionários. A avaliação é que a mudança pode melhorar a retenção e a experiência do cliente, embora o formato não seja necessariamente replicável em operações menores, que têm menos margem para ajustes.”Por isso, é preciso um alinhamento em torno da necessidade de se evitar qualquer tipo de imposição ao empreendedor que não venha acompanhado de contrapartidas capazes de preservar a sustentabilidade das empresas e os empregos que dependem do segmento”, pontua Jerônimo.

Produtividade x redução da jornada

A relação entre menos horas de trabalho e desempenho das empresas não é automática e depende de como a mudança é implementada. Segundo a economista Patrícia Tendolini, mestre em Administração e coordenadora dos curso de Negócios Internacionais e Relações Internacionais da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), os efeitos variam conforme o setor, o porte da empresa e a capacidade de reorganizar processos.

Em atividades com maior uso de tecnologia, gestão por metas e menor dependência de presença contínua, a redução da jornada pode vir acompanhada de ganhos de produtividade. Já em setores intensivos em mão de obra presencial e com necessidade de cobertura constante, como parte do segmento de consumo e serviços, o impacto tende a ser mais limitado.

Estudos recentes apontam que não há relação direta entre redução da jornada e queda da atividade econômica. Levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, divulgado em fevereiro de 2026, indica que, com a redução para 40 horas semanais e manutenção da remuneração, o custo médio do trabalho celetista subiria 7,84%. Ainda assim, ao considerar o peso da mão de obra no custo operacional total, o impacto agregado em setores como indústria e comércio ficaria abaixo de 1%.

Os economistas afirmam ainda que experiências internacionais, como testes no Reino Unido, indicam manutenção da produtividade, melhora no bem-estar e redução da rotatividade. Para Nelson Marconi, economista da FGV EAESP, parte desse efeito passa pelo comportamento do trabalhador. Segundo ele, isso pode se refletir no desempenho, especialmente quando combinado a mudanças na organização do trabalho.

Marconi ressalta, no entanto, que produtividade não depende apenas de esforço individual. O ganho tende a vir de investimento em tecnologia, reorganização das jornadas e melhor distribuição das equipes. Em setores de serviços, ferramentas digitais e automação podem ajudar a sustentar a redução da carga horária.

Além dos efeitos econômicos, especialistas apontam impactos sociais. A redução da jornada pode melhorar a qualidade de vida, reduzir desigualdades e, no longo prazo, gerar ganhos indiretos para empresas e para o mercado de trabalho.

“A avaliação não deve se restringir ao desempenho empresarial no curto prazo. Deve considerar impactos mais amplos, como melhora na qualidade de vida, maior disponibilidade de tempo para atividades de cuidado e potenciais efeitos positivos sobre a saúde da população”, diz Tendolini.

Ainda assim, a sustentabilidade desses efeitos depende de adaptação gradual e das características de cada setor, afirmam os especialistas.

Desafios para implementação

Se por um lado experiências práticas e estudos indicam possíveis ganhos, a implementação de jornadas menores envolve uma série de entraves operacionais e econômicos. Para Tendolini, da PUCPR, o debate vai além da simples redução de horas trabalhadas.

Ela aponta que o primeiro desafio é a definição do modelo. Migrar para 40 horas semanais em escala 5×2 exige adaptações diferentes de um eventual avanço para 36 horas em 4×3. A diversidade entre setores também pesa: comércio, indústria e serviços têm estruturas e demandas distintas, o que dificulta a adoção de uma regra única.

Outro ponto importante, segundo a economista, é a adaptação das pequenas empresas, que têm menor margem financeira e mais dificuldade para recompor equipes. A isso se somam questões como negociação coletiva, segurança jurídica e a necessidade de compatibilizar diferentes formatos de jornada, como banco de horas, turnos e horas extras.

Tendolini também destaca a importância de uma transição gradual e previsível. Para ela, mudanças desse porte exigem tempo para que empresas invistam em gestão, tecnologia e reorganização de processos. “Não é apenas sobre trabalhar menos, mas sobre como reorganizar produção, atendimento e competitividade sem transferir todo o custo para emprego, preços ou informalidade”, afirma.

Representantes do setor de bares e restaurantes, por outro lado, veem riscos mais imediatos. Para Paulo Solmucci, presidente executivo da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), a redução da jornada pode ampliar custos e agravar a escassez de mão de obra, especialmente em funções especializadas.

Ele afirma que o aumento de custos pode afetar preços e consumo, sobretudo em regiões de renda mais baixa, além de pressionar a organização das equipes.

Segundo Solmucci, trabalhadores que dependem de comissões, como garçons, também poderiam ter perda de renda com menos dias trabalhados. “A gorjeta de um dia a menos de trabalho, especialmente nos finais de semana, será penosa, pois ela chega a representar 2/3 do ganho total”, diz.

Na avaliação do setor, mudanças na jornada sem mecanismos de compensação podem levar a ajustes na operação e na distribuição da mão de obra. O impacto, segundo ele, tende a variar conforme o perfil do negócio e o público atendido.

Saúde mental em xeque

Além dos efeitos econômicos, a discussão sobre a redução da jornada tem colocado em evidência impactos diretos na saúde dos trabalhadores. Para Marconi, a diminuição dos dias trabalhados tende a influenciar o comportamento no trabalho.

Segundo ele, com mais tempo livre, o trabalhador fica mais disposto e engajado, o que pode se refletir no desempenho ao longo do tempo. Esse efeito não é imediato, mas resultado de uma reorganização da jornada dentro das empresas. “É um ganho que se sustenta porque vem de um rearranjo da forma de trabalhar”, afirma.

Marconi também aponta que jornadas extensas influenciam a dinâmica do mercado de trabalho. Modelos como o 6×1, diz, dificultam a atração de trabalhadores para vagas formais e podem estimular a informalidade. A redução da jornada, nesse sentido, tende a tornar esses postos mais atrativos.

Do ponto de vista da saúde, os efeitos são mais diretos. A médica do trabalho Letícia Mameri, doutoranda em Bioética pela Universidade do Porto (Portugal), explica que jornadas prolongadas, com pouco tempo de descanso, estão associadas ao aumento do risco de exaustão física e mental. Segundo ela, trabalhar seis dias consecutivos com apenas um de descanso eleva o risco de fadiga crônica e compromete o equilíbrio entre vida pessoal e profissional.

A especialista afirma ainda que estudos também associam esse tipo de rotina a maior incidência de ansiedade, depressão, distúrbios do sono e doenças cardiovasculares. Em contrapartida, escalas mais flexíveis tendem a reduzir o estresse, melhorar a qualidade de vida e contribuir para a produtividade ao longo do tempo. “Escalas mais flexíveis trazem ganhos claros: melhor saúde física e mental, com redução do estresse. Maior produtividade sustentada, já que trabalhadores descansados rendem mais”, diz.

Líderes do agro criticam proposta ‘nociva’ de acabar com escala 6×1 e pedem debate

 

Lideranças do agronegócio concentraram críticas à proposta de mudança na escala de trabalho 6×1 no sábado, 25, durante a cerimônia de abertura da Expozebu, em Uberaba (MG) – evento considerado o principal da pecuária nacional. Eles defenderam maior debate sobre os impactos da medida na economia e no setor produtivo.

Presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ), Arnaldo Manuel de Souza Machado Borges alertou para os riscos da discussão e pediu posicionamento do Congresso.

“Destacamos aqui a necessidade de discutirmos assuntos como o fim da escala 6×1, com a devida seriedade, e levando em consideração todas as consequências possíveis para o bom funcionamento da economia e do setor produtivo do Brasil”, afirmou. Segundo ele, a proposta é “tão nociva à nossa economia” que pode trazer “consequências graves e sem precedentes ao nosso agro”.

Na mesma linha, o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), Tirso Meirelles, ampliou o tom das críticas ao cenário econômico e fiscal do País.

“Nós arrecadamos R$ 3 trilhões em impostos. Ficamos mais de 5 meses pagando imposto. E o que é trazido para a sociedade? Mais imposto”, disse. Para ele, a reforma tributária tende a “concentrar mais ainda os recursos na mão do governo federal, dificultando os municípios”.

Meirelles também criticou a priorização do debate sobre a jornada de trabalho diante de gargalos estruturais. “Precisa resolver primeiro a estruturação do País em vez de mexer nos 6×1”, afirmou, ao citar problemas como transporte e segurança.

O dirigente defendeu ainda maior engajamento da sociedade e destacou a necessidade de planejamento de longo prazo. “Nós não podemos mais ficar como telespectadores”, disse o presidente da Faesp. Ao mencionar comparações internacionais, afirmou que o Brasil precisa de um “projeto” consistente.

No campo político, Meirelles agradeceu aos pré-candidatos à Presidência da República Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo), presentes à cerimônia e que, segundo ele, se dispuseram a participar do debate público.

“Deram os seus nomes no momento difícil, sabem que está polarizado, mas deram os nomes para que tenha discussão dentro do País”, afirmou, acrescentando que há “nomes capazes que realmente podem levar avante um projeto Brasil”.

A discussão sobre a jornada ocorre em meio ao avanço da proposta no Congresso. Nesta semana, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara aprovou a admissibilidade de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que trata do tema, etapa que analisa apenas a constitucionalidade do texto.

Vivian Coser leva o design brasileiro com pedras naturais para Milão

 


Com presença consolidada na galeria Nilufar Depot e foco em sustentabilidade, a arquiteta leva a riqueza mineral do Brasil ao maior palco do design mundial

Essa busca levou a arquiteta a Berlim, onde receberá o prêmio iF Design Award por uma de suas criações na próxima segunda, 27. Foto: Divulgação
 
 

A Semana de Design de Milão 2026, que acontece entre 20 e 26 de abril, confirma a posição da cidade como um polo de inovação do setor. Nesse cenário, o design brasileiro se destaca com a arquiteta Vivian Coser, que leva a força das pedras naturais para o centro da indústria.

Aos 43 anos, Vivian é designer fixa da galeria Nilufar Depot. Por meio de sua marca, a Sette7, nome que homenageia sua avó e a parceria com a irmã, Erika Coser, seu trabalho apoia-se em uma pesquisa técnica de mais de 22 anos sobre rochas ornamentais. 

Natural do Espírito Santo, estado que concentra o maior polo de processamento de pedras da América Latina, desde o início ela trabalha diretamente com as mineradoras.” Hoje em dia eles que me mandam as amostras para saber o que eu acho do material, minha opinião e se tem potencial. Eu sou um braço de apoio”, conta. 

A exportação do DNA brasileiro

O Brasil é um dos principais exportadores de rochas, com uma variedade superior a 1.200 materiais, mas essa diversidade ainda é pouco conhecida internamente. “O brasileiro nem conhece tudo que tem, não tem acesso porque vai tudo para fora”, pontua.

Mesmo com 95% das melhores pedras destinadas ao mercado externo, Vivian prioriza quartzitos, cristais de rocha puros e materiais raros, como o Botanic, evitando o uso de materiais sintéticos ou importados.

“Comecei no design por não ver a pedra brasileira no mercado, então fiz do DNA da minha pesquisa a nossa pedra natural, a premissa é valorizar o que é nosso”, conta. 

Sustentabilidade e o ciclo de vida do design

Sua trajetória, que recentemente apresentou cinco ativações na SP-Arte para marcas como Rosewood e RFM, reflete a formação italiana, do período em que morou na Itália, com o ideal de brasilidade.

Em sintonia com o foco da Semana de Milão, Vivian, que integra o Green Building há anos, defende que a durabilidade das peças, aliada a baixa geração de resíduos, são fundamentais para a sustentabilidade na indústria.

“O setor das rochas é extremamente sustentável, até porque a emissão de carbono é de 1/3 a 1/4 menos poluente que o material sintético, 98% da água que é utilizada na indústria é de reaproveitamento”, explica.

Para ela, adquirir uma peça de pedra significa investir em um acervo, reduzindo descartes e reformas, já que o material possui um dos ciclos de vida mais longos do mundo. Embora trabalhe com blocos de alta densidade, seu objetivo é unir resistência e delicadeza.

A escala como arquiteta 

Hoje, ela transita entre o desenho de mobiliário, como mesas e vasos, e projetos de arquitetura e empreendimentos imobiliários. “Normalmente desenho o que eu não encontro no mercado”, diz. 

Além da atuação profissional, Vivian é embaixadora do Instituto Terra, do fotógrafo Sebastião Salgado, onde trabalha na compensação de carbono de seus próprios projetos e de empresas com as quais trabalha. 

Essa busca  levou a arquiteta a Berlim, onde receberá o prêmio iF Design Award por uma de suas criações na próxima segunda, 27. “Estou indo logo depois de Milão para Berlim, receber esse prêmio do AF com uma peça em pedra também natural, representando as pedras brasileiras mais uma vez”, conta. 

 

 https://mulher.istoe.com.br/vivian-coser-leva-o-design-brasileiro-com-pedras-naturais-para-milao

Nubank anuncia que investirá R$ 45 bilhões no Brasil em 2026

 

O Nubank, que tem 113 milhões de clientes só no Brasil, anunciou nesta segunda-feira, 27, investimentos de R$ 45 bilhões no País em 2026, volume que quase dobrou nos últimos dois anos, de acordo com comunicado à imprensa. Os recursos vão bancar avanços em inteligência artificial, novos produtos, expansão de escritórios e contratações, segundo a fintech.

Esse valor abrange o “conjunto das atividades econômicas da companhia no país”, como reinvestimento dos resultados gerados pela operação brasileira, investimentos em infraestrutura tecnológica, além de despesas operacionais e tributos recolhidos, segundo o comunicado.

Mulheres ganham até 40% menos que homens em plataformas digitais

 


Novo estudo da ONU Mulheres e OIT mostra que as plataformas digitais estão replicando, e agravando as desigualdades de gênero e de remuneração

Segundo o estudo inédito “Mulheres na economia de plataformas: desafios e oportunidades na Ibero-América”, apesar da flexibilidade, as mulheres que trabalham em plataformas digitais recebem, em média, 40% menos por hora do que os homens. Além disso, elas podem ter rendimentos semanais até 67% inferiores.

A promessa de ser sua própria chefe, fazer seus horários e conciliar a carreira com a vida pessoal é o que faz cerca de 3,5 milhões de mulheres na Ibero-América, o equivalente a 2,5% da força de trabalho feminina, trabalhar nesse formato. 

O levantamento, que analisou 22 países da região (incluindo o Brasil), divide esse mercado em dois grandes blocos. De um lado, as plataformas baseadas na localização, como transporte e entregas, onde a predominância ainda é masculina. 

Neste setor, o Brasil até apresenta a maior participação relativa feminina da região, mas em números absolutos, apenas cerca de 220 mil mulheres atuam nesse segmento. Do outro lado, os serviços domésticos, de cuidado e o trabalho online (freelancers e microtarefas) concentram a maioria das mulheres, somando cerca de 2,8 milhões na região.

O ingresso e a permanência nesses espaços, no entanto, ainda esbarram em barreiras estruturais. Muitas enfrentam dificuldade de acesso a dispositivos e internet de qualidade, além da falta de financiamento para adquirir ferramentas essenciais de trabalho, como veículos.

O mito da qualificação e o peso do cuidado 

De acordo com o estudo, a desigualdade salarial não se explica pela falta de formação. Mesmo quando possuem níveis educacionais iguais ou superiores aos dos homens, as mulheres continuam ganhando menos. 

A segregação ocupacional é uma das explicações, visto que elas estão concentradas em funções menos valorizadas, como tarefas administrativas e atendimento, enquanto eles dominam áreas tecnológicas e mais rentáveis.

Cerca de 25% do tempo delas também é gasto em atividades sem pagamento, como a espera por chamadas ou a busca por novas tarefas. Enquanto os homens trabalham cerca de 25 horas semanais nas plataformas, as mulheres conseguem dedicar apenas 16 horas por conta das responsabilidades domésticas.

Além disso, as mães, especialmente com filhos pequenos, têm menor inserção e recebem menos, enquanto homens com filhos tendem a ganhar mais, evidenciando uma penalização da maternidade.

Quando o algoritmo pune 

Embora os sistemas não apliquem punições formais, eles operam por meio de incentivos que desfavorecem quem não tem disponibilidade total. Na prática, o algoritmo reduz a visibilidade de quem recusa ou demora a aceitar tarefas, penaliza rankings e restringe a escolha de horários, restrições que afetam mais as mulheres.

Nos serviços de transporte e entrega, o estudo também aponta maiores recorrências de assédio e violência, agravados por uma sensação de insegurança e ausência de mecanismos eficazes de proteção. 

Classificadas como autônomas, essas mulheres vivem em uma invisibilidade legal, com acesso limitado a direitos básicos como licença-maternidade, seguro-doença e previdência social.

O caminho para a mudança 

Apresentado em Madri, na Casa de América, o documento salienta a urgência na criação de políticas públicas. Como ressaltou a diretora regional da ONU Mulheres, Bibiana Aído, superar essas disparidades exige uma ação conjunta entre governos, setor privado e instituições internacionais. 

Para isso, o relatório propõe medidas como:

  • Regulação com perspectiva de gênero, assegurando a igualdade salarial;
  • Transparência algorítmica, permitindo maior fiscalização para evitar que a inteligência artificial automatize e reproduza preconceitos;
  • Redistribuição das tarefas de cuidado através de políticas públicas eficientes;
  • Criação de canais de denúncia e protocolos para o combate ao assédio;
  • Inclusão digital e ampliação da proteção social, garantindo acesso à tecnologia, capacitação e direitos trabalhistas para todas.  
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  • https://istoedinheiro.com.br/mulheres-recebem-menos-homens-27426