Alta na popularidade do governo em países emergentes acende sinal amarelo para futura eclosão de crise financeira, diz estudo da VoxEU
São Paulo - Uma das coisas mais difíceis no mundo da economia é prever a eclosão de uma crise financeira.
Especialistas costumam olhar para números de expansão do crédito ou preço de ativos financeiros, mas um novo trabalho aponta para outro fator: a popularidade de um governo.
"Booms políticos, definidos como um aumento da popularidade de um
governo, precedem crises financeiras em mercados emergentes. A opinião
pública em relação ao governo atual melhora significativamente na
escalada para a quebra financeira de um país", diz o estudo publicado na VoxEU
por Helios Herrera, do HEC Montreal, Guillermo L. Ordoñez, da
Universidade da Pennsylvania, e Cristoph Trebesch, da Universidade de
Munique.
Se o processo vem junto com um boom de crédito, a tese fica ainda mais
forte: "um mercado emergente que experimentou um boom político e de
crédito ao mesmo tempo tem muito mais chance de sofrer com uma crise do
que um país que experimentou apenas um deles".
Curiosamente, a explicação não vale para países desenvolvidos, onde
ocorre o contrário: uma queda na popularidade nos 5 anos antes da crise
estourar.
Em média, os 5 anos pré-crise registram aumento de 53% na popularidade
do governo em países emergentes e uma queda de 21,5% em períodos
equivalentes no caso de mercados avançados. O Brasil não está entre os
países analisados.
Razões
Os autores argumentam que isso ocorre porque uma regulação mais forte
tem alto custo político. Em uma situação normal, cabe a um governo
avaliar se a expansão econômica é saudável e sustentável, para aplicar
remédios preventivos caso o rumo precise ser corrigido.
Mas isso pode revelar ao público que a situação não é tão boa quanto
parece, enquanto simplesmente surfar no crescimento e popularidade rende
dividendos pelo menos no curto prazo.
Os autores também encontraram nos países emergentes uma correlação
negativa entre regulação financeira e popularidade do governo, na qual
um afrouxamento de regras favorece aqueles no poder: "Nestes mercados, a
maior parte das crises foi precedida por um afrouxamento regulatório
(não um aperto), sugerindo que essa era uma das razões por trás de
crises"
A tese é que os países em desenvolvimento são mais suscetíveis a esse
processo porque seus políticos costumam ter, em média, uma popularidade
menor e menos confiança da população do que os políticos de países
desenvolvidos.
Isso torna a opinião pública mais sensível a melhorias de cenário e
aumenta o incentivo para que os políticos de países emergentes que estão
no poder aproveitem booms econômicos a qualquer custo para se destacar
de seus concorrentes.
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