sexta-feira, 20 de março de 2026

Os homens serão extintos? A verdade sobre o cromossomo Y

 

Cromossomo que determina o sexo masculino vem perdendo genes há 180 milhões de anos e desaparece das células dos mais velhos. Mas, entre manchetes apocalípticas e dados reais, a ciência revela um quadro mais complexo.Diminuto em comparação ao cromossomo X e com apenas cerca de cinquenta genes funcionais, o cromossomo Y vem há décadas ganhando manchetes, muitas vezes em tom apocalíptico. Muito se especula até sobre um eventual “fim dos homens”.

Por trás da discussão, está o amplo consenso de que o cromossomo Y sofreu uma degradação histórica considerável, colocando em debate o seu destino a longuíssimo prazo. Ao mesmo tempo, acumulam-se evidências que vinculam a sua perda em algumas células a implicações para a saúde masculina.

Mas, na comunidade científica, não é consenso que o cromossomo Y poderia desaparecer, muito menos os homens. Os pesquisadores ainda desvendam os mistérios da genética, com um longo caminho adiante e uma história que já se prolonga há dezenas de milhões de anos.

A origem evolutiva do cromossomo Y

Há aproximadamente 180 milhões de anos, os cromossomos sexuais dos mamíferos formavam um par praticamente idêntico. Com o tempo, esse par ancestral se diferenciou até dar origem aos cromossomos X e Y atuais.

Nos seres humanos e outros mamíferos, o sexo é determinado cromossomicamente: as mulheres normalmente têm dois cromossomos X, e os homens, um X e um Y. Embora esse par represente apenas cerca de 4% do DNA total, seu papel biológico vai muito além de determinar o desenvolvimento de testículos ou ovários.

O cromossomo Y, em particular, se destaca pelo reduzido conteúdo genético. Enquanto o cromossomo X contém entre 900 e 1,4 mil genes, segundo diferentes estimativas, o Y conserva entre 45 e 51 genes codificadores de proteínas, dependendo do critério utilizado para contá-los.

Um deles, o gene SRY, atua como desencadeador do desenvolvimento masculino. Alguns outros participam da produção de esperma. As funções dos restantes seguem sendo objeto de estudo e debate, o que contribui para a percepção do Y como um cromossomo atípico do ponto de vista evolutivo.

A bióloga evolutiva australiana Jenny Graves estuda esse processo de degradação há décadas. Em um artigo publicado no The Conversation em 2014, ela estimou que, se a perda de genes continuasse no ritmo observado – quase dez genes a cada um milhão de anos desde há 166 milhões de anos –, o cromossomo Y poderia desaparecer em cerca de 4,5 milhões de anos.

A afirmação, incluída quase de passagem em um artigo técnico de 2004, provocou uma reação desproporcional. “Surpreende-me muito que alguém se preocupe com a extinção dos homens dentro de cinco ou seis milhões de anos”, declarou Graves ao Science Alert, lembrando que a espécie humana sequer existe há 100 mil anos.

Por que o cromossomo Y se degrada?

De acordo com Graves, há duas razões principais. Como ela explicou à BBC Science Focus em 2024, a primeira é o contexto biológico. O cromossomo Y é transmitido exclusivamente pela linhagem masculina e, a cada geração, passa pelos testículos, que constituem um ambiente geneticamente exigente.

A produção de esperma requer numerosas divisões celulares, e cada uma delas implica uma nova oportunidade para que mutações se acumulem.

A segunda, e talvez mais determinante, é seu isolamento. Ao contrário dos demais cromossomos, o Y não dispõe de um homólogo com o qual possa trocar segmentos de DNA para corrigir erros.

Na maioria dos casos, os cromossomos “se apoiam” em seu par durante a recombinação para compensar danos. O Y carece desse respaldo estrutural, de modo que as alterações acumuladas se tornam muito mais difíceis de eliminar.

O cromossomo Y está condenado?

Nem toda a comunidade científica compartilha do diagnóstico. Como publicou a Vice no final do ano passado, a bióloga evolutiva Jenn Hughes, do Instituto Whitehead do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), sustenta há anos a visão contrária: os genes essenciais do cromossomo Y humano têm se mantido estáveis por 25 milhões de anos. A conclusão seria reforçada por estudos posteriores em primatas.

Seu argumento é que os genes remanescentes cumprem funções cruciais em todo o organismo, o que gera forte pressão evolutiva para preservá-los. Dessa perspectiva, o cromossomo Y não estaria desaparecendo, mas se estabilizando.

Jenny Graves não nega a estabilidade, mas introduz uma nuance: o fato de algo permanecer estável hoje não significa que vá perdurar indefinidamente. O cromossomo Y contém abundantes sequências repetidas, suscetíveis a degradação geração após geração. Os genes que hoje parecem firmes poderiam ser substituídos, se as condições evolutivas mudassem.

Ela resume, segundo a Vice, o horizonte temporal do Y como “qualquer coisa entre agora e nunca”. Quando ambas as cientistas debateram publicamente em 2011, o público ficou dividido em partes iguais. A discussão permanece aberta.

O que se sabe com certeza é que, em outros animais, surgiram sistemas alternativos de determinação sexual. Segundo a BBC Science Focus, algumas ratas-toupeira da Europa Oriental e ratos-espinhosos do Japão perderam completamente o cromossomo Y e redistribuíram ou substituíram suas funções em outros cromossomos – e continuam sendo populações viáveis. As moscas-da-fruta, por sua vez, perderam quase todos os genes do cromossomo Y.

Graves sustenta que, se surgisse um gene determinante do sexo mais eficiente em uma população humana pequena e isolada, onde acidentes genéticos são mais prováveis, ele poderia se espalhar sem eliminar características masculinas visíveis. “Talvez isso já tenha acontecido em alguma população humana em algum lugar”, afirmou ao Science Alert.

Doenças em homens mais velhos

O debate evolutivo em escala de milhões de anos convive com uma preocupação muito mais imediata: a perda do cromossomo Y em células do corpo à medida que os homens envelhecem.

Em artigo recente no The Conversation, Graves explica que as novas técnicas de detecção genômica mostram que esse fenômeno é frequente em tecidos de homens idosos. Com o passar do tempo, o cromossomo Y desaparece de algumas células, e suas descendentes já não o recuperam.

O tecido acaba se tornando uma mistura heterogênea: coexistem células que mantêm o Y e outras que o perderam. Segundo dados compilados pela pesquisadora, 40% dos homens de 60 anos já apresentam essa perda, proporção que sobe para 57% aos 90 anos. Fatores ambientais como tabagismo ou exposição a cancerígenos também influenciam.

Durante anos, presumiu-se que essa perda fosse irrelevante. Se o cromossomo Y contém poucos genes e as células podem sobreviver sem ele, parecia lógico pensar que sua ausência não teria grandes consequências.

Contudo, segundo Graves, dados recentes apontam para outra direção. Diversos estudos encontraram associações entre a perda do Y e doenças cardiovasculares, neurodegenerativas e diferentes tipos de câncer.

Um estudo alemão em larga escala observou que homens acima de 60 anos com alta frequência de perda do Y tinham maior risco de sofrer ataques cardíacos. Também foi detectada uma frequência dez vezes maior dessa perda em pacientes com Alzheimer, além de uma associação com maior mortalidade por covid-19.

O desafio da causalidade

Estabelecer uma relação causal é complexo: as doenças poderiam provocar a perda do Y, ou um terceiro fator poderia estar por trás de ambos os fenômenos.

No entanto, um experimento com camundongos sugere um possível efeito direto. Ao transplantar células sanguíneas sem cromossomo Y em camundongos irradiados, os animais desenvolveram mais patologias associadas ao envelhecimento, incluindo alterações na função cardíaca e casos de insuficiência cardíaca.

Como um cromossomo com tão poucos genes pode ter impacto tão amplo? Parte da resposta está no fato de que vários desses genes se expressam em todo o organismo, não apenas nos testículos, e alguns atuam como supressores de tumores.

Além disso, o cromossomo Y abriga genes não codificantes que parecem regular a atividade de outros genes em cromossomos distintos. Sua perda pode, portanto, alterar mecanismos que vão muito além da determinação sexual.

Então, os homens vão desaparecer?

Não da noite para o dia. Humanos não podem se reproduzir por partenogênese, ou seja, sem a contribuição genética masculina, e existem pelo menos 30 genes com impressão genômica que devem vir do esperma.

Se o cromossomo Y desaparecesse, a alternativa não seria a extinção imediata, mas a evolução de um novo sistema de determinação sexual. Em teoria, esse processo poderia inclusive levar, a muito longo prazo, a uma diferenciação entre espécies, como sugere Graves.

Por ora, não há evidências de uma emergência evolutiva iminente. O cromossomo Y pode se manter por milhões de anos ou transformar-se em outra coisa. Sua trajetória futura segue incerta, mas está longe de um desfecho imediato.

Além disso, o sequenciamento completo do DNA do cromossomo Y humano foi alcançado há apenas alguns anos, de modo que nosso conhecimento detalhado sobre seu funcionamento ainda é relativamente recente.

Mais do que o obituário de um cromossomo em decadência, essa nova etapa pode permitir uma compreensão mais aprofundada de seu papel na biologia e na evolução humanas.

 

 https://istoedinheiro.com.br/os-homens-serao-extintos-a-verdade-sobre-o-cromossomo-y

https://g1.globo.com/mundo/noticia/2023/07/11/quem-era-a-divindade-asherah-a-esposa-de-deus.ghtml

 

STF tem maioria para confirmar desestatização da Corsan

 

 

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O Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria nesta sexta-feira, 20, para validar a desestatização da Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan). O julgamento foi retomado no plenário virtual que vai até a próxima sexta-feira, 27. Até o momento, há seis votos para declarar a constitucionalidade da lei de 2021 que autoriza a desestatização.

A ação foi movida pelo PT, que argumentou que a autorização para a desestatização da Corsan foi genérica e sem critérios objetivos.

 Para a legenda, a medida contraria a jurisprudência da Corte que estabelece que o Legislativo não pode abrir mão de definir os termos e balizas da alienação. Ou seja, não poderia delegar essas definições ao Executivo.

O relator, Kássio Nunes Marques, rejeitou o argumento do PT. Ele afirmou foram cumpridos ambos os requisitos para a desestatização de empresas públicas e sociedades de economia mista – a prévia autorização legislativa e a realização de licitação pública.

 “Há lei formal autorizando a alienação do controle acionário da Corsan, bem como essa autorização não eximiu o administrador público de cumprir os limites e condicionantes estabelecidos em lei, inclusive a obrigatoriedade de realização de licitação”, afirmou Nunes Marques.

Ele foi acompanhado pelos ministros Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin, André Mendonça, Dias Toffoli e Flávio Dino.

Com guerra, Petrobras tem maior valorização dentre petroleiras do mundo e chega a recorde de R$ 640 bi

 

A Petrobras acumula valorização expressiva desde o início da guerra entre os Estados Unidos e o Irã. Desde a virada do mês, que coincidiu com a ofensiva bancada pelo presidente norte-americano, Donald Trump, contra o regime iraniano, o petróleo Brent saltou 49,2%.

Levantamento feito pelo Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) mostra que, nesse período, a estatal brasileira viu seu valor de mercado crescer para US$ 127,5 bilhões, elevação de 18,9%, o maior aumento entre as dez maiores companhias mundiais do setor.

Os números levam em conta o valor de mercado das empresas em dólares, calculado pelo site Companies Market Cap.

Também pela régua da moeda norte-americana, a cifra da Petrobras está longe do pico de US$ 310 bilhões, alcançado em junho de 2008. Em reais, a estatal bateu seis recordes de market cap em março, alcançando o pico de R$ 640 bilhões na quarta-feira, um ganho mensal de R$ 108 bilhões.

O movimento altista da estatal brasileira reflete, sobretudo, a exposição direta à forte subida do petróleo diante da escalada nos conflitos no Oriente Médio e a distância geográfica da guerra.

Apesar disso, o desconto da Petrobras em relação às concorrentes globais permanece. Para o sócio da Fatorial Investimentos, Fábio Lemos, isso decorre principalmente de fatores domésticos, que podem se sobrepor à commodity a qualquer momento, como risco de intervenção governamental, incertezas na política de preços de combustíveis e custo de capital elevado associado ao Brasil.

Medidas recentes, como tributação sobre exportações e manutenção da defasagem nos preços, também reforçam essa percepção.

Lemos lembra que a Petrobras concentra, em uma única ação, três vetores que, no caso dos concorrentes no exterior, são diluídos: exposição ao preço do petróleo, integração com refino e o prêmio (ou desconto) típico de mercados emergentes. “Com a alta do Brent, o mercado passou a precificar simultaneamente esses fatores”, afirma.

Além disso, a Petrobras parte de um valuation comprimido em relação aos pares internacionais, o que intensifica a reprecificação em cenários positivos para o Brent, como é o caso agora.

Esse desconto, por outro lado, também aumenta a sensibilidade do papel às variações do petróleo: em ciclos de alta, a valorização tende a ser mais intensa, mas o efeito se inverte em momentos de queda, especialmente se houver defasagem nos preços domésticos.

Hugo Queiroz, sócio da L4 Capital, leva em conta ainda que parte do desempenho recente da estatal também é explicada por uma correção de desempenho anterior. “Havia um gap relevante em relação às grandes petroleiras, e esse movimento ajudou a fechar parte dessa diferença”, diz.

Emergente

Ainda segundo Queiroz, o ambiente de país emergente também pesa nos fundamentos da companhia, com desafios estruturais como custos mais elevados, questões regulatórias e dificuldade de financiamento.

“Mas o principal fator segue sendo político. Qualquer interferência na Petrobras, seja em investimentos ou na política de preços, pode comprometer a eficiência e a geração de valor do ponto de vista especialmente do investidor estrangeiro”, pondera.

Na prática, isso limita o quanto o mercado está disposto a pagar pela ação, mesmo em um cenário favorável para o petróleo. Para investidores estrangeiros, a empresa continua sendo vista prioritariamente como uma tese de petróleo, com “opcionalidade de Brasil”: o fluxo externo acompanha o preço do Brent, enquanto uma eventual melhora no ambiente doméstico poderia destravar valor adicional.

Tanto a Petrobras como o governo federal vêm se movimentando para dar uma resposta à alta do preço do petróleo e de seus derivados no mercado internacional. Na sexta-feira passada, a estatal anunciou um reajuste de 11,6% no diesel. O aumento aconteceu após 312 dias de preço congelado. A gasolina ainda segue sem alteração.

Nesta semana, o governo federal propôs que os Estados zerem o ICMS sobre a importação de diesel por dois meses, o que pode abrir espaço para que a Petrobras realize novos aumentos do combustível.

Na visão do Citi, a medida, se implementada, permitiria à petroleira reduzir a grande defasagem entre os preços domésticos e os de paridade de importação.

A questão dos dividendos também segue como um dos principais atrativos na demanda pelo papel da Petrobras, com retornos acima da média global, mas já em níveis mais próximos aos de outras petroleiras maduras. Segundo Queiroz, da L4, só voltariam a impulsionar fortemente as ações da estatal em um cenário de distribuição extraordinária, como ocorreu entre 2020 e 2022.

 

 https://istoedinheiro.com.br/petrobras-valoriza-guerra

Anvisa prevê decisão sobre primeiros genéricos do Ozempic até o fim de abril

 

A Anvisa informou que sua área técnica deverá ter até o final de abril uma posição a respeito de alguns pedidos de registro de semaglutida feitos por empresas farmacêuticas. Trata-se da substância presente no Ozempic e no Wegovy, cuja patente caiu nesta sexta-feira, 20.

A resposta do órgão regulador poderá ser uma aprovação, reprovação ou apresentação de exigência técnica. Neste terceiro caso, as farmacêuticas recebem um novo prazo para entregar informações adicionais ou ajustes no pedido.

Ainda que sejam aprovados, os medicamentos devem demorar mais algum tempo para chegar às farmácias, já que dependerão também da fabricação e logística das empresas responsáveis.

A Anvisa destaca que atualmente analisa oito pedidos de registro de medicamentos com o mesmo princípio ativo do Ozempic. Três deles já estão na fase de exigência, ou seja, receberam prazo até junho para apresentarem novos dados necessários para que a avaliação siga adiante.

Há ainda nove pedidos que aguardam o início da análise pelas áreas técnicas. No total, são assim 17 tentativas de comercializar novos medicamentos com semaglutida no país.

Análogos sintéticos x biológicos

Segundo o órgão regulador, cinco dos sete pedidos analisados atualmente são de semaglutida sintética. O oitavo, de semaglutida biológica, está entre os que aguardam resposta da empresa para exigência técnica.

Os medicamentos da Novo Nordisk atualmente disponíveis no Brasil contém semaglutida biológica. Em nota, a Anvisa diz que “a avaliação dos análogos sintéticos de semaglutida tem sido tratada como um desafio técnico para as agências reguladoras em todo o mundo. Até o momento nenhuma das principais agências de medicamentos do mundo como as do Japão, Europa e EUA registrou análogos sintéticos da semaglutida”.

A dificuldade na aprovação está em que é necessário analisar nestes produtos preocupações tanto típicas de medicamentos sintéticos (como risco de resíduos) quanto de biológicos (como possibilidade de produção de uma resposta imune capaz de reduzir os efeitos).

Semaglutida no SUS

A queda da patente e o surgimento de novos competidores no mercado abre a possibilidade de queda nos preços e de uma consequente implementação do medicamento no SUS (Sistema Unificado de Saúde) em breve. No ano passado, o governo federal analisou a inclusão do Ozempic na rede pública e chegou a uma resposta negativa pois o impacto orçamentário foi avaliado em mais de R$ 8 bilhões anuais.

Por ora, o Ozempic iniciou um projeto piloto apenas na rede municipal do Rio de Janeiro, realizada a partir de uma parceria entre a prefeitura e a fabricante, a dinamarquesa Novo Nordisk. Em nota, o Ministério da Saúde destaca que “o SUS é gerido de forma tripartite, por União, estados e municípios, que possuem autonomia para ofertar, inclusive com recursos próprios, medicamentos, vacinas e demais tratamentos, de acordo com as necessidades da população”.

Na capital fluminense, serão atendidas inicialmente 320 pessoas com IMC acima de 40 e comorbidades associadas, selecionadas pelo Centro Especializado em Obesidade e Metabolismo. Após três meses, o atendimento será estendido às clínicas da família da cidade, alcançando 10 mil pessoas.

Ozempic e os agonistas do GLP-1

A semaglutida compõe uma classe de medicamentos chamada de agonistas do GLP-1. Inicialmente desenvolvidos para tratamento do diabetes, estes fármacos simulam um hormônio produzido naturalmente pelo corpo humano durante a digestão. Como consequência, diminuem os níveis de glicose no sangue e aumentam a sensação de saciedade após as refeições.

Além do Ozempic e Wegovy, remédios de semaglutida fabricados pela Novo Nordisk, outras opções populares no país são o Saxenda e Victoza (também da Novo Nordisk) e Olire e Lirux (da EMS), cuja substância ativa é a liraglutida; e o Mounjaro (da Eli Lilly), feito a partir de tirzepatida, o agonista do GLP-1 mais potente disponível atualmente no mercado.

 

 https://istoedinheiro.com.br/ozempic-generico-anvisa-preve-abril-20326

quinta-feira, 19 de março de 2026

Senado aprova uso imediato de tornozeleira por agressor de mulher

 

Senado Federal — Portal Institucional do Senado Federal


O Senado Federal aprovou, nesta quarta-feira (17), o Projeto de Lei (PL) nº 2942/2024 que permite à Justiça determinar o uso imediato de tornozeleira eletrônica pelo agressor de mulheres em situação de violência doméstica e familiar, se for verificado o alto risco à vida delas. O objetivo é ampliar a proteção às vítimas.

 De autoria dos deputados Fernanda Melchionna (PSol-RS) e Marcos Tavares (PDT-RJ), o projeto aprovado sem mudanças pelo Senado foi relatado pela senadora Leila Barros (PDT-DF). A proposta segue, agora, para a sanção da Presidência da República.

A senadora pelo Distrito Federal disse que o projeto aperfeiçoa a legislação ao garantir a aplicação imediata do monitoramento eletrônico como medida protetiva de urgência.

“Somada ao afastamento do agressor do convívio com a vítima, a tornozeleira amplia a proteção às mulheres, permitindo inclusive o acompanhamento em tempo real do agressor por um dispositivo que emite um alerta, em caso de aproximação”, explicou a parlamentar Leila Barros.

O texto também torna permanente o programa de monitoramento eletrônico e de acompanhamento de mulheres em situação de violência.

Vira regra

Pelo projeto de lei, a imposição imediata do uso da tornozeleira passa a ser regra em casos de alto risco de agressões graves às mulheres. O risco a ser avaliado deve ser atual ou iminente à vida ou à integridade física ou psicológica da mulher ou de seus dependentes.

A exigência da terminação de medida protetiva de urgência fortalece a proteção prevista na Lei Maria da Penha nº 11.340/2006, aplicável em conjunto com outras.

Até a aprovação deste projeto de lei, a Lei Maria da Penha autoriza a aplicação do monitoramento, mas como algo opcional, e não o inclui no rol das medidas protetivas de urgência.

Além dos casos em que for verificado o risco iminente à integridade física ou psicológica da vítima, a imposição da tornozeleira será prioridade nos casos em que houver descumprimento de medidas protetivas anteriormente impostas.

 

Se o juiz decidir que a tornozeleira não deve ser mais usada como medida protetiva, o magistrado deverá justificar expressamente os motivos que o levaram a tomar a decisão.

Saiba mais sobre a medida no Repórter Brasil Tarde, da TV Brasil

Rastreamento pela vítima e pela polícia

O texto do projeto determina que, nas situações de uso da tornozeleira pelo agressor, deve ser entregue à mulher vítima um dispositivo portátil de rastreamento que alerte sobre eventual aproximação do agressor.

O aparelho de segurança vai emitir um alerta automático e simultâneo para vítima e para polícia, logo que o agressor romper a área de trânsito proibido, fixada judicialmente.

A iniciativa tem o objetivo de permitir o monitoramento ativo do cumprimento das restrições impostas.

Rigor para quem descumprir a lei

A imposição da tornozeleira também será prioridade nos casos em que houver descumprimento de medidas protetivas anteriormente impostas.

O texto aprovado aumenta a punição caso o agressor se aproxime da vítima ou se remover ou violar a tornozeleira sem autorização judicial.

Hoje, a pena de reclusão varia de 2 a 5 anos, mais multa. Com a proposta, os agravantes aumentam a pena de um terço à metade do tempo de reclusão.

Cidades pequenas

Em municípios em que não existe uma comarca, portanto, localidades sem um juiz de plantão, o uso da tornozeleira poderá ser determinada pelo delegado de polícia local.

Atualmente, o afastamento imediato do lar é a única medida protetiva que o delegado pode adotar nas localidades sem um representante do poder Judiciário.

O delegado deverá comunicar, em até 24 horas, à Justiça sobre determinação de monitoramento eletrônico. O juiz deverá decidir sobre a sua manutenção e comunicar a decisão ao Ministério Público.  

O levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostra que, em 2024, 50% dos feminicídios ocorreram em cidades com até 100 mil habitantes. Naquele ano, apenas 5% das cidades possuíam delegacias da mulher e somente 3% dos municípios tinham acesso a uma casa abrigo.

Mais dinheiro e campanhas

O projeto também aumenta de 5% para 6% a cota de recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP) que deve ser destinada ao combate à violência contra a mulher.

O dinheiro deverá ser empregado, prioritariamente, na compra e manutenção das tornozeleiras eletrônicas e de dispositivos de alerta para as vítimas.

Segundo o projeto, as campanhas de enfrentamento da violência contra a mulher deverão contemplar informações sobre procedimentos e abordagens policiais, prevenção à revitimização, funcionamento das medidas protetivas de urgência e mecanismos de monitoração eletrônica.

Violência em números

A senadora Leila Barros classifica a violência doméstica como “uma verdadeira epidemia” e apresentou dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ): em 2024, 966.785 novos casos de violência doméstica contra as mulheres foram analisados pela Justiça  e foram concedidas 582.105 medidas protetivas.

Dados do levantamento Retrato dos Feminicídios no Brasil 2006-2026 produzido pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública destacam que, em 2025, foram 1.568 mulheres vítimas de feminicídio no Brasil, crescimento de 4,7% em relação ao ano anterior. Em relação a 2021, o aumento é 14,5%.

O relatório mostra também que, em 2024, 13,1% das mulheres vítimas de feminicídio no Brasil foram assassinadas mesmo tendo uma medida protetiva de urgência em vigor.

Desde que a Lei do Feminicídio (nº 13.104/2015) tipificou o assassinato de mulheres por razões de gênero como crime hediondo, 13.703 mulheres foram vítimas do feminicídio, entre 2015 e 2025.

Como denunciar

É possível pedir ajuda e denunciar casos de violência doméstica e contra a mulher na Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180, um serviço gratuito que funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana, e pode ser usado por mulheres em situação de violência ou qualquer pessoa que queira denunciar uma situação de violência contra a mulher.

O serviço está disponível também no WhatsApp: (61) 9610-0180 e pelo e-mail central180@mulheres.gov.br.

Denúncias de violência contra a mulher também podem ser apresentadas em delegacias especializadas de atendimento à mulher (Deam), em delegacias comuns e nas Casas da Mulher Brasileira. Saiba onde encontrar.

Ainda é possível pedir ajuda por meio do Disque 100, que recebe casos de violações de direitos humanos, e pelo 190, número da Polícia Militar.

 

 


Para ONS, armazenamento é fundamental para estabilizar preços e garantir fluxo de energia

 





 ONS apresenta plano emergencial de cortes e fala em segundo ...

O diretor de Operações do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) Christiano Vieira reiterou nesta quinta-feira, 19, que a confiabilidade da operação do setor elétrico passa pelo debate de questões estruturantes, entre elas, o controle da entrada de carga no Sistema Interligado Nacional (SIN), a redução da volatilidade da matriz energética e uma estrutura tarifária moderna. Em sua avaliação, dada a nova conjuntura de variáveis do setor elétrico, o patamar elevado do preço de curto prazo da energia (PLD) (a R$ 941,26 por MWh) não chega a surpreender.

Quem é Dario Durigan, confirmado como sucessor de Haddad no Ministério da Fazenda

 

O governo federal confirmou nesta quinta-feira, 19, a indicação do advogado Dario Durigan como substituto de Fernando Haddad no Ministério da Fazenda. Anteriormente secretário executivo no Ministério e segundo no comando da pasta, ele já era ventilado no meio político como sucessor mais provável, especialmente após Haddad confirmar que havia sugerido seu nome.

Como uma espécie de teste público, Durigan foi escolhido para apresentar na véspera uma proposta do governo federal para que os estados zerem temporariamente a cobrança de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços ) sobre importação do diesel. Ainda como secretário executivo, ele anunciou o plano e respondeu às perguntas da imprensa. A IstoÉ Dinheiro publicou um trecho da apresentação:

 

 


 

   

A confirmação do nome de Durigan ocorreu durante a 17ª Caravana Federativa em São Paulo, evento promovido pelo governo federal com objetivo de aproximar os ministérios da sociedade. “O companheiro Durigan será o substituto do Fernando Haddad no Ministério da Fazenda. Olhem bem para a cara dele, porque é dele que vocês vão cobrar muitas coisas”, disse o presidente Lula durante o evento.

Homem de confiança de Haddad com perfil negociador

Dario Durigan trabalhou com Haddad quando o petista foi prefeito de São Paulo. Naquela ocasião, atuou como Conselheiro de Administração da empresa pública SPUrbanismo e no assessoramento direto do prefeito, coordenando as secretarias e auxiliando na interlocução com a Câmara Municipal.

Assumiu o cargo de secretário executivo da Pasta em 2023, substituindo Gabriel Galípolo no cargo. Desde então, manteve uma atuação discreta, com poucas falas públicas. Em suas declarações, manteve um discurso alinhado com Haddad, de defesa de ajustes fiscais através de expansão de receitas. “A gente faz esse ajuste fiscal diferente do que fez a Argentina, por exemplo, botando mais da metade da população na pobreza”, disse em junho do ano passado.

Especialistas ouvidos pela IstoÉ Dinheiro apontam que Durigan não tem uma agenda política própria. Espera-se que ele dê continuidade ao trabalho como já ocorre no Ministério. “O desempenho à frente do ministério dependerá de sua capacidade de manter o diálogo com o Congresso, com o mercado e com outras áreas do governo”, afirma o economista Fábio Murad, CEO da Super-ETF Educação.

Durigan também passou por cargos públicos em dois momentos na Advocacia-Geral da União. Primeiro, no Departamento de Gestão Estratégica entre 2010 e 2011. Depois, como consultor jurídico da União entre 2017 e 2019, período no qual foi membro fundador do Núcleo de Arbitragem da AGU.

No setor privado, foi diretor de políticas públicas do WhatsApp entre 2020 e 2023. Também atuou como presidente do Conselho de Administração do Banco do Brasil. Atualmente, é ainda membro Conselheiro do Conselho Fiscal da Vale.

Em relação a sua formação, Durigan é advogado graduado na Universidade de São Paulo (USP) e mestre em Direito Constitucional pela Universidade de Brasília (UnB), com uma dissertação sobre “Desobediência Democrática no Brasil”. Ter profissionais de fora da economia no comando da Fazenda não é inédito. O exemplo mais notório da Nova República é o sociólogo Fernando Henrique Cardoso, que liderou a pasta sob Itamar Franco e coordenou a implementação do Plano Real.

Os desafios de Dario Durigan

Ao assumir o cargo, o novo ministro herdará desafios já enfrentados por Haddad para manter uma ampla gama de auxílios e incentivos em meio a uma forte crise fiscal. A dívida pública sobre o PIB chegou a 78,7% em janeiro. Com a instabilidade gerada pela guerra no Oriente Médio, a complexidade de gerir as contas públicas aumenta ainda mais.

“Ele vai continuar com os mesmos desafios que o ministro [Fernando Haddad] já enfrentava esse ano. Pressão por aumento de gastos, um arcabouço fiscal que não consegue entregar suas metas, pressão do mercado a respeito de um horizonte de longo prazo”, afirma o diretor nacional do Ibmec, Reginaldo Nogueira.

Mas, no que diz respeito a indicação em si, trata-se de uma medida já esperada pelo mercado financeiro.

Estrategista chefe da RB Investimentos, Gustavo Cruz afirma que “antes de entrar no governo, o que Durigan escreveu e falou é muito mais tranquilo para o mercado financeiro do ponto de vista da ortodoxia econômica. O próprio Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, tinha escrito alguns artigos com o ministro Haddad bem mais heterodoxos, e hoje ele é unanimidade”.

 

 https://istoedinheiro.com.br/quem-e-dario-durigan-fazenda-19326

ANP notificou no DF seis distribuidoras e autuou Raízen, Ipiranga e Masut

 

A Força-Tarefa criada pelo governo integrada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon/MJSP) e a Polícia Federal, realizou na quarta-feira, 18, uma operação conjunta que fiscalizou seis distribuidoras de combustíveis no Distrito Federal. A ANP notificou as seis distribuidoras e, até o final da tarde, já havia autuado três delas – Raízen, Ipiranga e Masut – por questões relativas à abusividade de preços.

Desta vez, a operação focou na cadeia acima dos postos de combustíveis, afirmou a ANP, que na terça-feira, 17, também foram fiscalizados.

Já a Senacon, com base no Código de Defesa do Consumidor, notificou as distribuidoras Vibra (antiga BR), Raízen e Ipiranga que, juntas, concentram cerca de 70% do mercado nacional.

A operação, de acordo com as autoridades, ganhou amplitude após denúncias e informações enviadas por postos e por órgãos de defesa do consumidor, como Procons, com indícios de práticas abusivas.

Entre as suspeitas estão a venda de combustíveis comprados a preços anteriores com valores já reajustados e a retenção de produtos para aguardar novas altas.

“Nunca a ANP, o Ministério de Minas e Energia (MME), a Receita Federal (RF), a Polícia Federal, a Senacon, o Sistema Nacional de Defesa do Consumidor e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) atuaram de forma tão integrada”, afirmou em nota o secretário nacional do Consumidor, Ricardo Morishita.

Itaú BBA vê ‘guerra temporária’, queda no preço do petróleo e aumento de cautela nos BCs

 

Apesar da escalada do conflito e de um petróleo que já opera acima dos US$ 110, o Itaú BBA vê um horizonte com algum nível de otimismo. A tese é de que já na primeira quinzena de abril o Estreito de Ormuz seja reaberto e, com isso, o preço do petróleo sofra uma correção.

Assim, a visão é de que o conflito atual tenha uma semelhança com a Guerra do Golfo e não perdure por tanto tempo. Em entrevista coletiva à imprensa nesta quinta-feira, 19, o economista do Itaú Pedro Schneider frisou que, em um cenário de alívio das tensões geopolíticas, o preço poderá voltar para menos de US$ 100 o barril.

“O fechamento [do estreito] deve durar pelo menos até metade de abril. Se não tiver nenhuma novidade, se seguir fechado, o preço seguirá subindo. A assimetria versus o preços atuais é de preços mais altos e não mais baixos, olhando para a frente. Para voltar abaixo de US$ 100 precisa ter solução para guerra e não existe expectativa de curto prazo, mas não existe expectativa de guerra o ano todo – justamente porque a relevância do local ali é gigantesca”, diz Pedro Schneider.

Isso, considerando que o custo econômico do estreito fechado é altíssimo – o que funciona como um incentivo para que os EUA não escalem violência, a fim de evitar choques inflacionário e um cenário que chegaria a afetar o governo Trump nas eleições de meio de mandato (midterms) que ocorrerão em novembro.

Ainda que com uma ‘guerra temporária’, o choque de petróleo deve durar mais de um mês.

No momento, as expectativas de inflação seguem comportadas nas projeções da casa, mas o conflito aumenta os riscos altistas e pode mudar uma das principais variáveis do Banco Central (BC).

Caso o petróleo se mantenha permanentemente acima do nível visto no pré-guerra, a postura do BC – assim como outras autoridades monetárias globais – deve ser de mais austeridade.

No comunicado do Comitê de Política Monetária (Copom) desta semana o BC já havia reiterado a postura cautelosa durante o ciclo de flexibilização, e um petróleo mais próximo de US$ 200 pode fazer a autoridade monetária recalibrar a rota.

“Quando petróleo sobe e fica, BCs sobem juros também. No embargo da Opec na década de 1970 o Federal Reserve vinha subindo juros, tentou cortar, mas veio do choque do petróleo. Quando isso ocorreu, o Fed inclusive voltou a subir os juros novamente”, exemplifica Schneider.

“No Fed, por exemplo, se você atualizar esse gráfico para hoje, até ontem, já não tem mais expectativa do mercado de corte de juros neste ano. Claro que depende de outras coisas, depende não só de inflação, do tamanho do choque de petróleo, também depende da atividade e a gente vê a atividade nos Estados Unidos como forte. Então acho que tem aumentado a chance chance do Fed não conseguir cortar juros neste ano porque a inflação está alta. Ela está rodando em 3% e o risco agora ela é ser mais que 3% e não menos que 3%”, completa.

A projeção da casa é de um petróleo entre US$ 70 e US$ 75 ao fim deste ano, com os preços incorporando o risco geopolítico que deve seguir no radar – cenário que a casa vê como ‘mais provável’.

Olhando para juros e inflação, o Itaú projeta 12,25% de Selic terminal para 2026 e 11,25% para 2027, ao passo que a expectativa da casa para o IPCA fica em 3,8% para este ano e 3,9% para o próximo.

Projeções macroeconômicas do Itaú BBA; petróleo; ipca; selic; inflação
Divulgação/Itaú BBA

Inflação ainda ‘comportada’ mesmo com choque do petróleo

Julia Gottlieb, também economista do banco, comenta que a casa segue enxergando uma ‘inflação corrente ainda comportada’, embora as surpresas altistas na leitura do IPCA-15 e do IPCA de fevereiro, com alguns itens voláteis apresentando altas acima do esperado – incluindo passagens aéreas, seguro de automóveis e outros itens.

“O que acontece agora é que os riscos de inflação ficaram maiores, especialmente por conta de combustível, que está ligado à guerra e ao seu efeito no preço do petróleo”, analisa.

A especialista frisa que cada vez que a Petrobras aumenta 10% no preço da gasolina no repasse às refinarias, há um impacto direto de cerca de 20 pontos-base (bps) na inflação.

No caso do diesel, são os mesmos 10% para 20bps, entretanto o efeito é indireto, dado que o combustível em questão tem um peso baixo no índice de inflação, porém impacta a cadeia econômica como um todo, aumentando custos de frete.

“Tem risco de alta tanto na gasolina quanto no quanto no diesel, e isso é o efeito direto e principal, o maior risco altista para a inflação. Tem ainda um outro risco adicional do conflito para inflação, que é caso o conflito se prolongue. Isso pode gerar um aumento no preço de fertilizante e, quanto mais alto o preço de fertilizante, maior o preço de soja, do trigo. A nossa dependência de fertilizante é bem grande. Então a gente acha que esse efeito tende a ser mais para 2027 do que para 2026”, detalha.

Sobre o ciclo de política monetária, destaca que o mercado apresenta um nível relevante de dissenso sobre a magnitude dos cortes, exemplificando que o mercado se mantinha dividido sobre projeções para o último Copom, com players projetando cortes de 0,25%, 0,5% e até mesmo uma manutenção.

“O BC começou o ciclo de flexibilização de juros com corte de 25bps. O Copom começou de forma cautelosa, e está calibrando o grau de restrição. Vai continuar cortando, mas a magnitude vai depender de como vai evoluir a guerra e o impacto disso nos preços de petróleo e consequentemente nas expectativas de inflação em um horizonte relevante.”

petróleo; bcs; inflação; IPCA
Divulgação/Itaú BBA
 
 
https://istoedinheiro.com.br/itau-petroleo-selic-guerra 

 

A Philip Morris, fabricante de algumas das mais famosas marcas de cigarro do mundo como a Marlboro, vendeu sua participação na Swedish Match do Brasil (que integra a Swedish Match Lights). O comprador foi o fundo de participações Ignis FIP. O valor da operação não foi divulgado.

A empresa vendida fabrica como carros-chefes os fósforos Fiat Lux e os isqueiros Cricket. Atua também com outros dispositivos de uso geral como aparelhos e lâminas de barbear, lâmpadas, pilhas, palitos, plásticos PVC e folha de alumínio.

O fundo comprador, Ignis FIP, fica sob responsabilidade do empresário Marcos Fernando Garms, empresário que também está à frente do grupo familiar Arruda Garms, com atuação nos setores de açúcar e etanol, agronegócio e distribuição automotiva.

A venda precisa ainda da aprovação dos órgãos reguladores. Até lá, a operação da Swedish Match do Brasil segue sob controle da Philip Morris.

Philip Morris foca consumo de tabaco e nicotina ‘sem fumaça’

Em nota, a dona da Marlboro afirma que a decisão de venda está alinhada a sua visão “de um futuro sem cigarros”. A empresa tem investido em expandir o consumo de tabaco e nicotina sem fumaça, através de dispositivos eletrônicos de tabaco aquecido, e-vapor (popularmente chamados de “vape”) e nicotina mastigável.

Segundo o último balanço financeiro divulgado pela empresa, sua receita chegou a US$ 40,6 bilhões no ano passado, um crescimento de 7,3% em relação aos US$ 37,8 bilhões do ano anterior.

Os itens “sem fumaça” apresentaram crescimento mais acelerado e já correspondem a 41,5% da receita total. A empresa busca que 2/3 de seu faturamento venha do segmento até 2030.

 

 https://istoedinheiro.com.br/philip-morris-vende-fiat-lux-cricket-19326

Haddad confirma que deixa Ministério da Fazenda nesta quinta

 

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, confirmou que está deixando o cargo nesta quinta-feira, 19, durante discurso na Caravana Federativa, em São Paulo, ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Mais tarde nesta quinta, em entrevista coletiva no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo, Haddad deve anunciar sua pré-candidatura ao governo do Estado de São Paulo nas eleições de outubro deste ano.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, deixa nesta quinta-feira o comando da pasta após mais de três anos de uma gestão que promoveu mudanças em regras fiscais, combateu benefícios tributários e aumentou impostos com uma defesa de maior taxação aos mais ricos e alívio aos mais pobres, deixando agora o posto para seu atual secretário-executivo.

Haddad deixa o cargo para concorrer nas eleições ao governo de São Paulo após afirmar repetidas vezes que não tinha vontade de se candidatar a um cargo público e enfatizar que desejava colaborar com a campanha pela reeleição de Lula. Essa será sua segunda candidatura ao governo do Estado, após ter sido derrotado em 2022 por Tarcísio de Freitas (Republicanos), que buscará a reeleição.

Haddad também perdeu a eleição à Presidência, em 2018, e não conseguiu se reeleger à prefeitura de São Paulo, em 2016, após ter sido eleito para o cargo quatro anos antes, na primeira vez que disputou um cargo eletivo.

À frente da equipe econômica do governo do presidente petista, Haddad iniciou a articulação de medidas ainda durante a transição de governo, no fim de 2022, quando conseguiu aprovar uma emenda constitucional que liberou gastos sociais e investimentos por fora das normas fiscais.

Já na cadeira de ministro, em 2023, ele propôs a substituição da regra do teto de gastos públicos, que vigorava desde o governo do presidente Michel Temer, por um novo arcabouço baseado em metas fiscais e que permite um crescimento real dos gastos, desde que em ritmo menor que o das receitas.

Tributos

Diante da alta dependência de medidas arrecadatórias para que o regramento se sustentasse, característica criticada por agentes de mercado, o ministro colocou o combate a benefícios tributários como prioridade de sua gestão, propondo também uma série de elevações de impostos.

Nos mais de três anos de atuação, ele conseguiu aprovar cortes da desoneração da folha salarial de setores da economia e de benefícios ao setor de eventos criados durante a pandemia e, mais recentemente, uma redução linear de incentivos tributários não constitucionais.

Sob seu comando, ainda foram criadas ou elevadas taxações sobre combustíveis, apostas esportivas, compras internacionais, fundos exclusivos e offshore, veículos elétricos, fintechs e Juros sobre Capital Próprio (JCP), entre outros.

Em uma agenda mais modesta de corte de gastos, foram revisados critérios de benefícios sociais e do abono salarial. Também foi criada uma trava para o crescimento real do salário-mínimo, que havia sido turbinado anteriormente pelo próprio governo de Lula.

Haddad também esteve à frente das negociações da reforma tributária sobre o consumo, aprovada após décadas de discussão, e da reforma do Imposto de Renda, que isentou quem ganha até R$5 mil mensais — uma promessa de campanha de Lula — e estabeleceu uma taxação mínima de até 10% sobre pessoas com renda mais elevada.

Na gestão do ministro, a dívida pública do país cresceu — de 71,4% do PIB em janeiro de 2023 para 78,7% do PIB em janeiro deste ano — e, segundo projeções do Tesouro Nacional, continuará em trajetória de alta nos próximos anos. Haddad, no entanto, mantém a defesa do arcabouço para as contas públicas e atribui o movimento principalmente ao nível de juros no país, que eleva o custo de rolagem da dívida, e também à herança fiscal que recebeu do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro.

quarta-feira, 18 de março de 2026

É a Alemanha que precisa do Brasil, e não o contrário

 

O Brasil, apesar de sua estagnação econômica, ganhou influência na política internacional. A Alemanha, ao contrário, perdeu. Mas em Berlim parece que ainda não entenderam isso.Há exatos oito anos era publicada aqui minha primeira coluna Tropiconomia. Ela falava sobre como o Brasil formava muito poucos engenheiros – e, pior ainda, nem mesmo precisava deles. Havia escassos postos de trabalho para eles na pesquisa e desenvolvimento do setor privado. Quase nada mudou desde então.

Em retrospecto, posso afirmar: infelizmente poucas mudanças fundamentais ocorreram na economia brasileira como um todo nesses oitos anos. Com raras exceções, as empresas brasileiras fora do setor agrícola não estão na primeira divisão mundial.

Há dez anos que a economia brasileira quase não cresce, e ela está muito distante da euforia que predominava há 20 anos. Você se lembra de Eike Batista? Ele já foi um dos homens mais ricos do mundo. Hoje dá cursos para pequenas empresas e conta sobre os tempos passados – isso me parece sintomático dos problemas da economia brasileira.

Em Berlim, ainda vivem no passado

Mesmo assim, a relação entre a Alemanha e o Brasil mudou nesses oito anos. O Brasil é, hoje, apesar de sua estagnação econômica, mais influente na política internacional do que era então. A Alemanha, ao contrário, perdeu influência. Mas parece que essa valorização política da América do Sul e do Brasil nesses oito anos ainda não foi percebida em Berlim.

Oito anos atrás, a situação era completamente diferente: Angela Merkel havia sido reconfirmada chanceler federal pelo Parlamento alemão (Bundestag). A Alemanha parecia ser mais forte do que nunca: ocupação recorde, superávits orçamentários, boom das exportações. A Alemanha era a âncora de estabilidade econômica na Europa. Merkel chegou a ser considerada a mulher mais poderosa do mundo, e a autoestima da nação estava em alta.

Na Alemanha, muitos ainda vivem nesse mundo – sobretudo na relação com a América do Sul. Na verdade, a Alemanha passa hoje por uma grave crise estrutural.

Com a pandemia de covid-19, a invasão da Ucrânia pela Rússia, a alta da energia e dos custos de produção locais e a fuga da indústria, a Alemanha nunca esteve tão desorientada como hoje, desde a criação do país após a Segunda Guerra Mundial. Em consequência, a influência alemã no mundo diminuiu.

Mas, em Berlim, age-se como se a Alemanha continuasse sendo, na América do Sul, tão influente, respeitada e atraente como oito anos atrás.

Punição coletiva para a América Latina

Se forem considerados os pontos altos das relações bilaterais desde 2018, a agenda conjunta parece pálida e sem ambição. Após a eleição de Jair Bolsonaro, em 2018, as relações exteriores com toda a América do Sul foram inicialmente colocadas em compasso de espera. A América Latina foi, por assim dizer, punida coletivamente por causa do presidente de extrema direita do Brasil.

A aproximação mais importante só ocorreu em 2023, quando o então chanceler federal Olaf Scholz visitou Chile, Argentina e Brasil para firmar parcerias energéticas. Em Brasília, a delegação alemã percebeu, surpresa, que o então recém-empossado presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, tinha uma visão completamente diferente sobre a guerra na Ucrânia (“Se um não quer, dois não brigam”, disse ele na época). O chamado Sul Global não demonstrou interesse pelas preocupações da Alemanha em relação à guerra às suas portas.

O acordo comercial entre a União Europeia (UE) e Mercosul é mais um desses projetos conjuntos que o bloco europeu vem conduzindo sem ambição. Não são apenas os franceses ou os poloneses, como se gosta de dizer na Alemanha, que dificultam o avanço, mas também – por meio da UE – políticos e políticas alemães.

Até agora, o chanceler federal Friedrich Merz ainda não deixou claro que uma América do Sul democrática seja importante para ele. Seu comentário infeliz sobre Belém, no entanto, revelou qual é a importância que a América do Sul tem no horizonte político dele.

O que a Alemanha tem a oferecer?

E a Alemanha, hoje, depende mais do que nunca do Brasil e da América do Sul: ela precisa de energia (petróleo e gás, etanol e, em breve, hidrogênio verde) e das matérias-primas (terras raras, cobre, lítio, mas também produtos agropecuários) vindas da América do Sul, mas não está disposta a investir dinheiro para garantir esse acesso no longo prazo.

Se todos os outros mercados do mundo desmoronarem, a Alemanha precisará do mercado de 660 milhões de habitantes da América Latina. Se a economia alemã quiser voltar a crescer, trabalhadores qualificados e especialistas latino-americanos serão necessários.

O inverso, porém, não é verdadeiro. A América do Sul precisa cada vez menos da Alemanha. Em Berlim, ainda não caiu a ficha de que o interesse das pessoas na América do Sul pela Alemanha está diminuindo.

Além de palavras calorosas (“uma relação em pé de igualdade”) e críticas à falta de padrões ambientais, a Alemanha tem pouco a oferecer. Uma exceção são as universidades alemãs, que continuam atraentes para os estudantes latino-americanos.

Acredito que existe o risco de esse desequilíbrio se agravar ainda mais. Pois, devido à guerra no Oriente Médio e ao aumento da polarização entre os EUA e a China, a América do Sul ganhará importância geopolítica. Para a Alemanha, o futuro é incerto.

Com isso, me despeço das leitoras e dos leitores. Foi para mim, ao longo dos anos, um prazer acompanhar os inúmeros comentários e discussões sobre minhas colunas.

Há mais de 25 anos, o jornalista Alexander Busch é correspondente de América do Sul do grupo editorial Handelsblatt (que publica o semanário Wirtschaftswoche e o diário Handelsblatt) e do jornal Neue Zürcher Zeitung. Nascido em 1963, cresceu na Venezuela e estudou economia e política em Colônia e em Buenos Aires. Busch vive e trabalha em São Paulo e Salvador. É autor de vários livros sobre o Brasil.

O texto reflete a opinião do autor, não necessariamente a da DW.

 

 https://istoedinheiro.com.br/coluna-e-a-alemanha-que-precisa-do-brasil-e-nao-o-contrario

Selic: com apostas divididas, Copom anuncia hoje decisão sobre taxa de juros

 


Com a guerra no Irã e disparada do preço do petróleo, mercado passou a projetar corte menor da Selic, de 0,25 ponto percentual, e há quem fale até em manutenção

 

 

inflação; selic; juros; copom Galípolo

Presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo Foto: Andressa Anholete/Agência Senado (Crédito: Andressa Anholete/Agência Senado)

 

 darlanlvarengai

Dessa vez não há um consenso no mercado sobre a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que anunciará nesta quarta-feira, 17, a sua decisão sobre a taxa básica de juros. Mesmo assim, a expectativa predominante é de que a Selic terá o primeiro corte em quase dois anos.

O último corte na Selic foi efetuado em maio de 2024, quando a taxa básica caiu de 10,75% para 10,5%. Depois disso, o ciclo só foi de alta dos juros, e desde junho de 2025 a Selic está estacionada em 15%. Veja aqui o histórico.

 Na última semana, o mercado financeiro passou a projetar um corte menor na Selic neste mês e no ano, em meio à disparada do petróleo e incertezas provocadas pela guerra no Oriente Médio. O preço do barril de petróleo saltou da casa dos US$ 60 para o patamar de US$ 100.

 No último boletim Focus, divulgado na segunda-feira, 16, a expectativa passou a ser de um corte de 0,25 ponto percentual no Copom de março e não mais de 0,50 ponto, como estava sendo projetado até a semana anterior. Com isso, a Selic cairia dos atuais 15% para 14,75%.  Já previsão para a taxa básica ao fim de 2026 passou de 12,13% para 12,25%. Veja aqui o detalhamento.

Na última reunião do Copom, em janeiro, os diretores sinalizaram que, “em se confirmando o cenário esperado”, a flexibilização da política monetária começaria na reunião seguinte. Ou seja, o BC indicou começar o corte de juros nesta reunião.

No cenário projetado pela MoneYou e Lev Intelligence, por exemplo, a possibilidade é de 40% de corte de 25 bp, 35% de corte de 50 bp e 25% de manutenção. “O cenário de incertezas inflacionárias locais continua dada a questão fiscal e mercado de trabalho apertado que
criam tensão, com o forte adicional do conflito Irã-EUA, elevando o cenário de incertezas e complicando o cenário para as decisões de política monetária, com a inflação reiterando um qualitativo ruim apesar de alguns alívios pontuais em itens importantes”, avalia a casa.

A Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) projeta corte de 0,25 ponto percentual nesta semana e taxa de 12,25% ao0 fim do ano.

 “Teria que cortar os juros? Teria. O balanço das empresas está implodindo por dentro com a alavancagem? Estão. O crédito está mais difícil? Sim. Era para cortar, mas se eu fosse banqueiro central esperaria e sinalizaria que se “nada demais acontecer” eu cortaria mais na frente”, afirma.

 Juros nos EUA

Também nesta quarta, o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) anuncia a sua decisão de juros. A expectativa é de que os juros sejam mantidos inalterados mais uma vez no intervalo atual, de 3,5% a 3,75%, em meio as pressões de Donald Trump por novos cortes.

 

 https://istoedinheiro.com.br/selic-vai-cair-copom-anuncia-nesta-quarta-decisao-juros

Governo anuncia maior fiscalização de fretes diante de ameaça de greve dos caminhoneiros

 

O ministro dos Transportes, Renan Filho, e o diretor-geral da ANTT, Guilherme Sampaio, anunciaram nesta quarta-feira, 18, medidas para ampliar a fiscalização do cumprimento da tabela do piso mínimo do frete para caminhoneiros e para responsabilizar infratores.

O anúncio ocorre em meio aos esforços do governo para tentar frear a alta do preços dos combustíveis e a crescente preocupação sobre as ameaças de uma greve nacional dos caminhoneiros, como a que paralisou o país em 2018, durante o governo de Michel Temer.

Segundo o ministro, as medidas colaboram para o “distensionamento” do movimento grevista e atendem a demandas dos caminhoneiros.

Empresas que não cumprirem a tabela do frente perderão o direito de transportar cargas no país. O objetivo é impedir que caminhoneiros sejam contratados com valores abaixo do preço mínimo. Ele assegurou que o governo federal estaria buscando “remuneração justa” pelo cumprimento dos preços mínimos da tabela, que foi atualizada na última sexta-feira, 13.

“É cumprimento da legislação e modernização da regulação”, resumiu Renan Filho.

VEJA ABAIXO O ANÚNCIO DAS MEDIDAS

Segundo ele, o somatório das multas aplicadas por descumprimento da tabela do frete chegou a R$ 419 milhões nos últimos quatro meses, o que reforça a necessidade de aperfeiçoar os instrumentos de regulação para garantir o cumprimento da lei

.“Quem insistir em desrespeitar a tabela passará a ser efetivamente responsabilizado, como transportador, contratante, acionista ou controlador da empresa, com medidas que interromperão a irregularidade, desestimularão a reincidencia e corrigirão distorções de mercado”, afirmou Renan Filho.

 As medidas anunciadas nesta quarta, entretanto, ainda precisa ser publicadas no para entrarem em vigor. Ainda não se se as mudanças serão feitas por decreto, medida provisória ou outro instrumento jurídico.

O governo alega que estaria ocorrendo especulação nos preços de combustíveis, tendo em vista o contexto geopolítico e a cotação internacional do preço de petróleo.


Haddad discute mudança no ICMS

Já o Ministério da Fazenda convocou uma reunião com os estados também nesta quarta para discutir uma possível redução temporária da alíquota do ICMS e medidas para conter a alta dos combustíveis.

“Tem reunião hoje com o Confaz, nós vamos fazer uma proposta para eles. Desenhamos uma proposta e vamos apresentá-la, mas eu não vou antecipar para não ser deselegante com os secretários que estão reunidos para essa finalidade”, disse ele a jornalistas ao chegar ao Ministério da Fazenda nesta manhã.

A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transporte e Logística (CNTTL), que manifestou na véspera apoio às mobilizações de caminhoneiros no País, diante do aumento do preço do diesel, informou na noite de terça-feira, 17, que agendou uma reunião com o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos.

“Em função da dinâmica do movimento paredista articulado pelos caminhoneiros autônomos, que ganhou repercussão midiática, lideranças da categoria irão se reunir com caminhoneiros de todos os portos do país nesta quarta-feira, dia 18, em Santos”, informou o presidente da entidade, Paulo João Estausia, em comunicado.

A CNTTL ainda defende que a Petrobras retome a distribuição de combustíveis no país para servir como reguladora de preços no mercado.

O preço médio do diesel S-10, o tipo mais vendido no Brasil, subiu 18,86% no país desde 28 de fevereiro, quando começou a guerra dos EUA e Israel contra o Irã, impactando os mercados de petróleo e combustíveis, segundo levantamento do painel online ValeCard.

A Petrobras informou na noite de terça-feira que segue “comprometida com uma atuação responsável, equilibrada e transparente” e que tem como “pilar fundamental não repassar automaticamente a volatilidade dos preços internacionais” ao mercado doméstico.

Segundo a companhia, o reajuste recente do diesel “está em consonância” com tal estratégia e a “estrutura de formação de preços continua sólida e funcionando”. A manifestação da estatal foi divulgada no Linkedin, em meio à mobilização dos caminhoneiros por uma greve em protesto contra o aumento do preço do óleo diesel.